one of the girls 🥀 • oneshot larry fem
Descrição: Harriet perdeu a mãe muito cedo e desde quando era pequena mora com tia Marie, uma mulher rabugenta e um tanto amargurada que não merece nem um pouco o carinho e os cuidados que a sobrinha constantemente tem consigo.
É quando tia Marie fica doente e impossibilitada de trabalhar que Harriet precisa entrar em ação, indo em busca de emprego e enfrentar um pouco o mundo que no qual sempre foi impedida de conhecer. É nisso que por ironia do destino seus caminhos se cruzam com os de Louise Tomlinson, uma mulher muito rica, atraente e que precisa urgentemente contratar uma empregada – e dentre outras coisinhas também.
ideia de plot: stylespeituda (blog desativado)
e essa vai de aniversário pra @madeinth00 que ainda não tá fazendo aniversário, mas tá sendo uma coisa antecipada porque vai que eu fico mais 1 ano pra postar coisa nova? então feliz aniversário kk 🥳
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— Harriet, faça algo de útil e me traga um copo d'água. — A mulher deitada na cama e de aspecto doente pediu com a voz rouca e de modo um tanto grosseiro para a sobrinha.
Harriet lia um livro sentada na poltrona preta ao lado da cama em que a tia doente estava deitada. Já fazia uma semana que ela tinha encontrado esse livro de romance nas coisas que a tia não mexia mais, e em busca de adquirir algum entretenimento que pudesse usufruir em casa depois que realizasse todas as suas atividades, a leitura veio a calhar.
Ela não se lembrava da última vez que tinha pego um livro daquele tamanho para ler, mas precisava assumir que estava sendo algo muito prazeroso. Depois que terminava de arrumar a casa e preparar o almoço, não tinha muita coisa que pudesse fazer além daquilo.
Normalmente ela procuraria por algo para assistir na televisão, mas nas últimas semanas a tia ficou tão doente, que não tinha disposição para sair pro trabalho e acabou sendo demitida desse emprego informal por ter ficado tanto tempo afastada. Então tia Marie ficava o dia todo na cama assistindo os programas que gostava e automaticamente Harriet era obrigada a acompanhar a mesma programação, já que a preferência eram os gostos da mais velha.
Ao ouvir a ordem da tia, Harriet obedientemente ficou de pé e marcou a página que estava, fechando o livro e deixando-o sobre a mesinha ao lado da poltrona. Ela saiu do quarto e já estava na cozinha, pegando um copo do armário e o encheu com água da torneira. Deu uma olhada no relógio e faltavam menos de dois minutos para o horário de um dos remédios que a tia estava tomando ultimamente, aproveitando para pegá-lo também.
Foi quando Harriet reparou que os remédios estavam acabando. Não se impediu de ficar preocupada, já que a tia não estava mais trabalhando, o dinheiro também estava acabando e em breve não teriam como comprar nem mesmo ⅓ dos comprimidos.
Fechou os armários e com o copo e comprimidos em mãos, voltou para o quarto.
— Aqui. — Harriet a ajudou a sentar, entregando depois o copo em suas mãos. — Tá na hora do remédio pra dor, também. — Colocou os comprimidos em sua outra mão.
— Esses remédios não me ajudam em nada. Parece que quanto mais os tomo, pior eu fico. — Marie reclamou pela milésima vez e Harriet suspirou se solidarizando pela situação da mulher mais velha.
— Em falar nisso, eles estão acabando. — Harriet disse baixinho. — O dinheiro de emergência também, então não tem como comprar mais e nem comida para o próximo mês. — Sua fala fez Marie suspirar cansada, devolvendo para ela o copo vazio.
— Me diga boas notícias. — Marie reclamou voltando a deitar e Harriet pensou por um instante.
— Eu posso procurar emprego. — Harriet sugeriu, ouvindo a tia rir da sua fala. — Seria só enquanto a senhora não melhora. — Explicou achando que aquele era o motivo da mulher rir, um bico nos lábios rosa gordinhos.
— E você acha que é fácil encontrar emprego assim? Principalmente você, que nunca fez nada na vida e não tem experiência nenhuma. Não seja tão burra. — Marie disse mal humorada e Harriet desanimou um pouco, mas ainda não desistiu da ideia.
— O que não posso é ficar aqui sem fazer nada. — Falou daquele jeitinho ainda tão meigo e doce, que já era comum para a garota de olhos verdes. A tia ficou olhando para ela pelo canto do olho e Harriet percebeu que a mulher sabia tanto quanto ela que tinha razão naquele ponto. — Com certeza eu encontro algo. É importante, não posso te deixar sem remédios e sem pagar as contas de casa.
— E o que está pensando em fazer?
— Amanhã mesmo eu vou sair e procurar algum lugar que esteja contratando. Com sorte eu encontro alguma coisa que eu possa fazer.
— Se você acha. — Marie disse sem muita convicção, mas Harriet não se deixou atingir, já pensando em qual roupa deveria usar amanhã de manhã.
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Era de fato muito difícil encontrar emprego, mas não muito difícil de se entender o porquê.
Harriet tinha acabado de completar dezoito anos. Ela começou a morar com a tia quando tinha apenas quinze e ainda estava na oitava série do fundamental quando isso aconteceu – tinha repetido um ano por negligência dos pais. Depois, quando entrou no ensino médio, ficou apenas no primeiro semestre antes de precisar largar a escola.
Ela gostava muito de estudar e insistiu um pouquinho que podia continuar na escola e fazer suas obrigações em casa, mas a sua tia parecia irredutível quanto àquilo. Disse que Harriet precisava ficar em casa e ser útil fazendo coisas de verdade, como ficar cuidando de onde elas moravam, enquanto ela trabalhava para manter as duas.
Harriet ficou magoada, é claro. Sua tia Marie agora era a única pessoa que ela tinha desde que os pais faleceram repentinamente, então pensou que deveria ser uma boa garota e escutar o que a mulher estava dizendo.
Então, ela não tinha terminado os estudos e aquilo conseguia piorar ainda mais a situação dela em uma busca por emprego. Além dela não ter terminado o ensino médio, não tinha qualquer outra experiência que pudesse adicionar em seu currículo.
Já era seu terceiro dia na procura de emprego e mais uma vez ela tinha sido rejeitada, ouvindo que não era o que eles precisavam no momento, ou que não estavam mais contratando. Já fazia horas que ela estava andando de local em local fazendo perguntas e tentando se mostrar útil, mas fora tudo em vão.
Saindo de mais uma loja, sentindo os pés doerem e a garganta seca, Harriet foi surpreendida pela própria dona do local, os cabelos loiros dela presos em um coque bem apertado. Ela se aproximou com um olhar gentil, lhe trazendo um copo descartável com água gelada.
— Ah, obrigada. — Harriet agradeceu com um sorriso, bebendo um gole da água de olhos fechados.
— Não precisa agradecer, você parecia estar precisando. — Leah, a mulher, disse em um tom gentil. — Tem sido difícil, huh?
— Sim. — Harriet disse desanimada. — Já perdi a conta de em quantos lugares fui hoje. — Ela percebeu o modo que foi observada pela outra por alguns instantes.
— Ouça… — Leah deu uma olhada dentro do estabelecimento. — Meu irmão trabalha como motorista pra uma mulher. Ele comentou que recentemente a empregada da casa precisou se afastar por questões familiares e essa mulher agora está procurando por uma nova funcionária. Talvez você pudesse tentar a sorte, sim? — Ela dizia escrevendo algo em um cartão, Harriet chegando mais perto para ler e vendo que se tratava de um endereço junto a um número. — Esse é o endereço da casa e o número é o do meu irmão, caso precise por algum motivo. Vou ligar pra ele perguntando se ainda estão acontecendo as entrevistas.
— Mas não precisa enviar nenhum currículo antes? — Harriet perguntou confusa recebendo o cartão, vendo Leah pegar o celular do bolso.
— Sim, precisa. Só que você não tem praticamente nada no currículo, nenhuma experiência, então ele seria dispensado na mesma hora. — Ela explicou mexendo em algo no celular. — Mas se você chegasse lá querendo participar da entrevista, talvez ela pudesse te dar uma chance e você explicaria a situação. Não custa tentar, certo? — Então levou o celular à orelha.
Harriet ficou em silêncio, enquanto Leah parecia falar com o irmão pelo celular. Leah contava sobre Harriet para o irmão e talvez durante aquele tempinho a garota tenha cruzado os dedos, como se fosse o segredo para atrair sorte.
Acabou que tudo foi resolvido. O irmão de Leah disse que as entrevistas ainda estavam acontecendo naquele dia, mas que faltava apenas duas mulheres para serem entrevistadas, então Harriet teria que ir correndo para chegar no endereço a tempo.
A sorte de Harriet foi que ela tinha guardado um dinheiro na bolsa para o caso de precisar comprar alguma coisa, e aquela quantia seria o suficiente para um táxi. E antes dela partir rumo a provável-entrevista, agradeceu muito a Leah e pela ajuda, lembrando de agradecer também ao irmão dela, mesmo no caso de as coisas não saírem como esperado.
E Harriet chegou no endereço quinze minutos depois. Talvez ela tenha ficado um pouquinho chocada com o tamanho da casa e como ela era tão linda, nem prestando atenção no dinheiro que deu para o motorista. No momento em que ela saiu do carro batendo a porta, uma mulher estava saindo pelos portões abertos da casa na companhia de um homem usando terno preto.
Harriet se aproximou mais do portão e o homem focou os olhos nela, esperando a mulher junto a ele se afastar para poder chamá-la com pressa.
— Eu sou o Marcus, irmão da Leah. Vamos, você precisa ir logo. — Ele disse apertando um botão em que fizeram os portões se fecharem automaticamente, a mão na base das costas dela a guiando até a entrada da enorme casa. — Aquela mulher foi a última a ser entrevistada e a patroa já tá se preparando para sair do escritório. — Os dois passaram pelas portas duplas, Harriet nem tendo tempo de olhar como a casa era por dentro, quando o homem a guiava com tanta pressa até onde deveria ser o escritório.
Os dois pararam em frente a uma porta dupla de carvalho escuro, ele mandando ela esperar ali para poder entrar e informar para a patroa que tinha mais alguém. Harriet não conseguiu ouvir o que eles disseram lá dentro, mas se manteve no mesmo lugar que tinha sido deixada, esperando pacientemente, o coração parecendo dar mil batidas por segundo.
Dando uma olhada apenas no corredor e nos quadros que tinham nas paredes, fora toda a decoração muito elegante, Harriet de repente se sentiu muito desajeitada. Olhou para si mesma por um segundo, passando as mãos pelo vestidinho amarelo de tricô que tinha algumas flores, arrumando também o suéter branco aberto.
A porta foi aberta de repente e Marcus saiu, dizendo que ela deveria entrar porque seria recebida. A garota suspirou aliviada, murmurando baixinho em agradecimento, antes de entrar na sala espaçosa fechando a porta atrás de si.
O escritório era bem iluminado, as cores predominantes da decoração eram preto, marrom e branco. Atrás de uma mesa branca, sentada em uma cadeira giratória preta, tinha uma mulher de cabelos castanhos lisos presos em um rabo de cavalo. Harriet ficou um pouquinho perdida olhando diretamente nos olhos muito azuis dela, não deixando de pensar como ela tinha um rosto bonito, maçãs do rosto ressaltadas e pele levemente bronzeada.
Por um momento ela até se esqueceu de como se mexer, acordando para a realidade em um estalo quando a mulher ficou de pé educadamente, erguendo o braço em sua direção para um aperto de mãos formal. Harriet deu uns passinhos rápidos para se aproximar da mesa, apertando a mão dela.
— Tudo bem? Me chamo Louise Tomlinson. — A mulher elegante disse em meio ao aperto de mãos.
— Prazer, Harriet Styles. — Harriet disse com um sorriso, suas mãos se afastando e Louise voltando a sentar na cadeira indicando que ela deveria fazer o mesmo. — Obrigada por me receber. — Agradeceu enquanto sentava na cadeira, puxando-a mais para perto da mesa.
— Bom, se você já estava aqui, por que não? — Louise disse de modo gentil. — E o seu currículo? — Nesse momento Harriet se empertigou um pouco, mas ainda assim pegou um currículo da bolsa e o entregou nas mãos dela.
No momento em que pediu o currículo para ela, Louise percebeu como de repente a garota parecia ter ficado ainda mais nervosa. E assim que tinha o currículo dela em mãos, passando os olhos brevemente por ele, foi capaz de entender qual era o problema.
— Então você não tem nenhuma experiência ou referência. — Louise disse lentamente, deixando o currículo sobre a mesa.
— Na verdade, essa é a primeira vez que procuro por trabalho. — Harriet esclareceu apertando as mãos sobre o colo. — Mas eu sempre cuidei de casa, enquanto minha tia estava trabalhando, então sei tudo sobre limpeza. Eu também sei cozinhar e costurar muito bem, inclusive eu mesma fiz esse vestido. — Harriet disse olhando para si mesma, os olhos muito azuis de Louise vagando pelo busto da garota.
— Adorável. — Foi tudo que a mulher disse, um sorrisinho nos lábios ainda a observando. — Mas o que aconteceu para uma garota como você, de repente sair procurando por emprego? Claro que não precisa responder, se não quiser. — Louise se adiantou a falar, mas a curiosidade queimava claramente em si.
— É que… lá em casa somos apenas eu e minha tia. — Harriet começou a explicar. — Minha tia já está com certa idade e era a única que trabalhava trazendo dinheiro pra casa, só ela que sustentava nós duas. Mas ela acabou adoecendo e trabalhava de maneira informal, então a demitiram por estar muito tempo distante.
— E agora você precisa trabalhar. — Louise concluiu com os olhos muito azuis atentos naquele rosto delicado, a vendo balançar a cabeça em afirmação, os cabelos longos com alguns cachos balançando no processo.
— Sim. — Harriet suspirou. — Minha tia está tomando remédios, em breve eles vão acabar e não temos mais dinheiro nem mesmo para comida ou pagar o aluguel.
O escritório ficou em silêncio por alguns segundos, as duas olhando uma para a outra. Harriet podia ver nos olhos azuis dela que ela parecia realmente pensar sobre suas palavras e a situação em que se encontrava.
Harriet reconhecia que sua posição também não era uma das melhores. Ela ter zero experiência profissional na área tornava tudo ainda mais difícil e suas chances despencando para zero. Não era porque ela tinha falado brevemente sobre as circunstâncias em que sua família estava, que necessariamente conseguiria um emprego, ainda mais quando outras mulheres certamente ainda mais qualificadas tinham passado pela entrevista antes que ela.
Louise voltou a pegar seu currículo sobre a mesa, passando os olhos brevemente sobre ele, enquanto mordia de leve o lábio inferior. Logo voltou a levantar o olhar para sua direção, Harriet temendo que pela expressão séria em seu rosto, fosse dispensada assim como tem sido nas outras entrevistas.
— Ouça, eu não tenho experiência profissional e eu entendo que não seria muito vantajoso contratar alguém inexperiente como eu. Ainda mais a senhorita, com uma casa tão linda como essa. — Harriet iniciou nervosamente, estalando os dedos da mão. — Mas eu basicamente cresci cuidando sozinha da casa e eu sou ótima em fazer isso. Eu realmente sou ótima cozinhando. E o serviço que você me passar, eu vou dar um jeito de fazer direitinho. — Garantiu com os olhos verdes muito grandes, Louise piscando meio abobada pela maneira que ficou um pouco hipnotizada por eles.
— Bem. — Louise pigarreou um pouco. — Só mais uma pergunta, então. — Louise voltou a deixar o currículo da garota sobre a mesa, endireitando a postura. — Tirando tudo isso que acabou de falar, por que eu deveria te contratar, ao invés de considerar as outras mulheres mais qualificadas e experientes que vieram para a entrevista mais cedo?
Louise assistiu Harriet pensar por um momento, a garota mordendo o lábio inferior rosado e gordinho de um jeito tão adorável e atraente, que os olhos da mais velha demoraram ali.
— Porque eu sei obedecer e cumprir ordens. — Harriet respondeu baixinho. — E eu acredito que, acima de tudo, isso é o mais importante.
Depois de dizer aquilo, Harriet voltou a olhar no rosto dela, sendo capaz de identificar em seus lábios finos a sombra de um sorriso. Analisando um pouco melhor sua expressão, até chegou a pensar que ela estava satisfeita com sua resposta.
— Vamos fazer o seguinte, Harriet. — Louise ficou de pé graciosamente e Harriet espelhou seu movimento de modo não tão atraente como o dela. — Quero que amanhã você venha às oito da manhã para um tipo de experiência. Você vai ser liberada ao meio-dia com um pagamento em mãos pelo seu tempo de trabalho. Se eu gostar dos seus serviços, ligo no seu número pela tarde e está contratada. Pode fazer isso?
— Sim! Claro que sim. — Harriet se segurou para não dar pulinhos, mas não conseguiu conter as pequenas palmas, um sorriso brilhante no rosto. — Muito obrigada, senhorita Tomlinson, muito obrigada!
— Não precisa agradecer. Lembrando que não gosto de atrasos, então…
— Eu vou chegar na hora certa, eu prometo! Não vou decepcioná-la.
E Harriet nem sonharia em fazer algo perto do tipo quando estava recebendo uma oportunidade como aquela. Voltou a agradecer algumas vezes, se afastando na direção da porta quando foi liberada.
Do lado de fora da sala, ainda no corredor iluminado, estava Marcus. Antes que ele pudesse perguntar como tinha sido, Harriet inconscientemente o abraçou animada em meio aos pulinhos, dizendo com empolgação que viria no dia seguinte para uma pequena experiência.
Marcus a parabenizou e depois a acompanhou ao lado de fora até o portão, indicando que seria melhor ela chegar com alguns minutinhos de antecedência só para ter certeza de que tudo ia se sair bem. Harriet o agradeceu pela ajuda e pediu mais uma vez que agradecesse para Leah em seu nome.
Ela teria uma caminhada de mais ou menos trinta minutos para chegar em casa, durante todo o caminho mal podendo esperar para contar as novidades para a tia.
Sabendo que teria a chance de pelo menos passar por uma experiência no dia seguinte, sua confiança estava nos ares, e isso porque ela conhecia o próprio esforço e sabia que fazia um bom trabalho. Faria a senhorita Tomlinson gostar dela e do serviço que fazia.
Porém, quando Harriet chegou em casa radiante feito sol, sua chama de felicidade se esvaiu com um grande balde de água fria quando se deu conta de como a tia parecia furiosa, dizendo que já era noite e que ela tinha demorado muito tempo para voltar – ela mal tinha colocado os dois pés dentro de casa.
Harriet achou melhor se limitar a pedir desculpas e ficar em silêncio durante todos os comentários que a mulher tinha a fazer sobre Harriet ser irresponsável por ter demorado tanto tempo para chegar, sobre a noite ser perigosa para uma garota feito ela e que não tinha considerado como seu atraso e falta de notícias a teriam feito mal. Só quando as duas estavam no quarto assistindo a televisão, tia Marie comendo o jantar e Harriet já de pijamas com os cabelos molhados sobre os ombros sentada na poltrona ao lado da cama, que achou ser um bom momento para contar sobre a oportunidade que conseguiu.
— Tia, eu consegui algo. — Harriet começou cuidadosamente, pressionando os lábios um pouquinho. — Fui chamada pra passar amanhã por uma experiência. Se gostarem de como trabalho, tenho a chance de logo ser contratada para o trabalho.
Marie tirou os olhos da televisão e virou o rosto na direção da garota, a analisando com uma das sobrancelhas arqueadas. Harriet tinha um sorrisinho, vendo como a tia parecia surpresa com tal notícia. Isso porque imaginava que ela deveria estar muito orgulhosa.
— Eu seria empregada na casa de uma mulher há poucos quilômetros daqui. Ela tem uma casa enorme, titia, você ficaria chocada e pensaria até que é um palácio saído dos contos de fada. — Harriet dizia com um sorriso que fazia as covinhas adoráveis surgirem nas bochechas gordinhas. — Ela foi muito gentil me deixando fazer essa experiência amanhã, mesmo sem eu ter trabalhado an-
— Quem é essa mulher? — Marie perguntou, ignorando o restante das palavras da garota.
— Ela se chama Louise Tomlinson. Parece ser uma mulher muito gentil, pois me tratou muito bem. — Harriet falou pensativa. — E ela é muito bonita, até parecia uma modelo daquelas bem chiques!
— Não sei, não, Harriet. Você diz que ela mora há poucos quilômetros daqui, mas nunca ouvi falar nessa mulher.
— Como eu disse, ela é uma mulher muito fina. O bairro em que ela mora não é um em que costumamos andar, mas é perto daqui. — Harriet explicava de modo paciente, reconhecendo aquele tom da tia e temia que por algum motivo ela quisesse proibi-la de sair no dia seguinte. — Amanhã estou indo pra uma experiência de poucas horas, mas ela já vai me pagar quando eu acabar e esse dinheiro com certeza vai nos ajudar. Posso até comprar logo os seus remédios e se sobrar fazer as compras no supermercado também!
— Não sei. — Marie disse rabugenta e se voltou para a televisão.
Harriet entreabriu os lábios querendo falar algo em defesa de sair no dia seguinte para tentar aquele trabalho, mas de maneira desagradável tia Marie pegou o controle e começou a aumentar o volume propositalmente, dando um ponto final naquele assunto por ora.
Aquilo atingiu a garota. Nos últimos três dias ela esteve saindo de casa feito louca pela manhã muito cedo, indo de loja em loja buscando por emprego e recebendo todos os tipos de olhares em julgamento, chegando até a ouvir comentários desagradáveis de homens esquisitos. Agora que ela finalmente tinha conseguido algo – não somente para o seu benefício, mas também para o da tia – estava precisando lidar com a mulher não sendo nada gentil, ou pelo menos demonstrando reconhecer seu esforço.
Não querendo demonstrar o quanto estava magoada na frente da tia, ficou de pé e saiu do quarto murmurando que iria lavar a própria louça do jantar. Na cozinha estava sozinha e começou a se questionar o que iria fazer, observando distraída a espuma do sabão entre os dedos.
Aquela chance que estava recebendo era de um em um milhão. Achava que pela primeira vez deveria cogitar em ir completamente contra a opinião da tia para o próprio bem desta, pois com o dinheiro que receberia poderia comprar seus remédios que estavam prestes a acabar.
Era exatamente aquilo que Harriet iria fazer. Se voltasse para casa com uma boa quantia em dinheiro, talvez a tia Marie pudesse mudar de ideia e não dar uma bronca tão grande quando chegasse.
Harriet estava decidida.
✧*。
Alguns dos remédios que Marie tomava diariamente eram mais fortes que outros e tinham muitos efeitos diferentes. Um que ela tomava especificamente no período da noite a deixava sonolenta ao ponto de acordar no dia seguinte apenas depois de nove horas da manhã.
Harriet acordou naquele dia por volta das 06:00 horas. Como de costume, organizou silenciosamente a cozinha preparando o café que a tia tomaria quando acordasse, aproveitando para deixar seu almoço pronto também, já que não estaria em casa no horário para colocá-lo pra ela como sempre fazia.
Terminou todas as suas tarefas por volta das 07:20 e em dez minutos já estava pronta para sair de casa, não se esquecendo de escrever um pequeno bilhete para a tia com informações de onde estava, que horas voltaria e um lembrete do horário dos seus remédios da manhã.
Deus sabe o quanto Harriet rezou para que a tia não ficasse tão zangada consigo quando saiu de casa, andando pelas calçadas em passos rápidos para chegar alguns minutinhos antes na grandiosa casa da senhorita Tomlinson.
Harriet se sentiu orgulhosa de si mesma quando chegou em frente aos portões frontais e Marcus a recebeu, informando que ela chegou faltando dez minutos para o horário. Ele informou o caminho que ela deveria pegar para entrar pela porta lateral da casa, que dava acesso para a cozinha, dizendo que estava atrasado para trazer algumas compras para a casa.
Harriet seguiu por um caminho de pedras pelo jardim muito verdinho até a lateral da casa, onde viu que mais ao fundo tinha uma piscina muito grande. Harriet nunca tinha visto uma piscina daquele tamanho, mas também não era como se ela estivesse muito familiarizada com piscinas de modo geral.
Uma porta branca com vidraças que davam uma visão do lado de dentro da casa estava entreaberta, e Harriet deu pequenas batidinhas anunciando que estava entrando. Ali dentro estava a própria senhorita Tomlinson, sentada em uma das banquetas pretas de frente para uma bancada de mármore escuro, mexendo concentrada em um iPad.
— Senhorita Tomlinson? — Harriet falou ainda em um tom baixo, tentando chamar a atenção dela. Louise olhou na sua direção e um sorrisinho cresceu em seus lábios, deixando o aparelho sobre o balcão para ficar de pé. — Imaginei que seria melhor se eu chegasse um pouquinho mais cedo. — Explicou quando imaginou que poderia ser repreendida de alguma forma.
— Tudo bem, não tem problema. — Louise parou logo na sua frente, somente a alguns passos de distância.
Louise usava um tipo de robe prata de cetim que estava amarrado em sua cintura delineada, essa única peça parecendo abraçar seu corpo e realçar as suas curvas. Esse robe só era longo o suficiente para ficar numa altura pouco abaixo de seus joelhos, e ela curiosamente usava saltos agulha pretos.
Aquele robe era muito decotado. Tão decotado que Harriet era capaz de ver a curva de seus seios e aquela região entre eles, os mamilos eriçados ficando marcados sob o tecido fino e macio.
Era um fato que ela tinha acabado de acordar porque não tinha qualquer resquício de maquiagem em seu rosto bonito, fora que seus cabelos presos em um coque estavam um pouco desajeitados. Mas o único pensamento que se passou na cabeça de Harriet, era o quanto a senhorita Tomlinson era simplesmente linda. Não se impediu de pensar que ela tinha os olhos azuis mais lindos que tinha visto em toda a sua vida.
A garota nem percebeu que estava olhando demais para a mais velha, pois somente despertou um pouco quando ouviu essa rir baixinho.
— P-Perdão? — Harriet perguntou meio fora de órbita, Louise balançando a cabeça um pouco.
— Nada. — Ela sorriu contendo uma risinho e deu alguns passos para perto do balcão, indicando algumas coisas que tinham ali em cima. — Quer comer algo antes de começar? Beber talvez? Um suco, uma água…
— Eu aceito um copo d'água. — Harriet disse um pouco tímida, vendo a mulher elegante se movimentar pela cozinha pegando um copo de vidro e se aproximando do bebedouro que tinha na porta da geladeira. — Eu vim caminhando até aqui. É uma boa caminhada. — Explicou quando recebeu o copo, proferindo um pequeno agradecimento.
— Ah, é mesmo? Onde você mora? Acho que não lhe perguntei ontem. — Louise disse em um tom pensativo.
— Em um bairro a poucos quilômetros. Leva em média trinta ou quarenta minutos de caminhada. — Harriet respondeu, se aproximando da pia para lavar o copo em que bebeu. — Mas eu ando rápido! Então eu sempre chegarei no horário… caso eu seja contratada, claro. — Murmurou sem graça, balançando as mãos molhadas na pia, não notando a maneira que era analisada pela outra.
No dia anterior, quando Harriet tinha vindo para a entrevista, Louise a achou simplesmente adorável com aquele vestidinho amarelo. Até mesmo se sentiu um pouquinho suja pelos pensamentos que teve quando observou bem seus lábios gordinhos e róseos, de aspecto tão macio e beijáveis; ou como o peito dela subia e descia em um ritmo não tão calmo, parecendo ansiosa na espera por sua decisão; e tinha aqueles grandes olhos verdes de boneca, olhando para ela timidamente sob os longos cílios pretos.
Harriet era uma gracinha.
Então, naquele dia a garota tinha chegado em sua casa e, apesar de ainda adorável de um jeito peculiar, suas roupas eram um pouco mais apertadas e curtas. Pelo aspecto dessas, Louise deduziu que já fazia certo tempo que ela não comprava roupas novas e de modo algum estava reclamando disso.
Não quando a blusinha azul bebê de mangas curtas estava pouco abaixo de seu umbigo e apertava um pouco em seu torso, marcando deliciosamente seus peitos e mamilos arrebitados, mesmo que usasse um sutiã. O shortinho curto de cor branca era um complemento especial na garota atrativa, Louise mal podia tirar os olhos dela.
— Entendo. — Louise falou quando acordou dos pensamentos e percebeu que tinha toda a atenção da garota em si. — Como será apenas uma pequena experiência, não vou lhe cobrar que faça muitas coisas e limpe muitos cômodos, já que esses são consideravelmente grandes e você está apenas começando. — Caminhou até uma porta que se tratava de um pequeno depósito, seus saltos fazendo barulho quando tocavam no chão branco, abrindo a porta que indicou com um barulho. — Aqui você encontra todos os produtos de limpeza e dentre outros equipamentos que possa precisar, use quais forem necessários. Daí quero que você comece aqui pela cozinha, pois como deve ter percebido, isso aqui está um pequeno caos.
Mas na opinião de Harriet o cômodo não estava tão bagunçado do modo que Louise falava. Talvez fosse seus olhos lhe pregando uma peça, pois ela estava achando tudo tão lindo e delicado, nunca tinha visto uma cozinha tão grande como aquela e com tantas coisas.
Harriet despertou dos pensamentos quando ouviu uma porta ser aberta e Louise indicando que deveria acompanhá-la. De novo Harriet estava naquele extenso corredor em que esteve no dia anterior, Louise indicando quais os outros cômodos que Harriet deveria limpar e orientando como queria que o serviço fosse feito.
Realmente, a mulher não tinha passado muita coisa para ela fazer, considerando o tamanho daquela casa e a quantidade de cômodos que ela deveria ter ao todo.
— Eu não vou exigir hoje que use o uniforme, porque acredito que todos que tenho aqui irão ficar enormes em você. — Louise comentou com um sorrisinho, depois que tinha passado todas as tarefas que a garota deveria fazer. — Você pode ficar à vontade para pegar algo para beber ou comer na cozinha quando tiver fome. Quaisquer dúvidas, pergunte ao Marcus, ou no último dos casos, venha até mim no escritório onde estarei trabalhando. Alguma pergunta?
Harriet pensou por um momento, dando uma olhada nos próprios pés com tênis brancos, antes de balançar a cabeça em negação olhando diretamente para os olhos azuis muito frios. Louise sorriu e disse "ótimo, então" beliscando a sua bochecha gordinha murmurando um "adorável" antes de se afastar pelo corredor e sumir ao passar pelas portas do escritório.
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Mesmo que Harriet tenha terminado tudo o que precisava fazer bem rápido, ela ainda tinha certeza de que tinha feito tudo perfeitamente bem. Harriet era uma garota modesta, mas que sabia reconhecer como fazia um trabalho bem feito quando esse precisava ser feito, e ela sabia que tudo estava em seu lugar certo.
Quando ela tinha terminado de arrumar os outros cômodos, acabou deixando a cozinha por último, porque tinha decidido que deveria fazer um almoço para a senhorita Tomlinson, já que essa não estava com empregada na casa. Fora que talvez ela quisesse mostrar logo naquelas poucas horas de experiência a cozinheira de mão cheia que ela conseguia ser.
Com a refeição pronta e a cozinha limpa e organizada, Harriet colocou Marcus para experimentar a comida e dizer o que tinha achado. O motorista repetiu o prato pelo menos duas vezes e disse mais vezes do que Harriet poderia lembrar o quanto estava bom, e que ele estava torcendo para que ela ficasse, só para ter a chance de experimentar sua comida novamente.
Harriet, é claro, ficou vermelha feito um tomate.
Parecia que a conversa dos dois tinha chamado a atenção da senhorita Tomlinson, pois essa saiu do escritório e entrou diretamente na cozinha, vendo Marcus sentado em uma das bancadas e Harriet lavando e restinho da louça que havia sujado.
— Marcus. — Harriet ouviu a voz de Louise e parou o que estava fazendo, vendo a mulher ainda usando apenas um robe olhando para o motorista, que rapidamente ficou de pé. — Por acaso já foi buscar as compras no mercado?
— Não, senhorita… eu não sabia. — O homem respondeu imediatamente e Harriet viu o momento que Louise ergueu uma das sobrancelhas.
— Não sabia? — Louise falou em um tom que Harriet não soube reconhecer se era irônico ou desacreditado. — Você trabalha pra mim há dois anos. Todas as quintas vai no mercado pegar as compras…
— Ah! Certo, certo. — Marcus rapidamente passou as mãos no terno que usava e olhou para Harriet. — Tchau, Harriet. A comida estava ótima. Com licença. — Pediu olhando novamente na direção de Louise, que fez um gesto com a mão indicando que ele deveria ir logo, enquanto a mais nova acenava dando tchauzinho.
Assim que Marcus saiu e fechou a porta atrás de si com um barulho deixando as duas a sós novamente, Harriet assistiu Louise cruzar os braços e balançar a cabeça com os lábios marcados por um batom vermelho pressionados, os olhos azuis semicerrados.
— Sempre os homens, huh? — Louise murmurou humorada e Harriet meneou a cabeça, sem saber dizer ao certo. A maior parte de sua vida conviveu com a tia, o pai nunca esteve tão presente assim. — Nem todos os homens, mas sempre um homem. — Louise sentou em uma das banquetas.
— Você não é casada? — Harriet finalmente perguntou, se arrependendo no mesmo instante de estar sendo muito intrusiva e indelicada. Mas Louise apenas sorriu e balançou a cabeça em negação.
— Ah, não. Mas já fui há um tempo atrás. — Ela coçou a nuca, os olhos de Harriet se focando por um momento em seu pescoço atrativo com um colar delicado e a clavícula ressaltada. — Quando jovens, somos propensos a tomar decisões idiotas. Eu só tinha dezenove, e achei que era certo, então… — Louise deu de ombros e Harriet passou as mãos molhadas no avental que usava, sem saber ao certo o que responder. — Enfim, vamos falar do que interessa. Estou vendo que fez um ótimo trabalho aqui na cozinha. — Ela deu uma olhada em volta e Harriet sorriu de modo que iluminou o cômodo.
— Sério mesmo?
— Mesmo, mesmo. — Louise sorriu e respirou fundo. — Fora que você fez um almoço que, pelo cheiro, parece maravilhoso. E você não precisava ter feito isso.
— Se eu já estava aqui, por que não? — Harriet tomou a liberdade de pegar um dos pratos e servir a mulher, colocando-o na frente dela com os talheres. — E eu gosto muito de cozinhar.
— É bom saber disso. — Louise disse pegando os talheres e Harriet estava ocupada demais em saber o que ela iria achar da sua comida para se preocupar em perguntar se tinha algum motivo em especial.
Louise cortou um pedaço do bife e o levou até a boca, olhando para Harriet que a todo instante prendeu bem a respiração. Quando ela engoliu e parou por um momento dando uma olhada no prato, Harriet temeu haver alguma coisa de errado.
— Eu fiz algo?
— Como preparou essa carne? — Louise perguntou interessada, puxando um guardanapo para perto de si. — Marcus estava certo, sua comida é muito boa.
— Obrigada. — Harriet suspirou e sorriu aliviada. — E eu não vou te contar, pra você precisar me contratar e só ter a mim pra fazer pra você. — Antes que achasse ter ido longe demais, sorriu aliviada quando Louise riu balançando a cabeça em entendimento.
— Muito bem, então! O que achou daqui, Harriet, nessas horas em que ficou?
— Eu gostei. — Harriet tirou o avental, o colocando em seu devido lugar. — É realmente uma casa muito grande, mas eu sei que posso dar conta. Fora que eu sei que posso me acostumar com o ritmo, conforme for fazendo o trabalho.
— Ah, e eu nunca lhe pediria para limpar tudo isso sozinha em um único dia. — Louise voltou a falar em um tom sério, Harriet se perguntando se era o mesmo que ela usava quando estava naquele escritório trabalhando. — Acima de tudo, eu quero na minha casa alguém que eu sei que será de confiança e eficiente para as minhas… necessidades. — Louise tinha pensado por um momento na palavra que usaria, sorrindo de canto para si mesma com o que pensou. — Conforme o tempo for passando e eu ver como você realmente trabalha no dia a dia, passarei novas atribuições para você que não se limitam somente à limpeza da casa, mas para me ajudar mesmo em minhas coisas do dia a dia, e você decide se está de acordo. Claro que você irá receber de acordo para cada uma dessas coisas e… quem sabe, dependendo de como as coisas funcionarem, você não recebe um tipo de promoção?
— Então, significa que…
— Que eu quero você. — Harriet, tão tolinha, nem teve a chance de perceber um segundo sentido naquela fala.
Um grande sorriso se iluminou nos lábios de Harriet e ela se aproximou rapidamente de onde Louise estava sentada com as pernas elegantemente cruzadas. Precisando se conter para não soar muito estranha e desesperada, ao invés de abraçar a mulher, alcançou a mão dela pousada sobre a bancada e a segurou com carinho.
— Obrigada, senhorita Tomlinson! Muito obrigada. Eu juro, juradinho que vou fazer tudo certo! Você vai ver.
— Eu sei que vai, querida... — Louise ficou de pé e acariciou o pulso dela, que ainda segurava sua mão. — Vamos lá, vou te pagar pelo serviço de hoje.
Louise caminhou na frente em direção ao escritório e Harriet, logo atrás dela, precisou se segurar muito para não saltitar de tão feliz que se sentia por receber seu primeiro dinheiro naquele trabalho e ainda estar sendo contratada de verdade.
A senhorita Tomlinson contou o dinheiro direitinho na sua frente e o colocou em um envelope, que no qual fechou corretamente com um lacre. Perguntou depois se Harriet por acaso não teria uma conta em que o dinheiro começaria a ser depositado, de forma que até seria mais seguro para a garota, que não precisaria voltar para casa com uma grande quantidade de dinheiro na bolsa, mas ela informou que não.
Então ficou combinado de Harriet, nos outros dias em que viria trabalhar, trazer assim que pudesse os seus documentos para que pudessem ir juntas fazer isso e ainda aproveitarem para fazer um contrato de como funcionaria naquele período de experiência no trabalho.
Louise pediu que Harriet esperasse mais um pouco antes de ir para casa, pois Marcus chegaria e poderia levá-la. A garota recusou, informando que iria correndo e logo estaria lá, e que não poderia esperar para ver como a tia estava naquele período em que ficou sozinha.
Logo ficou combinado para Harriet voltar no dia seguinte pelo período da manhã. Louise a acompanhou até a porta, a mão posicionada na base de suas costas fazendo ali um carinho discreto, agradecendo pelo almoço e dizendo que a esperava de manhã, falando para tomar cuidado no caminho para casa.
O caminho inteiro para casa se resumiu a Harriet sorrir tolamente, segurando o envelope com seu primeiro pagamento bem apertado junto ao peito, não se contendo e chegando a saltitar algumas poucas vezes. Quando chegou ao bairro que morava, decidiu passar no pequeno mercadinho que tinha ali e pegou todas as coisas essenciais e que já estavam em falta na casa, querendo chegar com duas boas surpresas para a tia.
Mas mesmo que Harriet chegasse dizendo que ganhou o maior prêmio na loteria, não conseguiria arrancar o mínimo de uma coisinha boa da parte da tia. Harriet se deu conta disso desde o primeiro momento em que colocou os pés em casa e viu que na companhia da tia estava uma das únicas vizinhas que ainda conseguia suportar a companhia da mulher amargurada, no mesmo instante a mais velha começando a gritar com ela sobre ser uma garota ingrata e que um dia a mataria de desgosto.
Harriet não conseguia entender qual era o problema. Ela tinha se esforçado tanto para conseguir aquele trabalho, voltou para casa com as comidas que faltavam em casa e ainda trouxe os lanchinhos favoritos que a tia gostava de comer no final da tarde, só para fazer mais um agrado, e era assim que era recebida em casa.
Ela honestamente não conseguia compreender e não tinha ideia do que poderia fazer para conseguir um tantinho de admiração e carinho por parte da tia.
A garota ainda precisou escutar em silêncio o sermão da vizinha, que nem mesmo tinha algo a ver com toda a situação, e precisou ficar calada o tempo inteiro ou poderia terminar ainda mais errada naquela história – sendo que ela não estava errada de modo nenhum, só para começar.
“Como pode, Harriet, você ser uma garota tão tola e demonstrar não se preocupar o mínimo com a saúde de sua tia, deixando-a sozinha desse jeito? Você não sabe o quanto ela está doente e que precisa de atenção e cuidados o tempo todo? Você deveria ser mais grata, depois de tudo que ela fez por você ao longo desses anos".
Com a junção de todas aquelas coisas, não demorou muito para Harriet acabar se sentindo a pior pessoa de todas e chorando baixinho na sua caminha de solteiro no canto do quarto, refletindo um pouquinho e pensando que talvez sua tia e a vizinha tivessem razão, e só ela não estivesse enxergando o quanto tinha pisado na bola.
Na manhã seguinte, quando tia Marie estava um pouco mais calma e o sangue tinha esfriado, as duas finalmente conseguiram conversar devidamente e como duas pessoas adultas. Mesmo que não fosse exatamente necessário explicar aquilo, porque suas intenções eram mais do que óbvias, Harriet disse calmamente que só fez o que fez com a melhor das intenções e que só estava muito preocupada com a saúde da tia.
Tia Marie não pediu desculpas por seu comportamento um tanto infantil e irracional no dia anterior, mas disse que apenas se preocupava muito que algo pudesse acontecer com a sobrinha, pois às vezes ela conseguia ser muito "bobinha" e o mundo era um lugar muito perigoso.
Acabou que Tia Marie concordou que Harriet continuasse indo por mais um tempinho para esse trabalho, mas só até a tia se recuperar completamente, então ela voltaria a ficar cuidando da casa do mesmo jeito que fazia antes.
Então, por ora, as coisas estavam acertadas entre as duas.
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Já faz pelo menos uma semana que Harriet estava trabalhando na casa de Louise Tomlinson e tudo estava correndo bem da melhor maneira possível. A garota ainda estava se acostumando com o ritmo e o modo que a senhorita gostava de ter suas coisas organizadas, fora que também estava precisando lidar com as mudanças em casa.
Apesar da tia ter supostamente aceitado que começasse a trabalhar por uns tempos, Harriet estava tendo a impressão que tia Marie estava começando a procurar por motivos cada vez mais bobos e idiotas para se iniciar um novo tipo de discussão em casa e ainda colocar Harriet como a errada na história. Mesmo que ela tentasse ser compreensiva e de alguma maneira apaziguar as coisas, não funcionava e sempre acabava triste e frustrada com a situação.
Era um tanto cansativo sair para trabalhar todas as manhãs, passar o dia trabalhando e cumprindo ordens, para mais tarde chegar em casa com a intenção de descansar um pouco, e ter na verdade a tia sendo completamente desagradável sem quaisquer motivos.
Naquele dia, pouco depois do almoço, Harriet ficou de tirar o pó das prateleiras que a senhorita Tomlinson tinha no escritório. Louise aparentemente tinha muito trabalho a fazer e a garota prometeu que não incomodaria e não faria barulho algum. Disse que só tiraria o pó de tudo com um paninho úmido e logo depois sairia para deixá-la em paz, Louise não demorando a dizer que não tinha problemas.
Mas foi durante seu trabalho silencioso que Harriet foi surpreendida pela voz de Louise surgindo pela primeira vez no cômodo depois de minutos.
— Você está bem, Harriet? — Louise perguntou em um tom que deixou Harriet de cabelos em pé. A garota estava ajoelhada no chão e rapidamente se virou, olhando na direção da mulher ainda sentada na poltrona atrás da mesa. — Hum? — Chamou a atenção dela, que ficou paralisada olhando em sua direção.
— Ah! Ahn… tô bem. — Harriet respondeu com um sorrisinho sem graça e Louise sorriu balançando a cabeça em negação. — Por quê?
— Harriet, você é aquele tipo de pessoa que não é capaz de disfarçar o que pensa e sente. — Louise começou a dizer, enquanto ficava de pé e se aproximava de onde a mais nova estava, parando bem de frente e achando adorável ela sentadinha no chão, a observando atenciosamente de baixo com os enormes olhos verdes de boneca e cílios pretos. — E isso é muito adorável. Então, seja boazinha e me diga o que está se passando nessa cabecinha. Ou é porque tem a ver comigo ou o trabalho, e está tímida em abrir o jogo?
— Não! De modo algum, senhorita. — Harriet tinha os olhos arregalados e as bochechas vermelhas, Louise precisando se conter e não rir dela. — Eu juro que não é isso… é mais uma coisa em casa, mesmo.
— Bom… me deixe saber, então. — Louise deu de ombros e cruzou os braços, cruzando também os tornozelos fazendo Harriet dar uma atenção para os seus saltos pretos brilhantes e caros. — Nessa última semana, tenho impressão que você me escutou muito falar de alguns estresses do trabalho e me ajudou muito ter uma ouvinte paciente. Me deixa retribuir.
Louise ficou em silêncio vendo Harriet pensar por alguns segundos e suspirar de olhos fechados, voltando a abri-los como se tivesse tomado a decisão de falar por uma vez por todas qual era o problema.
A garota viu Louise estender o braço na sua direção e segurou sua mão, sorrindo um pouquinho ao ser ajudada a ficar de pé e quando essa a guiou com a mão na base de suas costas para que sentasse naquela mesma cadeira que sentou no dia da sua entrevista.
— Vamos lá. O que está acontecendo? — Louise se recostou na mesa, ficando bem pertinho de Harriet.
— Sabe o dia em que eu vim para o meu primeiro dia de teste aqui? Eu não deveria ter vindo. — Harriet viu o cenho de Louise franzir em confusão, e não demorou para continuar com o que dizia, antes de ser interpretada errado. — Eu te falei que a minha tia está doente. Minha motivação para buscar emprego foi por causa disso e eu queria ajudar comprando remédio e pagando as coisas em casa. Mas naquela manhã eu saí escondido e quando eu voltei, minha tia estava muito, muito brava comigo por causa disso.
Se possível, o cenho de Louise se franziu ainda mais, porém ela permaneceu em silêncio disposta a ouvir o restante da história.
— E assim, eu entendi porque ela ficou tão brava. Eu saí sem falar com ela e sem pedir autorização dela, e deixei ela doente sozinha em casa, sabe…
— Mas, Harriet, não é como se você tivesse saído de casa para, não sei, se divertir e ignorar os problemas que tem em casa. — Louise pela primeira vez a interrompeu, um tom indignado na voz rouca. — Fora que você tem mais de dezoito anos, não precisa pedir autorização para simplesmente… sair.
— E-Então… eu pensei isso, também. Mas ainda foi muito errado da minha parte deixar ela sozinha desse jeito. — Harriet ficou em silêncio por um momento, flagrando Louise balançar a cabeça em negação como se não concordasse com o seu pensamento. — Enfim, ela aparentemente me "perdoou" por isso e disse que eu poderia continuar vindo trabalhar aqui até ela ficar boa. Ela me fez prometer que, quando ela ficasse boa, eu… — Harriet logo se interrompeu, imaginando que não seria uma boa ideia falar aquilo para a mulher que tinha acabado de contratá-la.
— Oh… deixe eu adivinhar. — Louise pressionou os lábios marcados por um batom por um momento, olhando para cima como se realmente estivesse se forçando a pensar. — Ela te fez prometer que iria pedir demissão, aí ela de novo seria a única a trabalha, pois você voltaria a fazer as coisas que faz em casa.
— Uau. — Harriet tinha os olhos arregalados, impressionada com a precisão da senhorita. — Como adivinhou assim?
— Não te contei? Tenho um dom de dedução. — Louise disse com um sorrisinho e tom humorado, fazendo a mais nova sorrir um pouquinho. — Continue, Haz.
Harriet sentiu borboletas no estômago por causa do apelido e nem mesmo entendeu porque, mas preferiu ignorar aquela sensação e continuou assim como a outra tinha mandado fazer.
— Como eu disse, ela aparentemente tinha me perdoado e eu pensei que as coisas voltariam ao normal. Mas ela tá agindo estranho comigo. — Harriet tinha um beicinho e não sobrava quaisquer resquícios daquele sorrisinho bonito que Louise conseguiu colocar em seu rosto. — Eu reconheço que minha tia nunca foi muito boa em demonstrar amor ou carinho, e eu sempre estive perfeitamente bem com isso. O problema é que nesses dias ela anda, não sei, acho que "implicando" comigo. — Harriet coçou o braço, os olhos um pouco distantes como se estivesse naquele mesmo momento tentando imaginar o porquê. — Ela começa a gritar e brigar comigo por umas coisas tão… bobinhas. E eu fico me sentindo tão mal e estúpida, e é terrível isso acontecer todos os dias. Eu até penso que foi um erro ter saído naquele dia para procurar emprego, mas ao mesmo tempo eu gosto tanto de sair todos os dias e fazer coisas novas, ter conhecido você e o Marcus, e todos os seus amigos legais que veem visitar de vez em quando.
— Se você mesma reconhece que ela está perdendo a linha por coisas pequenas, por que ainda assim se importa tanto? — Louise perguntou em um tom baixo e tranquilo, vendo Harriet morder o lábio e encolher os ombros magros.
— Porque quero que ela me ame o tempo todo, eu acho… — Harriet respondeu baixinho com os olhos um pouco marejados, mostrando fazer certo esforço para não chorar. — Ela é a única pessoa que eu tenho no mundo inteiro, então é a única que eu preciso agradar, e sinto que devo tudo para ela. Quando ela age assim, é como se eu estivesse falhando o tempo todo e eu- eu me sinto meio perdida e tão idiota.
Harriet parou de falar por um momento e ficou tão perdida nos próprios pensamentos após o que disse, que só segundos depois se deu conta de que ainda estava no que deveria ser uma conversa com Louise.
Olhou bem na direção do rosto de Louise e soube com total certeza de que ela tinha prestado bem atenção em cada palavra sua, pois tinha aquele tipo de olhar de quem está pensando bem no que deve dizer a seguir.
— Sabe, Harriet, desde o primeiro momento em que te vi toda desajeitada e tímida, falando com tanto cuidado da situação em que estava a tia doente, a primeira coisa que pensei foi "o que se tem que fazer para merecer alguém tão devoto assim logo ao seu lado?", e olha que eu nem te conhecia tão bem assim. — Louise disse sincera e Harriet permaneceu em silêncio, ainda tentando se conter de começar a chorar copiosamente. — Olhe bem para mim, pois quero que escute de verdade o que vou te dizer agora e que não duvide disso nem por um segundo, sim? — Louise pediu e Harriet respirou fundo e obedeceu. — Você é uma garota muito boa e tem feito um ótimo trabalho. Eu estou vendo você trabalhar o tempo todo e, sabendo que é sua primeira vez, saiba que estou orgulhosa de você com tudo que vem fazendo.
Harriet engoliu em seco e ficou paralisada, talvez com uma lágrima ou duas deslizando pelas bochechas gordinhas e coradas. Em seguida ela abaixou a cabeça e ficou um momentinho daquele jeito, se repreendendo um pouco por estar sendo tão boba em chorar daquele jeito na frente de uma mulher como aquela.
Mas o que ela podia fazer? Louise falou para ela exatamente aquilo que precisava ouvir já havia muito, mas muito tempo mesmo sem receber o mínimo de reconhecimento e consideração.
Talvez o que deixasse tudo aquilo ainda mais intenso, era por se tratar de alguém como Louise, que nos últimos dias em certas situações se mostrou ser uma mulher tão exigente para com algumas coisas. Fora que ela era aquele tipo de pessoa que você gostava de agradar e ver feliz, pois ela demonstra seu apreço e te faz querer ouvir mais dessas palavras de aprovação.
Como quando Harriet está na sala de entrada arrumando algo e escuta o som dos passos dela se aproximando da porta, indicando que já está chegando em casa. Não importa o que, Harriet sempre para o que está fazendo para recebê-la na porta e fazer certa questão de ajudá-la pegando a bolsa e o casaco, lhe perguntando como foi seu dia e sempre recebendo "Você é uma garota tão boazinha, Harriet. Meu dia foi cansativo…"
E isso em diversas situações, fazendo tudo o que está ao seu alcance para deixá-la feliz e consequentemente orgulhosa de si. Pois diferente de sua tia Marie, Louise aparentemente nota todas as pequenas coisas que faz em um tipo de agrado e faz questão de reconhecer isso.
Reconhecimento e, acima de tudo, aprovação, é o que faz Harriet funcionar corretamente. Tinha a possibilidade dela começar a ficar um pouco mimada com essa mania de Louise em elogiar seus feitos.
E naquele momento, com Louise indo um pouco mais além e falando de maneira certeira tudo aquilo que esperou ouvir nos últimos anos, a fez sentir como se estivesse sendo jogada contra uma parede de tijolos e uma sensação diferente de tudo que já sentiu consumir seu corpo.
— O-Obrigada. — Harriet disse com a voz embargada, secando rapidamente as lágrimas deslizando pelas bochechas. — Desculpa por isso. Desculpa, desculpa… — Harriet ficou de pé e começou a recuar desajeitada alguns passos para trás, acabando por esbarrar em outra cadeira.
— Tudo bem, não precisa se desculpar. — Louise avançou um passo com a intenção de se aproximar dela, mas a garota rapidamente se afastou até a porta que abriu desajeitada.
— Eu vou no banheiro! Prometo que já volto. — E saiu fechando a porta do escritório com um barulho, deixando para trás a senhorita Tomlinson com um sorrisinho discreto nos lábios marcados por um batom vermelho rubi.
Talvez ela soubesse qual poderia ser o seu próximo passo.
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— Harriet? Harriet, apareça! — A garota de olhos verdinhos estava limpando as escadas que levavam ao andar de cima quando ouviu a porta de entrada ser aberta e Louise surgir com várias sacolas que pareciam ser de diferentes lojas de shopping.
— Senhorita Tomlinson! Você chegou cedo hoje. — Harriet rapidamente deixou o que estava fazendo de lado e desceu rápido as escadas, pegando algumas das sacolas para ajudá-la.
— Obrigada, Harriet. Eu não estava suportando o trabalho e dei um jeito de escapar para passar no shopping e resolver algumas coisas que eu tinha pendentes por lá, sabe? Pegar algumas roupas para eventos futuros e também algo pra você. — Louise dizia ao que sentava na poltrona preta, sorrindo para a maneira curiosa que Harriet tentava espiar o que tinha dentro daquele montante de sacolas.
— Para mim? — Harriet perguntou surpresa, chegando mais pertinho de Louise e se abaixando para ajudá-la a tirar os saltos agulha pretos, ouvindo ela murmurar mais um agradecimento sem se dar conta do olhar libidinoso que ela lançava na sua direção.
— Sim, boneca, pra você! Comprei algumas roupinhas pra fazer um agrado pelo bom trabalho que tem feito. Juro que na hora em que as vi, pensei que eram a sua cara. — Louise começou a tirar peça por peça das sacolas e mostrar para a garota, que tinha os olhos verdes brilhantes maravilhados para cada uma dessas. — E não só essas, mas também descobri que seus uniformes finalmente estavam prontos e já fui buscar pra você.
— Sério? Eu quero ver! — Ela pediu empolgada e Louise não demorou a entregar um deles para ela, que imediatamente ficou de pé, o segurando de forma que tentava dar uma boa olhada nele.
— Vá lá colocar! Quero ver como fica em você. — Harriet estava tão empolgada por ganhar o primeiro uniforme, que nem era capaz de perceber o sorriso sujo e perverso cheio de intenções que a mulher tinha no rosto.
Louise viu ela se afastar empolgada pelo corredor até um dos lavabos do andar de baixo e como já era costume, começou a se livrar do blazer cor vinho, se desfez camisa branca de botões e o permaneceu apenas com o sutiã branco rendado. O celular começou a vibrar com a notificação de novas mensagens e Louise imediatamente o pegou dentro da bolsa para começar a respondê-las, confirmando sua presença na inauguração do novo restaurante de um amigo, informando que iria precisar somente de um convite para acompanhante.
Poucos minutos depois, Louise ouviu um pouco ao longe a porta do lavabo ser aberta e não demorou a soltar o celular de lado, olhando na direção do corredor à espera da garota. E no momento que seus olhos pararam sobre ela, usando o uniforme que consistia em um vestidinho preto curto e levemente transparente, não conteve uma expressão satisfeita no rosto, enquanto ficava de pé esperando ela se aproximar.
— Ficou ótimo em você. — Louise disse quando ela entrou na sala e parou em frente ao grande espelho que tinha ali, dando uma boa olhada em si mesma. — Você está tão quieta como nunca esteve antes. Não gostou? — Louise perguntou parando logo atrás dela, as mãos em seus braços e o queixo apoiado em seu ombro.
Era simplesmente adorável que ele ficasse tão justinho em seu corpo, o avental branco com as bordas em renda amarrado em volta de sua cintura delineada. Fora que ela naquele momento não usava sutiã algum, pois Louise conseguia enxergar perfeitamente seus mamilos arrebitados no tecido fino.
— Não! Não é isso. — Ela disse rapidamente, puxando o vestido um pouquinho para baixo. — Ele é lindo, mas… a senhorita não acha que está um pouco curto demais?
— Hum… — Louise fingiu estar pensando seriamente sobre aquilo, chegando a fazer ela dar uma pequena voltinha de modo que reparava em suas coxas mais expostas que nunca. — Não… parece ideal. Qualquer coisa, não tem problema, há outros modelos dentro da sacola que possam ser um tantinho maiores. Mas… — Louise frisou, chamando bem a atenção dela. — Eu adorei como esse ficou em você. Eu ficaria feliz se o usasse mais, porque pedi que esse fosse exclusivamente assim pensando em você.
— Ah! Eu não sabia. — Harriet disse surpresa, colocando uma das mãos sobre o peito, voltando a dar uma boa olhada em si mesma. — Ele é muito bonito, senhorita Tomlinson. Obrigada.
Aquilo fez Louise sorrir ainda mais satisfeita e, como já tinha se tornado um pequeno hábito, apertou docemente a bochecha de Harriet e a chamou de “boa garota” fazendo-a quase imediatamente corar e os olhos verdes brilharem. Ela se afastou da garota para voltar a sentar no sofá com as pernas cruzadas, assistindo ela se movimentar a sua volta para juntar todas aquelas sacolas, sem querer empinando o bumbum e o expondo pelo comprimento do vestido.
Louise reconhecia que era uma grande canalha por aquilo, mas ela simplesmente não se sentia capaz de resistir. Harriet era sempre tão boazinha e ingênua sobre tantas coisas. Ela nem mesmo parecia perto de descobrir sobre seu interesse por ela e de todas as coisas que a convencia a fazer só para satisfazer uma partezinha de si, como naquele momento a colocando para usar um vestido tão curto que expunha tanto seu corpinho delicioso.
— Você quer algo pra beber? — Harriet perguntou atenciosa, colocando as sacolas com roupas cuidadosamente sobre a poltrona, e Louise olhou para ela pensativa.
— Pensando bem, eu quero. — Louise ficou de pé, tirando o sutiã fazendo os seios balançarem um pouco tentadoramente, os olhos verdes de Harriet presos neles. — Prepara para mim uma jarra de suco bem gelada e leva até uma das mesas na área da piscina? O tempo está ótimo para tomar um sol e ficar na água.
— A-Acho que sim. — Harriet respondeu um pouco tímida.
— Ótimo. Vou levar todas essas coisas pro quarto, tirar essa roupa e desço. Marcus está…
— Ele não veio hoje, senhorita. Lembra que o liberou para passar o final de semana com a mãe? — Harriet a recordou e Louise cantarolou em afirmação.
— Ah, ótimo! Assim posso ficar mais à vontade. — Então deu as costas, pegou as sacolas de cima da poltrona e subiu as escadas, deixando Harriet para trás sem entender o que ela quis dizer necessariamente com aquilo.
Mas ela não demoraria muito a entender. No momento em que estava colocando a jarra sobre a mesinha redonda que ficava logo ao lado da espreguiçadeira branca com uma toalha, ouviu os sons característicos dos saltos altos de Louise batendo no chão e ela se aproximar de óculos escuros usando um biquíni branco minúsculo, as unhas pintadas em um tom de vermelho fazendo um pequeno contraste com todo o resto.
Louise não demorou a deitar na espreguiçadeira com um gemido cansado, cruzando os tornozelos e dando uma boa olhada em Harriet, ainda com o uniforme minúsculo, lhe servindo um copo de suco.
— Não quer tirar essa roupa e colocar um biquíni? Te empresto um dos meus novos e você se refresca na piscina. — Louise sugeriu com um sorriso, vendo Harriet sorrir boba e balançar a cabeça em negação, algumas mechas soltas com cachinhos se movendo no processo.
— De modo algum! Eu não sei nadar e morro de medo. — Harriet disse ainda em uma risadinha, ficando parada de pé logo ao seu lado, dando uma olhada na água da piscina. — Mas um dia eu vou aprender.
— Claro que vai. — Louise falou docemente, puxando o cordão da parte de cima do biquíni para o desamarrar e deixá-lo de lado, alcançando um dos protetores solares que ficava em uma cestinha ali perto. — Você me ajuda a passar?
— Tá bom. — Harriet rapidamente se prontificou em ajudar, pegando o protetor de sua mão e sentando na beirada da espreguiçadeira, derramando um pouquinho do líquido na ponta dos dedos.
— Eu quero te perguntar uma coisa. — Louise começou em um tom baixo, engolindo em seco quando ela começou a deslizar os dedos gentilmente por sua clavícula. — Quer ir comigo em um lugar hoje à noite?
— Pra onde? — Harriet perguntou curiosa, os olhos focados na atividade que fazia, sendo impossível não pensar no quanto sua pele era tão macia.
— West Village. Um amigo está abrindo um restaurante novo por lá e hoje é a inauguração. — Louise umedeceu os lábios quando ambas as mãos dela deslizaram mais para baixo, começando a deslizar cuidadosamente por seus seios, a ponta dos dedos curiosamente fazendo pequenas voltas em seus mamilos rosados arrebitados. — Tenho um convite para acompanhante, foi tão em cima da hora e pensei logo em você.
— Nossa. — Os olhinhos verdes dela brilharam um pouco e ela parou por um momento com o que fazia, olhando bem para seu rosto como se esperasse que mudasse de ideia repentinamente. — Eu não sei. Eu não tenho certeza se minha tia deixaria, acho que eu não tenho nem roupa pra isso.
— Não se preocupe. Eu mesma posso explicar para sua tia, dizendo que você até poderia receber um adicional gordo por me acompanhar. — Louise falou com um pequeno dar de ombros. — E não deve se preocupar com roupas também. Comprei uma perfeita para você e tenho certeza de que vai gostar. Mas claro que isso só se você realmente quiser ir.
— Claro que quero! — Harriet se moveu empolgada, um sorriso tão grande que surgiam covinhas em suas bochechas coradas, não demorando a voltar a espalhar o protetor quando se deu conta de que havia parado. — Obrigada… — Ela falou baixinho e Louise se limitou a balançar a cabeça, indicando que ela não precisava agradecer.
Louise em determinado momento fechou os olhos e focou na sensação dos dedos delicados deslizando por seus seios até sua barriga, sentindo um deles tocar com curiosidade o piercing que tinha no umbigo. Não importa quantas vezes Harriet já tenha passado as mãos por seus seios, era curioso como elas sempre voltavam para lá e Louise só precisava se segurar muito para não demonstrar como era sensível ali e aqueles toques estavam simplesmente a deixando maluca.
Porém, houve um momento em que Harriet simplesmente apertou um deles na palma. Não foi forte o suficiente para machucar, mas foi claro que ela teve sim a intenção de fazê-lo e que havia certa curiosidade nessa atitude.
Só isso que fez Louise abrir os olhos novamente e tirar os óculos escuros, olhando bem em sua direção reparando em como ela piscava os olhos interessada, a pontinha do dedo circundando ambos os seus biquinhos arrebitados.
— Os seus são iguais aos meus. — Harriet sussurrou como se fosse um segredo e Louise arrumou melhor a postura, ficando parcialmente sentada daquela vez.
— É mesmo? — Louise perguntou chamando a atenção dela, que balançou a cabeça em afirmação.
— Os de minha tia não são assim. — Ela comentou e começou a se explicar. — Digo, grandes. Sempre que ela me via se vestir, dizia que era feio e eu devia os esconder o máximo possível, ou homens iriam ver e mexer comigo por causa disso.
— Não acho que seja verdade, sobre sua tia falar que “são feios”. — Louise falou docemente, colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha, engolindo em seco quando viu ela por conta própria começar a desabotoar a parte de cima do vestidinho.
— Olha. — Ela então os mostrou sem maiores problemas, enquanto Louise tinha um tipo de curto-circuito mental olhando para aqueles peitinhos gostosos tão próximos de seu rosto.
Os mamilos de Harriet eram amarronzados e os biquinhos grossinhos e arrebitados, simplesmente uma tentação de se colocar na boca e mamar neles até que a garota implorasse para que parasse.
Depois daquilo, Louise definitivamente sentou-se e chegou ainda mais pertinho de Harriet, que engoliu em seco com tamanha proximidade e a bucetinha curiosamente formigou com a maneira que estava sendo observada pela mulher de olhos azuis. Louise não pensou muito quando simplesmente tocou em um de seus mamilos, os dedos brincando distraidamente com ele, os observando atentamente se mover sob seu dígito.
— Oh, Harriet… eles são lindos, boneca. — Louise sussurrou e Harriet arregalou um pouquinho os olhos, a boquinha entreaberta escapando suspiros.
— É sério? — Ela perguntou baixinho e Louise sorriu, balançando a cabeça em afirmação. — Senhorita… — Harriet encolheu os ombros e riu um pouco tímida, se afastando um pouco do toque de Louise, que só naquele momento se deu conta de que ainda brincava com seus mamilos. — É engraçado quando faz assim. — Explicou os cobrindo timidamente com as mãos.
— Mas é um “engraçado” bom, não é? — A pergunta de Louise fez Harriet pensar na maneira que sua bucetinha formigou diante dos toques e do olhar dela.
E ela se lembrou que se sentia do mesmo modo quando estava no banho e distraída começava a tocar lá embaixo, se empolgava um pouco e não demorava muito a interromper a si mesma quando a sensação começava a ficar cada vez mais… intensa.
Daquela vez, Louise conseguiu arrancar aquilo dela sem precisar tocá-la lá embaixo. Tocar e beliscar levemente seu mamilo, curiosamente sensível, foi mais que o suficiente.
— Sim. — Harriet respondeu em um sussurro falho e rapidamente se afastou dela ficando de pé, estourando aquela bolha que estava começando a se formar entre as duas. — T-Tenho que terminar de organizar a sala, senhorita Tomlinson. — Harriet falou rapidamente, abotoando os botões que tinha desfeito momentos antes, sem ter coragem de olhá-la.
— Claro, tudo bem. — Louise disse sorrindo, voltando a deitar confortavelmente na espreguiçadeira. — Depois você pode ir direto pro banho, ok? Lembre-se que não vai precisar fazer jantar essa noite.
— Sim! Tudo bem.
— Ótimo. Se eu precisar de você, te chamo. — Louise falou colocando de volta os óculos escuros, ouvindo ela dizer um “claro” baixinho e se afastar rapidamente.
Pouco depois ela olhou na direção que a garota tinha ido, se certificando que ela não estava mais em lugar algum ali, antes de puxar a parte de baixo do biquíni para o lado, começando a dedilhar entre os lábios da buceta sentindo como essa estava tão meladinha. Louise suspirou agoniada puxando os cabelos longos e lisos para trás, apertando as pernas uma contra a outra ainda sentindo a buceta pulsar de tesão.
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Harriet nunca tinha se divertido tanto quanto ela se divertiu naquela noite. Primeiro porque ela nunca se sentiu antes tão bonita e segundo porque ela estava naquele lugar lindo, cheio de pessoas elegantes que nunca viu na vida e estavam sendo muito gentis com ela. Talvez todos estivessem sendo legais porque sabiam que ela estava junto a Louise, mas ela ainda assim tinha escolhido não pensar tanto sobre aquele detalhe e aproveitar a noite, assim como Louise havia dito.
Lá ela conheceu o tal amigo de Louise que estava abrindo aquele restaurante tão chique e descobriu que ele já tinha ganhado alguns prêmios só por cozinhar tão divinamente. Louise ainda falou para ele sobre Harriet cozinhar muito bem, deixando a garota vermelha como tomate, garantindo que um dia cozinharia para ele quando esse demonstrou interesse genuíno.
Louise a todo instante ficou ao seu lado, fez questão de lhe apresentar para aquelas pessoas importantes e falou para ela curiosidades sobre essas – ou simplesmente pequenas fofocas quentes que fizeram ela ficar de boca aberta.
E mais um detalhe: Harriet estava usando roupas caras que nunca tinha imaginado usando antes na vida. Louise não estava a apresentando como “Olá, essa aqui é a Harriet, minha empregada” para de certa forma fazê-la se sentir deslocada em meio aquelas pessoas, mas sim como “Essa é Harriet Styles, vocês ainda vão vê-la muito comigo em eventos”.
Harriet percebia o modo que alguns homens acompanhados olhavam de modo diferente para ela e as mulheres junto a eles lhe lançavam olhares amargos. Às vezes até mesmo mulheres pareciam “interessadas” em si, mas nada disso se comparava à maneira que todos olhavam para Louise.
Desde o momento em que ela pisou no lugar, usando uma calça social preta cintura alta e seus costumes saltos, e um corset vinho que delineava sua cintura e apertava seus peitos, a atenção de todos presentes tinha ido para ela e eles tentavam ter pelo menos o mínimo de sua atenção, a chamando para participar das conversas ou querendo saber simplesmente se iria em determinadas festas em certas datas. Harriet não julgava nenhum deles. Louise era incrível e até mesmo ela se viu pensando no quanto constantemente ficava buscando sua atenção e aprovação quando estavam juntas em casa.
E fora um pequeno detalhe: as pessoas olhavam para ela e depois para Louise, como se soubessem de algo que a garota não sabia ainda. Ela não sabia explicar bem o porquê, mas era essa a impressão que tinha, diante do modo que era observada e que as pessoas falavam com ela na presença de Louise.
Teve um momento em que Louise tinha pedido no bar uma bebida que era misturada e não havia muito álcool para que Harriet pudesse experimentar. A garota de olhos verdes em seu vestidinho branco de cetim estava sentada em uma das banquetas bebendo o líquido colorido no canudo, olhando atentamente para Louise lhe contando um pouco mais sobre a próxima inauguração que a levaria.
Foi quando alguém se aproximou:
— Louise? Oi. — A mulher loira usando um vestido amarelo claro longo e decotado cumprimentou quando Louise deu as costas para Harriet, procurando a origem da voz.
— Rosalie, oi. — Louise a respondeu e lançou um olhar de Harriet, que fez uma pausa na bebida para acenar educada para a mulher loira que não retribuiu. — Harriet, essa é a Rosalie, uma amiga de longa data. Rosalie, esta é a Harriet.
— Ah, então é disso que todos estão falando. — Rosalie falou com a voz melodiosa e provocativa, os braços cruzados. — Você arrumou um novo bichinho de estimação. — O comentário fez Harriet com a boca cheia franzir o cenho em confusão.
— Era só isso que tinha a dizer? Então, pode ir embora e não nos faça perder nosso tempo. — Louise disse de modo curto e como se estivesse entediada, dando as costas para Rosalie pra voltar sua atenção totalmente a Harriet, que ainda não tinha entendido nada do que se passava.
— N-Não. — Rosalie falou tocando o ombro nu dela, querendo sua atenção de volta. — Na verdade, precisamos conversar. Será que- será que podemos? A sós. — Frisou lançando um olhar para Harriet, que ainda observava as duas em silêncio e sem se envolver.
— Acho que sim. — Louise respondeu em um suspiro e olhou para Harriet com um sorrisinho nos lábios vermelhos com um batom. — Eu já volto, ok? Se quiser, pode pedir mais uma bebida ou ir ali atrás de algo pra comer.
— Tá bom. — Harriet disse baixinho e acenou vendo ela se afastar junto a mulher loira, tentando não pensar muito sobre aquilo ser no mínimo estranho.
Quase no mesmo instante em que Louise se afastou, outras pessoas se aproximaram de onde ela estava e começaram a lhe fazer perguntas, que Harriet não teve problema algum em responder.
Mas acontece que os minutos foram passando e todos até já estavam em suas mesas respectivamente reservadas com seus nomes e nada de Louise voltar para que pudessem ir juntas para seus lugares junto aos outros. Harriet ainda estava no mesmo lugar no bar e já tinha até mesmo feito amizade com o barman, que ela já sabia se chamar Jonathan e que só estava trabalhando ali por aquela noite.
Algumas das pessoas que ela conheceu naquela noite a chamaram gentilmente para ir com eles até a mesa, que Louise apareceria depois. Mas a garota disse que não e que esperaria mais um pouco. Porém, com os minutos passando, ela estava ficando um pouco cansada de esperar e decidiu que iria atrás da mulher até o lugar que tinha visto ela ir e sumir de vista.
Harriet saltou um pouco tonta da banqueta que estava sentada, garantiu para o tal Jonathan que estava bem sozinha e conseguia se virar, então partiu rumo na direção em que viu Louise indo. Viu que ali era uma parte com alguns banheiros, seguiu até o feminino e antes de abrir a porta, ouviu uns barulhos que vinham na verdade de uma porta que parecia de acesso somente a funcionários. Por curiosidade ela virou a maçaneta daquela porta e encontrou elas duas lá dentro.
Mas, por algum motivo, Louise beijava Rosalie nos lábios com fome e essa estava destruída, diferente da mulher tão bem arrumada de minutos antes. Ela agora tinha os cabelos loiros presos em um coque um pouco bagunçado, o vestido decotado amarrotado, tendo ambos os seios expostos e cheio de marcas arroxeadas e algumas dessas marcas sendo do próprio batom vermelho de Louise.
Nunca em toda sua vida Harriet tinha visto duas mulheres se beijarem de tal maneira. Sua tia mal era capaz de permitir que assistisse filmes de romance por conta das cenas de beijo ou até mesmo algumas sexuais que tendiam a aparecer. Aquilo foi um pequeno choque para ela, sem dúvidas.
E foi ainda pior quando ela se deu conta de que não conseguia parar de olhar e que aquela sensação em sua florzinha tinha voltado ao assistir Louise descer os beijos pelo pescoço dela até voltar a alcançar seus seios, os chupando e mordiscando fazendo barulhos molhados, Rosalie gemendo dengosa e a puxando para que continuasse.
— Eu quero te chupar. — Rosalie ofegou com os olhos fechados, a cabeça pendida para trás. — Por favor, já faz tanto tempo.
— Não… Hoje não. — Louise sussurrou se voltando para os lábios dela e Harriet recuou fechando a porta o mais silenciosamente que pôde, se afastando rapidamente dali para se juntar ao resto do pessoal no salão com as mesas.
Harriet procurou pela mesa que continha o nome de Louise e sentou no local marcado que era o de convidado. O coração ainda batia acelerado no peito e ela parecia estar pálida, pois as pessoas com quem elas iam dividir a mesa perguntavam se ela estava bem e se tinha visto um fantasma. Harriet garantiu que estava bem e que talvez só tivesse bebido muito, garantindo que ficaria melhor após comer um pouco.
A comida já tinha sido servida quando Louise apareceu em um ótimo estado. Você não diria que ela tinha acabado de sair de um depósito dos funcionários onde tinha beijado e feito dentre outras coisas com uma outra mulher. Rosalie só surgiu minutos depois também arrumada, indo na direção de uma mesa que ficava no outro lado do salão, mas sem tirar os olhos de onde Louise estava em momento algum.
— Tudo bem com você? — Louise perguntou para Harriet, percebendo que essa estava mais quieta do que era considerado normal.
— Uhum. — Harriet respondeu mastigando a comida, os olhos presos no próprio prato. Ela quase não conseguiu engolir quando olhou para Louise e essa passou um guardanapo no canto de seus lábios com um sorrisinho. — Obrigada. — Disse baixinho voltando a abaixar a cabeça, porque olhar para ela estava a fazendo pensar nela beijando Rosalie.
Era automático, ela não conseguia evitar.
Ela não estava sendo muito boa em disfarçar que havia algo de errado, porque Louise tinha reparado nela desde o momento em que chegou na mesa. Mas, Louise optou por não perguntar nada e deixar que as coisas seguissem seu próprio ritmo, como a garota por conta própria contando o que se passava.
Mas isso não aconteceu.
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— Você acha mesmo que eu dou a porra da mínima para o que você quer?!
Harriet levou um susto quando ouviu a porta de entrada da casa ser aberta com força e a voz alta de uma Louise furiosa. Isso fez ela rapidamente largar o que estava fazendo para ir até seu encontro, vendo que ela segurava o celular contra a orelha, o cenho franzido de modo característico que mostrava sua irritação
Harriet se aproximou hesitante e Louise olhou na sua direção quando notou a sua presença, mas não falou nada. A garota se aproximou mais um pouquinho, mesmo que Louise não tenha falado consigo, e como de costume a ajudou a tirar o casaco e pegou sua bolsa, colocando o casaco caro cuidadosamente no cabideiro e a bolsa deixou sobre a mesinha de vidro.
— Porra, você está sendo tão ridículo agora. — Louise falou no celular, sentando no sofá, os dedos apertando o canto dos olhos em estresse. — Já falei para você minha opinião sobre isso.
Harriet ficou parada no canto da sala, sem saber ao certo o que deveria fazer. Sabia que se interrompesse Louise em um momento daquele, a impaciência da mulher poderia acabar se voltando para si, por isso permaneceu quietinha mesmo que estivesse de um pé para o outro querendo fazer algo.
Acabou que Louise gritou alguns palavrões que fizeram Harriet apertar os olhos antes de encerrar a chamada, chamando a tal pessoa de outras coisas feias, enquanto desligava o celular e o jogava longe.
Só depois disso que Harriet voltou a ficar parada de frente para ela, ainda sem dizer nada. A garota estava com as mãos juntas em frente ao corpo, usando especificamente o uniforme curtinho que Louise gostava de vê-la usando, só esperando que ela lhe desse alguma ordem do que deveria fazer.
— Harriet, vá buscar para mim uma taça daquele vinho tinto Louis Jadot Bourgogne agora mesmo, por favor. — Ela disse sem olhá-la, ocupada em tirar a regata branca. — E a taça precisa estar bem cheia, entende?
— Sim, agora mesmo. — Harriet falou e imediatamente saiu da sala para ir até a cozinha, abrindo a porta de uma parte do armário que era um tipo de adega, puxando dali a garrafa de vinho que Louise queria.
Do modo que Louise tinha mandado, Harriet encheu toda a taça e aproveitou para levar junto a garrafa de vinho, voltando para a sala de estar onde a mulher ainda estava a esperando. Mas acontece que naquela noite, o universo parecia estar disposto a pregar uma peça com a mais nova, pois quando pisou na sala e ia entregar a taça para a chefe, acabou tropeçando e caiu de joelhos no chão, derramando o líquido bordô no tapete caríssimo e tão branco, quebrando a taça e por pouco não quebrando a garrafa também.
Por muitos segundos Harriet ficou paralisada olhando para o que tinha feito, nem mesmo tendo coragem de levantar a cabeça e encarar a expressão furiosa que Louise devia ter no rosto.
— Eu simplesmente não posso acreditar, Harriet. — Ela ouviu a voz irritada de Louise e estremeceu por inteiro, com receio erguendo a cabeça para olhar na direção dela, que estava sentada com as pernas cruzadas elegantemente. — Já não basta eu aguentar todos aqueles imbecis o dia inteiro me dando nos nervos e agora você…
— Me desculpe, senhorita! Eu só- não foi a minha intenção!
— Você é mesmo uma garotinha muito burra. — Louise se inclinou e agarrou as bochechas dela, trazendo-a mais para pertinho de seu rosto, se divertindo com os olhinhos dela extremamente arregalados e o rosto totalmente corado. — Você acha que eu preciso de você nesse momento me dando trabalho?
— N-Não, senhorita. — Os olhos de Harriet se encheram de lágrimas. — Eu só estava tentando agradar você-
— Acha que eu me sinto bem agora? Olha só embaixo de você o tamanho do prejuízo que me causou com essa brincadeira. Acha que pelo menos três salários seus seriam capazes de pagar isso?
— Eu dou um jeito! — Harriet se adiantou em pegar inutilmente o avental do próprio uniforme, começando a esfregar na enorme mancha vermelha do tapete. — E-Eu vou buscar alguns produtos na cozinha. Eu juro- juro que vou tentar resolver isso. Só não fique brava comigo.
— Eu nunca estive tão furiosa com você! — Louise foi pega de surpresa quando Harriet se aproximou mais dela por conta própria, abraçando suas pernas e começando a chorar copiosamente, e ela até ficou um pouco sem reação.
— Me desculpe! Eu juro que vou trabalhar muito e vou compensar o que eu fiz. Por favor.
Louise ficou em silêncio por alguns segundos olhando para o rostinho muito corado dela e já quase totalmente molhado pelas lágrimas. Algo no inferior de Louise formigou e ela mais do que nunca quis acabar com Harriet no melhor dos sentidos, porque a garota nunca esteve tão atraente aos seus olhos quanto estava naquele momento. Por isso ela não pensou muito quando soltou a garota e começou a levantar a saia acima do quadril, os olhos verdes de Harriet presos em seus movimentos tentando entender o que estava acontecendo.
Louise puxou a calcinha preta de renda para o lado e expôs os lábios da buceta já levemente molhados pelo estado que Harriet estava. Se sentiu ainda mais excitada quando Harriet ficou paradinha olhando para aquela região, parecendo não saber ao certo o que fazer.
— Primeiro você vai deitar aí, agora mesmo, nessa bagunça que fez. — Louise falou de modo tão autoritário, que Harriet não sabia ao certo se havia realmente uma escolha de não fazê-lo, e então obedeceu um tanto desajeitada. — Mas eu quero que abra as pernas, deixe-as abertas pra mim… isso, assim mesmo.
Harriet ainda não estava entendendo bem o porquê daquilo, só sabia que estava muito exposta de modo que nunca se sentiu antes. Mas bastou Louise, ainda com os salto agulha muito altos, começar a pisar bem sobre sua grutinha, para ela entender a razão e a cabeça pender para trás pela sensação.
— Diga que sente muito. — Louise mandou, pisando cada vez mais forte sobre sua xoxota coberta pela calcinha, Harriet gemendo desesperadinha. — Vamos, putinha burra! Peça desculpas pela bobagem que fez. — Louise voltou a ordenar.
— E-Eu… — Harriet estava genuinamente tentando, mas ficava um pouco difícil de pensar em qualquer coisa com a intensidade daquela sensação na bucetinha virgem.
— Você é uma putinha imunda que acha isso bom? Que gosta de estar sendo castigada assim? — Harriet choramingou berrando que não. — Então diga que sente muito. Que foi uma garotinha estúpida.
— Senhorita! — Harriet chorou. — P-Por favor. Desculpe.
Aquela partezinha no inferior de Louise conseguiu ferver ainda mais após o pedido de desculpas desesperado, tocando a própria xotinha para sentir o quanto estava molhada.
Por isso que ela não demorou a puxar Harriet, fazendo-a se ajoelhar no chão entre suas pernas abertas.
— O que- O que está fazendo? — Harriet perguntou confusa quando Louise agarrou os cabelos da parte de trás da sua cabeça, começando a puxar em direção a sua virilha.
— Não quer me deixar feliz? Não quer compensar o estrago que fez, finalmente me deixando feliz? Então é melhor começar a trabalhar. — Louise abriu ainda mais as pernas e viu Harriet limpar o rostinho com as costas das mãos, antes de ir em frente com o que ela precisava que fizesse.
Foi um pouco difícil para a garota não lembrar da noite naquele restaurante, Rosalie ofegante pedindo para chupar Louise e dizendo que já fazia muito tempo.
Harriet nunca se imaginou fazendo aquilo, então ela não tinha certeza de como deveria começar ou como deveria fazer. Ela somente encostou os lábios sobre a bucetinha exposta de Louise, piscando os olhos em alerta quando ela acertou tapinhas em sua bochecha.
— Abra a boca. Coloque a língua para fora e comece a lamber, ou isso não vai funcionar, boneca. — Louise orientou juntando os cabelos dela com alguns cachos em um rabo de cavalo, a assistindo obedecer suas orientações quase imediatamente.
Harriet colocou a linguinha para fora, começando a lamber gostoso os lábios da buceta de grelinho esfoladinho de Louise, não demorando muito para sentir o gosto dela em sua língua do tanto que essa já estava molhada pela situação.
Os olhos de Louise se reviraram em prazer, sentindo aquela língua ansiosa se esfregar de modo desesperado de tão inexperiente por toda parte em sua bucetinha, dando longas lambidas molhadas fazendo uma bagunça de saliva. A melhor parte daquela situação eram os gemidinhos que Harriet deixava escapar naquele processo, os grandes olhos verdinhos olhando na direção de seu rosto em busca de aprovação.
— Assim mesmo, Haz. — Louise sussurrou excitada olhando na sua direção, usando a outra mão para separar bem os lábios da buceta e, ainda segurando sua cabeça, guiou onde ela devia dar mais atenção. — Agora você vai chupar, bem aqui… — Louise empurrou a cabeça dela por um instante, apontando com o indicador o seu clitoris para lhe mostrar onde, aproveitando para esfregar ali um pouco.
— Chupar? — Harriet parecia um pouco incerta, atenta na maneira que Louise tinha começado a siriricar o grelinho molhado.
— Shh… — Harriet foi puxada novamente e o rosto enfiado em sua buceta, que Louise por conta própria começou a esfregar contra sua boca. — A língua para fora, seja boazinha para mim. — Louise mandou ofegante.
Harriet fechou os olhos com força e balançou a cabeça em afirmação ao que obedecia ela, mas isso parecia ter apenas contribuído ainda mais para o que Louise precisava que ela fizesse. Por isso que Harriet continuou movendo a cabeça para cima e para baixo, lambendo toda a sua buceta e a deixando encharcada com sua saliva, só parando por um momento para olhar onde ela antes tinha mandado chupar e finalmente fazê-lo.
No momento que Harriet começou a chupar ali gostoso, fazendo barulhinhos estalados e molhados, a boca de Louise se abriu em um longo gemido rouco. Louise inconscientemente rebolava os quadris contra a boca dela, agarrando seus cabelos com medo que parasse de lhe chupar quando estivesse quase lá e Harriet de fato queria, sentia que precisava de uma pequena pausa para respirar após o que pareceram minutos naquilo.
Com a bucetinha pulsando tanto de tesão, Louise finalmente a soltou e permitiu que se afastasse, observando ela ofegante limpar os lábios brilhantes pela saliva e seu melzinho com as costas da mão. Louise ficou de pé ainda com seus saltos altos e olhou Harriet ainda de joelhos no chão com o rosto extremamente corado olhando com os olhos brilhantes na sua direção.
— Você está melhor? — Harriet perguntou ofegante e incerta, Louise não resistindo e sorrindo acertando tapinhas em sua bochecha. — Te deixei mais feliz? — Ela perguntou em um sussurro.
— Sim. Mas você sabe que isso ainda não é o suficiente, certo? Ainda tem tanto que você precisa fazer por mim. — Louise começou a falar baixinho, esfregando os dedos na própria buceta, vendo os olhos dela acompanharem seus movimentos com atenção. — Tanto que você precisa fazer pra mostrar que pode ser útil para mim.
— Igual a Rosalie? — Harriet perguntou baixinho de modo genuíno e aquilo pegou Louise de surpresa.
— Do que está falando?
— E-Eu… Eu vi vocês duas naquela noite, quando fomos para West Village por causa do restaurante. — Harriet contou, enquanto era incentivada por Louise a ir para o sofá e deitar ali. — Não foi a minha intenção espiar. Você estava demorando, eu fui atrás e… eu acabei vendo o que vi.
— E o que você viu? — Louise perguntou com genuíno interesse, tirando a saia preta que usava lentamente, ficando apenas com a calcinha e o sutiã. Harriet deitada no sofá, engoliu em seco quando Louise subiu e se posicionou com ambos os joelhos em cada lado de sua cabeça com a intenção de montar em seu rostinho.
— V-Vocês… vocês estavam se beijando. — Ela respondeu nervosa diante das circunstâncias que se encontrava, enquanto Louise apenas conseguia rir divertida de sua timidez, rebolando sobre seu rosto sem realmente se abaixar ali.
— Então você nem viu as melhores partes. — Antes que Harriet pudesse falar ou questionar qualquer coisa, Louise se abaixou e finalmente posicionou a bucetinha sobre sua boquinha rosada. — Eu adoro montar o rosto de garotas boazinhas. Você deveria se sentir feliz que, mesmo tendo feito o que fez, ainda esteja ganhando isso. Rosalie mataria para conseguir isso… — Louise provocou rebolando para frente e para trás em sua boca, satisfeita que Harriet naquele ponto já tenha colocado a língua para fora novamente.
Louise tinha os olhos fechados, rebolando naquela boca como se fosse seu paraíso particular. A melhor parte era sem dúvidas que Harriet se mantinha obediente e sempre tão boazinha, não fazendo perguntas ou se opondo ao que era simplesmente usada para satisfazer.
— Você gosta disso, não gosta? — Louise perguntou em uma risadinha, observando que ela também se movia inquieta e gemia contra sua xoxota. — Eu aposto que você deve estar tão molhada pra mim. Eu tenho fantasiado tanto sobre me esfregar em você, boneca. Sobre te usar feito um brinquedinho particular, igual estou fazendo agora.
— Humf! — Harriet gemeu agoniada contra sua buceta, conseguindo virar o rosto em busca de ar e uma pequena pausa. — Senhorita… — Ela estava agoniada, os dedos esfregando a buceta sobre o tecido da calcinha branca de algodão, que já continha uma mancha molhada bem sobre a grutinha.
— Deixe-me ver você. — Louise levantou e ficou de pé logo ao lado do sofá, observando o corpinho dela ofegante deitado ali. A mão deslizou ao longo de sua barriguinha até sua virilha e coxas, a fazendo abrir mais as pernas para ver melhor aquela mancha molhada em sua calcinha. — Tão molhadinha, boneca. Alguma vez já esteve tão molhada assim antes?
— Acho que não. — Harriet respondeu tímida em um tom tão baixo, que Louise mal foi capaz de ouvir.
— Isso é tão adorável… você é tão perfeita. — Louise sussurrou, os dedos esfregando sua grutinha ainda sobre o tecido da calcinha. Ela viu o momento que Harriet soluçou e os olhos se encheram de lágrimas, movimentando os quadris. — O que foi, huh?
— Tá doendo. — Harriet explicou em meio ao choro. Mesmo que em dúvidas e curiosa do porquê, ela não protestou quando Louise puxou a calcinha por suas pernas para tirá-la e expor melhor sua buceta.
Pela primeira vez Louise viu a buceta gordinha e tão apetitosa com alguns pelinhos, o grelinho avermelhado de tão negligenciado e implorando para ser colocado na boca. Os lábios da buceta já estavam praticamente encharcados de tanto tesão, Louise tocando ali com a ponta dos dedos só para afastar e ver uma linha de melzinho que ficava ligada dos dígitos até a bucetinha toda babada.
Harriet fechou os olhos com força e faltou ver estrelas por estar sendo tocada pela primeira vez lá embaixo por uma outra pessoa. E essa outra pessoa ainda se tratava de Louise, que movia os dedos com tamanha agilidade em seu grelinho e na intensidade certa.
— Ainda dói? — Louise perguntou baixinho, rindo quando ela gemeu alto balançando a cabeça em negação, se empurrando mais contra sua mão. — E se eu os colocar dentro, boneca? Já se fodeu com seus dedinhos antes?
— N-Não. — Harriet respondeu em um choramingo, se apoiando nos antebraços para assistir o que ela fazia ali em baixo. — Nunca, nunca mesmo.
— Você vai gostar. — Louise disse em um sussurro, testando pressionar pelo menos a pontinha do dedo indicador, começando a desliza-lo para dentro de pouquinho em pouquinho. A xoxota piscava alarmada envolta do seu dedo, Harriet não tendo como sentir maiores incômodos de tão molhada que estava e de tamanha facilidade que o dedo entrou em si. — Vai gostar tanto, que vai implorar pra sempre ter a bucetinha fodida assim.
— Hum, por favor. — Harriet choramingou, sentindo uma pequena ardência quando ela deslizou o segundo dedo para dentro, se inclinando na direção de sua xotinha só para cuspir ali.
Não teve avisos da parte de Louise quando ela simplesmente começou a curvar os dedos enfiados até o fundo com força, esses estimulando constantemente o ponto G da garota, que revirava os olhos e erguia os quadris acima do sofá em puro êxtase. Ela perdeu totalmente o ar quando os lábios foram tomados em um beijo por Louise, que deslizou a língua contra a sua, continuando a curvar os dedos tão gostoso e com tamanha agilidade.
Uma sensação começou a se instalar na boca do estômago da garota mais nova e ela não tinha muita certeza do que deveria fazer. As mãos trêmulas seguravam docemente o rosto de Louise e ela gemia sem parar na boca da outra, conseguindo falar com um pouco de dificuldade “por favor, senhorita Tomlinson! por favor, pare”.
Mas não foi o suficiente, e Louise a levou para tamanho extremo de prazer, que metendo os dedos para dentro e para fora sem parar de modo algum, Harriet ficou sem reação quando começou a esguichar os montes molhando a mão dela e parte do sofá muito caro.
E mesmo com o tamanho da bagunça que estava fazendo, Louise não ousou parar nem por um segundo, até a garota precisamente berrar e agarrar seu pulso com tamanha força que a obrigava a interromper aquilo.
— Tão bonita… muito bem, princesa. — Louise disse com um sorriso, levando os dedos molhados até a boca dela para que chupasse de um por um. Harriet não se opôs, mesmo com o gosto diferente de tudo que ela já tinha experimentado antes.
Harriet, que tinha os olhos fechados até aquele momento, os abriu quando os dedos saíram da sua boca e não sentiu mais Louise perto de si. E no momento que voltou a olhar para ela, viu que essa tirava de uma vez por todas a calcinha e o sutiã, deixando as peças jogadas no chão junto às outras.
À todo instante Harriet ficou paradinha esperando pelo próximo passo, sentando no sofá quando Louise começou a se desfazer dos botões de seu uniforme minúsculo, a ajudando a tirar pelos braços e em seguida pela cabeça.
— Agora você vai me fazer gozar. — Louise disse subindo no sofá, subindo sobre uma das pernas de Harriet para encaixar suas bucetas juntas, segurando a outra para se apoiar.
— Tá bom. — Harriet respondeu bobinha, sem saber ao certo o que responder e muito menos o que fariam. Mas bastou Louise rebolar contra sua buceta, moendo as duas xoxotinhas molhadas e juntas uma na outra, chegando a fazer um barulhinho, ela não demorou a entender e gemeu dengosa junto a mais velha. — M-Meu Deus.
— Você gostou? — Louise perguntou com um sorriso sacana, continuando a se movimentar com lentidão sobre ela, agarrando uma das coxas dela junto a si para ter apoio. — Hum… tão molhada, meu bem. Você sente? — Louise gemeu excitada, os olhos fechados e só se prestando a continuar rebolando contra ela.
— Sim! — Harriet balançou a cabeça em afirmação muitas vezes, os peitos gostosos balançando de acordo que Louise moía suas bucetas juntas. — É tão bom… por favor.
Aquela era a primeira vez de Harriet, então tudo estava sendo tão incrível e gostoso de se sentir, que ela não sabia ao certo como lidar bem com aquilo. Louise se esfregava com tamanha intensidade contra ela, uma das mãos alcançando seu peito para apertá-lo e não fazendo nenhuma pausa nas reboladas necessitadas, que ela estava se sentindo muito perto de explodir.
A cabeça de Harriet estava pendendo no sofá, os cabelos longos balançando e sua boquinha aberta em gemidos baixinhos, que escapavam junto a ofegos. O peito dela subia e descia rapidamente com a respiração desritmada, as mãozinhas ansiosas tateavam deslizando e apertando as coxas de Louise, em uma tentativa de descontar pelo menos um pouquinho do prazer que estava sentindo.
A bucetinha de Harriet começava a formigar e pulsar cada vez mais, Louise se encontrando do mesmo modo que ela, subindo e descendo sem parar chocando suas xotinhas uma contra a outra com os peitos balançando de acordo com seus movimentos. Em determinado momento, Harriet até ficou um pouco fora de órbita observando como ela se movimentava em cima de si, como acabava beliscando os próprios mamilos e olhava na sua direção com um sorrisinho safado.
Harriet não resistiu e esticou os braços em direção a ela, apertando seus peitos igual ela tinha feito consigo momentos antes, imaginando que tinha feito um bom trabalho quando ela fechou os olhos e sorriu com a cabeça pendendo para trás, a mão segurando seu pulso indicando que deveria continuar.
— Droga… eu vou gozar. — Louise choramingou excitada, se inclinando na direção da garota para voltar a juntar seus lábios em um beijo molhado e desajeitado, não parando em momento algum de esfregar necessitada suas bucetinhas juntas.
Ficava um pouco difícil para Louise não se divertir com o modo que Harriet era claramente tão sensível a qualquer toque, por mais bobo e insignificante que esse seja. Louise deslizava suas línguas molhadas juntas em uma bagunça de saliva e a garota imediatamente ficava ainda mais necessitada e por conta própria começava a se empurrar contra ela, querendo aumentar a fricção molhada.
Já tinha chegado em um ponto que ambas sentiam o quanto estavam em uma bagunça molhada, o melzinho das duas se acumulando juntos por suas coxas tornando tudo escorregadio e tão excitante. Louise sabia que estava a um triz de gozar e por isso não parou de se mover de modo algum, por mais que já se sentisse um pouco cansada e as pernas um pouco doloridas.
Ela se recusava a parar justo naquele momento, quando via que Harriet parecia tão perto quanto ela, os dedinhos apertando sua bunda e coxas perdida em tesão.
Louise percebeu que Harriet estava gozando quando gemidos começaram a escapar se parar de sua boquinha, os olhos verdinhos arregalados olhando na sua direção de modo pedinte e desesperado. E foi isso que deu para ela impulso o suficiente para ser mais rápida em seus movimentos urgentes, também gemendo alto quando a bucetinha esquentou e formigou se liberando em um orgasmo intenso que a fez estremecer por inteiro, fincando as unhas curtas na pele macia da coxa de Styles.
Após o orgasmo intenso, Louise apoiou os antebraços nas costas do sofá estofado e respirou fundo tentando controlar a respiração, parando de se movimentar aos pouquinhos conforme ficava cada vez mais sensível. Ela deu uma olhada na direção de Harriet e sorriu satisfeita em vê-la tão destruída quanto, alguns fios de cabelo grudados em sua testa parcialmente suada, os lábios mais rosa que nunca estiveram após tanto serem beijados e mordidos.
— Tudo bem, boneca? — Louise perguntou docemente, deslizando os dedos sobre seus lábios entreabertos, assistindo ela meio fora de órbita balançando a cabeça em afirmação.
— Sim. — Ela respondeu rouca, Louise arrumando a postura e se posicionando entre as longas pernas macias, se apoiando na lateral de sua cabeça para não ficar todo o peso de seu corpo sobre o dela. — V-Você tá melhor? — Harriet perguntou tímida com tamanha proximidade de seus rostos e corpos nus juntos, seus seios colados juntos.
— Estou ótima. — Louise sussurrou, dificultando um pouco as coisas para ela quando deslizava os lábios por seu pescoço alvo, chegando a esfregar a língua quente e molhada sobre a pele sensível para provocá-la. — Você foi tão boa para mim.
— Obrigada. — Harriet sorriu com as bochechas coradas em timidez, mordendo o lábio inferior quando os peitinhos começaram a ser estimulados pela língua quente de Louise, lambendo seus biquinhos arrebitados e grossinhos antes de começar a mamar neles com dedicação. — E-Eu gostei também…
— É mesmo? — Louise perguntou em meio lambidas que deixava nos biquinhos sensíveis.
Ela não conseguia entender bem porquê, mas era tão gostoso quando Louise fazia aquilo. Nunca imaginou que existia a possibilidade de ter os peitinhos chupados daquele jeito e conseguir se sentir tão deliciosamente bem, uma sensação prazerosa a consumindo só por causa disso e ela genuinamente desejava ter a chance de poder sentir aquilo mais vezes.
E de preferência que aquilo fosse de novo com Louise, que conseguia fazer aquilo tão deliciosamente bem.
Harriet engoliu em seco e estremeceu sensível quando sentiu Louise deslizar um pouquinho os dígitos sobre seu grelinho ainda molhado, os olhos piscando atentos quando ela esfregou os dedos melados com seu melzinho sobre os pŕoprios mamilos rosados e então se inclinou bem sobre seu rosto, guiando os peitinhos para sua boquinha.
— Quer tentar? — Louise sussurrou, esfregando o mamilo contra seus lábios rosinha, suspirando satisfeita quando foi a vez de Harriet lamber ali preguiçosamente sentindo o próprio gosto antes de começar a mamar nele devagarzinho.
E no momento que Harriet começou com a sucção lenta, tentou imitar o mesmo jeito que Louise tinha feito antes nos seus, porque também queria que a mulher gostasse tanto quanto ela tinha gostado. Não era mais segredo para absolutamente ninguém as coisas que Harriet seria capaz de fazer para agradar Louise e deixar ela orgulhosa de si.
Porque antes de tudo, elas só tinham chegado naquele ponto por causa dessa necessidade gritante da garota em satisfazer Louise de todas as formas. Seja obedientemente a ajudando com as roupas ou preparando um simples banho até em tocar e beijar seu corpo até que se sentisse satisfeita.
Harriet amava ser a garota perfeita que era útil, simples assim.
Louise sorria e fechava os olhos com a sensação da boquinha dela envolta de seu mamilo, a pontinha dos dentes encostando na região sensível em meio a sucção, mas de um jeito muito bom. Seus dedos acariciavam os cabelos cor chocolate a incentivando a continuar, só a interrompendo quando se afastou um pouco apenas para colocar o outro em sua boca e assim pudesse os estimular por igual.
— Muito bem, Harriet. — Louise disse com um sorriso, sendo interrompida e não contendo uma risadinha quando a garota a puxou novamente para juntar seus lábios, porque talvez tenha descoberto que adorava a parte dos beijos tanto quanto.
Por mais boba e desajeitada que ela fosse nesses beijos, adorava a parte que Louise sempre tomava um pouco mais a rédea das coisas e ditava o ritmo ou como suas línguas deveriam se mover juntas.
Harriet meio que se sentia nas nuvens e as borboletas em seu estômago davam mil e uma cambalhotas.
Depois daquilo as duas ficaram deitadas por um tempinho espremidas juntas no sofá até que reuniram coragem o suficiente pra levantar. Harriet, um pouco sem jeito, começou a juntas as roupas dela no chão e, antes que pensasse em vesti-las, ouviu Louise dizer que deveria ir junto com ela para tomarem um banho.
Foi só quando já estava de banho tomado e usando um roupão branco muito grande para seu corpo e tão macio na pele, que Harriet se deu conta no horário e que àquela altura já deveria estar chegando em casa.
Os pensamentos em sua cabeça estavam um pouco bagunçados e ela ainda estava tentando digerir o que tinha acabado de acontecer entre ela e Louise. Por isso ela estava um pouco desesperada, sabendo que não estava em boas condições para inventar desculpas boas o suficiente sobre o porquê de seu atraso e comportamento estranho – porque ela sabia que nunca mais seria a mesma depois daquilo e isso no melhor dos sentidos.
Louise saiu do banheiro enrolada em uma toalha com os cabelos longos presos em um coque, reparando no mesmo instante as feições preocupadas e pensativas de Harriet, sentada na beirada da cama olhando para os próprios pés descalços.
— Harriet? — Louise chamou deixando a toalha de lado, puxando uma calcinha confortável da gaveta e em seguida um vestido de babydoll preto de cetim e rendado que costumava usar para dormir. — Ei, qual o problema? — Perguntou quando não teve resposta, soltando os cabelos para se aproximar dela.
— Nada. — Harriet respondeu depois de observá-la em silêncio se vestir. Mas claro que sua resposta não tinha sido o suficiente, pois a mulher se aproximou mais e ficou de frente para si, apertando gentilmente suas bochechas fazendo um biquinho em seus lábios. — Juro que não é.
— Como se eu fosse acreditar facilmente nisso. — Louise revirou os olhos azuis com humor, tocando seu lábio inferior com o polegar em um carinho. — Fala pra mim. Ou vou ficar preocupada achando que o problema fui eu e o que aconteceu.
— Não foi! — Harriet se adiantou em falar, os olhos verdes de boneca se arregalando daquele jeitinho preocupado já conhecido pela mais velha. — É que eu acho que minha tia vai ficar muito brava se eu não voltar pra casa agora mesmo. Ela pode ficar com tanta raiva, que talvez nem deixe eu voltar mais aqui como castigo.
Isso fez o cenho de Louise se franzir em genuína irritação, mas de modo algum porque Harriet se preocupava tanto com a opinião da tia, mas sim porque estava começando a aceitar cada vez mais o quanto aquela mulher conseguia ser um atraso de vida para a doce garota na sua frente.
— Não se preocupe com isso. — Louise falou calmamente. — Se quiser, eu posso ligar pra ela e inventar alguma coisa, caso queria mesmo ficar aqui essa noite. — Louise ainda tocava nas suas bochechas gentilmente, passando os dedos pelos fios molhados de seu cabelo. — Ou eu posso ligar e inventar uma história de que você se atrasou a pedido meu e que eu mesma vou te levar pra casa.
— Hum. — Harriet cantarolou pensativa, aproveitando aqueles toques gentis em sua cabeça. Ela adorava quando Louise demonstrava tanto afeto e carinho por si. — Eu quero ficar com você hoje. — Ela disse um pouco tímida, ainda mais quando Louise sorriu e olhou para ela “daquele jeito”.
— Então vamos resolver isso, hum? — Louise deixou um selinho rápido em seus lábios. — Vista um dos pijamas que comprei pra você e seque o cabelo, enquanto ligo pra sua tia. — Louise mandou se afastando dela e Harriet, como sempre muito obediente, ficou de pé em um pulo para fazer o que ela tinha mandado. — Depois vamos descer e vou fazer algo pra gente comer. — Ela dizia com o celular em mãos, provavelmente buscando o contato da tia de Harriet.
— Você vai? — Harriet perguntou interessada e um pouco surpresa, já sem o roupão buscando pelos pijamas novos.
— Sim, hoje é por minha conta. — Louise respondeu, dando uma boa olhada nela se movimentando nua pelo quarto, não deixando de pensar que Harriet era sem dúvidas um belo achado.
E belos achados assim você não podia deixar escapar por entre os dedos. Ela iria se certificar de cuidar bem do seu novo bichinho de estimação.
Sua nova garota especial.









