Carta aberta:
Eu ainda penso em você.
Em dias comuns, em músicas aleatórias, em horários específicos da noite… em pequenos detalhes que ninguém perceberia, mas que carregam você inteiro dentro deles. E talvez essa seja a parte mais difícil de aceitar: você se foi, mas tudo o que vivemos ficou. Ficou em mim de um jeito profundo, intenso, quase impossível de explicar. Porque algumas pessoas passam pela nossa vida sem deixar marcas. Você não. Você deixou raízes.
Sinto falta da sua presença nas coisas simples. Das conversas que pareciam durar minutos e atravessavam horas. Do jeito que eu me sentia quando tudo estava bem entre nós. Sinto falta até das partes imperfeitas, porque, de alguma forma, elas também eram nossas.
Eu queria conseguir fingir que segui em frente completamente, mas a verdade é que existem sentimentos que não obedecem o tempo. E o que eu senti por você… ainda existe aqui. Quieto às vezes, desesperado em outras, mas vivo.
Talvez você nunca imagine a profundidade do que significou pra mim. Talvez nunca saiba quantas vezes eu revisitei memórias tentando entender em qual momento nos perdemos. E, sinceramente, parte de mim ainda gostaria de uma chance. Não para apagar o passado, mas para construir algo mais maduro, mais verdadeiro, mais forte do que fomos antes. Porque apesar da dor, apesar da distância, apesar do silêncio… eu ainda enxergo beleza em nós.
E isso me assusta. Assusta perceber que, mesmo depois de tudo, meu coração ainda procura você em lugares que não deveria. Ainda deseja sua voz em dias difíceis. Ainda imagina como seria se tivéssemos tentado mais uma vez.
Talvez amar alguém de verdade seja isso: carregar a pessoa dentro de si mesmo quando ela já não está mais ali.
Eu não sei se um dia nossos caminhos vão se cruzar de novo. Não sei se ainda existe espaço pra mim na sua vida. Mas precisava que, em algum lugar do mundo, essas palavras existissem. Precisava colocar pra fora tudo aquilo que ficou preso entre saudades, orgulho e silêncio.
E se existe algo que nunca mudou, é isso:
eu amei você de verdade.
-Rodrigues





















