A Gestão do Imprevisto: Conflito de Papéis e Logísticas de Cuidado na Esfera Familiar
No exercício das suas funções laborais, uma progenitora é confrontada com uma rutura na sua rotina profissional quando, trinta minutos antes do término do expediente, recebe uma comunicação telefónica proveniente da área de residência. Apesar da hesitação inicial perante um número desconhecido, a premência do contexto geográfico levou-a a atender a chamada, oriunda da instituição de Atividades de Tempos Livres (ATL) frequentada pela sua descendente.
A instituição informou a ocorrência de um acidente doméstico/institucional: a criança sofrera um traumatismo craniano ligeiro contra uma superfície irregular, resultando numa ferida incisa que, após um período de latência, retomara a hemorragia. Perante a recomendação de intervenção clínica imediata (sutura ou aplicação de adesivo tecidular), a progenitora negociou a sua saída precoce com a chefia direta. A compreensão institucional do supervisor permitiu a transição célere da esfera laboral para a esfera do cuidado familiar.
Já na unidade de cuidados de urgência, o acolhimento inicial foi expedito devido à baixa afluência no período vespertino. Após a triagem e avaliação de enfermagem, confirmou-se a necessidade de aplicação de cola cirúrgica, condicionada, contudo, à validação médica. A subsequente morosidade no fluxo de atendimento gerou um estado de ansiedade na progenitora, exacerbado pela pressão temporal decorrente das suas obrigações parentais paralelas, especificamente, a necessidade de recolher a sua outra filha, diagnosticada com Perturbação do Espetro Autista (PEA), numa instituição especializada.
A resolução do impasse ocorreu através da mediação do enfermeiro que, ao internalizar a vulnerabilidade da utente e a complexidade da sua rede de cuidados (externalizada numa chamada telefónica), intercedeu junto do facultativo. Esta intervenção resultou na priorização do atendimento, culminando na alta clínica e na viabilização da gestão logística familiar.












