“ é para isso que eu estou torcendo. se bem que logo nos primeiros meses, acho que ela vai ficar mais com a mãe, então ainda vão ter que esperar. ” talvez a falta de irmãos para wade fosse a razão para os pais querem muitos netos. ele era o bebê milagre, aquele esperado por muito tempo e é claro que ele gostava das mordomias que havia recebido mais novo, porém sentia falta também de ter um irmão. não fora à toa que, por sorte, leonard nasceu na mesma época e eles foram criados juntos. “ não, não. eu agradeço que ela tenha disposição para bater boca que eu não tenho. apesar de eu já ter reclamado para o dono do prédio, acho que ele não está se importando tanto assim. ” ele não se importava tanto assim antes, porém com a chegada da filha, ficava cada vez mais apreensivo como seriam as noites caso seu vizinho decidisse fazer um dos shows. sabia que haviam regras, mas o outro não parecia querer respeitá-las. quando a confirmação de que poderia ser qualquer pessoa, ele não conteve o sorriso. era péssimo com aquilo, evitava chegar nas pessoas desde o segundo ou terceiro ano da faculdade, ele nunca tinha sido daquele jeito, afinal, mas era engraçado pensar que mayani estava vendo. a risada dela o deixou sem jeito, dando de ombros e sentando ao lado dela. “ você mesma disse que poderia ser qualquer pessoa! só achei que seria engraçado se fosse com quem você não estava esperando. ” deu de ombros, como se fosse alguma coisa casual e não o tivesse ficado sem jeito pela reação dela. defenderia até o fim que não era trapaça, ela não havia dito em ligar nenhum que não poderia ser ela mesma. não era advogado mas nem mesmo subentendido havia ficado, logo, ele possuía sim esse direito. “ é claro que não. eu posso fazer melhor, estava apenas testando o terreno. mas me diga, como eu fui? ” perguntou, sorrindo ao barman que os trouxe outra dose. “ hm… certo! você precisa chegar em outra pessoa, sem ser eu, e elogiar a roupa dela. em duplo sentido, claro. não posso facilitar. ”
—— Ah, mas você vai estar por perto para ficar com ela, não é? No início deve ser assim mesmo. Logo eles vão poder babar a primeira neta. —— Ela não queria parecer intrometida, dar palpites ou perguntar muito, mas sentia-se estranhamente à vontade com Wade, além do efeito da bebida que a deixava um pouco mais soltinha. Por conta disso, deixava a curiosidade falar mais alto e, quase indiretamente, queria saber a que pé andava a relação dele com a mãe de Gwyneth. —— Deve ser mal de síndico. Por isso todo prédio precisa de alguém como nós. —— Riu, referindo-se a ela e a vizinha que tirava satisfação com o barulhento. Espremeu os olhos, deixando-os semicerrados, enquanto sacudia a cabeça em sentido negativo. —— Usando minhas palavras contra mim... Entendi. Vou lembrar dessa. —— Brincou, o sorriso frouxo de quem já havia bebido mais doses do que deveria. —— Ah, pode fazer melhor? Fiquei curiosa. Mas olha, se eu não te conhecesse, até poderia cair no teu papo. Só porque eu adoro que me chamem de princesa. —— Ela admitiu, já confortável em falar um pouco do assunto, fosse pela bebida ou porque era o efeito que ele causava nela. De qualquer forma, deveria concordar que ele havia sido esperto, cumpriu o desafio sem precisar se envergonhar abordando outra pessoa. Mas enquanto ela foi impulsiva em falar o desafio sem deixar claro as regras, ele pensou direitinho nas palavras usadas. Com a boca entreaberta de quem estava chocada com o que ouviu, ela deixou um riso de nervosismo escapar. —— Wade, eu achei que fôssemos amigos! —— Ela brincou, sobre o desafio ser mais difícil, ou não possível de burlar. Ao menos foi o que pensou. Mordendo o próprio lábio, ela analisou as pessoas passando e começou a tagarelar enquanto observava os convidados. —— Será que eu deveria fazer com uma garota? Talvez eu ficasse menos nervosa. Apesar que... Esquece. Acho que mais fácil fazer com um cara, vai que a menina não gosta, então... —— Ainda mais considerando a sua mais recente descoberta de sentir atração por garotas, aquilo poderia ser um grande desastre. Mayani apenas parou seu falatório quando seus olhos encontraram um rosto conhecido. —— Ok, eu já volto. —— Suspirou fundo, levantando-se e sentindo as pernas tremerem de nervoso ao se aproximar de Ravi. O reencontro com o ex-namorado havia sido amigável, sendo completamente pega de surpresa com a conversa no dia de seu aniversário. Talvez não fosse uma boa ideia realizar o desafio com ele, mas parecia tão mais fácil com alguém com quem tinha alguma intimidade. —— Ravi! —— Cumprimentou-o com um sorriso, sendo surpreendida com um beijo na bochecha. Por sorte, a companhia dele se afastou um pouco para que ela não se sentisse tão desconfortável. —— Você está bonito! Bela escolha de roupa. Fico pensando se ela ficaria tão bonita assim no chão do meu quarto. —— O seu tom era tão casual como quem diz uma frase simples, sem nenhum duplo sentido. O queixo de Ravi caiu um pouco, surpreso com a ousadia, mas conhecendo-a bem, ele logo acrescentou: “Você bebeu, não é, Nani?”. Arrancou uma risada da garota, que apenas assentiu com a cabeça, confirmando. —— Me desculpe atrapalhar sua conversa com isso. Nos falamos depois. —— Mandou um beijo no ar, voltando para onde estava antes. Reparou que ele tentou dizer algo, mas não deu chance para ouvi-lo. Não agora. Sabia que teria de lidar com isso depois. A passos rápidos, quase corridos, chegou no bar onde estava, sentando-se de frente para Wade. —— Você me paga, Monaghan. —— Ela disse, ainda rindo, sentindo o coração acelerado, quando pegou a dose em cima do balcão e virou de uma só vez. —— Seu próximo desafio: enviar uma mensagem “por engano” para um contato seu. —— Fez o sinal das aspas. —— Não pode ser para mim, não pode ser para alguém fora de Cassis, e não uma mensagem qualquer, mas com duplo sentido. —— Repetiu as palavras dele para o desafio dela. —— E tem que me deixar ver depois. Só para, sabe, conferir se você não me enganou.