Isabel é uma criança de 7 anos de idade e acabou de passar por uma das maiores decepçoes da sua vida, o não entendimento de um problema de matemática envolvendo uma bibicleta na olimpiada de matemática da sua escola de ensino fundamental. Em meio ao pátio, sentada na mesa igual as outras 9 crianças que competiam pelo lugar de melhor aluno de matemática da escola, Isabel lia o problema repetidas vezes, de novo e de novo e ele nunca fazia mais sentido que da vez anterior, as lagrimas foram mais fortes, chorava enquanto lia o problema da bicicleta e via seu amigo sentado na mesa ao longe, escrevendo na prova. Isabel olhou para a professora, chorando, com olhos de desespero esperando uma luz que não podia vir pela ética profissional, mas ela sabia que se pudesse, a professora teria ajudado.
Foi a primeira questão que Isabel entregou sem resposta na sua vida.
Aos seus 8 anos, começo de um novo ano letivo, uma nova professora chegou no primeiro dia de aula e mostrou um livro, um livro fino e verde com dois beija-flores na frente, ela disse que aquele livro seria o presente para o aluno mais dedicado da sala, Isabel sabia que iria ganhar, ela precisava ganhar.
Foi nesse ano que começaram as atividades de multiplicação e divisão, os problemas eram dificeis mas ela sempre conseguia, infelizmente, o segundo lugar. Um amigo dela que estava aprendendo a tocar flauta e baixo no Bacarreli sempre tirava a nota mais alta, era merecido, mas isso não deixava Isabel menos triste.
No fim do ano letivo a professora veio com o livro, o discurso dela, apesar de se passarem 15 anos daquele dia, Isabel diz que ainda se lembra como “eu comentei no começo do ano que daria esse livro ao aluno mais dedicado, o que mais se esforçasse” ela diz que lembra dos murmurios da sala de aula, dos alunos falando o nome do garoto, ela lembra de ter abaixado a cabeça, e aprofessora continuou “Se esforçar nem sempre é ter o melhor resultado, nós sabemos quem tem as melhores notas da sala, mas também tem alguém que estuda sempre, se esforça de verdade e chora se não atinge o que quer, por isso, Isabel, o livro fica com você”. A Isabel me disse que até o dia que me contou essa história, ela nunca tinha pensado que talvez o menino tenha se sentido injustiçado, é possivel, mas ele foi compreensivo e abraçou ela ainda assim.
Talvez tenha sido um marco significativo na infancia, o maior esforço nem sempre leva ao melhor resultado, mas não é por isso que deve ser ignorado
Isabel continuou sua vida acadêmica, estudou em escola pública a vida inteira, no ensino médio, as 15 anos ela começou a fazer um curso técnico depois da escola para livrar do ócio, ela imprimia provas, estudava para ganhar uma bolsa e entrar em uma boa faculdade. Ela aguentou uma carga exaustiva de tarefas que poucos adolescentes da sua sala de aula aguentavam, e sinceramente ela nem percebia isso, tudo parecia ótimo.
Foi nessa época que após uma prova de ABNT, no curso técnico, que Isabel teve uma dor escruciante na perna, uma dor horrivel, os amigos dela ficaram com ela e acompanharam ela até o ponto de onibus, felizmente ele parava na porta da sua casa, Isabel entrou, deitou e não lembra mais de nada. Sua proxima lembrança é sendo acordada pelo seu padrasto que media sua febre, a mãe de Isabel veio pra cara imediatalmente e as duas foram ao pronto socorro, no fim ela não estava doente, apenas foi identificado que Isabel começava a sobrer de ansiedade.
Foi aos 17 anos que Isabel recebeu uma das noticias mais felizes da sua vida, ela havia conseguido sua bolsa na faculdade, ia estudar o curso que queria, na faculdade que queria, iniciando ainda tão nova.
Na faculdade ela conheceu um universo completamente diferente, lados acadêmicos, oportunidade de trabalhar, Isabel entrou na empresa Jr de sua faculdade, iniciou projetos cientificos, conseguia levar as matérias trabalhava durante o fim de semana de madrugada e fazia trabalho voluntário aos sábados de manha.
Talvez ela não tivesse esse pensamento na época, mas foi a dedicação e horas gastas estudando que levaram ela onde estava hoje, era as horas que se dedicava agora que levariam ela ao seu futuro.
No entanto assim como seu futuro evoluia, sua saúde piorava
Isabel teve um caso sério de depressão, a carga excessiva, o descanso nulo, a exaustão diária, ela não passava um dia sem querer morrer.
Para ajudar, Isabel arrumou um emprego em outra cidade, então diáriamente ela viajava durante uma hora e meia, ia para o trabalho, do trabalho ia para a faculdade fazer os projetos acadêmicos, em seguia ia para as aulas, saia as 00, chegava em casa por volta das 01:00, e estava de pé as 6h no dia seguinte, aos fins de semana era trabalho voluntário e estudos.
Sinceramente, o que seria de isabel sem uma coragem absurda de usar seu primeiro salário para procurar um médico e um amigo para acompanha-la a esse médico.
Foi um psicologo que viu ela naquela situação e a primeira frase dela, enquanto os olhos marejavam de lagrimas foram “eu não aguento mais, por favor, me ajuda”. E ele o fez, acompanhou ela e a levou para um psiquiatra, Isabel começou seu tratamento contra a depressao e a vida passou a fazer sentido novamente.
Foi nesse período que o mundo parou com a pandemia de coronavirus, no topo da sua recuperação, mas isabel conseguiu se virar, ela havia economizado e logo voltou a trabalhar novamente e pode se sustentar e manter sua família (que também se estabilizou), ela foi em busca de outra oportunidade de trabalho e passou a trabalhar por um bom salário na segunda melhor empresa para se trabalhar do Brasil.
Ela está lá a 10 meses, sendo reconhecida, ganhando bem, evoluindo profissionalmente.
Esse texto é para Isabel pensar: Ela entende o conceito da causa e efeito?Isabel talvez nunca tivesse se dedicado aos estudos se não tivesse recebido seu livro de sua professora, se não tivesse se dedicado, Isabel nunca teria frequentado a faculdade, nunca teria conhecido as oportunidades, nunca teria vivido o que viveu, nunca estaria profissionalmente ou acadêmicamente onde está agora. Também provavelmente não teria passado por seus problemas de saúde.
Qual o ponto disso afinal?
Isabel está passando novamente por momentos dificeis, dificuldades que a acompanham, ela reluta e pensa em desistir, se dedicar menos, se acalmar, o tempo todo, no entanto eu vim escrever para lembra-la, tudo que você faz, traz resultados, sua dedicação não é nula, a diciplina que você sempre teve te suportou todos esses anos, e é isso que leva você onde for, você sempre conseguiu e sempre vai conseguir.
Eu sei que eu sou sua melhor amiga e eu amo você, Isabel.