* ⚡️ 。* We keep this love in a photograph
⚡️ We made these m e m o ri e s for ourselves
Where our eyes are never closing
Hearts were never broken
And time’s forever frozen still ⚡️
A few months from now…
A lâmina perfurou sua pele, destroçando não somente seu corpo diminuto, mas uma alma fragmentada pelas dores do passado. O ar deixou seus pulmões em um longo suspiro, seus músculos pendendo sobre os braços do bastardo à medida que os olhos ameaçavam se fechar definitivamente. O grito que ecoou em sua mente deixou evidente que seu patrono não poderia salvá-la dessa vez. E cada segundo parecia mais precioso do que o anterior. Ela sentiu a gelidez do chão de mármore contra seus pés descalços e coxas expostas pelo vestido, contudo em nada se comparava com a frieza no semblante de Frederyck. Seu sangue manchava as vestes brancas do inglês – e que opção satírica dada a impureza de suas ações – de uma forma que, ambos sabiam, ele jamais poderia limpar-se propriamente. Tola fora Diana de acreditar que o rapaz não seria movido pelas mais perversas intenções desde que ocupasse o trono que lhe fora passado. A antipatia presente na forma como se tratavam estava além de simples desgosto, era uma inveja tão enraizada em sua essência que teria o cegado. Os fins justificam os meios, decerto era seu mantra e maquiavélico era um traço por ele assumido com orgulho. A coroa era sua - ou assim ele cria, uma vez que ainda não tinha conhecimento do paradeiro de Dougal, ou Andras, como ele passara a ser chamado - porém, o veneno de suas ações o acompanharia até que ele próprio fosse intoxicado. Aquela seria sua maldição.
Seu maior lamento jamais seria por sua própria perda. Talvez estivesse mais preparada para o final fatídico do que imaginara. Em verdade, entristecia-se pelas pessoas que tornaram sua vida mais feliz. As ideias mirabolantes de Veridiana - que, apesar das queixas de Diana e Helena, sempre pareciam ser postas em prática -; os sonhos com um lobo solitário de porte tenebroso e olhar reconfortante que sempre a salvava dos terrores noturnos; a constante discussão quanto a posição de Plutão no Sistema Solar; suas tentativas de parar os rumores quanto à princesa dinamarquesa que eram recompensados ao ver um pouco de paz na expressão alheia; o falar sempre gentil do Rosenberg, selecionando os termos corretos para impressionar a inglesa; a forma como o olhar de Pablo parecia se iluminar quando no silêncio da oficina. E, especialmente, aquele que tirara-lhe a paz nos últimos meses, apenas para que descobrisse se tratar de seu irmão gêmeo há muito dado como morto. Logo quando teriam a oportunidade de se reconectar, o destino - escorregadio e traiçoeiro - mostrara ter outros planos em mente. E imaginá-los…aquela era sua verdadeira dor. Nunca fora boa em despedidas, afinal. De fato, detestava-as.
Os cílios espessos tocaram as maçãs do rosto da Windsor, acariciando-as de maneira acolhedora a ponto de dificultar tornar a levantá-los. E quando o fez, já não era mais crueldade que enxergava, mas ternura. Diana não saberia dizer quando exatamente o irmão abandonara seu corpo quase inerte contra o chão ou o momento em que fora aninhada próxima ao peito de Volker - sequer saberia assegurar se era ou não uma alucinação oriunda da piedade de seu patrono ao concedê-la uma morte pacífica. No entanto, a familiaridade com que os dedos do alemão percorriam as madeixas escuras formavam uma promessa nostálgica, recordando-lhe de todas as situações por ele vividas. A proximidade os envolvia - tal qual fizera na noite do baile ou nos constantes gracejos trocados -, todavia a frequência cardíaca fora de fase denunciava seus poucos minutos restantes. ❛❛— Saiba que caso morras por culpa de tão repudiado hábito, eu própria assegurarei que seja expulso dos Campos Elísios. ❜❜ - apesar da conotação divertida, era possível perceber a despedida em seu tom. Uma lágrima desceu pelo canto de seus olhos. Singela, traçou o caminho por sua pele até encontrar o mármore tingido de escarlate.
Outro piscar e já não estavam mais sozinhos. Cada olhar a ela direcionado era mais desconcertante do que o outro, sendo o primeiro a atrair sua atenção: o par de iris esverdeados. Inquieto, ele subia e descia por seu corpo como se escaneasse-o, visando enxergar as engrenagens que deveriam compô-la…caso fosse uma das máquinas com as quais ele tinha o dom de se comunicar. Aquele era Pablo, sempre empenhado em consertar o errado. Ainda que o defeito fosse julgado irreparável - e esse era o seu caso. Quando o desespero cruzou o semblante masculino, um gemido misturou-se ao sorriso na boca da inglesa. ❛❛ — Nós dois sabemos que não há mais jeito. Não se preocupe. Só não deixe de acreditar que sempre há uma solução. Era…o que eu mais admirava em você. ❜❜ - o tom baixo exigiu o mesmo esforço para seu ato conseguinte, provavelmente com auxílio do alemão, tocou a mão do Borbón, percorrendo os dígitos por aquela pele tão bem conhecida.
O tilintar soou próximo - o familiar som que, previamente causara-lhe desgosto ante sua constância, era produzido pela pulseira que adornava o punho das três amigas: um símbolo de sua parceria, Veridiana dissera ao não deixar brechas para que ela ou Helena discordassem - sendo reconhecido antes de seu olhar encontrar as duas figuras femininas. A expressão nas feições da princesa francesa deixava evidente que se esforçava para não chorar, não pelo receio de desmanchar a maquiagem impecável, mas em respeito a Diana. Era o que ela gostaria, a mais nova tinha ciência. Quanto a dinamarquesa, seu semblante era estampado com um misto de dor e confusão, talvez ainda incrédula com o ocorrido. Afinal, tais fatalidades são imprevisíveis, não? A imagem das duas foi dolorosa para a scion e derramar-se em lágrimas pareceu um ato inevitável. Um respirar profundo acarretou em outro gemido e no pressionar de seus olhos, no instante antecessor ao que ela murmurou para Vee: ❛❛ — Prometa-me que jamais deixará de ser essa princesa de contos de fadas que acredita no amor - e usa seus poderes em prol do mesmo -, independente do que aconteça. E que cuidará da Len. ❜❜ - havia certa súplica em sua voz quando ela se voltou para a loira. Gostaria de ter tido mais tempo com elas, talvez queixado-se menos de quando a situação escapara de seu controle - em alguns casos ato devidamente planejado pela protegida de Afrodite - ou admitido o quanto era grata por tais memórias. Mas elas sabiam. Tinham que saber. ❛❛ — Não seja prisioneira de si mesma…Você não merece isso. E tome conta dele, por mim. Ele precisa de você. De vocês. ❜❜
Quando Diana acreditou não mais ter forças para prosseguir - seus olhos já entreabertos - ela encontrou as iris azuladas e algo pareceu quebrar-se em seu peito. Dougal. Um calor tênue alastrou-se por seu corpo, semelhante a uma corrente elétrica de baixa voltagem ao percorrer os fios de cobre gastos - e já não se podia negar que Zeus intercedia por ela naquele momento. O destino decerto era travesso, dessa vez invertendo as posições pelos gêmeos ocupadas. A diferença, no entanto, residia no fato de que ela não escaparia da morte como o outro. Aquele era o fim de algo que mal recomeçara e o peso das expectativas era demais para que a princesa suportasse sozinha. Com a aproximação de Andras, os amigos pareceram entender que eles precisavam de um minuto a sós e, devagar, afastaram-se - uns mais receosos que outros. O moreno ajoelhou-se ao seu lado e a dor em seu semblante certa vez ocupara as feições infantis da inglesa, quando ela pensara vislumbrar o corpo sem vida do irmão. Eram mais similares do que pensavam, afinal. E ela tinha orgulho de ter ocupado uma posição de tamanho destaque na vida alheia. O esboçar de um sorriso consumiu a maior parte das energias que lhe restavam, mas se bastasse para reconfortá-lo, teria valido a pena. ❛❛ — Seja feliz. ❜❜ - foi seu último sussurro quando suas pálpebras se fecharam e ela deixou-se envolver por uma escuridão gélida, a vida esvaindo-se de seu corpo.
Acomodada em um abraço mais cuidadoso do que ela teria previsto, Diana não escutou seu nome ser chamado pelo gêmeo quando ela finalmente foi entregue ao deus do submundo - ou os lamentos provindos daqueles que chamara de amigos. Em verdade, o caminho sequer pareceu transgredir com o decorrer do tempo - sem que ela ousasse abrir os olhos -, a única certeza de que já não mais encontrava-se na Terra sendo aquele aperto constante. No momento em que a pressão cedeu espaço a um acariciar de cunho carinhoso, ela deu-se vencida pela curiosidade e espiou o lugar em que se encontrava. Uma luminosidade que assemelhava-se à do astro solar ofuscou sua visão, sendo tampada no segundo seguinte por uma figura masculina. Cabelos dourados, olhos azuis, lábios finos de sorriso sempre gracejoso. Aleifr direcionou-lhe uma piscadela ao afrouxar a compressão que a prendia contra seu corpo, sem cessar as carícias de sua pele delicada - se é que possuía uma. Pela expressão em seu semblante, ele parecia aguardá-la, como se tivesse conhecimento de que ela o encontraria naquele dia e, mais precisamente, ocuparia o lugar entre seus braços. ❛❛ — Não me diga que foi incapaz de suportar minha ausência. Achei que tínhamos combinado que manteríamos uma relação casual, nada de exclusividade, Miss Know It All. ❜❜ - ele retirou uma mecha da frente de seus olhos, o ato transmitindo a provocação usual. A careta que formou-se em suas feições possuía mais felicidade do que Eloise admitiria, ainda que acompanhada por um revirar de olhos. ❛❛ — Aparentemente, teremos muito tempo para definirmos tais termos, Cabelos Dourados. ❜❜ - ela retorquiu, movendo-se minimamente com o intuito de desafia-lo e, provavelmente, dificultando a tarefa de mantê-la aninhada tão próximo. A risada os envolveu em um clima ameno - tão apreciado pela Windsor mesmo antes - e, ela soube, se passaria sua eternidade daquela forma, ao menos seria feliz.
OOC: Uma rápida explicação: sim, esse pov rolará mas não exatamente agora e por isso o “a few months from now…”. Na verdade, ele foi feito em homenagem ao aniversário da minha melhor amiga hey, Cata ♥ e eu terminei decidindo postar aqui mesmo. Agora para a Cata: Espero que você tenha gostado e se desfeito em lágrimas tanto quanto eu me desfiz dessa primeira parte do seu presente! Agradeço por todo o apoio e paciência das meninas ao lerem e relerem esse post para que ele ficasse impecável - ainda que esteja bem longe disso.
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