Rosetta, mantendo seu olhar afiado sobre Zarina, ouviu as palavras da ruiva com uma expressão de desconfiança persistente. O histórico conturbado de Zarina na Terra do Nunca era bem conhecido, permeado por rumores e contos que circulavam entre as fadas. Boatos sobre sua expulsão do refúgio das fadas ecoavam pelos recantos da Terra do Nunca, alimentando a desconfiança que muitos nutriam em relação a ela.
A fada jardineira ergueu uma sobrancelha, mantendo sua postura firme. "Zarina, sua reputação precede você," comentou Rosetta, suas palavras impregnadas de uma cautelosa incredulidade. "Não é segredo que sua presença na Terra do Nunca sempre foi acompanhada por um rastro de controvérsias. As fadas não esquecem facilmente, principalmente quando se trata de traições e escolhas questionáveis."
Apesar da negação de Zarina sobre o uso do pó mágico de outros, a desconfiança persistia na mente de Rosetta. Os rumores que circulavam sobre a ruiva geravam uma atmosfera de incerteza, e a fada jardineira estava acostumada a confiar mais nos murmúrios do que nas palavras diretas de Zarina. "Você pode alegar inocência, mas há sombras no seu passado que não são facilmente dissipadas. As fadas do refúgio têm memórias longas, e eu costumo dar crédito às histórias que ouço. Talvez você tenha mudado, talvez não. A verdade está em algum lugar entre os rumores e suas palavras que não estão valendo muito." Rosetta concluiu, mantendo um olhar perspicaz sobre a ruiva, contemplava Zarina com uma mescla de desconfiança e indisfarçável desinteresse.
A reputação tumultuada da ruiva, permeada por controvérsias e rumores sombrios, não se mostrava propícia a confiança da fada jardineira. À medida que o diálogo se desenrolava, a feição de Rosetta mantinha-se imutável, denotando sua resistência em conceder qualquer vestígio de confiança a Zarina. Para a fada jardineira, a negligência perceptível na aparência desalinhada e nos cabelos em constante desarmonia de Zarina simbolizava seu estado de exclusão na comunidade feérica. O matiz vermelho vibrante, muitas vezes evidenciado pela falta de zelo, apenas reforçava a imagem de uma fada alheia à aceitação entre as demais. Para Rosetta, confiar em alguém que não dedicava tempo ao seu próprio cuidado era inimaginável. Como ela poderia depositar confiança em uma fada que negligenciava a própria imagem diante do espelho, revelando uma descuido que transcendia além dos cabelos desalinhados?
a ruiva não podia deixar de pensar no quão injusta a outra fada estava sendo, afinal, ela não era a única que fizera besteiras na terra natal delas, contudo, era evidente que rosetta tinha a si como alvo de seu ódio, algo que ela jamais presenciara em sua vida antes. não compreendia o porquê da outra agora tratá-la de tal forma, mas talvez fosse tarde demais para restaurar qualquer amizade que um dia poderia ter existido entre as duas.
as palavras da outra martelavam em sua cabeça, fazendo com que zarina apenas tivesse a certeza de que fizera a escolha certa em deixar a terra do nunca. "as fadas podem não esquecer, mas nenhuma está livre de cometer erros e fazer escolhas ruins, nem mesmo você, rosetta." criou coragem pra proferir, visto que se de nada adiantava que ela tentasse ser amigável, para que se manteria na cordialidade com alguém que não lhe mostrava qualquer respeito?
o que, talvez, mais irritava a ruiva é que a amiga tão próxima da outra fada era alguém que havia cometido seus erros também, mas era evidente que não havia tal ódio para com a outra. zarina não entendia o porque da injustiça consigo, quando vidia também tivera sua cota de erros, mas rosetta claramente a perdoara. talvez, no fim das contas, tudo se resumia aos sentimentos da outra, visto que o laço entre as duas era forte aparentemente, enquanto que zarina talvez nunca tenha passado de uma ferramenta de auxílio para a fada jardineira.
"talvez pensar que você entenderia mais do que a maioria foi te dar crédito demais." zarina murmurou, mais para si do que para a outra fada, levantando-se então. "não irei prolongar mais seu pesadelo." a ruiva sentia-se... decepcionada até, mas se rosetta estava tão certa de sua falta de caráter, não perderia seu tempo, muito menos naquele momento, para prová-la do contrário.














