“Talvez. Não que isso seja da sua conta, Dominick.” respondeu com um semblante sério, o rosto praticamente inexpressivo enquanto dançava com ele pelo salão, os passos sincronizados, ela nem precisava se esforçar muito para acompanhá-lo. Ela segurava nele com leveza, mal pareciam se tocar, mas se tocavam, e a proximidade ao mesmo tempo que incomodava ela também a fazia querer mais. Ela o queria mais perto, mas também o queria longe. Estava em um imenso conflito interno em relação ao homem a sua frente. O queria, mas ao mesmo tempo repudiava isso, o amava, se odiando por amar aquela criatura morta.
Ela tinha que se forçar a não pensar muito naquilo, a não pensar em Dominick como algo mais que um vampiro sujo e repugnante. Mas contra seu gosto ela o amava, e não conseguia parar, era só nele que pensava, era só ele que queria, e por mais que ela tentasse esquecê-lo, indo para a cama com outros homens quaisquer, ela nunca tinha êxito, para ela só existia Dominick, até quando estava com os outros ela pensava no vampiro. Tudo aquilo a fazia sentir raiva de si mesma, a deixava com repulsa de si, se sentia suja. Só podia ser alguma maldição. Aurora fazia de tudo para se manter calma, sem demonstrar nada, sem mostrar a ele o que ele fazia com ela. “Depende, Dimitri, em que sentido você pergunta isso?” perguntou de volta, tombando a cabeça levemente para o lado, um pequeno sorriso cínico surgindo em seu rosto. Continuava os passos sincronizados, sem tirar os olhos dele, acompanhando-o com facilidade. Tentava decifrar a cabeça dele, o que ele podia estar pensando, mas o moreno era tão bom quanto ela em esconder os sentimentos e pensamentos. A única coisa que seus olhos e rosto denunciavam era que ele estava pensativo, ela só não poderia dizer sobre o que, era impossível saber. Mas suspeitava que ele estivesse pensando nela, do mesmo jeito que ela estava pensando nele. “Uma boa cidadã do condado comparece a essas coisas, não? Além de que, não posso deixar ninguém suspeitar de mim.” respondeu, lembrando da lua cheia daquela noite, das prováveis intenções do conde por trás da data escolhida.