Talvez Azra nĆ£o precisasse ser uma criatura sobrenatural para reconhecer a essĆŖncia de algumas outras. Bruxas, por exemplo, deixavam o ambiente em tons de cinza, o aroma do ar ganhava notas de ervas envelhecidas, almĆscar e poeira. Os vampiros, por outro lado, carregavam uma sensação gĆ©lida de inverno, o ar ficava mais denso, como se a atmosfera forƧasse um equilĆbrio inexistente. Claro, era apenas a percepção de Azra e, na maioria das vezes, isso lhe bastava. Angela nĆ£o precisou abrir a boca para que Selin sentisse sua presenƧa, de fato, quando ouviu o questionamento alheio, este lhe soou apenas como uma confirmação de que seus instintos seguiam certos. NĆ£o se virou na direção dela, sequer lhe respondeu de imediato, apenas virou o que seria o quinto shot de tequila da noite, deixando o queimor descer a garganta lentamente, quase como um anestĆ©sico para a sensação indigesta que era estar na presenƧa de seres que nĆ£o simpatizava. āā Vivem me perguntando isso, como se qualquer dia nesta maldita cidade tivesse a remota chance de ser bom. āā Ā replicou, finalmente concedendo um mĆnimo de atenção para outrem, ao virar parte do rosto em sua direção. Suas palavras nĆ£o foram justas, Azra sabia disso. Ela teve dias bons, mais atĆ© do que imaginou um dia. āā Se veio piorar as coisas, vou sugerir que volte exatamente pelo caminho que veio, sugadora de sangue. Ā