We're all born naked and the rest is drag | pov
April se lembrava perfeitamente da primeira vez que colocou os seus pés em m palco, foi para uma apresentação da escola de teatro em que estudava — não fora muito difÃcil convencer seus pais de a matricularem na escola, apenas teve de prometer que iria se comprometer aos estudos teatrais. Seu papel na peça foi um dos secundários, mas a sensação de representar um personagem, de falar suas falas sem errar em frente de uma grande plateia — umas cinquenta pessoas, todos parentes dos alunos que estavam atuando, mas para uma criança de cinco anos aquilo parecia ser enorme, chegando a dar calafrios na barriga — e depois receber elogios foi uma experiência mágica e que mudou a vida da garota por completo. Mesmo sendo apenas uma criança foi a partir desse momento em que começou a desenvolver sua ambição, queria ter sua chance de conseguir o papel principal, ela queria ser a estrela do show. Foi assim que também acabou se matriculando nas aulas de canto e dança, apesar do receio de seus pais de acharem que aquilo poderia a sobrecarregar, mas não via todas suas atividades como uma espécie de obrigação. Para alguém tão jovem April era bastante decidida, queria ser uma atriz e por isso fez questão de investir em suas habilidades de canto e dança, pois tinha sonhos grandiosos. Â
E a medida que envelhecia essa sua paixão não diminuÃa, muito pelo contrário sua ambição apenas aumentava. Enquanto suas colegas de Hogwarts ficavam discutindo sobre os garotos mais bonitos da escola, April se empolgava conseguindo atingir notas que antes não conseguia. Alguns tinham o desejo de acabar namorando, já ela tinha o desejo de algum dia conseguir pisar e quem sabe atuar na Broadway. Ela sonhava grande, e sempre que podia compartilhava isso com seu irmão mais velho Eric, que também era outro amante das artes cênicas chegando até mesmo a dar aula de teatro para os alunos de Hogwarts.Â
O único momento em que se distanciou um pouco desse seu sonho foi quando começou a namorar com Mark Parkinson. O garoto foi uma espécie de calmaria em sua vida, fazendo com que ela desacelerasse o ritmo das coisas, que aproveitasse um dia de cada vez. Quando estava com ele não ficava pensando sobre todos os sonhos que tinha, e muito menos não quebrava a cabeça pensando no que iria acontecer se não os realizasse a tempo. Pela primeira vez sentia-se como uma adolescente normal, fazendo uma coisa por vez e sem tantas preocupações de como seria o futuro ou se algum dia iria conseguir se tornar a estrela que tanto sonhara. Durante essa fase em sua vida as preocupações e prioridades de sua vida se tornaram outras, mas como em todas as coisas do mundo chegou o momento em que o seu conto de fadas acabou. Fora bom enquanto durou. Como qualquer outra pessoa April sofreu após o término, ainda mais que gostava do garoto apesar de todos os vacilos que já tinha cometido durante o tempo em que permaneceram juntos, mas simplesmente não estava mais aguentando aquela situação. Talvez o amor que sentia por Mark continuasse existindo por mais algum tempo, talvez ela nunca o esquecesse, mas havia chegado o momento em que precisava priorizar a si mesma, aos seus sonhos que tinha deixado de lado e à sua felicidade.
Transformou a dor que estava sentindo em arte, colocando mais vida do que nunca em todas as suas apresentações. Era a hora de voltar a correr de seus sonhos, do futuro que vinha sonhando para si desde que tinha cinco anos de idade. Durante todo esse tempo o desejo de se tornar uma artista completa, uma estrela não havia desaparecido, na verdade, encontrava-se mais forte do que nunca. E o fato de ter sido aceita no W.A.D.A serviu apenas para aumentar sua felicidade, era como se depois de muitos anos se esforçando o seu talento estava começando a ser reconhecido, afinal de contas se tratava de uma das melhores escolas teatrais do mundo bruxo, não era como se aceitassem qualquer um. Aquele era um grande passo que estava dando. Seu nome seria conhecido pelos corredores da W.A.D.A, mais tarde poderia ser Inglaterra, New York e que sabe o mundo!
Sabia reconhecer que suas ambições eram muito grandes para um meio de trabalho bastante instável, mas mesmo assim sonhar não matava ninguém. Também tinha plena consequência de que no futuro poderia se decepcionar caso não conseguisse realizar tudo o que sonhava, mas para April o risco valia a pena. A queda poderia ser grande, mas mesmo assim não iria desistir de tudo que havia alcançado até o momento. Também não se deixava fracassar com algumas audições que não iam bem, pois acreditava que em algum momento teria a oportunidade perfeita de mostrar para todos o seu talento e potencial. Algo dentro de si dizia que um dia esse momento iria chegar. E não se deixava desanimar, pois toda vez que subia em um palco a sensação era mágica, a mesma que sentiu quando se apresentou pela primeira vez. Ela se entregava por completo quando estava cantando, atuando ou dançando. Aquilo fazia parte de quem ela era, e sem as artes estaria incompleta. E estar em cima de um palco era como estar em casa, era um local onde se sentia completamente à vontade e em cima de um, com os holofotes a iluminando a sensação era de que era uma grande estrela. Â