(esse texto não é sobre você. é sobre essa necessidade abrupta de me sentir amada pelas outras pessoas. é a minha tentativa de encontrar paz. não te atribuo nenhuma culpa).
dois meses atrás eu me deitei na cama do meu pai e acabei chorando
fui porque queria carinho e compreensão
ele me abraçou como se quisesse me esconder do mundo lá fora porque sempre soube que das três filhas que ele teve eu sempre fui a mais sentimental
me olhou nos olhos e questionou
‘‘por que a minha garotinha está chorando?’‘
eu não o olhei e ele não soube entender
as lágrimas não são o resultado de toda essa dor, pai
são o discernimento de amar um cara e ele não retribuir com a mesma intensidade
ainda que eu tenha deitado no peito dele e escutado seus batimentos cardíacos
ele não me amou o suficiente
como todos os outros
e quando você, pai, alisou os meus cabelos e disse que me amava com toda a sua vida
compreendi então
que todo esse desespero e o nó na minha garganta não são sobre a falta de amor entre os caras com quem eu dividi a cama
é sobre a minha falta de sentir amor e respeito
pelo meu corpo
por mim mesma









