― ❛ THE STYX ❜ ↬ bleed me dry , take the fear from my veins and arm me with pain.
quando acordou naquela manhã teve de lembrar a si mesma - estava sozinha mas seguia vivendo. encarou o teto por horas até que o sol estava alto no céu , os pássaros cantando , os motores rugindo nas ruas movimentadas . fingiu estar acordando pela primeira vez ligada a gravidade ; tentou mexer um dedo , depois outro , então a mão & seus pés. passou mais algum tempo sentada no colchão , sentindo o frio do chão de madeira infiltrar-se nos seus solos - era quase dezembro , e o inverno estava chegando ao seu pico . quando pessoas tolas e cheia de felicidade não merecida sairiam para cantarolar hinos da igreja frente a casa de ateus como se pudessem convertê-los, fazê-los acreditar com nada além de algumas melodias medíocres . alguns não abriam as portas , outros gritavam, poucos sorriam e fingiam tenência a deus , apenas para assistir os fanáticos partirem e voltar a pecar sem nenhuma culpa . rosalind não sabia se acreditava em um poder maior, ou uma vida além dessa , mas tinha certeza que fé não é maneira de saber que você não está morto.
cresceu em uma casa profundamente católica , a avó sempre criando templos do divino e de si mesma , comparando-se a mártires do antigo testamento, alucinando a ideia de ser tão importante quanto alguém cujo o mundo todo conhecia . pequena rosa achava que priscilla era mais importante que a própria virgem maria , e quando irmã silvia lhe mandava para o castigo no internato por dizer que tinha visto o rosto da mulher sagrada e se parecia com o dela, ficava emburrada . porque ser punida pela verdade ? ainda sim , era fiel a um certo tipo de existência , crescendo em uma casa onde se falava do diabo , e do inferno. quando perdeu a antiga vida, sua mãe , cada vez mais adoradora do oculto , implorou que entregasse sua alma a um bem maior e eles iriam curá-la , iriam cantar para ela todos os dias sobre as bençãos do senhor , e a fazer querer viver de novo - como os malditos cantores de natal pensavam. mas a atriz olhava para as cicatrizes na garganta , e a banheira suja de vermelho e tudo que conseguia se perguntar era : se deus existe porque ele não pode ver que estou sangrando em tudo ?
fez uma xicara de café para si mesma após passar quarenta e cinco minutos sentada em um degrau qualquer da escada que levava ao primeiro andar. hoje era um dia feliz , uma celebração da pessoa que mais adorava . portanto, praticou sorrir . curvou os lábios levemente no começo, deixando que os cantos içassem pouco e depois foi aumentando sua falsa demonstração de uma alegria que não sentia até estar mostrando todos os dentes perfeitamente brancos e alinhados . então começou a chorar & isso era típico , estava acostumada a derramar lágrimas sem saber porque . ou melhor, sem querer admitir que estava tão cansada de viver que a trazia desespero , e deu um tapa forte na própria bochecha . voltou a sorrir com leviandade, pequeno, contido , era a expressão que iria lhe acompanhar pelo dia inteiro enquanto passava pelas moções de ter um coração batente e compromissos, absolutamente no automático, até chegar a festa e ver a melhor amiga. não contaria hoje sobre ser a suspeita do assassinato de james , ou porque realmente havia brigado com ele na noite de sua morte. ficava contente por jiwoo ter kian, e poder dividir tudo com alguém pois rosalind jamais seria completamente honesta , preferia morrer a contar suas verdades . apenas iria lhe parabenizar e tirar fotos , usar um vestido bonito e fazer o que todos eles faziam - fingir. bebeu o café & foi se lavar.
sua psicóloga costumava perguntar se ela passava muito tempo sentada no banho, e respondeu que sim , sem saber como era relevante. segundo steph, era um sinal comum de depressão e por um instante ela quis rir - nova york inteira falava em tabloides sensacionalistas, e letras em negrito que rosalind choi tinha a vibe perfeita do ' anjo caído ' , o que era uma maneira semi ofensiva de dizer : ' passou do seu auge ' , ' já foi alguém ' , e acima de tudo ' deprimida ' . claro que ela sabia , nunca fingiu não saber , nunca agiu chocada quando o pai visitava e insistia que ela estava doente e precisava de ajuda . não pestanejou depois que ele mandou a han para sua porta no jatinho dos choi , não reclamava quando podia ver a outra e seu patriarca trocando mensagens que certamente eram sobre as sessões de terapia , os remédios , se a garota dos cabelos morango pensava existir algum risco de um dia ter de enterrar a filha. sim, ela sabia que tinha depressão , e que sempre teria , não era um segredo para ninguém, apenas fazia com que levasse aquela profissional, que dizia ter um phd em tese comportamental , menos a sério. o que ela com certeza podia notar na face impassiva de sua paciente que raramente compartilhava algo além do que as revistas já tinham revelado. infinitamente diferente da veracidade dos fatos, mas novamente , ninguém jamais saberia que ela foi ambos vitima e algoz . que sua sobrevivência esteve em perigo e portanto , matou alguém , que ao contrário do que todos pensavam, nunca a amou. rosalind era neta de priscilla , uma mulher divina , e no seu sangue corria santidade absoluta , já era um pecado mortal que para tantos tivesse se tornado uma história triste .
tinha visto thomaz no dia anterior , escolheram suas roupas para o evento e foi divertido , o suficiente para que esquecesse durante algumas horas sua eterna melancolia . mas voltou para casa e sentou-se na entrada com as sacolas das marcas de luxo , sabendo que se alguém da policia estivesse assistindo suas compras, ficaria mais difícil sustentar as mentiras que contou , e apenas encarou a casa vazia e escura sem acender nenhuma luz . seus olhos se moviam com as sombras nas paredes , deixando sua respiração mais pesada . as vezes pensava se estava ficando louca , mas supôs que sanidade sempre foi um luxo que não teve , diferente de muitos outros que moldaram todos os seus anos. se levantou quando percebeu pelo relógio da parede que já era madrugada, e porque não queria ter de esconder olheiras , deixou espalhado em algum lugar o que comprou , e foi se preparar para dormir. fingiu não ver as sombras se movendo , e colocou a máscara nos olhos , sendo levada por um sono sem sonhos - apenas pesadelos.
e hoje iria se arrumar no ateliê da designer que contratou, então devia levantar logo , pois logo estaria atrasada , mas a água continuava batendo nas costas enquanto abraçava seus joelhos de olhos fechados , e decidiu que podia se atrasar alguns minutos pelo raro momento onde sua cabeça parava de gritar coisas profanas.
chegou na festa extravagante no mesmo carro que o diretor , e esperou que sua porta fosse aberta para si, tomando seu braço e andando graciosamente nos saltos , a mão livre segurando a saia do vestido. nunca esquecia aquela parte , era para ela que tinha ensaiado , sorrir como a queridinha dos palcos, o amor de uma nação , a garota perfeita feita de vidro. não existia nenhuma língua que queriam dela além de seus sorrisos fáceis e seu silencio, portanto lhe deu aquilo pelo qual estavam famintos - uma face tranquila, um semblante convidativo, uma beleza natural , mais uma sagrada rainha do baile.
a festa em si , foi um borrão mais que qualquer coisa , estava tão alegre quanto poderia estar - isto para dizer que riu muito e todos compraram , mas por dentro preferia morrer. bebeu algo aqui e ali, sua tolerância baixa , e então algum escândalo quebrou a abençoada bolha de ignorância entre os mais ricos daquela cidade. mas ela não focou na noticia do page six ou sua repercussão, mal pensou profundamente sobre as faces desconfortáveis de sua melhor amiga, e a cunhada dela , ou a raiva no rosto de kian , apenas foi para dentro da casa no hamptons , procurando um lugar para deitar sua cabeça e apagar até a manhã. porém, quando entrou em um dos quartos no segundo andar , seu sangue correu frio , congelando nas veias , e de repente estava alerta por debaixo da fumaça de seu cansaço e intoxicação , raivosa pela visão frente a si - minho fazendo deus sabe o que , parado olhando para o celular perto da cama e erguendo seu fitar para ela com um indiferente tipo de tédio , uma de suas sobrancelhas arqueando. ' vim fazer uma ligação, pode ficar com o quarto, boa noite. ' , o outro tentou fugir rápido embora para ele não devesse registrar como uma fuga . não tinha medo dela , a via como fraca , como todos que já passaram por sua vida. o boneca de porcelana que devia ser protegida do que acontecia atrás das cortinas . mal sabiam que rosa já viu demais , e depois de gritar por socorro suspensa pelo cinto de segurança enquanto sangue ameaça lhe engasgar , ninguém poderia ser mais forte.
fechou abruptamente a porta atrás de si antes que ele pudesse dar mais que alguns passos , e trancou a fechadura, parecendo ter o deixado confuso suficiente para que recuasse ligeiramente. o quarto era menor do que estava acostumada , provavelmente para convidados , mas ainda bem decorado e vibrante , cheio de antiguidades & arte. ' posso saber o que você 'tá fazendo ? ' , soava tenso , sem vontade ou paciência para entreter o que ela planejava fazer, não importava o que fosse. existia o rumor que minho fodia como um dominador , e nunca recusava prazer , mas naquele instante nem sequer parecia cogitar a ideia dela querer uma noite com ele . talvez porque era claro entre os dois que tinha sido ele a jogá-la para os lobos. mas com a mesma facilidade que deixou-se demonstrar preocupação , ele assumiu uma pose relaxada e cínica. ' vai me matar ? eu sou o próximo na lista ? que loucura, parece que não podemos dar uma festa sem acabar em morte ' , provocou , e realmente não havia nem mesmo um tremor em suas palavras, mas deixou de lado a persona de apatia e descaso conforme ela manteve seu silencio , dando sinais de desconforto , impaciência - quem sabe a ligação tivesse o deixado nervoso , e agora estava mais difícil fingir ser escultural e frio.
' diz logo o que você quer. ' , seu tom tornou-se mais hostil, inquieto, e ela viu suas mãos formando punhos, mas era a vez dela de brincar com sua presa - exatamente como ele tinha feito naquela delegacia.
"você é cristão ?" rosa finalmente perguntou em uma voz completamente calma, até mesmo suave , e um pouco curiosa , enquanto colocava a chave do quarto no busto , aparentemente o surpreendendo. ' o que ? ' - ele inquiriu , pasmo , franzindo o cenho , a mesma reação que teria se ela tivesse crescido mais uma cabeça. "sua cruz . é católico romano ?" tentou explicar , se movendo para mais perto dele , dando passos calculados pelo quarto , as mãos atrás das costas, notando que ele se movia também , mas para lhe evitar. ' não, sou ateu, isso foi um presente. ' , respondeu cauteloso , sem saber onde ela queria chegar. "eu sou uma fiel." mentiu , virando seu corpo até estar completamente o encarando , e começou a andar lentamente em sua direção, minho orgulhoso demais para evitar aquela aproximação que claramente não o deixava contente.
"sabe o que a bíblia diz ?" continuou , erguendo a mão direita até os cabelos, e agarrando o acessório de cabelo tão afiado quanto aquele pingente que ele usava , chegando perto o suficiente para sentir o hálito de menta dele - não tinha bebido, diferente de si , e também era mais forte, mas a surpresa foi a vantagem de seu ataque. livrou os fios escuros do penteado , e cravou a parte pontiaguda do belo ornamento no ombro dele, colocando sua esquerda livre na boca dele para impedir o grito de dor, sentindo a marca de seus dentes ser deixada para trás , os olhos alheios esbugalhados , pequenos sons de agonia vindo de sua garganta e saindo em sopros ao que ela aprofundava sua ferida, torcendo o objeto que fez de arma. "só o diabo prospera em mentiras. e sua vida, choi minho . . . é sitiada por ele." então sorriu desequilibrada , e de alguma forma inocente, antes de sussurrar: "sohee sabia também." então ele finalmente se deu conta do que estava acontecendo , e a empurrou com força para trás.
rosa cambaleou mas não caiu, e deixou o binyeo alojado no ombro dele , vendo sua face mudar de dor para pura raiva , e então fúria enquanto tirava ele mesmo a peça naschenka de sua carne com um gemido angustiado . o sangue começou a jorrar na mão do homem enquanto ele segurava seu braço , sem conseguir mexer o lado esquerdo , respiração cortada. ' sua filha da puta, 'tá maluca ? ' ele cuspiu entredentes, olhando para ela com o mais sincero ódio. "você quer alguém 'pra levar a queda por você, mas não vai ser eu." retrucou , abordando o assunto ainda não falado os encarando de canto desde que se viram naquela festa. "ou você concerta o que fez, ou vai todo mundo saber sobre a sohee. sobre a sua irmã, sobre o verme que morreu , e claro . . . " tombou a cabeça para o lado ligeiramente , se inclinando para estar na altura do mais velho que se dobrava sobre si mesmo por causa da dor. "sobre a vida patética que a helena vive." parecia pronto para matá-la logo ali , mas minho era sempre o mais racional , até o fim. "se eu for cair, não vou ir sozinha. vou levar você, sua namorada, e aquelas suas duas amiguinhas junto, entendeu ?" pegou no queixo dele com violência , fazendo outro gemer de dor cair de seus lábios quando o ergueu , e disse ríspida. "entendeu ?" já havia sangue acumulando debaixo da língua dele, mas ainda sim , teve de o ver sorrir e dizer . ' vai 'pro inferno. ' - ela sorriu novamente, sabendo que tinha conseguido o que queria . "talvez eu encontre a sohee lá." provocou, e antes que ele pudesse responder , se recompôs: "vou chamar a isabella 'pra você, devia ir para um hospital ver esse machucado." disse como se nada tivesse acontecido , e tirou a chave de onde a guardou , andando rápido até a porta e abrindo , não antes de pegar de volta sua arma.