“I’m singing from my heart now more than ever. I’ve gotten a lot braver with my writing.”
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“I’m singing from my heart now more than ever. I’ve gotten a lot braver with my writing.”
Sleepy Beauty // Lianne
Estando imerso no sono mais pesado em meses, Liam não conseguia encontrar estímulos para levantar a cabeça e prestar atenção na aula. Andava tão desgastado, como sempre acontecia de manhã, que não conseguia manter o pensamento focado em suas anotações. Acabava sempre desenhando alguma coisa sem sentido, tentando chamar a atenção da namorada, nunca conseguindo esse feito em sala de aula, ou mesmo voando com os pensamentos para qualquer outro assunto mal resolvido em sua mente. Não conseguia estar focado em uma sala repleta de pessoas, era simples. Se fosse apenas ele, e apenas ele, conseguiria se concentrar no que estava aprendendo e certamente concluiria todos os afazeres com maestria, por isso permanecia acordado durante a madrugada. A necessidade de um tempo de estudo sozinho era um dos fatos de sua insônia ter tornado-se um ritmo aos seus doze anos de idade.
Pelo menos o sono o fazia fugir de seus pensamentos aéreos que, nos últimos meses, o levava para maus lençóis. No caso, costumava começar pensando o porquê de estar estudando certa coisa na sala se sequer sabia o que faria da vida no dia seguinte, tinha notas altas, uma postura meio desleixada, mas excelente depois do meio dia, por que ainda não conseguia imaginar um futuro? Por que ainda não uma profissão? Sentia que fazia tudo sem propósito algum até olhar para o lado e ver alguém tão determinada como Portman, seu orgulho. Também se pensava sobre isso, sobre ela, já que, ainda desejava tê-la ao seu lado dali anos. Era uma de suas únicas certezas.
Enquanto seu sonho mais profundo o fazia viajar pelo labirinto de Dédalo, Liam sentia dores irritantes em sua cabeça toda vez que, em seu sonho, ficava de pé. Já estava começando a incomodar quando virou para o outro lado assim que um cutucão na área de seu torso o fez gemer qualquer coisa. Até quando enfim sentiu um beliscão, daqueles fortes com dedos cheios de anéis e juntas determinadas contra costelas cobertas por camadas de pele e uniforme. Não se sobressaltou por pouco, mas seu olhar atônito fora suficiente para atrair a atenção da professora a sua frente, observando-o por cima de seus pequenos óculos com aquele olhar que lançava sobre o time de quadribol quando tentavam resolver o horário dos treinos de cada casa. Um olhar de puro descontentamento, do mesmo jeito que ficava quando perdia os horários da grifinória para o time da sonserina.
Com o veredito da diminuição de pontos de sua casa, Liam recolheu o material assim que a aula terminou e esperou por Anne para sair da sala, não sem antes ouvir Minerva anunciar em alto e bom tom: - Detenção no sábado senhor Knight, esteja na minha sala às nove e não preveja horário para saída. – O dia do jogo, ótimo, porque a sonserina sabia mesmo se dar bem contra a lufa-lufa tendo ausente um dos dois rebatedores. Liam não tentou contestar, era sua palavra contra uma quase diretora e não valia muito a pena ficar discutindo e ganhando mais dias detenção ou perdendo mais pontos de sua casa, já havia causado tumulto suficiente ali dentro apenas por um tempo dormindo. Por sorte o sono passara quando colocara os pés para fora da sala e buscara em mente a próxima aula, que seria Herbologia, um tempo fora do castelo com um pouco do sol que lhe restara era o mínimo que precisava além de um bom café. – A Vanity vai me matar por não poder jogar nesse sábado. – Comentou com Anne enquanto ajeitava a mochila pendurada nos ombros. – Já não tenho me dado muito bem nos treinos, é capaz de me tirarem do time. – Suspirou com as palavras mais dirigidas a si mesmo do que para a garota, Anne ainda tinha o jeito de comentar apenas o necessário. – Próximo horário: Herbologia consegue imaginar algo melhor? – Liam descia as escadas rapidamente enquanto tirava bruscamente qualquer pessoa que atrapalhava seu caminho, menos Portman, essa vinha junto com a mão enroscada à sua. – Quer saber, há um modo melhor. Ainda tem aquele seu canto escondido atrás do castelo? – Perguntou-lhe em um tom baixo, parando em meio a um corredor movimentado por alunos que seguiam para suas devidas aulas.
Anne ouviu a sentença de Minerva sem mudar nada em seu semblante. Se não fosse pelas bochechas vermelhas de vergonha e que estavam quentes também, não haveria alteração nenhuma em suas expressões, já que ser namorada de Liam não queria dizer que ela era obrigada a compactuar com tudo o que ele fazia, ou passar a mão na cabeça do garoto conforme ele aprontava. Ainda assim, ela continuou de mãos dadas com Knight, até que saíssem da sala. Pensou em adverti-lo também, mas cria que McGonagall já havia desempenhado bem aquele papel. Principalmente porque se não abria a boca para tentar tirá-lo de uma acusação incontestável, também não faria isso só para apontar defeitos em seu comportamento ou dar algum sermão. Sabia o quanto aquilo era chato e, principalmente, frustrante. Ainda mais vindo de uma pessoa amada.
Tal qual como sua mãe. Ou seu pai. Então... É. Liam não precisava daquilo.
Reprimindo um suspiro, Portman seguiu no encalço do maior. Não podia deixar de notar os olhares sobre si; só não sabia realmente se era impressão, ou se todo mundo gostava de comentar sobre sua aparência extremamente pálida, branca e rechonchuda em contraste com sua cabeleira negra. Porque, bom, era o que parecia acontecer a cada passo que a sonserina dava. Logo ela, que nunca gostara de ser o centro das atenções, optando sempre por fazer tudo na calada da noite ou nas curvas mais distantes de Hogwarts.
-- Você deveria se preocupar é com os pontos a menos para a Sonserina, não com o jogo. Vanity trata todos os jogadores como se fossem substituíveis. -- Anne resmungou. Não queria desapontá-lo, mas ainda estava chateada pelo ocorrido na aula e também não gostava de toda aquela preocupação acerca dos esportes. Era devota demais dos livros, para pensar na ideia de que havia gente que considerava mais o Quadribol, do que qualquer manuscrito produzido na aula. -- E são. É só um esporte idiota. -- Suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas, porque continuava com raiva.
Na verdade, havia sensações misturadas demais em si. Por isso a instabilidade emocional.
-- Herb... -- Antes que pudesse respondê-lo então, estavam parando no meio do corredor. Soltou a mão de Liam quando a pergunta veio. Realmente não gostava da matéria, mas ela já tinha uma ou duas faltas na grade de horários. Sentia-se péssima com aquilo, mas mordiscou o interno da bochecha, pensativa. Encarou os próprios pés e depois as pessoas que transitavam por ali. Teriam aula com a Grifinória. -- Tem, sim. -- Respondeu em tom igualmente baixo. Sentia suas bochechas voltando à coloração normal. -- Eu levei algumas velas para lá, troquei os lençóis do colchão e deixei um espanador de repetição rápida. Tudo anteontem. -- Explicou. Seus olhos verdes voltaram para o rosto de Liam e ela só decidiu fazer alguma coisa quando percebeu a diminuição do fluxo da multidão.
Só para que não perdessem mais tempo, puxou o moreno pelo pulso, guiando-se, da melhor maneira possível, por entre os pilares dispostos naquele pátio interno. Estava acostumada a caminhar daquele jeito, de maneira que suas amigas se assustassem quando ela aparecia ou sumia de algum canto, sem que ninguém conhecesse sua origem ou seu paradeiro, respectivamente.
Quando as paredes finalmente acabaram e os dois já estavam fora do castelo, Anne tomou um pouco mais de cuidado com seus passos. Viu monitores zanzando e só passou sem real preocupação pelos de sua Casa. A começar pelo fato de que não se delatavam, se isto acontecesse, Portman causaria um tumulto e tanto com Narcissa, com quem dividia dormitório. Era até bom que a loira tivesse medo de sua pessoa, porque nessas ocasiões, toda e qualquer repulsa era bem-vinda.
Depois de cinco ou seis minutos de caminhada, eles estavam praticamente nos fundos da velha construção. Ainda assim, tinham de andar pelo menos mais uns dez, até chegar à parte mais distante, quase interna de novo. O montante de caixas continuava existindo, obstruindo a passagem. A parede cheia de infiltrações nunca, absolutamente nunca, poderia valer de nada para olhos desatentos.
Aproximando-se da entrada, Anne retirou a varinha das vestes e usou de um feitiço para afastar as caixas. Elas se empilharam, todas, nas laterais, bem espremidas contra o musgo das paredes estreitas. Como sempre, Anne precisou se agachar, temendo, de certa maneira, não passar por ali, porque ainda se achava absurdamente gorda.
-- Você vai na frente. -- O procedimento padrão. Estava de saia e não era só porque Liam era seu namorado, que ela esquecia das normas de etiqueta que havia recebido. Ainda era a mesma Anne conservadora e tímida de sempre, apesar de bem barra pesada e osso duro também.
have i found your secret weak spot baby?
Sleepy Beauty // Lianne
Com os problemas de insônia tornando-se cada vez mais frequentes, Liam parecia um trapo no início de cada aula da manhã. Deveria estar prestando atenção nos professores, realmente deveria, mas seu cérebro só tornava-se ativo após a meia-noite e a sonolência lhe perturbava das seis da manhã até o meio dia, este era o horário que queria dormir, que gostaria de deitar a cabeça nos travesseiros de pena de ganso e fechar os olhos sem preocupação. Quem dera conseguisse. Então com a situação tornando-se rotina, criara um método para dormir em algumas aulas sem ser pego, e depois tomar nota dos assuntos discutidos de noite, em seu dormitório, funcionava bem o bastante para manter suas notas às alturas e ainda receber alguns elogios dos professores mais rabugentos que o julgava por não ser tão interativo com a turma. Claro, não era obrigado a sorrir e acenar para cada sonserino, a maioria gostaria que ele tivesse morto depois de ter se rebelado contra a própria marca, que agora parecia apenas uma cicatriz bonita em seu braço.
Transfiguração seria a segunda aula, na primeira, que fora feitiços, mal conseguira pregar os olhos por conta do professor que treinara a turma para uma situação de duelos, bastante gratificante para o primeiro horário da manhã. Com os passos pesados assim como sua postura, Liam caminhava pelos corredores, tomando um rumo diferente. Em uma rota para o pátio externo, onde se agachou em um canto ao lado do muro baixo que dividia o corredor do pátio. Estava vazio como se era de imaginar, então gastou um pouco de seu tempo acendendo um cigarro, o qual fumou com rapidez antes de fazer seu caminho até a aula de Minerva, o vício não o deixara tão facilmente, ainda fumava em situações estressantes ou quando ele era obrigado a trabalhar mais do quê sua energia exigia. Pode ouvir o sinal assim que colocou a ponta do pé para dentro da sala e a professora já empunhava a varinha em menção de fechar a porta. – Salvo pelo gongo. – Pode ouvir alguém mencionar com direito a risadas baixas e alguns sussurros.
Levantando o olhar para captar a mesa onde Anne se encontrava, Liam caminhou até esta e tirou a mochila de cima da cadeira para colocá-la no chão, ao lado de sua dona. – Bom dia flor do dia. – Sussurrou em um tom risonho quando se concentrou em seus olhos azuis por instantes antes de colocar a própria mochila sobre a mesa e apoiar a cabeça na mesma, fechando os olhos no mesmo instante. Obviamente estava correndo sério perigo porque a aula era simplesmente de Minerva McGonnagall, a professora mais rigorosa de todo castelo, mas Liam não estava preocupado com isto, estava preocupado com as horas de sono que perdera revendo poções e runas antigas, queria um pouco de descanso para si mesmo e para seu mecanismo que mal conseguia deixá-lo em pé sem que a gravidade o puxasse cada vez mais para baixo sem muita resistência para enfrentar. Estava justamente dormindo, com o subconsciente longe, mas ainda ouvindo um pouco da aula, quando sentiu um pequeno cutucão e apenas virou-se para o outro lado, grunhindo palavras sem qualquer sentido.
Anne perambulava pelos corredores de Hogwarts com a cabeça absurdamente cheia. Havia recebido uma carta dos pais na semana retrasada e o velho medo estava de volta: desde que haviam aberto mão da doutrina dos puristas, por conta da relação da filha com Liam, os Portman viviam como animais assustados. Já haviam se mudado pelo menos cinco vezes desde o ano retrasado, quando fugiram de um ataque promovido por antigos “colegas”. Agora moravam em Londres, num vilarejo para foragidos como eles, e Anne era constantemente bombardeada com ameaças e mais ameaças de precisarem sair do país. Mesmo que Dumbledore já tivesse assegurado que a garota estaria bem enquanto estivesse em Hogwarts, seus pais não deixavam a paranoia de lado. Nos escritos que ela havia recebido recentemente, seu pai, Louis, pedia para que ela deixasse a mala feita e um pedido de dispensa já escrito, quase como um aviso aos amigos, se precisasse ir embora assim, em cima da hora, sem ter tempo de explicar a eles o que realmente estava acontecendo.
Porque sim, ela estava escondendo aquela história toda. De suas amigas, principalmente. Até tentou conversar com o namorado sobre isso, mas nunca parecia haver uma hora propícia. Sentia-se tão bem com ele, que tinha medo de abrir a boca e estragar o momento. Mesmo em suas discussões - que andavam bastante frequentes -, ela evitava aquele assunto. Estava morrendo de medo de piorar as coisas.
O que importava é que as aulas mantinham sua cabeça longe daquelas preocupações todas. Não que tivesse melhorado nelas, mas ao se ocupar nas salas com algumas lições práticas e teóricas, os pensamentos conseguiam deixá-la em paz. Era assim que se comportava naqueles quinze minutos antes da aula de Transfiguração, agora: com a postura ereta, escrevendo qualquer coisa em um pedaço de pergaminho, com uma pena de repetição rápida. Como a professora ainda estava em sua própria mesa, fazendo suas próprias coisas, ela não chamou a atenção de Portman para com seus murmúrios. Sendo assim, a morena continuou fazendo aquilo. Até terminar um de seus textos e voltar os olhos esverdeados para a mulher que havia finalmente se levantado. A aula ia começar. E Liam ainda não havia chegado.
Inquieta, Anne mordiscou o interno da bochecha. No exato momento em que ia abrir a boca para pedir, com toda sua voz baixa, fria e distante, para que a professora esperasse um pouco mais, o garoto apareceu. Isso fez o sangue da garota correr um pouco mais rápido por suas veias, porque ainda parecia a primeira vez - sempre e sempre -, que se viam. Aquilo a agradava. E muito.
Respondeu o cumprimento do namorado com um aceno de cabeça, porque independentemente do tempo que passavam juntos, havia muita coisa na personalidade de Anne que não havia mudado. Como sua introversão e mania de falar somente o necessário. Todavia, não esperava que ele fizesse o que fez logo a seguir; ao vê-lo se acomodando daquele jeito, Portman chegou a deixar os lábios entreabertos, pronta para chamar a atenção do namorado, quando achou melhor deixá-lo pagar sozinho por ter sido ligeiramente grosseiro. Seguiu com a aula até onde pôde, fazendo anotações e batendo o livro empoeirado sempre que possível, em direção à cabeça do namorado.
Ela e as maneiras sutis de mostrar que estava chateada.
Entretanto, cerca de cinco minutos antes da aula acabar, a professora Minerva finalmente se manifestou. A mulher chamou a atenção de Liam, que sequer pareceu despertar, nem que por um segundo. Com as bochechas quentes de vergonha alheia, Anne precisou cutucá-lo por debaixo da mesa. Também não adiantou: ele virou o rosto. E aquilo fez com que ela perdesse parte de sua pouca paciência: precisou apertar-lhe as costelas. Daquele jeito mesmo, no meio da sala inteira. Usou da aliança pesada, para dar com os nós dos dedos por ali. Aquilo havia doído, sim, senhor. Mas mais nele, do que nela, felizmente.
-- Menos dez pontos para a Sonserina. -- Foi tudo o que Anne conseguiu registrar em sua mente antes da aula acabar de uma vez por todas. Os setimanistas sonserinos saíram fumegando de raiva, enquanto os setimanistas corvinos, todos dissimulados, fingiam que não dariam com a língua nos dentes pelos corredores sobre o ocorrido, porque metade da Casa fazia parte da lista de desafetos de Portman.
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voltou
Nop. Tô só tentando manter contato mesmo.
vai voltar
Quem se importa, né.