enzomcrtin:
Aquele sábado parecia estranho para Lorenzo, talvez por estar em casa mesmo preferindo encontrar-se com seus amigos em algum canto aleatório da cidade fazendo qualquer coisa que pudesse lhe divertir. Mas parecia que ninguém estava afim de sair da rotina, se distrair para evitar pensar em todas as coisas malucas que vinham acontecendo nos últimos meses. De fato, com a presença do anônimo e a formatura se aproximando, Enzo se sentia mais estressado que nunca, pressionado por uma força invisível que insistia em tirá-lo de sua zona de conforto. Por isso, preferia ignorar a tudo e distrair sua mente, assim como sempre fez, mesmo que fosse escutando sua banda favorita em seus fones de ouvido com volume no máximo, sozinho em seu quarto. Fazia isso já há alguns minutos, os olhos fechado mirando o teto, quando sentiu a presença de Jeanne em sua cama. Deixou transparecer um semblante surpreso ao olhar o rosto que já foi tão familiar. Era de conhecimento dos dois que a situação estava esquisita desde a volta de Anne para a Truffaut. A forma repentina com a qual ela foi embora e o pouco contato que tiveram desde então parecia ter abalado um pouco a amizade e confiança que vinham nutrido nos anos anteriores. “ah, oi anne! não tô nem um pouco ocupado, na verdade nem sei há quanto tempo que eu tô aqui sem fazer nada ” se ajeitou na cama, virando-se de lado para encara-la melhor. “ e ai, como que tão as coisas? só não me lembra de nada da truffaut por que não aguento mais ter que lidar com isso ” questionou, fazendo uma careta ao se referir à instituição. Apesar da distância criada entre os dois, Enzo tentaria pelo menos disfarçar aquela pequena mágoa que o incomodava bem no fundo.
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Os olhos surpresos não exatamente de uma maneira positiva não passou despercebido por Jeanne que sorriu de canto, um pouco envergonhada de sua ação. Talvez fosse melhor ligar ou talvez mandar uma mensagem antes, mas nada podia fazer contra sua impulsividade e agora era tarde demais. Continuou ali sentada na ponta da cama observando-o se ajeitar e assentiu com a cabeça para a resposta de sua pergunta. “Eu também não e olha que cheguei apenas esse ano.” Suspirou. A resposta, no entanto, não era cem por cento verdadeira. Não estava nem aí sobre a investigação de um assassinato do qual nem estava presente mas o fato sim, lhe incomodou, por precisar se dispor a depor em algo que não via necessidade. “Estava sem ter nada pra fazer em casa e a ansiedade estava quase me atacando então só peguei o carro e saí. Não pensei muito em um rumo e quando percebi estava aqui. Talvez fosse meu subconsciente lembrando que você costumava ser a parte da dupla que arranjava os melhores lugares para irmos.”














