Motivos pra não querer ser mãe
Esse assunto é um tanto polêmico, então vou dar aqui a minha visão sobre.
Primeiramente eu gosto de crianças, não tenho nenhum ódio sobre elas. Na verdade, eu cresci num ambiente religioso com papéis bastante tradicionais sobre a mulher, e tais percepções foram coisas que eu tive de ir desconstruindo com o tempo.
Quando era criança eu repetia que teria um monte de filhos. Mas conforme fui me tornando adolescente e criando mais consciência das coisas, isso mudou.
Minha adolescência foi turbulenta e no meio de várias crises existenciais, houve um momento que eu simplesmente soube que não poderia... Lá pelos meus 14 anos já. Gravidez na adolescência sempre foi um medo colocado, mas de repente estava eu ali, pensando que mesmo num futuro distante, eu ainda não ia conseguir passar por aquilo.
Sim, medo da gravidez, do parto. De tudo que isso envolve. Das mudanças hormonais e físicas, dos problemas que podem vir, da depressão pós parto. De tudo que poderia dar errado.
Seria fútil eu não querer aceitar as mudanças no meu corpo?
Isso ainda é algo difícil pra mim, aceitar a perda de controle sobre mim. Quando se engravida, a prioridade acaba sendo o bebê e a partir daí é o que acontece, a nova geração se torna a prioridade. Estaria eu pronta pra me dedicar completamente a outro ser e perder o protagonismo da minha vida? Não.
A vida já pode ser tão difícil e pesada. Porque colocar mais uma vida nesse mundo pra sofrer, com tantas incertezas?
Poderia eu ter certeza que essa criança cresceria bem num ambiente saudável? É possível garantir isso de alguma forma?
Com 16 anos isso já tomou bastante forma e, logo no início do meu primeiro namoro eu já deixei claro minha posição sobre isso, antes mesmo de iniciar minha vida sexual. Eu sabia que não mudaria de ideia, e com 16 anos, sem ter nem terminado a escola, engravidar não era uma opção de toda forma. Muitas pessoas disseram que quando ficasse mais velha mudaria de ideia.
E eu fui ficando mais velha e passando por novas experiências e relacionamentos. Sempre deixei clara minha posição sobre não ter filhos. Eu poderia citar muitos outros motivos... financeiros e econômicos, genéticos. A violência do país, a instabilidade no mundo... acho todos esses motivos bastante válidos pra qualquer um.
Mas o maior deles, simplesmente não querer fazer isso. Não querer mudar o foco da sua vida, não querer as responsabilidades, não sentir vontade. Deveriam ser motivos suficientes. Acredito que, ninguém deveria ser julgado por algo assim. E acredito que conversar sobre isso, logo no início do relacionamento ajuda a alinhar expectativas e evitar desperdiçar tempo.
Eu sempre tive esse pensamento... e já tentaram me fazer mudar de ideia... acabei surtando e caindo fora. Imaginei lá longe, lá na frente. No final, quase sempre a responsabilidade cai na mulher, mesmo quando é o homem que pede pra ser pai.
Então acabava que um jeito fácil de me fazer correr era dizer que queria ser pai. Peguei alergia a homem muito fértil kkk
Felizmente hoje em dia eu encontrei alguém que pensa pelo menos parecido e me ama e me aceita mesmo não querendo ser mãe. Não é fácil... mas finalmente eu me sinto segura pra dividir a vida com alguém sem ter medo dessa pessoa um dia ir embora por eu não querer ser mãe.
Sempre quis alguém que me amasse por quem eu sou e não pelo que eu poderia gerar. Acho muito tristes todas as histórias de mulheres que foram trocadas por não poderem ter filhos. Quando você se apaixonar por alguém, nem sequer há garantia que essa pessoa é fértil na maioria das vezes. Você deixaria o amor da sua vida por não poder gerar um filho por algum motivo? De repente uma doença?
Pra mim não entrava na minha cabeça. O amor deveria estar além disso.
E quanto as pessoas se arrependerem sobre ter filhos, bom... acho preferível se arrepender de não ter tido do que se ver com crianças e estar arrependido.