POSTAGEM ORIGINAL DE EDER MOIA DO GRUPO 2QUADRINHOS A cidade que moro (Colorado-PR) é pequena, pra adquirir e colecionar quadrinhos não tem muitas opções e variedades nas livrarias. Com relação às coleções Graphic Novels da Salvat e Eaglemoss por exemplo nem chega aqui. Tem que comprar pela internet mesmo. No entanto, os encadernados da Coleção TEX GOLD da Salvat tem chegado aqui. A distribuidora enviou somente 2 exemplares da 1ª Edição em Novembro do ano passado (2017), eles enviam uma vez só e se não vender não chega nunca mais. Desde então eu e um outro rapaz, que nem cheguei a conhecer pessoalmente, começamos a adquirir as edições que chegam quinzenalmente. Como a atendente já sabe que só nós dois compramos ela já deixa separadas no balcão e nem vão para a prateleira. Tem vezes que eu chego e ela fala que o outro rapaz já foi pegar a dele naquele dia, outras vezes ela diz que ele não veio ainda mas vai aparecer por lá a tardezinha depois do trabalho ainda com a roupa do serviço pra pegar a dele. Nessa última Sexta-Feira eu fui lá nessa livraria pegar a minha edição número 13 (Na Trilha do Oregon) que havia chegado, quando entrei vi que tinha uma disponível na prateleira junto com as outras revistas, então já peguei ela mesma e me dirigi ao balcão pra pagar. Então a atendente me disse: — Você vai levar essa aí? A sua está reservada aqui no balcão. Eu questionei: — Ué !! E essa aqui? De quem é? — Essa é do rapaz que morreu! Aquilo foi um choque imediato pra mim. Então ela me informou que o moço que havia falecido dois dias atrás em um trágico acidente colidindo com um animal na rodovia era o outro colecionador que a 6 meses adquiria junto comigo as duas únicas edições que chegavam na cidade. A sensação de estar ali segurando em minhas mãos a revista que o cara viria buscar me fez refletir sobre a brevidade da vida, a fragilidade dos nosso projetos e o quanto as coisas que amamos e cuidamos com tanto apreço e carinho podem, do dia para a noite, de um segundo para o outro, não serem mais nossas. Não resisti e resolvi naquela noite que prestaria uma homenagem ao meu desconhecido “amigo colecionador”. Retornei à livraria no dia seguinte, adquiri a revista que seria dele, descobri o endereço que residia, anexei uma dedicatória in memorian e fui lá entregar para os familiares. A mãe, o pai e uma irmã me receberam. Eu contei essa história e choramos juntos. Pedi a eles que incluíssem aquela edição em sua coleção e cuidassem dela com carinho. Além de muitas HQs do Tex, o rapaz também tinha uma enorme coleção de mais de 1000 discos de vinil (todos organizados por ordem alfabética) e inúmeros Cds Musicais de bandas de Rock guardados com muito zelo e cuidado. Acho um privilegio quando alguém parte dessa vida e deixa coisas que amava e cuidava com tanto carinho que chega a constranger os que ficam a preservar essas lembranças.