Imagino muitas vezes como se lembra de mim. Sim, “como” não “se”, e já me desculpo pela falta de modéstia, por não poder fazê-lo pela ausência do zelo que deveria lhe ter. Sei que me tinhas em alta estada e que dessa morada me fiz de rogada todas as vezes que a ofertou, sei que doeu, que não fui eu quem quis mais que tinha desse fraco desamor. Sei que estando longe, sei mais do sabia quando me via cativa do seu querer, sei que dói a culpa e a ti as desculpas que nem sequer te destinei. Sei que não suporta as lembranças, nem lhe importam explicações, também sei que mais feliz estaria se dormisse todos os dias aos teus olhos brincalhões. Me vê agora? deve lembrar-se das horas felizes, de quando me vistes por ti também chorar, agora a hora não passa, e nem posso achar graça desse nosso caminhar. Sei que lhe devo mil perdões e de mim deve contar palavrões por onde quer que passar, mas saiba, eu sei, não valem nada os perdões se não apagam as intensões que me faltaram por guiar. Hoje te sinto mais que devia, deve ser minha alma fria viciada em lamentar, mas a ti vejo como o vento, incerto rebento que permanece a me encontrar. Sim, você se lembra, mas da menina ou da mulher? Já nem me importo, tu faz de mim o que quiser e quando o tempo vier, me ofereça um café, assim como quem nada quer pra talvez, por favor, relembrar sem muita dor aquele nosso desamor.