SERPENT heart hid with a flowering face! Did ever a dragon keep so fair a cave? Beautiful tyrant, feind angelical, dove feather raven, wolvish-ravening lamb! Despised substance of devinest show, just opposite to what thou justly seemest - A dammed saint, an (( honourable )) villain!
Sofia teve uma certa surpresa ao ser recepcionada daquela maneira por Shiera. A australiana era sempre tão educada e contida que era até mesmo surpreendente vê-la sendo grosseira daquela maneira. Puxou uma cadeira e sentou-se ao seu lado, colocando a própria bandeja com o lanche sobre a mesa. – Tem molho na sua cara, Shiera. – alertou antes de soltar uma risada. – E é assim que você me recepciona depois que eu chego de viagem? Sério? Não vou mais entregar os presentes que trouxe para o bebê. – comentou a última parte mais para si mesma enquanto negava com a cabeça. A mexicana estava realmente muito empolgada com a ideia de ser madrinha e já estava começando desde aquele momento a mimar os bebês. Tinha trazido roupas adoráveis de seu país e até mesmo mini-pranchas da praia que, dificilmente, seriam utilizadas. Um tanto exagerado, mas certamente combinava bastante com Sofia. – Não, eu não quero. Tenho até a impressão de que você me morderia caso eu ousasse cogitar a possibilidade de aceitar.
「 △ Um suspiro saiu dos lábios da princesa antes que a mesma limpasse o rosto rindo um pouco de forma envergonhada. ❝ Desculpe, é só...Eu estou estressada. ❞ Deu de ombros antes de continuar. ❝ Mas, isso é verdade: Eu estou feliz que tenha voltado. Como foi? Comprou mais coisas que deveria ou se controlou? ❞ Brincou antes de voltar a comer tentando esconder o sorriso que tinha no rosto, tanto pela ideia de ter a amiga ali como também com a de ter um bebê. Dois. ❝ As bebês. São duas meninas. Não é incrível? Minha mãe está surtando gritando que além de ficar grávida eu estou trazendo não uma, mas DUAS bastardas para a família... ❞ A boca de Shiera se abriu para negar que morderia Sofia, mas então só retorceu o rosto em vergonha da mexicana estar certa antes de rir balançando a cabeça. ❝ Então, agora que você está aqui, quer ouvir os nomes das suas sobrinhas? ❞
「 △ Mesmo sendo a princesa herdeira da Austrália, Shiera não estava acostumada a ser perseguida pela mídia, sempre fora muito cuidadosa com tudo que dizia e fazia para que mantesse sua vida totalmente privada, no entanto uma futura rainha, solteira e grávida de um plebeu era algo que atraia os paparazzis, os fofoqueiros e os olhares. E isso a irritava, ainda mais quando estava fazendo algo tão comum quanto comer. ❝ O que foi? ❞ As palavras saíram um pouco mais grossas que o pensado e Shiera logo engoliu o pedaço do sanduíche que tinha na boca para desculpar-se. ❝ Não quis ser grossa, é só que não estou acostumada a ser a fofoca do momento. ❞ Suspirou voltando a comer. ❝ O que claramente não me da o direito de ser rude, então sinto muito mesmo. Você quer um pouco? Por favor diga não, comer por dois é mais difícil do que dizem, ainda mais quando a criatura dentro de você é enjoada. ❞
「 * ✧. — A foto postada na manhã de domingo com a sugestiva legenda causou um fervor nas mídias australianas que só teve ainda mais combustível quando novamente a princesa veio afirmar em seu twitter as suspeitas ao twittar "the rumors were true". A paternidade da criança esperada pela princesa australiana continua a ser um mistério e novamente a polêmica sobre princesas tendo filhos fora do casamento volta a tomar as redes sociais do país e do mundo. A família real não quis dar uma nota oficial sobre o assunto, mas parece que novamente a discussão sobre se Shiera assumirá o trono volta a rondar as ruas de Camberra, talvez a queridinha do rei Joseph finalmente esteja prestes a enfrentar uma séria ameaça de deserdamento. ❜
— Is a darker side of me that makes you feel so numb —
SHIERA’S POINT OF VIEW
「 △ Crianças são puras. Seus sorrisos são sinceros, seus olhares curiosos demonstram a verdade do mundo, a verdade da criação está no coração de uma criança. Durante nove meses somos incorruptíveis, protegidos da maldade do mundo dentro do útero de nossa progenitora, nosso primeiro contato com a maldade acontece ao sermos expelidos na sala de parto, as luzes nos cegam, mãos nos agarram, o medo nos consome. É por isso que nós choramos, para espantar nosso medo da única forma que viemos a conhecer nos primeiros momentos de vida. Mas o choro para, somos aninhados nos braços de nossas mães e os sorrisos que damos se tornam carinhosos, puros, sinceros, cheios de promessas do que seremos no futuro. Quando uma criança é corrompida? Quando exatamente nos começamos a encher nossos corações de malícia? Quando deixamos de dar sorrisos sinceros e começamos a mentir sobre quem somos? Quando começamos a achar que chorar é um sinal de fraqueza? Talvez a ciência da vida não seja exata o bastante para nos dizer isso, não é um fato biológico como a puberdade, não é um fato que se torna comum e banal para todos do mundo. Há aqueles que se corrompem na juventude, aqueles que são corrompidos por terceiros e há casos raros daqueles que nascem quebrados, corrompidos, sujos. Pelas lendas Shiera era uma dessas crianças, ela fora agraciada com uma marca de nascença que para os nativos australianos significava impureza, toque dos deuses baixos. Isso veio a de fato ser concretizado quando Hades veio a lhe apadrinhar dando a menininha poderes cujo o controle fugia de suas pequenas mãos, falar com fantasmas, ser engolida pelas sombras e até mesmo absorver partes da aura alheia haviam se tornado parte da rotina da pequena, mas ela ainda era pura. Pura como a neve. Ela permaneceu pura como esta até que um verão em sua pele fez com que a neve se sujasse se tornando apenas uma água com detritos. Finalmente ela podia sentir aquela pureza novamente, duplicada, dentro ela, vivendo, absorvendo tudo que ela sentia, comia, fazia, dois pequenos flocos de neve que dali a alguns meses viriam para um mundo corrompido e sujo.
O pensamento tinha trazido a Shiera uma tontura que havia se tornado um tanto quanto conhecida pela mesma, a testa se encostando na parede do chuveiro, a água quente corria delicadamente pela pele de Shiera como se afagasse a pele da princesa a cada gota que caía do chuveiro, as ponta dos dedos da australiana seguiam as gotas de uma forma que confortasse a si mesma sobre o que estava acontecendo, não só isso, o que parecia que iria acontecer. Ela podia sentir as sombras se levantarem, como se a abraçassem, como se fossem um escudo, o frio tomando conta de seu corpo, mesmo com a água quente afagando a derme pálida. Uma voz calma e suave lhe mandava sair do chuveiro e Shiera obedeceu se secando e se trocando antes de abrir a porta encarando Mikhail em sua cama, os braços da princesa tentavam afastar as sombras do próprio corpo como se estivesse se aquecendo esfregando a pele. ❝ Mikhail...Acho que tem alguma coisa de errado. ❞ Murmurou baixo enquanto andava até a cama, um joelho tocou o colchão, as mãos se apoiando na cama pronta para subir na mesma quando um barulho alto a assustou fazendo a herdeira ir para trás caindo quase que de imediato gritando quando uma dor intensa acometeu seu pé, seus olhos no entanto não estavam no machucado, ou no sangue que escorria do mesmo, estavam travados na figura esguia que quebrara a janela do quarto pulando para dentro com a boca cheia de sangue. A figura se aproximou com rapidez em direção a Shiera e a princesa, mesmo estando atordoada, soltou um grito protegendo-se com o braço, o movimento no entanto fez com que as sombras tomassem formas com espadas formando um X na frente de Shiera. ❝ SHITE... ❞ Respirou fundo pensando em Hades, em desespero se levantou ignorando a tontura e a dor que sentia pelos cacos de vidro em que havia pousado, ela podia ouvir as sombras lutando contra o agressor, mas no momento estava tentando achar a maldita chave da gaveta, nota para o futuro: Não tranque a gaveta aonde guarda algo que pode lhe proteger, assim que achou as mãos trêmulas abriram a gaveta tirando uma katana da mesma a brandindo exatamente no mesmo momento em que a figura havia se livrado das sombras, a katana serviu para cortar a cabeça da criatura fazendo com que o sangue explodisse em sua face. ❝ WHAT THE FUCK! ❞ As lágrimas de desespero mal saíram de seu rosto e Shiera já estava tentando abrir a porta do quarto antes que mais criaturas entrassem neste pela janela.
Dizer que qualquer um esperava por aquilo era a mais pura mentira. A invasão de vampiros havia pego todos desprevenidos, parecia que o destino tinha aproveitado a calmaria que se instalara no instituto para poder se aproveitar disso colocando os jovens herdeiros mais uma vez em cheque. Tantas vezes ela tinha se vangloriado em pensamento da sua habilidade de se manter calma e concentrada nas situações mais diversas, agia como uma espectadora aos dramas da sua família, externamente emulando todas as expressões que lhe eram esperadas, garantindo-lhe a persona de good girl. Talvez deva isso a sua total falta de apatia por aqueles com quem compartilhava DNA - às vezes nem mesmo isso -, se tornava fácil pensar corretamente. Naquela fatídica noite ela finalmente experienciou o desespero. Não era sobre a maldita janela estilhaçada, ou sobre ela ter certeza de que pisara em um caco de vidro, não era sobre ter matado alguém, alguma coisa, era sobre elas. Ela estava desesperada para proteger as duas vidas crescendo dentro de si, podia sentir a aura de ambas, sentia que seu estresse afetava a ambas de uma forma que não era boa, entretanto isso não podia ser evitado em momentos como aquele, Shiera só precisava rezar para que saísse daquela situação ilesa. Os olhos foram até Mikhail. ❝ Mikhail...Nós precisamos ir para algum lugar seguro. ❞ Era covardia, ela sabia, mas autopreservação era mais importante do que heroísmo.
「 △ Shiera tinha certeza de que se continuasse ali ia acabar desmaiando ou algo do gênero, aquela constante discussão disfarçada de conversa estava começando a lhe irritar e ficar nervosa era tudo que menos desejava no momento, então, com um sorriso balançou a cabeça. ❝ Mikhail, eu não aguento mais ouvir sua voz, então eu vou sair daqui, por favor, não me siga. ❞ Girou nos calcanhares tirando a mascara deixando-a para trás no chão enquanto rumava a passos firmes para fora do salão, o vento frio do lado de fora a atingiu em cheio trazendo o cheiro de flores para seus sentidos a fazendo respirar fundo. A voz do loiro a fez fechar os olhos e respirar fundo antes de se virar para encará-lo. ❝ Qual parte do não me si- ❞ Antes que pudesse terminar a frase seu corpo inclinou-se para frente e Shiera não pode evitar de vomitar aquilo que tinha comido nos sapatos do outro, os olhos foram apertados enquanto a menina se encolhia com a vergonha, parecia um daqueles pesadelos que tinha quando era menor. Passou as costas da mão na boca antes de olhar o outro sem o menor indicio de culpa. ❝ ... ... ...Isso é tudo culpa sua. ❞
Sofia, por incrível que pareça, naquela noite estava um tanto quieta. Muitos pensamentos tomavam conta da herdeira mexicana que vagava pelo salão a procura de alguma coisa para comer. Tinha em mãos uma taça de champanhe quase no fim e bebericava o líquido vez ou outra, tomando um certo cuidado para não se embebedar. Definitivamente não estava nenhum pouco com vontade de acabar bebendo tanto a ponto de perder o controle de seus atos. A garota estava tão longe que acabou tomando um susto quando escutou a voz atrás de si. Obviamente, o sotaque australiano entregou a presença da melhor amiga antes mesmo que ela se virasse. – Mi querida! – respondeu, virando-se para a outra enquanto abria um sorriso largo ao ver a sua escolha de roupa para a noite. – Você está maravilhosa! – se adiantou a dizer antes mesmo de responder a sua pergunta. Deveria ter vindo com Aloysius, entretanto, o príncipe tivera alguns imprevistos e só poderia comparecer ao baile mais tarde, então, Romero acabou chegando desacompanhada. Não que aquilo fosse um problema, afinal, conhecia pessoas os suficiente para arranjar uma companhia em pouco tempo. – Sim, estou. – mentiu, utilizando as suas melhores habilidades para atuação. – Bom, eu deveria ter vindo com o Aloy, mas ele teve alguns problemas. Então vim sozinha. – deu de ombros e levou a própria taça aos lábios, tomando o restante da bebida antes de oferecer o copo vazio a outra para pegar o cheio que ela segurava. – Claro, me dê aqui. – disse enquanto trocava as taças.
「 △ Não pode evitar de corar ao ser elogiada pela outra, seus ombros foram levemente levantados em um sinal de que não achava que fosse tão boa assim, na verdade se sentia um pouco vulgar e escandalosa naquele vestido tão aberto, mas com tudo que vinha acontecendo em sua vida talvez aquelas duas coisas fossem exatamente o que precisava ser para deixar para trás a fraqueza que a mãe tanto insistia que ela tinha. ❝ Obrigada, você está maravilhosa como já deve saber. Esse vestido é perfeito para você! ❞ Shiera ostentou um sorriso aliviado diante da confirmação do entretenimento da amiga, ambas precisavam de distração e saber que a mexicana de fato conseguira um pouco a deixava feliz. ❝ Aloy? ❞ Uma sobrancelha foi levantada, mas Shiera resolveu não se aprofundar no assunto voltando a falar para corrigir a gafe que havia cometido com a pergunta. ❝ Bem, eu vim com Mai, você lembra dela certo? Então, acho que ambas estamos no barco das lembranças. ❞ Brincou, mesmo sabendo que não havia aceitado o pedido de Mai com aquele intuito e sim com a previsão de uma boa diversão com a ex com quem mantinha um ótimo relacionamento de amizade. ❝ Você vai ter que dançar comigo, eu não tive a chance de falar com você na festa dos gêmeos, então você me deve uma dança. ❞ Avisou a outra como se realmente estivesse cobrando uma divida de proporções reais. A taça vazia foi encarada e então Shiera se voltou a Sofia. ❝ Isso depois que eu conseguir um suco gelado nessa festa. ❞
O cheiro dos lírios do jardim que observava era FORTE. Mesmo no topo daquela sacada, Maithili percebeu que tal perfume era singularmente inebriante, possivelmente agraciado com magia ou a própria bênção dos deuses. Mesmo depois de tantos anos, era IRRITANTEMENTE gratificante saber que mesmo com as desgraças que persistiam em abater o segundo lugar que chamara de lar, os deuses — ainda que nos pequenos detalhes — mostravam-se presentes, isentos de cogitar abandoná-los. Talvez apenas Eles soubessem o quão ENFASTIANTE é o peso da coroa, e as consequências que ele trazia. Mesmo agora, após desfrutar de horas de dança, bebida e uma felicidade deveras volátil e excitante, tudo o que Maithili desejava fazer — agora que seu queixo se estendia para que os olhos de corça desta pudessem fisgar o véu sem nuvens acima de sua cabeça — era observar a POEIRA ESTELAR e imaginar se algum dia esta viria a cobrí-la por completo em seu interminável brilho. Tal como a sua companhia. O brilho daquela que sorria ao seu lado nem se comparava.
❛ Você sabe — ❜ Ela começou, com uma voz suavemente CATIVANTE; enquanto uma de suas mãos segurava uma taça pela metade, a outra deixava o aperto no lehenga para tocar a palma alheia já apoiada na murada. ❛ Eu costumava dizer à minha irmã mais nova que as fadas viviam nas estrelas. Era mais fácil do que explicar sobre a deusa Tara. Às vezes eu acreditava.❜ E então seu olhar pousou sobre a lua — crescente e bela. A princesa indiana perseguia o luar tão fervorosamente, tão avidamente quanto o CORAÇÃO batendo em seu peito na companhia de Shiera, querendo um pouco de cada cor, cada fragrância imaculada e cada decisão impulsivamente CORAJOSA que uma única lembrança da época em que ainda eram AMANTES tinha para lhe proporcionar. Talvez por isso a tivesse convidado para conduzí-la no baile de São Valentim. ❛ Mas se houvessem fadas lá, você acha que seríamos estrelas para elas? ❜
「 △ Shiera nunca havia imaginado que detestaria os perfumes caros que se misturavam em festas como aquela, normalmente os aromas eram equilibrados o bastante para fazê-la inalar diversas vezes, porém naquela particular noite seu olfato estava irritado e por mais que gostasse da sensação de estar na pista de dança com Mai teve que pedir a mesma que se retirassem do local antes que viesse a colocar seu jantar para fora. Agora ambas estavam na sacada, Mai observando os jardins e o céu, e Shiera observando Mai com um sorriso leve estampado no rosto. O perfume da indiana era doce, mas não enjoava a princesa como as outras fragrâncias. Nhrül estava enrolado em sua perna que era ostentada tão sensualmente na grande fenda do vestido azul, a mascara que usava havia sido deixada para trás e a princesa agradecia por tê-lo feito, a ideia de encarar a outra com qualquer coisa que não fosse a mais pura honestidade a assustava de uma forma que poucas coisas faziam.
A voz de Maithili a trouxe de volta a terra e Shiera piscou algumas vezes para prestar atenção nas palavras da indiana sentindo um leve calor em seu peito ao pensar em Mai ensinando algo para alguém mais novo que ela. Uma risada leve e melodiosa saiu dos lábios da herdeira antes que esta voltasse a encarar a lua pensando em como seria o mundo lá de cima. ❝ Sabe que meu patrono é rei do submundo...Não entendo muito de estrelas, mas... ❞ Um suspiro foi dado. ❝ Eu acho que se houvessem fadas lá...Sim, seríamos estrelas para elas, brilhantes e misteriosas. Talvez elas estejam lá, quem sabe? Talvez existam duas fadas nesse momento perguntando o que há abaixo delas. ❞ Sorriu calorosamente. ❝ Mas você. Você já é uma estrela. Brilhante e misteriosa. Com ou sem fadas. ❞ Deu de ombros enquanto se afastava da beirada indo se sentar em um dos sofás, os joelhos foram trazidos para o peito fazendo a fenda revelar sua perna toda sem pudor algum. ❝ Posso perguntar que perfume está usando? Eu gostei. ❞
「 △ Péssima ideia. Dissera Nhrül assim que a australiana terminou de escovar seus dentes no banheiro da festa, por sorte o banheiro se encontrava vazio tanto no momento em que entrara desesperada para colocar o que tinha comido para fora, quanto agora que estava sentada no chão encarando a serpente a seus pés. ❝ Eu deveria levantar... ❞ Murmurou baixo, no entanto não fez menção de fazer o que sabia que tinha de fazer, os dedos remexiam a corrente em sua mão, assim como ela a joia não deveria estar ali. ❝ Eu deveria encontrar ela. ❞ No momento momento em que as palavras deixaram seus lábios a porta do banheiro foi aberta e os olhos claros encararam aquela que enchia seus pensamentos adentrar o recinto a fazendo dar um sorriso que beirava a falsidade. ❝ Hey...Acho que eu bebi demais. ❞ Riu para completar a própria mentira, mas logo suspirou voltando a encarar o colar. ❝ Sinto muito por não ter ido ao seu quarto, uma coisa aconteceu. ❞
Olhou do modo rápido na direção da voz. “Oscar? Calma, que também não é assim.” voltou a olhar o instrumento que tinha no colo “Eu entrei para o Clube de Música e voltei a tocar violão, mas fazia um tempo que eu não treinava. Pelo que você pode escutar, e de forma imparcial, o que estava achando?”
「 △ ❝ Eu estava fazendo uma piada... Desculpe, claramente não usei a intonação dos americanos para piadas...Se é que vocês tem uma.❞ Deu de ombros sentando-se ao lado do outro tirando a mascara repousando a mesma no colo. ❝ Para alguém que voltou a tocar agora? Muito bom...É claro que não sou a melhor pessoa a lhe dizer isso, mas eu gostei, poderia tocar novamente? ❞
「 △ Percorrer os salões bem decorados observando os ternos e vestidos bem elaborados lembrava Shiera de seu primeiro grande baile, isto lhe trazia um insistente sorriso ao rosto, a mão trazia uma taça intacta enquanto as memórias lhe enchiam os palácios da psique, os sorrisos, as mascaras, ela lembrava de como a rainha australiana parecia uma deusa em sua perfeita imitação de Maria Antonieta. Ainda que desta vez não fosse fascinação e inocência que passavam com as orbes enquanto esquadrinhava o local a procura dos cabelos negros que lhe faziam companhia naquela noite, Mai, a princesa da Índia havia lhe acompanhado, no entanto Shiera havia lhe perdido de vista. Os olhos pararam em uma silhueta conhecida e Shiera se aproximou por trás sussurrando no ouvido de Sofia. ❝ Mi amore. ❞ Ainda que o espanhol fosse perfeito o sotaque australiano deixava as palavras diferentes das que Sofia a ensinaras desde sempre. Se afastou sorrindo parando ao lado da outra. ❝ Está se divertindo? Com quem veio? ❞ Os lábios foram molhados antes da taça ser oferecida para a outra.. ❝ Quer? Eu achei que seria rude não aceitar, mas ambas sabemos que beber isto seria uma má ideia... ❞
A princesa não havia notado as lágrimas no rosto da amiga até aquele momento, então, parou a sua caminhada para se juntar a ela, sentando-se ao seu lado e passando os braços pelo seu corpo em uma abraço. Aproximou o rosto da cabeça da amiga e depositou um beijo em sua cabeça. – O Mikhail não vai ser tão insensível a ponto de te abandonar, Shiera. E, bom, se ele ousar pensar nessa possibilidade, eu o esgano antes que ele pense em te deixar nesse barco sozinha. – disse com uma certa firmeza. – Você não precisa mais se preocupar com isso, ok? Se algum tive eu tive algo com ele, isso acaba nesse exato instante. – garantiu com um sorriso no rosto. Sofia suspirou ao ouvir os elogios e passou a mão nas suas costas com carinho. Pela primeira vez ser elogiada daquela forma não parecia uma coisa boa. – Esqueça isso, ok? Pare de pensar sobre o que um dia aconteceu a gente e tente se acalmar. – pediu com uma súplica. Toda essa agitação, certamente, poderia fazer mal a ela. Principalmente no primeiro período da gravidez que era o mais perigoso. – Shiera, eu não quero parece insensível, mas você vai precisar ser forte para lidar com a sua mãe. Muito forte… Por você e por essa criança. – comentou antes de colocar a mão sobre a dela, abrindo um sorriso para a amiga a seguir. – E você ainda pergunta? Eu poderia te dar um reino inteiro, Shiera, só para você ter o seu trono. Não vou te abandonar, nunca. E, bom, nós precisamos ir atrás de ajuda. Temos que garantir que esse bebê venha ao mundo saudável e que você tenha uma gravidez saudável. Quer que eu ligue para marcar uma consulta com uma obstetra? Nós podemos ir juntas e, se perguntarem, a consulta é pra mim. Minha reputação já é péssima, então, tanto faz acharem que eu tô grávida.
「 △ Assim que Sofia a abraçou Shiera se encostou mais nela enterrando seu rosto no pescoço alheio. ❝ Sofi...Eu...Eu disse a ele que não importava se o filho era dele, que eu não deixaria ele usar o meu bebê para conseguir o que ele queria. ❞ Os grandes olhos verdes piscaram as lágrimas assentindo diante da afirmação da outra, ela tinha razão, não podia se estressar naquele momento A princesa se ajeitou antes de pegar um dos travesseiros o abraçando com força. ❝ Eu sei...Meu pai...Eu não sei como contar a ele, ele vai ficar tão decepcionado, mas...Eu sei que ele vai me ajudar. ❞ Secou os olhos tentando parar com aquele choro irritante. Ela não podia afirmar que o pai de fato protegeria seu trono, mas ele a protegeria, ele sempre fazia, ela era a herdeira dele, ela era a princesinha dela desde sempre. ❝ Ahn...Eu já fui ao médico... ❞ A garota se levantou indo até a cabeceira da cama tirando um envelope de lá passando-o para Sofia. ❝ Eu fiz o médico assinar uma promessa de sigilo, mas...Alguma hora eu vou ter contar, então, não. Nós não vamos piorar sua reputação. Nós vamos... ❞ Destruir a minha. ❝ Mostrar que não são só reis que podem ter filhos com plebeias antes do casamento, certo? ❞ Tentou sorrir levemente para a mexicana. ❝ Sofia... ❞ Os olhos focaram nas mãos que se mexiam no colo sem parar. ❝ Você seria a madrinha dela? ❞
GRÁVIDA? Você está grávida do Mikhail! – repetiu a frase enquanto caminhava de um lado para o outro no quarto da melhor amiga. Não que estivesse brava ou nada do tipo. Acontece que demoraria um belo tempo para digerir aquela informação. Na verdade, pensando bem, precisaria aceitar que Mikhail dormia com a@australiangirl e, principalmente, aquela bomba. Passou as mãos no rosto um pouco desesperada e encarou a australiana enquanto negava com a cabeça. – O que nós vamos fazer agora, Shiera? Você não está brava comigo, certo? Você não pode ficar brava! Nem fazer muito esforço agora e… Espera, você quer ter essa criança? Não me leve a mal, mas, sei lá, nós sabemos o que isso representa pra gente. E, se você quiser, não tem problema. Nós vamos cuidar dessa gravidez e eu vou ser a tia mais feliz do mundo. – disse em disparada, compartilhando todo e qualquer de seus pensamentos em voz alta, a situação era tão perturbadora e eram tantos questionamentos em sua mente que precisava falar tudo de uma vez antes que esquecesse.
「 △ Shiera respirou fundo tentando se acalmar enquanto ouvia a pergunta de Sofia, as lágrimas não paravam de correr e seu daemon parecia tão agitado quanto ela. ❝ Sim, eu estou grávida...E infelizmente o filho é do Mikhail. ❞ A princesa deu de ombros rindo nervosamente antes de começar a soluçar com mais violência. ❝ Eu não sei! ❞ Não era sua intenção gritar, mas não pode evitar. ❝ Não. ❞ Não? Perguntou Nhrül. ❝ Não. Eu não estou brava com você, eu...Você não teve culpa, nem eu, é só...Foi culpa dele, certo?! Eu mencionei você a ele diversas vezes, ele deveria saber que isso não se faz! Mesmo assim, é claro que ele ia querer você, quer dizer, olha para você. ❞ Shiera apontou para Sofia e então deu de ombros. ❝ Você é perfeita. E ele é difícil de resistir, não foi você... ❞ A princesa mordeu o lábio se encolhendo. ❝ Sim... Quer dizer... Eu sei o que isso significa, deuses, minha mãe vai voltar com o papo de colocar meu irmão no trono. ❞ Olhou para baixo tocando o ventre com o polegar. ❝ Eu só...Eu posso fazer isso não é? ❞ Os olhos encararam Sofia suplicantemente. ❝ Você vai? Mesmo que isso signifique que eu vá perder o trono? ❞