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Me diga que estĂĄ triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tĂŁo feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me mande pra puta-que-o-pariu ou me convide pra ir com vocĂȘ. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mĂŁo. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar.
Gabito Nunes.  (via auroriar)
Talvez o amor da sua vida nĂŁo seja o amor para toda vida.
Acontece. (via fresex)
âTĂĄ frio na rua. Marcamos um cinema, antes pousamos num cafĂ© de tĂtulo francĂȘs e acabamos ficando por lĂĄ tempo demais. VocĂȘ pediu um capuccino sem chantilly, mas veio com chantilly. Sempre vem com chantilly, vocĂȘ diz. NĂŁo Ă© garota de chantilly. Eu peço um expresso duplo. E depois outro. AĂ mais um. VocĂȘ mexe a colher na taça lentamente, falando sobre uma tartaruguinha de estimação que supostamente fugiu. A gente ri. Seu nariz tĂĄ vermelho. Eu tĂŽ nervoso. Mais um expresso, moça, por favor. Obrigado. Me chama de cavalheiro. Tomo como elogio, meio sem saber se Ă© bom. Penso que Ă©. Penso. VocĂȘ olha muito pros lados e isso me deixa um pouco inseguro. A janela, o caixa, os doces na vitrine. E diz que meu olhar Ă© penetrante, dĂĄ um pouco de vergonha. Que nada, Ă© o frio. VocĂȘ diz que gosta de sair comigo, dar voltas na cidade, sei lĂĄ. Eu sei escutar, nĂŁo sou como aqueles caras. NĂŁo sei que caras sĂŁo esses, mas concordo. Estou calado justamente por estar nervoso. Aqueles caras ficam nervosos? Eu fico. VocĂȘ sorri pra mim e desvia o olhar antes que eu tenha um AVC bem na sua frente. AĂ gosto mais de vocĂȘ porque acaba de salvar minha vida. Um silĂȘncio constrangedor paira entre aquele âeu sei que vocĂȘ sabe que estou a fim de vocĂȘ tanto quanto sei que vocĂȘ sabe que estĂĄ a fim de mimâ. Permanecemos quietos, fingindo que ninguĂ©m anda louco pra ficar bem agarradinho de outrem. Mas atĂ© o padeiro na cozinha sabe AĂ lembro daquela do Los Hermanos. Canto ela um pouco, baixinho, fitando nada. VocĂȘ grita que adora essa. Eu me assusto. NĂŁo por gostar dessa, mas pelo grito. Eu jĂĄ sabia. Agora vai lembrar de mim sempre que escutar. Ou seja, quase sempre. AĂ eu canto como quem nĂŁo quer nada, querendo tudo ââŠatĂ© quem me vĂȘ lendo o jornal na fila do pĂŁo sabe que eu te encontreiâŠâ. VocĂȘ finge nĂŁo entender. NĂŁo temos grana nem intenção de ir a lugar algum. Ă noite, tĂĄ frio. SaĂmos pela calçada com a mĂșsica na cabeça. Com a voz catarrenta vocĂȘ segura o poste que indica a rua JosĂ© do PatrocĂnio e grita alto ââŠe ir onde o vento for que pra nĂłs dois sair de casa jĂĄ Ă© se aventurar!â Uma senhorinha olha e te acha doida. VocĂȘ rodopia no poste. Linda e abobada. Eu esqueço um pouco que caminho nervoso pela noitinha. VocĂȘ tambĂ©m tĂĄ nervosa, mas disfarça com esses berros. Ou talvez seja apenas eu. Vou levando vocĂȘ pra casa, sem intenção de subir escadas, alĂ©m das suas. Eu apoio as costas na parede fria, com as mĂŁos no bolso, me achando eloquente. VocĂȘ rodopia agora o chaveiro. VocĂȘ gosta de rodopiar coisas, constato. Resiste em penetrar a fechadura. Espera que eu entenda esses signos femininos, mas eu tĂŽ nervoso demais pra captar o Ăłbvio. Um sentimento estranho de que aquilo acabe logo. Ă uma tortura. NĂŁo como aquelas torturas com arame temperado a fogo, mas ainda assim. Ok, entĂŁo tĂĄ, eu digo. EntĂŁo tĂĄ entĂŁo, vocĂȘ diz. VocĂȘ se despede beijando meu rosto. NinguĂ©m nunca beijou um rosto por tanto tempo. Ă meio que um recorde. Fico pensando asneiras quando assustado. AĂ vocĂȘ fica na ponta dos pĂ©s e me enfia a lĂngua, como se isso fosse coisa de menina desde, sei lĂĄ, o tempo dos hominĂdeos. VocĂȘ enfia agora as mĂŁozinhas nos bolsos da jaqueta que me deixa parecido com o Richard Ashcroft (ao menos eu acho). Percebo tambĂ©m que gosta de enfiar coisas em lugares. Diz querer continuar quentinha. NĂŁo fica bem eu subir, sei disso. Ficamos ali passando um pouco de frio e perigo. NĂŁo Ă© confortĂĄvel ali. Isso me deixa triste, vocĂȘ precisa logo entrar. Foi divertido. VocĂȘ sorri gostoso. E pergunta se tambĂ©m senti borboletas no estĂŽmago. Claro que sim. Eu comeria atĂ© baratas por vocĂȘ, exagero. Mas Ă© sĂ©rio mesmo. VocĂȘ diz âui, que nojoâ rindo. E diz que gosta de mim, faço vocĂȘ rir. Merda. O relĂłgio Ă© tipo um assassino do amor. VocĂȘ me diz pra nĂŁo falar palavrĂ”es. Ă feio e minha boca Ă© tĂŁo bonita. Entendo que minha roupa Ă© tĂŁo bonita (essa jaqueta realmente me deixa foda). NĂŁo, nĂŁo. Boca. LĂĄbios. Eu beijo mais uma vez, aquecendo suas orelhinhas. VocĂȘ diz que queria ficar mais tempo. Eu digo que vou ligar. VocĂȘ diz que tudo bem, nĂŁo precisa. Mas eu quero. Eu nunca sei o que fazer numa situação dessas. Quanto tempo espero antes de ligar? Vou embora alegre, pensando em vocĂȘ e bolando um jeito de nĂŁo mais falar palavrĂ”es. Porque nunca mais quero ter de lavar a boca.â
Gabito Nunes  (via s-e-u)
Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeiraâŠ). Que ele me ame como a minha mĂŁe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a famĂlia que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mĂŁo na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolĂĄ-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguĂ©m, que invente novas posiçÔes, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjĂŽos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesĂŁo e que tenha um beijo que nĂŁo desgaste com a rotina.
Tati Bernardi.  (via skinnysoulmate)
Acontece que sempre foi vocĂȘ. Foi vocĂȘ quando eu passei a ouvir as mĂșsicas da banda que te agradava. Foi vocĂȘ quando eu olhei para trĂĄs ao dizer o Ășltimo adeus. Foi vocĂȘ quando fui dormir tarde da noite. Foi vocĂȘ quando nada parecia fazer sentido. E ainda Ă© vocĂȘ. E ainda sou eu, juntamente com aqueles restos de nĂłs que ficaram espalhados pelo chĂŁo.
500 dias com ela. (via nobroke)