dia 23.
três meses do primeiro beijo. isso aqui não vai ser um texto sobre você, mas um desabafo no estilo diário pra, de alguma forma, superar o momento.
eu não vi essa maré chegando, não dessa direção. preciso confessar que as últimas semanas foram confusas, tomadas pelo sentimento da dúvida que não costuma ser algo que me representa.
logo eu, cheio de certezas, possivelmente em dúvida? aconteceu, era mais esperado essa onda de incertezas afogar você, mas foi o contrário.
sabe quando você está desfrutando um café delicioso e você se distrai por alguns minutos com alguma notificação que você recebeu no celular ou algum barulho no ambiente e quando você volta para seu café ele esfriou e já não é mais o mesmo? acho que foi isso que aconteceu com você.
como você é capaz de chegar depois desse tempo todo, depois de todos os presentes, depois de todas as mensagens e encontros e dizer que não sente conexão no que vivemos?
a ideia de viver uma história unilateral me assusta, me assombra, me faz mal. de verdade.
o que mais detesto é me sentir enganado e, pelo jeito, vou ter que aceitar esse título pra mim.
enfim, acho que já externalizei demais minha dor enquanto me afogo assistindo os filmes de romance sem finais felizes. entre uma cena e outra, ouvi que os amores inacabados, não vividos, interrompidos são os mais puros e os que mais te assombram. e eu sei bem disso, o “e se” sempre corrói.
você deve estar vivendo novas experiências agora, aproveitando quase um estado de mania com sua felicidade intensa nesse momento e eu estou aqui, assistindo aquele episódio que você queria assistir comigo e que agora eu entendi o porque.
parece que estou vendo nossa história retratada em uma cena de série. isso é típico de você. mas também é algo típico de mim.
talvez seja isso, nós fomos uma cena de série na vida um do outro e não um filme com final feliz.
feliz dia 23.















