Estou correndo muito rápido, ao meu redor, árvores e flores amarelas, borboletas e pássaros contornam um céu azul com um sol imensamente brilhante, o vento corre suave e devagar, sinto a sensação de estar voando, leve… Mas de repente, o céu começa a ficar escuro, os pássaros e as borboletas somem, as flores vão murchando e as árvores são só galhos secos, é uma paisagem feia e sem brilho, eu não consigo mais voar, é um lugar obscuro e sem nenhum resquício de felicidade. E nesse momento sinto algo me puxar para baixo, com uma força avassaladora, não tenho tempo de recuar e nem de gritar ou pedir socorro, me puxam tão forte que eu me vejo dentro de um poço, frio, escuro e assustador, não sei nadar e vou afundando, no começo gradativamente, depois fatalmente. Sinto que meu corpo não tem mais a força de antes e nem a mesma leveza, estou indefesa e frágil, não tenho capacidade de lutar, sinto que minha respiração está esvaindo, meus olhos estão fechados e vagas lembranças começam a vir a tona. Minha mãe me deixando na escola no meu primeiro dia na escola, nossa, como eu gritava! tinha medo que ela fosse embora pra sempre. Minha adolescência conturbada, o rosto de algumas pessoas importantes, os prazeres que tive na vida… Tudo vai passando como se fossem filmes que estavam guardados em algum lugar dentro de mim, prontos para serem reprisados, especialmente nesse dia. Minha última visão, sou eu andando na areia, calma e serena.
Enxergo uma luz, e sinto uma calma exuberante, meu coração começa a sentir paz, meu espírito se sente anestesiado, e meu corpo sente que enfim vai descansar, não desprego os olhos da luz, tenho medo que esse sentimento aconchegante se vá se eu desviar meus olhos dela, e eu lhe sigo, como uma raposa seguiria suas uvas, na esperança de continuar com essa paz que eu não conhecia, uma paz sem igual. Morrer é uma anestesia.
- Alana Albuquerque #bagunçandotudo