ANTIGO CONSELHOSDESCRITOS O Segunda Edição é um blog sobre histórias - estejam elas em livros, na internet, dentro de quadrinhos ou passando na TV. Resenhas, discussões, recomendações e desafios para fãs de todos os tipos.
Olá! Como você perceberam, este blog estava com um hiatus muito grande. Então agora que decidi voltar pro mundo dos blogs, preferi criar um completamente novo. Ele é o DELEITURA! Aqui também a página do facebook. Lá eu vou postar resenhas, matérias, listas etc... tudo que tenha relação com livros e histórias! Espero que vocês gostem.
Minha experiência aqui, desde o conselhosdescritos, foi incrível. Agradeço a todos os que me acompanharam e me apoiaram e espero que vocês possam estar comigo nessa nova fase. A todos meus parceiros, um outro especial, mais apertado ainda. Obrigada! E até logo!
Todos os livros, séries, músicas, filmes, jogos e histórias que nos rodeam são como pequenos mundinhos, um tanto mais interessantes, dentro do nosso. Afinal, ás vezes é difícil comparar a realidade de todo dia com todas as possibilidades da ficção, e ninguém pode julgar ninguém por querer escapar de vez em quando.
Mas como seria se esse escape não durasse apenas as duas horas de um filme ou de um show? E se ele acontecesse não por querer, mas fosse tão inevitável quanto a queda de Alice no buraco do coelho? E se, além disso tudo, esse mundo não fosse completamente diferente do seu - se ele parecesse quase o mesmo, só um tanto mais estranho, de forma que você não soubesse nem por onde entrou, que dirá por onde sair?
1Q84, escrito pelo japonês Haruki Murakami, é uma trilogia que usa exatamente essa ideia para te envolver numa realidade que é tão distópica quanto 1984 (que sim, é uma das inspirações para a obra!), tão assustadora quanto Frankestein, tão metafórica quanto Alice no País das Maravilhas e no final é tão original quanto.... bem, quanto 1Q84.
A obra nos apresenta dois personagens que aparentemente não têm nada em comum (se você leu a resenha de Toda Luz Que Não Podemos Ver aqui do blog, você sabe que adoro esse estilo): Tengo, um professor de matemática e aspirante a escritor, e Aomame, uma “personal trainer” que, na verdade, é também uma assassina. Apesar da descrição curiosa, ambos são pessoas que, por si só, não chamariam muita atenção. O que importa para história, e para você, é o mundo em que eles vivem.
Logo no inicio da história, cada um é apresentado com uma escolha: e a decisão que eles tomam é o que vai acabar aproximando os dois - mas também os distanciar do mundo real. Aos poucos, pequenas mudanças vão mostrando que os dois não estão mais no ano de 1984, mas em uma data indefinida em um outro mundo... daí o título da trilogia (o Q vem de question mark, “interrogação” em inglês).
A trilogia, escrita entre 2009 e 2010, tem uma forma de escrita diferente, com um estilo que não é ao que estamos acostumados. Então se você nunca teve contato com mangás/animês ou outras obras japonesas, os diálogos e narração talvez pareçam um pouco engessados no começo. Mas, depois que se passam alguns capítulos, isso passa, e você já se coloca no lugar dessas pessoas que, assim como nós, estão descobrindo exatamente quais são as consequências de terem entrado nessa outra realidade.
O primeiro livro serve principalmente para apresentar os personagens (quais são suas motivações, suas histórias de vidas, seus traumas, as pessoas que os circulam), mas também para dar um gostinho de quais são os problemas que Tengo e Aomame vão ter nesse novo mundo. Por isso, temos pouca movimentação na história, que usa muita a descrição e o mistério para te mostrar que as coisas não são mais o que eram.
Já no segundo livro, o leitor já se sente em casa com aquela realidade, e a história caminha para aproximar mais ainda as vidas dos dois protagonistas, enquanto apresenta os antagonistas que estão dificultando o encontro dos dois - por isso, os personagens já estão mais ativos, e já têm objetivos mais claros. É como se começassem a nadar contra a maré que antes os arrastava. Este é o livro que li mais rápido, até por que possui muito mais diálogo e ação que o primeiro.
O livro 3, que conclui a obra, volta ao estilo do primeiro livro, com menos coisas acontecendo e mais preocupação com o que os personagens estão sentindo - mas nem por isso deixa de ser tão envolvente quanto o resto da série, pois além de termos um outro ponto de vista narrativo, Tengo e Aomame agora têm a certeza do que precisam fazer, mesmo que o relógio e seus inimigos estejam contra eles.
Se você gosta de mistério, porém, eu tenho que te fazer um aviso! A trilogia inteira tem um encaminhamento muito bom e te deixa completamente viciado, mas no final muitas de suas perguntas vão ficar sem resposta. Quando terminei a série eu achei isso bem condizente com a obra - mas agora, relembrando a história enquanto escrevo essa resenha, tenho que admitir que gostaria de saber se eu estava certa ou não! haha
1Q84 é uma obra completa - ela tem romance, mistério, sobrenatural, mortes, críticas sociais. E apesar de parecer demais, isso tudo flui muito naturalmente em meio ao mundo louco que Murakami cria nos livros, inclusive a muitas referências a diversas obras. Eu não acredito que tenha captado todas, mas me lembro de referências a contos de fadas, Star Wars (sim!), Alice no País das Maravilhas, 1984, a Bíblia, escritores clássicos, música clássica.... e muitas outras coisas! Mas essas referências você só vai poder captar pensando no livro depois, por que enquanto estiver lendo eu te garanto que você não vai conseguir pensar em outra coisa a não ser o que te aguarda nas próximas páginas.
Já leram o livro? O que acharam? Comentem lá na ask, e também façam pedidos de outros livros que vocês querem uma resenha! :D
Encontrei essa série depois de ver Sherlock (vou falar dela lá embaixo!) e ficar obcecada com o ator Martin Freeman, que está no elenco das duas séries. Fargo fala sobre um homem comum, chamado Lester Nygaard, que é meio fracassado, vive um dia a dia estressante com a mulher, o trabalho, a vida em geral – resumindo, um zé-ninguém. Um dia, ele encontra um estranho numa fila de hospital e eles conversam. O estranho, porém, acaba incutindo algumas ideias na cabeça dele sobre como ele pode se impor e melhorar a vida dele... só que de forma meio violenta. Chegando em casa, Lester acaba fazendo justamente isso (!), e mata sua esposa. Arrependido, quando percebe que a polícia está chegando ele encontra uma maneira de fingir que aquilo tudo foi um roubo que deu errado, e que ele não teve nada a ver com o assassinato da mulher.
Mas é claro que nesses casos sempre tem uma pessoa que não acredita na história: e ela é a policial Molly Solverson, que começa uma investigação sobre o que realmente aconteceu. Fargo não é do tipo de série bonitinha, mas tá aí parte do charme. Ela apresenta crimes, traição, conspirações etc e faz com que você goste dos “vilões” mesmo assim, o que é algo que eu sempre curto numa série. O filme original (de 1996), que deu inspiração a série, ganhou o Oscar de melhor roteiro, então você já sentiu que é boa...Ah! Esse é o enredo da primeira temporada, pois a série tem o estilo de American Horror Story, de ter uma história a cada nova temporada. Ou seja: veja a primeira temporada em um final de semana e a segunda em outro... afinal, vida pra quê? haha
Nota: ✯ ✯ ✯ ✯
2. Scream
(1 temporada, 10 episódios, aprox. 7h no total)
Eu ADORO filmes de terror. 90% eles não conseguem me assustar, então eles passaram a ser pra mim uma forma de diversão – e Scream é isso, só que no formato série. Ela é baseada no universo do Pânico (compartilham até o mesmo nome, em inglês), e por isso tem a mesma pegada do filme. A cidade da série é abalada logo nos primeiros instantes da série com o assassinato de uma menina, e logo em seguida a protagonista, Emma, que era amiga dela, começa a receber mensagens e ligações de um homem misterioso que promete matar ela e todos que ela conhece. A sinopse é a mais básica possível, e não posso dizer que a série em si é surpreendente. Mas essa é a grande sacada de Scream – ela te dá o que você quer. Há o mistério de quem é o assassino, mas fora isso os personagens e situações são bem simples, então você realmente relaxa e deixa a história rolar. A série é super levinha (a menos que você seja muito medroso), tem algumas cenas de terror bem legais e é bem divertida (principalmente com referências a outros filmes de terror ou séries!).
Ela brinca muito com os clichês de high school americano e com o próprio gênero de terror, assim como os filmes. Eu lembro que assisti com meu pai, o que é muito bom para você discutir suas teorias de quem é o assassino (que vão mudar o tempo TODO). Mas ele adivinhou o assassino antes do final... então veja com alguém que não vá te spoilar! Fora isso, já pode dar play!
Nota: ✯ ✯ ✯ ✯
3. Sherlock
(3 temporadas, 3 episódios cada, aprox.. 13h no total)
Essa série é que totaliza mais horas, mas não deixe isso de assustar. Como o nome sugere, ela é uma adaptação das histórias do detetive Sherlock Holmes, e só por isso já teria chances de ser boa, mas é simplesmente fenomenal. A série se passa nos dias atuais, e todos os capítulos têm o “plot line” (e títulos!) inspirados nos contos originais. Na verdade, eu devia concertar isso – a série é BRILHANTEMENTE inspirada pelos trabalhos originais de Arthur Conan Doyle. O roteiro é ótimo, as atuações (Benedict Cumberbacth é Sherlock Holmes, e como eu citei acima, Martin Freeman é John Watson) acertam em cheio, o estilo visual da série é bonito.... enfim, não tenho defeito pra citar! haha
Para uma série de detetive, é interessante como os mistérios não são o mais importante, e sim os personagens e a relação entre eles, como a amizade entre o Sherlock e o John (para alguns shippers, é mais que amizade, mas shhhhhhh). Ela tem uma estrutura um pouco diferente de séries comuns – cada temporada tem só 3 episódios, que são tipo minifilmes, o que é outra coisa que me interessou nela. Desse jeito, a primeira temporada pode ser vista com mais desapego, por que os casos são bastante separadinhos. Mas o ponto alto da série, a segunda e terceira temporada, passam a ser mais encaminhados, como uma série normal. Com certeza a minha série favorita (só compete com House of Cards), então nem precisava dizer: V E J A.
Nota: ✯ ✯ ✯ ✯ ✯
Eu poderia recomendar algumas outras séries, mas sinto que estas são que eu gosto que nem muita gente conhece. Mas nem por isso vou deixar de comentar que vocês simplesmente DEVEM ver também Sense 8, How To Get Away With Murder e Flash. São outras 3 séries que eu vi muito rápido, em 2 ou 3 dias, e que seguem a mesma linha de serem simples de assistir, divertidas e suuuuuuper viciantes!
Já viram algumas dessas séries? Gostaram? Ou só vão ver agora? Vocês também tem isso de ficarem obcecados por um ator e procurar TODOS os lugares que ele já apareceu na vida? haha Falem comigo lá na ask... Se vocês curtiram, quem sabe não rola uma matéria sobre maratonas de filmes?
Quatro livros chegaram em minha casa por esses tempos: o segundo livro de 1Q84, de Haruki Murakami; Notícias: Modo de Usar, de Alain de Botton; O Melhor de Mario de Andrade e (o que mais aqueceu meu coração, presente de um amigão) The Complete Sherlock Holmes! 1Q84 (Alfaguara) é o nome da trilogia escrita por Haruki Murakami, escritor japonês, que conta a história de dois personagens aparentemente sem conexão - uma assassina de aluguel chamada Aomame e um aspirante a escritor chamado Tengo, que ao longo da história acabam percebendo que o mundo em que estão está se transformado em algo cada vez mais estranho, mais perigoso e mais conectado. Os dois primeiros livros têm diversas referências a outras obras (tipo o título!) e têm uma escrita super detalhada, o que pode desanimar algumas pessoas, mas que eu adoro. Outro livro é Notícias: Modo de Usar (Intrínseca), que foi um livro que eu comprei assim que recebi a noticia de que havia passado na faculdade de Jornalismo, haha. Ele é não-ficção e aborda o modo como as notícias são feitas, a importância do jornalismo para educar e informar as pessoas e, logo, a melhor forma de apresentar informações ao público. O que eu gosto é que ele não é do estilo tutorial: são pequenos textos que lembram mais reflexões do que dicas de escrita. Ainda, comprei o livro O Melhor de Mário Andrade, que, como o nome sugere, reúne as melhores histórias do autor. Eu estou tentando, a algum tempo, conhecer mais da literatura brasileira, e pra isso acho livros como esse excelentes! Eu já gosto de histórias curtas, então melhor ainda! Infelizmente, só tive tempo de ler um dos contos do livro, mas achei super interessante a forma de escrever do Mário de Andrade e principalmente o uso que ele dá pra psicologia dentro do conto. E agora, a estrela do post: Presente de aniversário suuuper atrasado de um amigo meu, mas igualmente suuper legal! The Complete Sherlock Holmes, do Sir Arthur Conan Doyle, é a obra completa do detetive mais conhecido e amado do mundo. Ele é em inglês, tem uma capa lindaaa (toda em couro!) e páginas pintadas de dourado do lado de fora... Ou seja, uma Bíblia! haha Morri de amores pelo livro, tanto pela edição ser maravilhosa, quanto por que desde antes de me viciar na série Sherlock, da BBC, eu já adorava as história de Holmes e Watson. Recomendo que todo mundo procure ler um conto ou outro! Esses foram os livros que lerei nessa segunda quinzena de Fevereiro... E os seus, quais são? Falem na ask!
Como um anon já notou antes que eu pudesse comentar, haha, o CDS mudou bastante. Mudei o icon, o tema, o nome (agora o blog é SEGUNDA EDIÇÃO!) e, principalmente, o foco principal do blog.
Já havia dito anteriormente, o foco em dicas de escrita já havia me cansado, por isso o IIEdição vai falar sobre livros, séries, filmes, mangás... Enfim, histórias no geral. Mas não só resenhas, opiniões e listas, mas também matérias sobre a construção desses mundos, sobre contar histórias, novidades que eu julgar importantes. Espero poder continuar contando com o apoio de vocês! (que agora não são mais conselheirinhos, já pensaram em sugestões de nome? Ask!)
Aos parceiros, @eus2escrever, @apicedepandora, @beta-reader, @leitora-beta, @365invernos, @avozdaterradonunca, @achebetareaders, @writerrevolution, @bibliotecadewebs, @web-darkblood, @palavrasgritantes, @our-velvet-roses, @cabinecentoeum e @raposoquerima: se vocês puderem mudar meu icon, descrição e link nas suas páginas de parceiros, eu agradeceria mt! Aqui seguem:
Descrição: O Segunda Edição é um blog sobre histórias - estejam elas em livros, na internet, dentro de quadrinhos ou passando na TV. Resenhas, discussões, recomendações e desafios para fãs de todos os tipos.
Icon aqui, aqui (100x100) e aqui (65x45)
Atire a primeira pedra quem nunca pensou que o final de um livro, série ou filme poderia ser diferente. Quem nunca cogitou como seria a história de tal personagem não tivesse morrido. Quem nunca torceu para um casal diferente do que acabou ficando junto. Tenho certeza que ninguém sequer levantou a mão – afinal, ser fã é padecer no paraíso. É por essas razões que fãs discutem, fazem teorias, vibram, brigam... e criam.
As fandoms estão em todo lugar, assim suas criações: desenhos, vídeos, grupos de discussões, ships, e também fanfics, histórias criadas por fãs baseadas nos personagens e enredo dos originais. Fanfiction é extremamente popular, mas atualmente tem chamado a atenção de diferentes mídias, e não por que é divertida.
A questão é: escrever fanfics é legal, mas será que faz bem pra criadores, escritores, fãs?
Como em tudo hoje em dia, temos dois lados: os que apoiam ou não as fanfics. George R.R Martin, que você conhece como o velhinho sem coração que mata todos os seus personagens favoritos de Crônicas de Gelo e Fogo (ou da série de TV, Game of Thrones) disse em uma entrevista que não gostaria que o universo da série fosse continuado por outras pessoas que não ele depois de sua morte; em outra oportunidade, que seus personagens são seus filhos, e que ele não gosta que outras pessoas “mexam” neles sem sua permissão.
Isso é algo interessante, que eu acho que nunca pensamos: de todas as fanfics que li, tenho certeza que nenhuma havia sido previamente “autorizada” pelo escritor original... Mas ao mesmo tempo esses autores e autoras não parecem prestar muita atenção no que se passa dentro das fandoms, então pode ser que para eles fanfics seja algo inofensivo.
Isso era, inclusive, o que eu pensava até o momento em que tive que fazer a pesquisa para essa matéria. Só depois dela que eu percebi: FANFICS NÃO SÃO MAIS INOFENSIVAS.
À primeira vista, principalmente para mim, que leio elas desde os 10 anos, fanfiction é algo que fazemos para nos divertimos. E, no caso de escritores, como muitos de vocês, algo feito para relaxar, para tentar outras formas de escrever sem nenhum compromisso, algo para inspirar as suas próprias histórias... Né? Apesar de tudo, essas são as intenções de maioria dos fãs.
Mas depois do sucesso de Cinquenta Tons de Cinza, depois da criação, pela Amazon, de um site no qual você pode postar e até ganhar dinheiro com suas fanfics, depois da determinação de que muitos dos livros publicados do universo de Star Wars não são canon, e logo, são fics, eu comecei a pensar um pouquinho do outro lado. É certo ganhar dinheiro com histórias de outras pessoas?
E. L. James, autora de Cinquenta Tons de Cinza, romance criado a partir de uma fanfic de Crepúsculo que a autora havia criado
É claro que, nesse caso, “bastaria” os criadores não permitissem que ninguém ganhasse dinheiro com algo que é deles. Mas acho que, na realidade, é um pouco mais complicado. Já não dizem que “nada se cria, se copia”? Ou, como disse Austin Kleon, autor de Roube Como Um Artista, “toda ficção é, na verdade, fanfiction”? Qual o limite entre cópia e criação? Acho que essa é uma pergunta muito complexa, que varia de obra para obra e de leitor para leitor.
Será que fanfics são ruins, então? Não! Repetindo o que falei acima, fanfics servem também para inspirar escritores em suas próprias histórias, para entreter e aproximar fandoms , e, algo que este artigo me fez parar para pensar, cobrar melhores histórias.
Em uma enquete que fiz aqui no blog, lembro que um número grande de vocês escrevia fanfics. Por isso, imagino que vocês também leiam – e, assim, vocês sabem que as fanfics, fanarts etc exploram lados da história que são subexplorados ou não existem. Ou seja, jeito bonito de falar que tudo vale: quem é gay virar hétero, quem é hétero virar bi, personagens brancos virarem negros, heróis virarem vilões, futuro virar presente, enfim, TUDO. Ships, AUs (alternative universes, onde personagens de uma história são colocados em outra realidade) e outros recursos tornam os personagens mais parecidos com a realidade.
Fanfics são quase sempre muito inclusivas com as minorias, justamente por que as nossas histórias ainda não o são. Mas aos poucos, já que produtoras e editoras de conteúdo agora sabem da existência desse mundo enorme que são as fandoms, as histórias apresentam personagens mais parecidos com as pessoas que compram o livro ou o ingresso do filme. Ou os dois. Mais de uma vez.
O poder das fandoms: no final do século XIX, quando Sir Arthur Conan Doyle ressuscitou Sherlock Holmes após insistência dos fãs e editores; ou em 2016, quando a Disney atrasou o lançamento do episódio XII de Star Wars para fazer alterações do roteiro “baseadas nas reações do público aos personagens”
Pensando assim, fanfics tem um lado bom que vai além de nos fazer aguentar até a continuação de uma obra – elas também podem melhorá-las. E nesse sentido, também, as fanfics deixaram de ser inofensivas. Na verdade, eu diria que as fandoms no geral: a indústria de entretenimento, uma das mais lucrativas que existem, deve concordar que esse bando de gente que é apaixonado por seja lá o quê tem a capacidade de movimentar montanhas.
Mas, sejam essas montanhas de dinheiro ou uma metáfora para o pensamento careta da sociedade, elas devem ser movidas sempre com respeito aos criadores. Desde a compra dos materiais originais para ajudar aqueles que produzem o que a gente ama, até a inspiração (saudável!) nas obras. E, por que não?, a produção de histórias divertidas, interessantes, diferentes e profundas com os personagens que tanto amamos, algo que, para mim, ainda é uma das melhores formas de homenagem.
Pq, anon, como eu tinha falado assim que voltei pra ele, o foco do CDS iria mudar de apenas dar dicas de escrita (embora meus textos ainda irão falar de criatividade, criação de histórias) para algo mais amplo.... Mudar o nome, icon, etc foi parte disso, pq o jeito antigo n refletia o que eu queria :) Gostou?
Ouvi dizer que nesse blog tem desafios, mas não consigo encontrá-los. Me oriente?
Oi, anon! Além dos desafios na tag ‘desafio’ (tem uma barra de procurar do lado do botão da ask), vc pode considerar as imagens que eu posto como inspiração também... Aqui a tag desafio e aqui a tag inspiração! bjus
Oi, poderia ajudar a divulgar? Tumblr c/ o intuito de ajudar escritores iniciante. Ajudamos na divulgação e disponibilizamos betas readers e critique partner. Obrigada desde já.
Toda Luz Que Não Podemos Ver me fisgou pela capa. É simplesmente linda! – e foi por ela me chamar a atenção que resolvi, sem ler uma página sequer, levar o livro pra casa.
O romance, o segundo do americano Anthony Doerr, tem uma sinopse simples, bastante comum, do tipo duas-histórias-que-se-juntam. Somos apresentados a duas personagens, uma menina cega chamada Marie-Laure e um garoto chamado Werner, que vivem em lados diferentes da Segunda Guerra Mundial: ela, francesa, muda-se para o interior da França com a invasão alemã, e ele, alemão e sabendo lidar com rádios, é recrutado para uma escola nazista, e, mais tarde, para o exército. Enfim, uma história não muito original, mas com a promessa de ser boa (tanto que o livro ganhou o Pulitzer em 2015).
Antes que pensem: “aí vem crítica!”, devo dizer que eu gostei bastante do livro! Ele é bem escrito, e até a “lentidão” do enredo cabe no clima tão bem que inclusive ajuda a você se colocar dentro da história, a sentir os personagens. Há momentos tristes, felizes, a guerra é bem retratada (o que me lembra esta minha matéria sobre o assunto haha), a escrita é super bonita, meio poética... É uma leitura fácil e envolvente: tanto que terminei o livro, de 526 páginas, em 4 dias (embora eu imagine que tem gente aí que já fez melhor! rs).
Mas o que me deixou um tanto decepcionada é o fato de que o tal do encontro entre as duas histórias só acontece na página 466!(!!!!!!!!) e é bastante curto. Assim, a tal da história de amor que me foi prometida na sinopse do livro basicamente não acontece – dá-se a entender que Werner se apaixona por Marie-Laure, mas para mim, ao menos, não deu pra acreditar no sentimento. Pensando bem, acho que no clima do livro não caberia com um romance alá Romeu e Julieta, então esse ponto foi bem coerente, mas leitores têm suas expectativas, né?
No final das contas, ainda recomendo Toda Luz Que Não Podemos Ver (título que é um exemplo de como certas coisas SÓ soam legais na língua nativa haha) para você que não se importa com uma história mais introspectiva, mais “poética”... E se você leu A Menina que Roubava Livros e gostou, eu recomendo duas vezes! haha, pois o livro segue a mesma linha de estilo de escrita e descrição (ás vezes é tão similar que eu cheguei a estranhar, MAS), apesar do enredo não ter a mesma qualidade. Comparando os dois livros, na verdade, acho que Toda Luz só ganharia no quesito capa – que, devo dizer, continua a ser um dos meus pontos favoritos na obra toda.
E aí, vocês já leram o livro? Ou se interessam por histórias parecidas? Gostaram da primeira resenha aqui do blog? Falem na ask! ;D