Soneto ao amigo que dorme
Perdoa se quero te tirar do teu sono inebriante, é que eu não gostaria de seguir o caminho sem a sua companhia.
Durante muito tempo estivemos sonhando estrelas e amores e tempos melhores, infelizmente não vimos o tempo passar.
Espero que tenhamos tido tempo de viver o que tinha que ser vivido
Espero que não tenhamos perdido a oportunidade de nos darmos as mãos e trilhar um caminho comum.
Que tenhamos rido todos os risos possíveis e que tenhamos dito do amor e do carinho que sentimos mutuamente.
Espero que tenhamos tido o tempo necessário porque a encruzilhada se aproxima.
Perdoa por tentar tirar você do torpor do momento, que eu descobri infelizmente que há muito começou e se estendeu.
Acho que durante o caminho eu olhava as pedras e você olhava as flores.
Apesar de tudo, por vezes juntávamos no meio do caminho as lembranças do que foram nossos anos de infância.
Você me pegou no colo quando eu nem falava, agora não consigo retribuir, justamente agora que não enxergas.
Perdoa se tento te acordar agora. Não sei se é tarde ou se é noite ou se perdi a oportunidade. Eu só não queria te deixar pra trás. Dói muito.
Abre os olhos... veja que no seu caminho estão as pedras que eu via ao longo da jornada e não conseguia identificar. As flores são belas, mas estão mortas e não notas.
Consigo ver a tua escolha, mas não consigo abrir seus olhos e o abismo permeia a estrada, perigosamente perto da borda onde teus pés roçam os pedregulhos na beira.
Perdoa se ainda não é teu tempo e eu tento te sacudir do teu devaneio sonolento. Talvez ainda não estejas pronta, talvez a luz te cegue a ponto de queimar a retina e te cobrir o cristalino com uma névoa eterna.
Perdoa se te deixo pra trás, porque talvez a encruzilhada tenha chegado e a jornada tem que continuar.
















