antes eu tinha esse medo absurdo de seguir gostando por muito tempo de quem nĂŁo estava mais na minha vida. eu achava que o amor nĂŁo acabava e que isso, por deus, seria a minha ruĂna. quando entendi - ou simplesmente aceitei - que amores inimaginĂĄveis perecem, eu pude !finalmente! seguir gostando querendo amando por muito tempo atĂ© que minha mente entendesse que: bem, Ă© isso, vocĂȘ fez tudo que podia. quer dizer, por muitas vezes eu nĂŁo fiz o tanto que eu poderia fazer, mas serĂĄ que valeria a pena? muitas vezes nĂŁo. outra coisa que aprendi Ă© que a gente precisa insistir em quem quer, acreditar em quem quer, confiar em quem quer. porque vĂŁo existir pessoas que nĂŁo estĂŁo nem aĂ para o seu amor, nĂŁo de maneira vilanesca, pra te fazer sofrer, mas porque nĂŁo querem ou porque nem sabem o que fazer com isso. existe um tanto de gente que ainda tĂĄ no processo de acreditar ser capaz de receber afeto. de acreditar, por exemplo, que nĂŁo precisam se humilhar por ele. eu jĂĄ estive nesse lugar e sĂł muito recentemente consegui escapar. eu ouvi em algum lugar que o oposto do amor Ă© o medo, nĂŁo o Ăłdio. que sĂł os corajosos amam sem pensar duas vezes. em partes, eu concordo. acho que por vezes o amor Ă© um ato de coragem, mas sei que Ă s vezes a gente ama como consegue: tremendo, chorando, sem saber nada. que Ă s vezes a gente ama enquanto ainda estamos adoecidos por tristezas explicĂĄveis ou nĂŁo. Ă© mais ou menos amor se vocĂȘ nĂŁo consegue lidar com ele? Ă© amor, com medo mesmo. mas o que realmente eu queria dizer Ă© que eu gosto muito de um cara e que vou gostar dele por muito, muito, tempo. isso nĂŁo me faz vulnerĂĄvel (ou talvez faça, pra me humanizar ainda mais), eu tenho consciĂȘncia de que tĂŽ sentindo do meu lado do muro e, se ele sente amor, hĂĄ um terreno imenso pra ele tambĂ©m. Ă© que tĂȘm relaçÔes que nĂŁo dĂŁo certo, por mais que a gente tente. vocĂȘ se acostuma, sabe? Ă© uma quinta-feira a noite e vocĂȘ sabe que seu coração tĂĄ batendo e pulsando e seu amor segue gritando: estou vivo! estou vivo! estou vivo! porque, Ă© lĂłgico, amores que ainda estĂŁo vivos precisam dizer pra todo mundo. eu tambĂ©m preciso, Ă© por isso que os entendo tanto. e quando ele nĂŁo tiver mais forças pra soltar tĂŁo alto a sua voz, quero ser gentil e poder dizer: ei, tudo certo, vocĂȘ foi tudo que poderia ser. e, claro, meu tempo nĂŁo vai ser o mesmo do cara do terreno vizinho. mas isso, nĂŁo me dĂłi dizer, Ă© um problema dele. no fim, temos essa independĂȘncia comovente. que nos derruba, nos dĂĄ a mĂŁo e nos diz de vez em quando aos prantos: vocĂȘ pode caminhar um pouco mais ou parar pra descansar, mas vocĂȘ precisa seguir andando. acho que Ă© assim o meu amor: falante e nĂŽmade. e eu nĂŁo me canso dessa viagem. nunca. Ă© nela que eu conheço mais de mim.












