Vocês viram STANFORD PINES, de GRAVITY FALLS, pelas ruas da cidade? Nem me lembrava que se parecia tanto com ALFRED MOLINA no auge de seus CINQUENTA E NOVE anos. Apesar de ser natural de BLACKVAIL, pode ser encontrado em NEONEXUS agora, trabalhando como FÍSICO E PESQUISADOR. Dizem que ele é PEDANTE E ARREDIO, o que não exclui o fato de também ser BRILHANTE E INSPIRADOR.
Timeline canon: pós-estranhagedon
Background:
Um dos pesquisadores do Laboratório Syntech, é o principal físico por trás da construção de um equipamento que se propõe a superar as anomalias na travessia entre os distritos, ambicionando um deslocamento de pessoas e mercadorias mais eficiente. Apesar da obvia inteligência de Ford Pines, como costuma ser chamado, ainda é surpreendente como ele transforma teorias tão complexas da física quântica em algo palpável aos engenheiros do Laboratório, acelerando a construção para além das projeções iniciais. Está sempre disposto a explicar suas ideias, sempre animado para ensinar aqueles que tem interesse. Obviamente beirando a arrogância para aqueles que não tem, beirando a inconveniência e a rudeza com quem ele acha que deveria ter. Claramente apaixonado em aprender tudo que pode, quase ingênuo em sua busca, sem limites, sem filtros. Inspirando aqueles que vão com ele nessa jornada.
Mas, afinal, por que a tal máquina parece ser um enorme... Triângulo?
Muitos também o acusam de trabalhar demais. É o primeiro a chegar e o último a sair (há boatos que às vezes ele nem sai), a insônia visível nas olheiras escuras emolduradas por rugas. E o mais preocupante é que, de tempos em tempos, precisa se retirar do local da construção do maquinário, uma dúzia de dedos trêmulos e voz sumida, substituída por grunhidos irritadiços, o impedindo de continuar. Se pararem para o observar nesses momentos, o olhar sempre intrigado se torna arisco, parecendo ver em cada sombra algo que o coloca em alerta. Se ele precisa de férias? Bobagem. A ciência nunca dorme! Então ele também não, mesmo sendo por conta de pesadelos os quais ele nunca consegue se lembrar.
Porém, por mais acostumado que pareça estar entre robôs e naves espaciais, por mais versado na tecnologia do distrito que seja, Stanford Pines se sente eternamente perdido numa jornada sem retorno, regredindo hábitos que ele em teoria nunca largou. Completamente estranho, com sua polidactilia que esconde em bolsos e suas idiossincrasias que aprendeu com o tempo a lidar, mas nunca a mudar. Perfeitamente isolado, sentindo falta do que lhe é desconhecido e familiar ao mesmo tempo. De glitter colorido, de dados rolando no chão. De pinheiros, de uma cabana de madeira embrenhada numa floresta.
E também do mar. Da chance do sal lavar feridas antigas que ele não se lembra de ter ou de dividir.
Talvez ele devesse arrumar um barco. Arejar a cabeça velejando.
Ah, mas quanta besteira! Ele nem tem idade para isso, ele não poderia ir sozinho (não iria sem a companhia certa). E nem há tempo. Afinal, o conhecimento não se constrói sozinho!
Estava incrivelmente satisfeito com a atenção que havia chamado. Hoje está sendo um dia particularmente produtivo, havia muito público para o seu grande show de lucros. Entre uma atenção ou outra que ia guiando até os itens, o vendedor te nota se aproximando da mercadoria.
"Desculpa aí, amigão! Mas aqui funcionamos assim: Tocou, pago--"
E antes que finalizasse a bronca, ele para. Paralisando no momento em que o olhar encontra o seu. E numa sincronia instantânea, começa a imitar os movimentos do homem IDÊNTICO a sua frente: Franze o cenho; inclina o pescoço para o lado, porém ao invés de um pensamento alto exposto, solta sem pestanejar um:
"MAS QUE PORRA É ESSA? O que é isso? Um golpe?" O de terno não hesita em pegar taco, que mais se parece um pedaço de pau trabalhado da pior forma possível, e se aproximar:
"Porque se for golpe, já falo para desistir! Não cairei dessa vez!"
Se o novo grito já o fez ficar em alerta, ver a arma branca o faz se afastar num pulo, uma das mãos invadindo a parte de dentro do casaco. Antes que ele possa puxar o que quer que seja que segura ali, as palavras do desconhecido passam a fazer sentido, e ele apenas encara o outro homem como se espontaneamente uma nova cabeça tivesse surgido sobre seus ombros.
"Espere, não é possível que isso seja tão comum assim. Talvez você-- E eu também, no caso-- Tenhamos feições comuns mas… Dessa vez? Você já caiu num golpe envolvendo alguém muito parecido em outra situação? Há algum motivo ou causador--- Será que as clonagens de membros de NeoNexus finalmente evoluíram para corpos inteiros? Ou seria outra coisa? Duplos... Talvez eu realmente deva estudar mais teoria de duplos... Ou a mitologia dos doppelgängers... Se bem que não passam disso, de mitos, porém--"
São perguntas genuínas, e Ford transparece o quanto está pensando sobre os tipos de golpes possíveis envolvendo sósias. Enquanto fala, a mão se torna visível novamente, gesticulando a cada pensamento que se torna uma conversa consigo mesmo, seis dedos visíveis para quem quiser contar.
"Enfim, teorias dúvidas e pensamentos a parte, eu não te devo nem compra e muito menos presença, principalmente se está ameaçando minha integridade física."
Cruza os braços, rosto fechado, mas não se afasta, ainda olhando a arma improvisada do outro como se esperasse que ele a abaixe para poder dar as costas sem um ataque surpresa.
se sentia um tanto culpado por se sentir tão bem em neonexus. não que fosse difícil se sentir mal em seu distrito, ele era mais pesado que os demais em sua opinião, mas era outra energia que sentia ali. toda aquela tecnologia seria perfeita para seu distrito, se conseguisse levá-la para lá. seria perfeita para suas armadilhas, para projetos pessoais, para adaptar suas armas. poderia até fazer mais apetrechos, mas nunca tinha dinheiro o suficiente para isso. então, passar por ali era agridoce, porque era o que queria e não podia. pronto para retornar, parou de andar ao escutar a abordagem. "não tenho um robô desses." nem um robô, num geral, mas não diria isso. tateando seus bolsos, encontrou uma caixinha de fósforo, sacudindo rapidamente para checar se estava cheia ou não. quase acabando. ofereceu ao mais velho, sem muita cerimônia. "tenho isso. deve ter dois fósforos, então, faça bom uso."
Desvia o rosto na direção do barulho, sobrancelhas erguidas numa surpresa bem humorada, apesar da ausência de um sorriso.
"Mas tem uma relíquia em mãos, meu jovem. Bom, relíquia em NeoNexus, no caso. Não vejo uma caixinha de fósforos a… Pelo menos umas três décadas, acredito."
Parece entretido em abrir e fechar a caixa, a analisando como se realmente fosse um objeto digno de museu. Tão distraído que não desliga o holograma que ilustra algo entre um canhão e um rifle. A arma gira no ar, se desmontando nas peças que claramente o compõe antes de se remontar, um esquema que destrincha o objeto com a minúcia de quem quer entender a melhor forma de montar esse quebra-cabeças.
"Se não se importar... Posso ficar com a caixa inteira? É um tanto nostálgico. Mesmo que aqui tenha sido sempre tão tecnológico que fósforos eram e são obsoletos. Me lembram de tempos mais simples que eu nunca vivi."
Parou. Claro que reconheceu a voz, mas olhou o outro de cima a baixo antes de responder. Suspirou, algo entre frustrado e preocupado.
"Achei que tinha parado de fumar, Ford."
Mesmo não aprovando, tirou do bolso um isqueiro. Não o entregou diretamente, mas deixou em cima da palma aberta. "Se tiver certeza, pode pegar. Mas sinceramente, não vai ser a nicotina que vai resolver-- seja lá pelo que está passando."
Segurou a vontade de oferecer um chocolate. Nem tudo poderia ser resolvido com chocolate... E depois do último sonho absurdo que teve, estava tentando evitar pensar muito nisso. Era fácil demais de imaginar como um coelho que distribuía chocolates por aí e isso era perturbador.
Pisca algumas vezes, demorando mais que o normal para processar que, sim, a voz é familiar. De forma literal, considerando as circunstâncias.
"… Ah. Olá, Aster. Não sabia que estava por essa região. Não estava no norte do distrito?"
Sente o peso do isqueiro sobre a palma, os dedos nervosos já o girando por entre cada dígito antes que pudesse pensar a melhor forma de o responder. O holograma das anotações numa cursiva que Bunny reconhece tremula com o suspiro arrastado, sonoro, de Ford.
"Eu estou ciente da minha… Recaída. E eu não acredito e nunca acreditei que a nicotina teria a capacidade de resolver meus problemas. Não é por isso que as pessoas fumam."
O tom direto poderia parecer seco, irritado, mas Bunny conviveu com Ford. Ele apenas aponta fatos, obviedades. Mas as rugas fundas pela falta de sono, as roupas mal ajustadas, a rapidez que ascende e apaga a chama do isqueiro, tudo demonstra a urgência que Ford se encontra no momento.
Vocês viram STANFORD PINES, de GRAVITY FALLS, pelas ruas da cidade? Nem me lembrava que se parecia tanto com ALFRED MOLINA no auge de seus CINQUENTA E NOVE anos. Apesar de ser natural de BLACKVAIL, pode ser encontrado em NEONEXUS agora, trabalhando como FÍSICO E PESQUISADOR. Dizem que ele é PEDANTE E ARREDIO, o que não exclui o fato de também ser BRILHANTE E INSPIRADOR.
Timeline canon: pós-estranhagedon
Background:
Um dos pesquisadores do Laboratório Syntech, é o principal físico por trás da construção de um equipamento que se propõe a superar as anomalias na travessia entre os distritos, ambicionando um deslocamento de pessoas e mercadorias mais eficiente. Apesar da obvia inteligência de Ford Pines, como costuma ser chamado, ainda é surpreendente como ele transforma teorias tão complexas da física quântica em algo palpável aos engenheiros do Laboratório, acelerando a construção para além das projeções iniciais. Está sempre disposto a explicar suas ideias, sempre animado para ensinar aqueles que tem interesse. Obviamente beirando a arrogância para aqueles que não tem, beirando a inconveniência e a rudeza com quem ele acha que deveria ter. Claramente apaixonado em aprender tudo que pode, quase ingênuo em sua busca, sem limites, sem filtros. Inspirando aqueles que vão com ele nessa jornada.
Mas, afinal, por que a tal máquina parece ser um enorme... Triângulo?
Muitos também o acusam de trabalhar demais. É o primeiro a chegar e o último a sair (há boatos que às vezes ele nem sai), a insônia visível nas olheiras escuras emolduradas por rugas. E o mais preocupante é que, de tempos em tempos, precisa se retirar do local da construção do maquinário, uma dúzia de dedos trêmulos e voz sumida, substituída por grunhidos irritadiços, o impedindo de continuar. Se pararem para o observar nesses momentos, o olhar sempre intrigado se torna arisco, parecendo ver em cada sombra algo que o coloca em alerta. Se ele precisa de férias? Bobagem. A ciência nunca dorme! Então ele também não, mesmo sendo por conta de pesadelos os quais ele nunca consegue se lembrar.
Porém, por mais acostumado que pareça estar entre robôs e naves espaciais, por mais versado na tecnologia do distrito que seja, Stanford Pines se sente eternamente perdido numa jornada sem retorno, regredindo hábitos que ele em teoria nunca largou. Completamente estranho, com sua polidactilia que esconde em bolsos e suas idiossincrasias que aprendeu com o tempo a lidar, mas nunca a mudar. Perfeitamente isolado, sentindo falta do que lhe é desconhecido e familiar ao mesmo tempo. De glitter colorido, de dados rolando no chão. De pinheiros, de uma cabana de madeira embrenhada numa floresta.
E também do mar. Da chance do sal lavar feridas antigas que ele não se lembra de ter ou de dividir.
Talvez ele devesse arrumar um barco. Arejar a cabeça velejando.
Ah, mas quanta besteira! Ele nem tem idade para isso, ele não poderia ir sozinho (não iria sem a companhia certa). E nem há tempo. Afinal, o conhecimento não se constrói sozinho!
Quando seus pais se separaram, Ford sentiu um alívio enorme. E nem mesmo a desconfiança quanto ao novo marido de sua mãe abafou essa felicidade. E de quebra? Ganhou um irmão. Ford nunca foi particularmente próximo de @dontcallmekangaroo, mas a companhia foi bem vinda na infância. Ainda mais com o mais novo o protegendo mais vezes que gostaria do bullying corriqueiro que sofria. A vida adulta afastou ainda mais os irmãos de consideração, mas isso não o abalou. Afinal, como era sabido, Ford estava mais que acostumado com a solidão.
Era como se ele tivesse visto um fantasma, algo que não deveria estar vivo, algo errado. Ele encarou o rosto do homem na sua frente, simplesmente apavorado, uma ansia cortou seu peito e ele apenas... não resistiu.
Ele mesmo caiu da cadeia ao ouvir aquela voz, deixando todas as engrenagens nas caixas cairem com ele, as coisas que por horas ficou ajeitando, feito com tanto carinho e capricho.
Aquele vocabulário, aquele tom, tinha esquecido daquele homem, mas logo se lembrou, e não gostou.
O leve sorriso no rosto desaparece, e Ford arregala os olhos. Automaticamente se aproxima para ajudar o outro já caído no chão, claramente preocupado com a integridade física do outro. Mas a negativa, e principalmente o tom da voz da mesma, o param ali, ajoelhado na frente do homem caído com ambas as mãos erguidas em rendição, confuso e frustrado na mesma medida.
"Mas-- Por que? Aquele dia você-- Nós conversamos tanto e…"
Suspira, os ombros caindo alguns milímetros. Observa os arredores com um olhar culpado, resignado, e apenas balança a cabeça, se inclinando para pegar as peças que se espalharam pelo chão.
"Perdão. Eu… Não devia ter vindo. Se eu não te achei antes, é porque você provavelmente não gostaria de ser encontrado. Não é isso? Tudo bem. Deixe… Deixe pelo menos eu te ajudar com essas peças-- Perdão. Desculpe."
"Não se preocupe! Eu sei que meu ramo é mais importante em Montclair! Que é de onde eu venho, inclusive. Eu sou musicista, toco piano principalmente."
Oferece uma das mãos, mostrando os dedos longos. "Todos adoram me elogiar dizendo que eu tenho mãos de pianista, mas isso é bem redundante, né? Eu de fato toco piano, seriam mãos de quê?" Mais um risinho frouxo, completamente a vontade com a companhia. Não que isso fosse incomum. Bill priorizava sempre seu próprio conforto e gostava de ouvir o som da própria voz, mas era um pouco mais raro que se interessasse por alguém sem ser com a intenção de se dar bem; E o homem tinha um cheiro forte, o que, para Bill, era algo bastante agradável.
"Um pesquisador! Fascinante! Bem que achei que você parecia mesmo o tipo inteligente. Pobre de mim, sou só um músico, vivo tão distante das tecnologias incríveis de Neonexus." A bajulação era tanto para tentar alegrar o homem como só uma forma de interagir. Falsa bajulação sempre funcionava para manter os outros falando. "Me fale mais da sua pesquisa, duvido que eu entenda algo, mas adoraria saber mais."
Ford encara a mão oferecida e, sem a hesitação de antes, segura os dedos finos com um riso baixo, suave. Se permite os traçar como se também se guiasse por toque, um reflexo de Bill e uma surpresa para si mesmo.
"Realmente, um tanto redundante. Mas… São dedos finos. Longos. É o primeiro pensamento que vem à mente, considerando sua anatomia. Mas... Bom... Os meus não são. E nenhuma-- Variação anatômica que eu tenha me impediu de ser relativamente decente no piano quando criança, então você está certo, é um comentário desnecessário. Tudo bem que hoje eu já não toco mais nenhuma nota sequer, mas isso não altera o argumento."
Segue andando para longe, mais devagar que o planejado, respeitando o ritmo do outro e não disfarçando o quanto não quer interromper a troca. Não consegue evitar: a validação que cada palavra afetada, bajuladora, enche o peito de um orgulho infantil, desesperado. Ao mesmo tempo, as entranhas se retorcem em uma ansiedade crescente, um aviso que ele não entende para quê e porquê, apenas disfarça respirando fundo e apertando mais que o planejado as mãos de Bill.
"Não diga isso de si mesmo, meu caro. Música é uma área do conhecimento também. E requer muita inteligência para se dominar técnica, ritmo... E o que eu pesquiso? Ah… Digamos que…"
Faz uma pausa na fala, olhando o céu estrelado e deixando os passos falharem por um instante antes de continuar o caminho, gesticulando com ambas as mãos em uma clara animação crescente, quase desconectando o outro de si com todo o gestual.
"Anomalias! Mais especificamente, as que ocorrem a cada vez que algo-- Ou alguém-- Atravessa as fronteiras entre os distritos. Como cada viagem parece demorar um tempo diferente, causar reações muita vezes físicas em seres vivos. Mas mais que isso… Como podemos superar tais efeitos? Como melhoramos a circulação pelos distritos de Ethivien? É… É essa a minha pesquisa."
A voz sorri, encabulada e animada na mesma medida. E então Ford para, olha em volta, lentamente soltando outro do próprio braço com uma delicadeza contrastante aos calos dos seus dedos.
"Nós… Chegamos na saída. Você quer que eu chame um-- Bom. Não se deve ter o mesmo tipo de transporte que em NeoNexus, mas deve ter algo próximo a uma nave, certo?"
Faziam anos que Ford não acendia um cigarro. O que é surpreendente, considerando quantos problemas ele tinha a cada tentativa de ativar o-- Bom, ele ainda não tem um nome para o grande aparelho triangular que é protagonista do laboratório. Mas não importa, o que importa é que ele teve mais autocontrole durante anos comandando a sua área no Laboratório SynTech que depois de algumas poucas semanas… No mínimo caóticas.
Sendo assim, não foi por conta do maquinário que acordou cedo demais e foi antes de todos para o laboratório, nem o que o levou a discutir com os engenheiros com mais animosidade que o planejado, ou o levou até a fronteira mais próxima de NeoNexus em busca de uma mudança de ares (e um lugar que a fumaça não impregnaria em tudo, e talvez pudesse disfarçar o mau hábito). Tentar viver seu dia a dia sem se distrair com a cabeça cheia de ideias - teorias a cerca do que aconteceu com a rainha, o seu novo… Projeto pessoal - estava se tornando cada vez mais difícil.
Então ele comprou um maço barato no caminho e abriu o projetor holográfico do tablet de capa vermelha apoiado no próprio colo, sentado num banco climatizado. Antes que pudesse aproveitar a nicotina enquanto passava por suas anotações em busca de respostas antigas para perguntas novas, percebeu que não tinha nada que produzisse fogo consigo. Bufa, audível, mal levantando a cabeça das projeções 3D em sua frente quando nota o movimento de outra pessoa passando por ele.
"Olá-- Perdão o inconveniente, mas você tem um robô incendiário?-- Ou um isqueiro rudimentar. Qualquer um dos dois funcionará."
*OOC: Caso prefira uma interação em outro distrito, escolha um prompt daqui ou um cenário daqui + distrito
Ford não costumava sonhar. Sempre foi algo difícil, ou pelo menos suas memórias mais antigas já continham a frustração de não ter sonhos para contar como outras crianças. Uma frustração misturada com um alívio que ele não entendia de onde vinha, mas que parou de questionar ao longo dos anos. Sua criatividade não parecia depender de saber como o subconsciente processava as informações durante o sono, então não havia motivo para se preocupar.
Hoje, porém, durante o sono profundo alimentado pela insônia de toda uma semana, ele sonha. No início não há nada, só o escuro conhecido, até vir o primeiro flash. Não uma imagem, mas sensações. Do vento nos cabelos enquanto se corre, do cheiro de ozônio que substituía o de fogo queimando as roupas, o frio da vastidão do espaço. Tudo estranhamente familiar, como se a pele tivesse gravado a experiência em cada nervo que Ford carregava.
Então veio a raiva. O rancor. O sentimento de traição, o eco de um acontecimento, múltiplos acontecimentos. Ele não conseguia entender quais, mas as emoções fortes que queimavam a boca do estômago não mentiam sobre como tudo lhe afetou. Ele sabia que naquele momento, apenas a justiça - restituição, vingança - aplacaria o que rugia dentro de si.
Finalmente, vieram as imagens. Peças metálicas se encaixando, a luz que saia em raios de uma solda, as mãos de cinco dedos finos, calejados e conhecidos - mas não lembrados - o ajudando a montar aquele objeto de destruição. O peso do metal nas mãos era não só visível, mais sentido, e seus olhos encaixavam perfeitamente no alvo triangular antes de disparar o primeiro raio que o desestabilizador quântico pôde produzir. Ele escuta ao longe, distante como se no fundo de um corpo d'água em que se afundava: "Acho que precisa calibrar-- Nessa potência toda pode ser perigoso! Para você, Stanford!".
E então Stanford Pines acorda de supetão, se vendo sentado na cama em segundos, o suor frio rolando por debaixo do pijama que grudava no corpo. Ele sabia que arma era aquela. Ele sabia que poderia montá-la novamente: não com os mesmos materiais, não, a original era uma colcha de retalhos de tecnologias que ele-- Ele não faz ideia de onde vem. Mas ele sabe o que ele precisa. Sabe como cada engrenagem encaixa em certa posição, quantos parafusos são necessários.
Ele se lembra.
Quando se levanta, pernas bambas, o bolo no estômago presente e ignorado, ele tem o protótipo inteiro desenhado na cabeça. Coloca a primeira roupa que vê e parte em direção ao seu laboratório, desmontando uma pequena parte da sua máquina para começar a arma num impulso que é quase inexplicável, que beira o instinto. Talvez ele devesse estar muito mais incomodado em sacrificar o trabalho de sua vida, mesmo que em pequena escala, mas não. Ele só se recorda da urgência de ter aquele objeto em mão, do desespero da sua construção. Do deleite de saber que seu alvo agora tinha um gatilho a altura.
Mas agora, no presente momento? Ele apenas precisa de peças novas.
Em um posto de hoplitas na capital de Elyseon @thearchres
Mesmo dias depois do aparecimento da rainha, Ford permaneceu inquieto. Não questionou as… Recomendações dadas, pelo contrário, se recusou a dar novas entrevistas, a conversar com colegas curiosos e até mesmo evitou sair de casa nos primeiros dias. Chamar a atenção era perigoso. Ser visado era perigoso. A vida relativamente pacata em NeoNexus não o ensinou isso, mas algo que vinha das entranhas, do branco dos ossos o fazia rejeitar ser famoso, pelo menos dessa forma, nas circunstâncias político-sociais em que tudo aconteceu.
Tal instinto, porém, não o impediu de pegar a primeira condução que partiria para Elyseon na alta madrugada. Havia algo muito maior que a vontade de se manter em casa, escondido nos cantos escuros em silêncio sepulcral. E isso, esse comichão de entender o que aconteceu, o impulso de explicar o que viu e confirmar as próprias impressões foi o que o fez encarar a jornada. O que o faz atualmente caminhar por entre os guardas de cabeça erguida e perguntar sem hesitação pela mulher que junto com ele descobrira o paradeiro da rainha. Agora, sabendo onde começar a procurar por ela, entendia a vantagem estratégica de não conseguir evitar toda e qualquer divulgação do feito de ambos.
"Olá, esse é o posto de Astrid Hofferson? Se não, consegue me indicar qual? Não, não, é algo… Particular. Digamos. Meu caro, não sou seu inimigo, apenas preciso de informações--"
Peter olhou para a pessoa ao seu lado, baixando sua câmera. A Rainha de Montclair já havia saído do distrito, mas Peter ainda estava ali, fotografando a praça em busca de alguma movimentação diferente, afinal, alguns guardas, detetives e policiais iam e vinham, tentando encontrar algo que lhe dessem pistas do que realmente aconteceu. E Parker deveria estar ali para tirar fotos. Mais fotos no caso. Felizmente, tinha umas muito boas de quando a rainha ainda estava pelo local. Era bom que ela estivesse em um distrito onde máquinas fotográficas eram permitidas, ou em uma semana ele não teria muito dinheiro para pagar a conta de luz. "Sabe, eu não queria suspeitar de lavagem cerebral, mas..." Ele brincou com a pessoa, já jogando uma teoria da conspiração no meio só para descontrair um pouco antes de iniciar uma conversa. "Então... você conhece algum lugar aqui pra comer?"
// ooc: para outro distrito, escolha uma frase daqui + outro distrito (0/5)
Ford nem sequer sabia porque estava naquele distrito ainda. Talvez o que tenha travado o movimento das pernas seja o mesmo que agora fazem suas mãos tremerem, o ar faltar e a respiração acelerar como se tivesse corrido uma maratona. Cruzar com a nobre desaparecida que, ok, ele propositalmente esteve a procura, movido por sua terrível curiosidade, pela terrível tendência de ver pistas e conectar padrões, não trouxe a glória esperada. A sensação de um enorme alvo nas costas que surgiu assim que percebeu olhos e lentes sobre si, quando sentiu o peso diplomático do que viu na mulher, o deixando parado no local com o rosto vazio em expressão e olhos buscando ameaças que só ele acredita que existam.
Então foi num estalo de lucidez que conseguiu entender as palavras do mais jovem. Não perdeu a expressão confusa, mas pôde finalmente enxergar algo para além da paranoia. E então os olhos focam na câmera do garoto: conseguiu fugir da maioria dos repórteres até aquele momento, dar uma ou outra declaração elusiva e se afastar do epicentro da atenção que agora trazia para si, mas pelo visto não totalmente. Naquele momento, as opções eram escassas, e ele deixou o impulso de autopreservação falar mais alto que a racionalidade.
"As fotos. Preciso dessas fotos-- Eu preciso que me dê as fotos!"
O homem, falsamente muito bem arrumado, chega com um carrinho de tamanho médio e logo se ajeita no meio da multidão. De início, completamente esquecível, algumas pessoas até dirigiam o olhar para ele, porém logo desviavam. Não estava incomodando ninguém, então não era importante. Isso até ele sacar um cone comicamente grande e começar a berrar dentro dele
"Oportunidade IM-PER-DÍ-VEL!! Aqui temos os tipos de itens, ferramentas, bugigangas. Você não vai querer perder, né?"
Pega uma mesinha, a abre na frente do carrinho e rapidamente começa a distribuir os itens por cima da mesma. Sempre fazendo questão de colocar as plaquinhas, feitas a mão, com o preço.
Olhando ao redor, ele grita para qualquer um ouvir
"Vamos, vamos!! Esse velho aqui não tem o dia todo-- EI! Você! Você mesmo!"
Sente cada nervo do corpo pular de susto com a barulheira inesperada, olhando torto na direção do homem com o megafone. Parece pronto para ignorar o chamado e continuar seu caminho com seus muitos papéis e caneta-tinteiro na direção dos seus colegas de laboratório, porém, apesar do claro desprazer com tudo aquilo, não disfarça a curiosidade no olhar que recai nos objetos expostos na mesinha. Se aproxima, esticando uma mão para tocar em um objeto qualquer, quase como se tatear trouxesse sentido do porquê de se vender aquelas quinquilharias.
"Nada disso parece muito útil, meu caro. Talvez devesse investir em outros produtos--"
Se vira, primeira vez olhando de verdade na direção do outro homem, prestando atenção na pessoa e não no som e no megafone. Franze o cenho. Inclina o pescoço para o lado. Murmura mais para si que para que escutem, mas alto o suficiente para quem prestar atenção.
Fidderford estava sentado no balcão de sua loja de brinquedos, esculturas de animais em madeira e caixinhas de música artesanais enchiam as prateleiras, cada peça feito á mão. Palhaços, cavalos, cubos mágicos e todo o tipo de brinquedo que encheria os olhos de uma criança.
Todo o seu cenário não se encaixava com a vizinhança agitada de Veridian, o barulho dos carros parecia querer invadir o lugar, fazendo o homem duvidar se a loja era uma boa ideia.
Da vitrine da loja, um homem te observa. Inicialmente ele parece apenas procurar algo com o olhar entre os muitos brinquedos e jogos artesanais, porém logo a atenção recai sobre o homem do outro lado do balcão. Num piscar de olhos, o homem está escancarando a porta da loja sem muita delicadeza, mas com um sorriso largo no rosto enquanto se aproxima do outro.
"Finalmente! Achei que não ia te encontrar nunca, ninguém em Blackvail sabia de você! Óbvio, você não é de lá, mas… Enfim!"
Parece vibrar de empolgação enquanto puxa um tablet - modelo mais recente possível em Veridian, mas bastante surrado, a capa vermelha com uma mão de seis dedos dourada colada em cima.
"Daquela vez, quando eu disse que sua ideia era matematicamente viável… Eu não tinha ideia de quanto! Acelerou o projeto em algumas semanas! Por isso precisava falar mais com você novamente. Te mostrar alguns protótipos de melhorias-- Oh. Eu… Eu nunca te perguntei seu nome, não é…? Perdão."
Coça os cabelos revoltos, expressão encabulada, e finalmente para a profusão de palavras para te escutar.
Nem por um momento sequer parece duvidar do que Mavis conta, não há um único traço de humor nos lábios que se apertam a cada palavra que sai da boca da moça. Os dedos batucam na superfície mais próxima com tamanha velocidade que até parece música.
"… Não é o primeiro relato de-- Bom, chamarei de anomalia, pois ainda acredito que sejam ecos da travessia. Mas não vem ao caso. O que importa é que é a primeira vez que escuto um relato de manifestações fisiológicas desta natureza!"
O rosto se ilumina numa animação que é quase um campo de força ao redor de si. Puxa o tablet hipertecnológico para tomar nota do que fala, os dedos trabalhando numa agilidade assustadora. Não logo, porém, para todos os movimentos e ergue o rosto para você, suspirando um tanto culpado.
"Ah… Você passou mal. Por causa-- Ok. Eu não sou profissional da saúde, mas acredito que os anos me ensinaram alguma coisa. Ou muita coisa, considerando que já coloquei alguns ossos de volta-- Não vem ao caso. Vou te buscar água. E uma pílula de nutrientes, devo ter em algum lugar… Fiquei aí e tente se lembrar de tudo que aconteceu!"
"Sim, eu tenho uma notícia sobre isso..." Sherlock falou, dando um gole em seu copo de bebida para dar um certo mistério e deixar o homem aguardando pela resposta. "Eles não vão liberar nem tão cedo." Ele continuou, o que não foi de nenhuma ajuda para o homem apressado. Mesmo bêbado pela noite da virada de ano, Sherlock foi capaz de dar uma boa olhada no até então desconhecido para analisar de onde ele vinha. "Neonexus, é?" Questionou, sabendo que era bom em deduzir pelas roupas que vestiam, principalmente em uma festa como aquela que as pessoas queriam mostrar o orgulho que tinham de seus próprios distritos. "Você veio para uma festa em Elyseon, acho que estar atrasado faria parte do seu dia com a passagem liberada ou não. Provavelmente alguém vomitaria no transporte de volta e teriam que parar tudo para socorrer a pessoa ao algo assim. Aconteceu antes."
Faz um grunhido baixo com a garganta, a frustração balançando os braços de Ford na lateral do corpo. Encara o desconhecido entre a incredulidade e a irritação.
"Você economizaria palavras apenas falando que não sabe nada sobre a situação do porto. Obrigado, de toda forma."
Apesar da leve ironia no tom, o agradecimento parece estranhamente genuíno. Aperta os olhos para você, observando o olhar do homem para as próprias roupas amassadas, claramente apenas puxadas da maleta que carrega. Apesar da obviedade dos cortes, cores e tecidos de NeoNexus, Ford parecia bastante despreocupado com a própria aparência.
"Está correto. Bom chute--"
O rosto se fecha ainda mais que antes, e ele ergue um de seus (seis) dedo para cada argumento.
"Primeiro: eu estaria um pouco menos atrasado que agora, já que não estou a caminho do meu distrito, e o que descreveu tem a mesma probabilidade de acontecer quando liberarem a passagem. Segundo: a… Etapa atual da minha pesquisa depende da boa vontade de pessoas atravessando as fronteiras de quererem me dar depoimentos, e quanto maior a demora em retomar a normalidade, mais frustrados, cansados e indispostos a conversar estarão. E terceiro…"
Te encara por cima dos óculos, olhar azedo.
"Eu pedi uma informação, não a sua opinião sobre um acontecimento hipotético."
Normalmente North se sentir ofendido de não ser reconhecido, mas sabendo o conteudo dos livros, estava feliz que nem sequer o outro lembrava dele. Respondeu com um sorriso para o outro. Porém ao escutar o resto da frase do outro, não pode evitar de soltar uma leve risada, cobrindo o seu rosto com uma falsa tosse. O outro era bastante erngraçado para North.
"Entendo, é bem incomum." Ele disse, entregando o livro para o outro pesquisador perto a ele. Nico mesmo sendo acadêmico, não era acostumado com andar com tantas pessoas tão parecidas com ele. Sempre achou o ambiente um pouco… excludente. Deu um sorriso de canto de rosto para eles.
"Umas produções independentes, nada muito importante para que você precisasse se preocupar." Ele disse, olhando envolta para os outros pesquisadores. Não gostava mesmo de falar dessas coisas com uma plateia. "Não vai ter reunião, pode ficar tranquilo. Só vim lhe entregar as pesquisas."
A desconfiança toma forma de surpresa mais uma vez, ajeitando os óculos enquanto recolhe os livros para junto de si num gesto quase possessivo.
"Produções independentes… Talvez não precise me preocupar-- Apesar de não poder ter essa certeza, não é? Mas independentemente, mesmo sem a preocupação, eu estaria… E estou… No mínimo intrigado."
Os outros pesquisadores, apesar de manterem a proximidade de ambos, parecem se desligar da interação. Não deve ser nem a primeira nem a última vez que passam por algo similar, o tédio em seus rostos uma antítese da curiosidade palpável de Ford. Ele se aproxima do outro homem e praticamente sussurra, num tom conspiratório.
"Então digamos que não vim para isso, mas aceitaria uma reunião. Para que detalhe melhor como minha obra te auxiliou. E quem sabe ajudar mais em pessoa que em meus escritos, se for o caso-- Quero dizer..."
Olha para seus colegas, engenheiros e pesquisadores mais jovens e inexperientes, claramente se afastando pela fronteira entre distritos, pranchetas em mãos e ignorando explicitamente a interação. Bufa sutilmente, e dá de ombros um tanto travado.
"Quando estiver livre. Claro. Eu... Ficarei aqui supervisionando o trabalho de campo. Não vamos ficar muito tempo, mas se me procurar por aqui vai achar pelo menos até o fim do dia."
sergei continuou imóvel, observando a reação do outro com um sorriso discreto no canto dos lábios. não se incomodou com a lâmina apontada em sua direção, apenas manteve as mãos dentro dos bolsos do colete — conseguia reconhecer o medo quando o via, entendendo que muitas vezes era um instinto necessário para sobrevivência. "se eu tivesse te dado um aviso, já teria sido tarde demais." a voz era carregada de um sotaque que o homem não sabia de onde vinha, os olhos analisavam a roupa, o caderno e até a tinta que se alastrava pelo tecido. parecia mais um estudioso do que alguém acostumado a andar pelas florestas de caltherion. "direta, direita, esquerda. siga nessa direção e logo vai ver a trilha que leva à travessia. estando escuro assim, qual a chance dos seus companheiros ainda estarem te esperando?"
Os olhos desconfiados voltam a te observar por longos segundos.
"isso foi uma ameaça?-- Não importa. Se quisesse me matar já o teria feito, certo?"
Abaixa a besta, a guardando de volta com certa dificuldade, xingando baixo quando nota o vazamento da tinta. Assente conforme absorve as informações dadas.
"Direita, esquerda, esquerda… Ou era esquerda, esquerda? Você tem um mapa? Sou melhor em interpretar um que você, pelo visto--"
Para de tentar limpar a manga em outra parte das vestes e encara a mesma direção de antes. Suspira, uma ruga frustrada na testa se aprofundando no chiaroscuro formado pelo pôr do sol.
"A chance, meu bom homem, são bastante baixas. Eles estão acostumados comigo, ah, me me aventurando sozinho. Eu sempre os acho de uma forma ou de outra, mesmo quando já partiram. E eu… Bom. Nunca pedi para que ficassem. Acho que esse foi meu erro hoje."