wake up call; w. Qetsiyah McGonagall
aspenrulethemall:
A morena ainda estava desacreditada com a ajuda que sua tia avó dera, mais uma vez. Desde que tinha seus onze anos, vinha sendo assim. A mulher com a expressão severa, temida por alguns, respeitada por muitos, aos seus olhos, era a senhora de grande coração que sempre lhe acolhera. A ajudara mais vezes do que ela gostaria de se orgulhar, e agora a animaga tinha a sensação de que nunca teria como retribuir o favor. Ainda estava desacreditada como as avós não tinham esbravejado consigo. Imaginava se seria pela calma que tentava manifestar, e o cuidado que parecia ter com suas decisões. Pedira, sim, ajuda financeira para as McGonagall, mas desde o momento que pisara na casa e tivera sua filha, decidira trabalhar para pagar cada sentado, e fazer merecer cada momento que elas tinham autorizado que ela passasse em sua moradia. E no entanto, o agradecimento agora parecia imensurável.
Tinha finalmente desempacotado as coisas no dormitório que ganhara por ser a mais nova professora de duelos, cargo em que fora encaixada pela parente antes mencionada, decidira que estava mais que na hora de mostrar para Tessalia o castelo. Ela já chegara numa idade onde lutava para não adormecer, o que fazia com que tivesse que a manter ocupada a tarde para que estivesse exausta o suficiente durante a noite, evitando que passasse mais uma em claro. Estava com a criança em seus braços, conversando com um terceiro que parecia interessado em conhecer a inusitada parente da McGonagall transitando pela escola. Fora quando ouvira a voz do rapaz, o coração palpitando por saber exatamente quem era o dono dela. E, gosh, sentira falta do amigo, mas o motivo da palpitação não fora este.
Segurara a criança mais forte ao se virar, os músculos tensionando ao saber que o momento que menos esperara finalmente batia em sua porta. Reconhecia aquela expressão, e não precisava fazer muito esforço para dizer o que ele pensava quando o olhar estava fixo na criança entretida com sua surpresa. “Aspen… Eu, hm… Eu sei o que está pensando. A criança não é sua.” Mentiu, tentando conter o desviar de olhar ao fazê-lo, porque sabia que seria o sinal que ele usaria para reconhecer que mentira.
Um olhar foi tudo que bastou para que as irises claras de Aspen se comportassem como imãs magnetizados pela figura da bebê, que tão pequenina, tão delicada, ainda segurava seu dedo. Ele não teve coragem de puxá-lo, ele não teve coragem de fazer nada além de pensar no quanto seu cabelo também era espetado nas poucas fotos infantis tirada de quando tinha aquele tamanho, no quanto as bochechinhas rosadas lembravam à sua, mas especialmente nos olhos iguais aos seus.
Foi com esforço, portanto, que ele dignou-se a olhar para a ex-namorada, seus olhos claros analisando cada centímetro do rosto da morena no aguardo da confirmação que, com toda a certeza, mudaria sua vida para sempre; mas não contava com a mentira. A mentira, entretanto, foi igual confirmação. Ele tinha olhos treinados e era astuto, o desviar de seu olhos, embora mínimo, sendo pego pelo mais alto que de imediato sentiu a mandíbula enrijecer, o medo o engolir, e ainda assim agiu, surpreendendo a si mesmo quando a voz soou baixa, receosa e quase zangada ao mesmo tempo ao que virava-se de volta à própria . “Vem comigo.” O coração, naquele ponto, já martelava no peito e ele não tinha qualquer ideia do que fazer com aquela bomba sendo jogada em sua cabeça.
Quando Qetsiyah finalmente entrou, a porta foi fechada e foi com seriedade que ele a encarou. “Não minta pra mim.” Ele disse, engolindo em seco, as lágrimas que nunca derramou, mesmo em difíceis situações, parecendo querer emergir agora. Aspen franziu o rosto, as linhas de preocupação mostrando-se evidentes enquanto dava voz à sua indignação e, ainda assim, com a presença da criança, ela soou baixa, quase sussurrada. “Não minta pra mim nunca. Pelo amor de Deus, Qet... Ela tem os meus olhos.” Confessou baixinho, o ar parecendo lhe faltar, o chão parecendo querer engolí-lo. “Por favor... Me diz a verdade, Qet.”










