Ele queria terminar com ela, ficando junto com ela. Ela não entendia. Como podia ele querer terminar e permanecer tudo igual? O que mudaria? Pra quê terminar?
Ela não queria, não aceitava e não entendia.
Ele não queria, mas achava necessário, não queria distância. Amava demais pra querer ela longe.
Ela ficou de boa, afinal, nada mudou. Só o título.
Eles tiveram uma ótima sema apesar do término, a vida dela melhorou, isso refletiu na relação deles.
Ele gostou, achou que a ideia do término estava funcionando.
Ela jurava que não tinha haver com o término e sim com o contexto da vida que havia mudado.
Ele não acreditava tanto assim nessa teoria, mas ok. Estava funcionando.
Ela se acostumou com a ideia de não estar mais sob o título de ‘namorados’.
Ela agora tinha uma razão pra permanecer no término. Ela queria aproveitar a vida que não viveu na adolescência. Conhecer novas pessoas. Talvez ficar com outros caras.
Ele não queria. Ela era tudo.
Ele a motivou a sair, a saber o que realmente ela queria. Conhecer novas pessoas.
Ela foi. Beijou um velho desejo.
Ele percebeu que estavam mesmo em sintonias diferentes. Objetivos diferentes. Vontades diferentes. Iniciativas diferentes. Propósitos diferentes.
A liberdade que ela não queria, agora estava em perfeita harmonia com aquele velho desejo.
Ele pensou mil coisas: Ela se arriscou, ousou, teve coragem. Aproveitou a oportunidade. Não conseguiria fazer o mesmo. É...eu não conseguiria fazer o mesmo...ela conseguiu. Como? Mas ela dizia que nem queria terminar...Mas é direito dela. Mas soa estranho...logo ela que jurava que não queria terminar...não parece a mesma pessoa. Mas é que ela não viveu a adolescência direito...ela precisava disso...
Ele terminado só queria ela, ela sem querer terminar optou por buscar outras pessoas.
Essa incongruência não fazia sentido pra ele. Foi muito repentino.
O que seria isso? Ele não a conhecia antes ou não a conhece agora? Em qual versão acreditar? Pode ser que ela apenas tenha mudado de ideia rapidamente...mas como? Ela não é assim.
Ela dizia que o amava ainda, muito.
Ele dizia que a amava também, muito.
Ele não entendia porque o amor que ele sentia era capaz de fazer ele querer só ela, Mesmo terminados. E o dela não fazia o mesmo efeito...mesmo ela resistindo ao término no início.
Isso lhe ocupou a mente por muito tempo. Não houve resposta satisfatória.
Aparentemente ele não a reconhecia mais. Parecia uma completa estranha. Aquele jeito de amar não lhe era familiar.
Mas ela insistia que o amava muito, e listava o quanto ele é importante pra ela. O quanto foi importante...O quanto ela o ama. Mas que precisava desse tempo pra conhecer outras pessoas, testar talvez...e mais, disse também as coisas que não gostava nele, o achava parado na vida, dizia que ele não tinha ambição, que há anos não o viu evoluir, que piorou nos últimos meses, chegou a compará lo com outros, alegando que todos que ela conhece tem namoros melhores.
Parece que faltava elementos muito importantes no namoro deles. Ela gostaria que ele pudesse sair com ela, que tivesse grana pra tomar sorvete que fosse...ele não tinha nada. Era uma fase horrível. Ela estava certa. Ele também não era chegado a eventos de grande porte com muito barulho e muita gente. Isso a incomodava.
Ela insistia copiosamente pra que ele tivesse ‘iniciativa na vida’. Que saísse daquela situação. Alegava que ele não ‘movia uma palha’ pra sair daquele lugar de ‘parado’.
Ele via aquela garota de hábito incongruente lhe dizer todas aquelas coisas e dizer que apesar de tudo isso o amava demais e o queria pra sempre. Isso lhe pareceu uma segunda incongruência. Eram duas, sobrepostas...Tudo isso ficou ainda mais confuso em sua mente.
Ele se irritou com aquela que ele julgava não mais conhecer. A paciência de anos anteriores fora suprimida e transformada em raiva.
Ela não o reconhecia naquele sentimento.
Ele a considerava cada vez mais estranha à aquela que ele conheceu.
Ele desistiu dela. Se cansou daquela versão estranha de quem ele havia conhecido.
Ela se sentiu extremamente magoada...
Ele estava farto de tudo aquilo.
Ela repetia tudo que não fazia sentido pra ele.
Ele não a reconhecia mais.
Agora ela não o reconhece.
Ele queria uma namorada melhor.
Ela queria um namorado melhor.
Encontraram o pior do outro.