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Niterói, SP
Quero cozinhar cada centímetro de vocês na minha prosa rítmica, cíclica e melindrosa.
Fico pensando, mentalizando alguns momentos que tive circa 2013, 2014 mais tardar até mesmo 2016, em que Niterói não estava nos meus planos. Já assimilada aos modos paulistanos, um beijo só, meu, sinuca na gruta, karaoke na bento freitas, udon na liberdade, aulas de inglês para executivos na cincinato braga. Domingo era panquecas no Bar do Adoniran, de vez em nunca um samba ali na treze, chorinho no Bar da Cidade ou Xangô pros mais antigos. Gostava daquele litrão 8 reais da Brahma, ali naquelas esquinas onde escolhi ser feliz muito bêbada. Cesário Mota com Maria Antonia, o acarajé que prometi a mim mesma que provaria um dia, mas que nunca comi. O kibe recheado de queijo que descobri naquelas últimas noites desesperadas e solteiras e felizes e imprestáveis. Quando não nos respeitávamos mais, nem eu a ti SP e nem você a mim e eu ainda não havia aprendido que eu não era obrigada.
Quantos pequenos momentos de receber o estranhamento dos outros ao meu sotaque que não conseguia me desfazer, uma tatuagem que não me permitia cobrir. Eu era dali mas não era dali, tampouco era de onde havia passado uns bons anos. Esse corpo tantas vezes já desterritorializado agora repatriado num semi-estado purgatório, Niterói como aquela capital ainda agrária, onde chegava o trem.
Onde está você cidade? Nos espaços onde não estou, mas de vez em quando é pra lá que meu cérebro me leva. Não estou te esperando na Puerta del Sol, nem comprando cigarro na Nova Major, nem atravessando por baixo do Minhocão sozinha meia noite com o cu na mão mas uma vontade imensa de uma Heineken 600 e os papos.
Quando um dia meados de 2015 atravessei você Amaral Gurgel e um carro quase me pega e eu berro “tá maluco?”. E me espantei com meu sotaque, estranhei minha fala e ri de meus regionalismos com meus amigos paulistas.
É por que isso me sinto imersa na poesia aqui em Niterói. Como se estivesse numa espécie de outra Bahia, na poesia de um suingue reggaeiro levemente afro na fala de seus caiçaras que vão descalços assim mesmo pra praia.
Minhoquinhas da terra com diplomas e sem vergonha de serem gostosos.
Alma
[Mahler's 9th in the background] Hi My name is Alma I was married to Mahler for a while Until he died And I didn't miss him He was a genius But so am I I will curve down to no man I stopped composing because no creative vein could be seen in me while I was with him His intensity And my intensity Was art in the real sense Life is better than art Life is superior to his symphonies Even though they tear my heart They just put me in contact with the emotions my rational self has been taught to muffle down To process the emotions To feel them and betray them by laying them down on cold canvas Cold ink on cold paper Cold paint on cold murals They don't have a heartbeat They are cadavers embalmed My heart is a heavy bastard With no father But with a demanding mother She demands her daughter be queen And will cut off the heads of the phalluses that dare not penetrate the shells of her valves My heart is a crying baby My heart is a dying lady Teach me how to feel Wisdom of love
e ai, galera como estão os planos pra 2017? nesse luto pós-golpe/impeachment whatever the dream is over nostalgia era FHC/LULA fracasso da esquerda no poder aquele vazio que aos poucos vai fazendo um ano, dois... entering deep temerism apontando a cabecinho do trump um sabor de mr8 velho tropicalismo tucano maré rosa baphywave miami está afundando as torres de edir macedo tudo vem sendo tão 1997 no fundo mulher de fases charlie brown jr number one no spotify globeleza de roupa nutella proibida na itália coca zero dez anos
This city
November 14th I was safe but I was there The day after In the airport the queues were long people were crying Riding through the highway the Stadium that’s where this is probably the safest place to be on earth right now it all boils down to those damn frat kids
such fine cheese at the little palace how delightful to meet you too
in my room a phone on the bed written Tide Jewel I wondered if it was some sort of white rabbit I hadn’t yet followed
I read the leaflets took my time to take a rest there I was Paris was right outside and all I wanted was
Synth Gender Rio de Janeiro
Synth Gender is a workshop created by Érica Alves, a singer and electronic music producer from Brazil, It was created in 2015 as part of the Women in Music movement, female:pressure and the likes, a wave of feminism in electronic music worldwide following Bjork’s famous Pitchfork interview http://pitchfork.com/features/interview/9582-the-invisible-woman-a-conversation-with-bjork/, in which she states that her production work has constantly been overshadowed by the contributions of her male collaborators.
As a response to this, many women’s networks and collectives began taking a more offensive approach and started visibility campaigns, such as this tumblr by female:pressure: http://femalepressure.tumblr.com/ and this one by Voodoohop: https://minasnamusica.hotglue.me/
In order to keep a constant of empowerment for women in the area, this workshop aims at becoming an institution that survives eventual waves of feminism, serving as a reference to women in the area even when this is not a “hot topic” anymore.
Synth Gender São Carlos
A video posted by Érica Alves (@ericaalvesmusic) on Sep 15, 2016 at 12:12pm PDT
Pic by Dan Wilton
I’ve just got back from the Red Bull Music Academy.
This has by far been the most intense collective experience I’ve had since Space Camp 1997.
Two weeks of complete bliss in musical studios with 33 other amazing colleagues from all over the world. The team was also fantastic. I’ve never felt so in something.
The feeling I get from this is that, shit, I’ve made it, I’ve achieved something most musicians by age don’t get to have. I’ve been put in a spotlight that goddamn I need to make the most of!
Of course now I’m friggin depressed it is over, but now I know, this is the just the beginning! Everything I’ve been through, all gigs I’ve played, it was just TRAINING. Now it’s the real thing.
Thank you everyone!!!!!
Nude in my room In Montréal I have no more layers I am pure
E digo mais: A fuga da cidade pro campo é uma forma de iludir o pequeno-proletariado instruído pelas escolas e universidades públicas (cuja vulnerabilidade os reabilita a voltar à condição de escravo, sem a perspectiva do trabalho assalariado) a se submeter à nostalgia escravocrata da pequeno-burguesia urbana. Tudo se encaixa lindamente numa roupagem romântica, o mito em torno da busca da tal vida "tranquila", com direito a religião nova era, afeto livre e alimentação orgânica e vegana, e os afastando das lutas sociais, por acharem estar já "fazendo sua parte". No campo, os advogados, publicitários, proprietários e etc voltam à casa grande, e os professores, faxineiros, estudantes, operários precarizados voltam à senzala. Não podemos esquecer: as estruturas agrárias são as mais retrógradas em termos de garantia de direitos humanos. O isolamento do campo por meio das barreiras da propriedade privada dificulta o acesso dos trabalhadores do campo aos serviços das cidades. Em caso de emergência, quem garante que alguém irá os levar ao hospital? Sem um campo submetido às nossas cidades, sem fiscalização popular com poder de polícia em forma de um Estado radicalmente democrático, a barbárie permanece, o trabalho escravo continua e se acirra à medida que o campo vai sendo re-engolido pelo neocolonialismo e o agronegócio. Cuidado, muito cuidado. O que a gente precisa do campo?
Dekmantel Festival São Paulo
Érica Alves e Natália Brückner
Ontem (27-09-16) a produtora musical Érica Alves e a DJ Natália Brückner fizeram na página do evento do Dekmantel Festival, que acontecerá no da 04 de fevereiro do ano que vem em São Paulo, as postagens abaixo:
Érica postou:
https://www.facebook.com/events/1178041695599071/permalink/1178370818899492/
“quem vê esse line up acha que não tem mulher brasileira fazendo som à altura do conceito desse festival mara. com tantas aí fazendo muito bonito aqui em casa, tão bem quanto nossos talentos masculinos baphos que estão aí inclusos, cadê quem nos represente? faltou pesquisa, curadoria.#mulheresnamúsica”
Natália postou:
https://www.facebook.com/events/1178041695599071/permalink/1178373418899232/?__mref=message_bubble
“Sempre acompanho esse festival e acho incrível. Boa parte da minha pesquisa musical vem das atrações de vocês. Mas cadê as mulheres nacionais no line up? Temos tantas! Sempre acompanho esse festival e acho incrível. Boa parte da minha pesquisa musical vem das atrações de vocês. Mas cadê as mulheres nacionais no line up? Temos tantas!”.
Como deixamos claro na postagem, admiramos muito o trabalho Dekmantel, assim como o da GopTun, mas abrimos essa discussão porque muitas de nós, mulheres inseridas na cena da música eletrônica, vemos que há uma necessidade urgente de olhar para o espaço que nos é oferecido, e o espaço que realmente merecemos e lutamos para ocupar. Existe o fator histórico de que a cena da música eletrônica veio do seio das minorias, sendo os clubs os guetos onde essas minorias puderam circular livremente sem sofrer as discriminações rotineiras. Dado isso, consideramos que a luta das mulheres por um espaço nos line-ups é legítima e genuína.
Apesar dos 960 likes na postagem de Érica e de mais de 220 likes na de Natália, além de muitos comentários e mensagens inbox de apoio para ambas, houveram algumas críticas embebidas em ódio e agressividade gratuitas, culminando para o ataque pessoal a quem apoiava o discurso das postagens. Uma postura vergonhosa vinda de gente que faz parte da nossa cena. Porém no balanço geral a maioria se mostra a favor da abertura da comporta da discussão nessa instância de um festival comercial com apelo “underground”. De que forma nós do underground local entendemos essa vinda de um festival estrangeiro e os critérios de curadoria dos artistas locais?
O principal argumento contra a luta feminina por mais espaço nos line-ups é o de que queremos esse espaço apenas por sermos mulheres, como que num gesto de cavalheirismo. Esse argumento, além de ser equivocado, está utilizando esse discurso para mascarar algo bem pior: o conhecimento de somos tão capazes e que investimos tanto quanto todo mundo pra tocar, junto com a não aceitação de mulheres em posições de prestígio, por razões puramente sexistas.
Temos representantes brasileiras de um talento e engajamento absolutos com a música, e sentimos falta delas no line-up desse maravilhoso festival que a Dekmantel e a Gop Tun irão trazer, podendo aproveitar a edição brasileira para servir de gancho para mostrar o que essas mulheres sabem fazer de melhor, que é tocar e produzir música. Está mais do que na hora de nos atentarmos para necessidade dessa evolução humana que hoje em dia já se luta para não deixar passar em branco.
Porque as mulheres, apesar dos notáveis avanços na mentalidade da sociedade e dada a liberdade de pensamento que se encontra na cena ainda estão bastante podadas quanto ao alcance nos espaços mais prestigiados? O que estamos levantando aqui é o machismo estrutural, aqui explicado por Marília Moscou http://www.sul21.com.br/jornal/machismo-estrutural-oculto-e-terrivel-por-marilia-moschkovich/
O machismo estrutural é um mecanismo econômico e social que impede que mulheres se desenvolvam em sua plenitude como cidadãs. Não é sobre indivíduos machistas
Devido ao enorme peso social de ser mulher no Brasil:
https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-mundo-diretrizes-nacionais-buscam-solucao/
Tantos mulheres cis, quanto trans (cujos assassinatos estão mascarados pelas estatísticas de homofobia, dentre os quais o transfeminicídio figura em estimadamente 70%)
http://www.sindmetalsjc.org.br/imprensa/jornal-o-metalurgico-em-familia/noticias/detalhe/42/brasil+e+campeao+mundial+em++assassinatos+de+homossexuais.htm
http://transfeminismo.com/category/transmisoginia-violencias/
Somos muitas que atuamos na área:
http://femalepressure.net
https://minasnamusica.hotglue.me/
http://femalepressure.tumblr.com/
CLIPPING mulheres na música
Queremos ao menos 50% de representação feminina nos festivais de música em geral, respeitando a proporcionalidade entre convidados e locais e contemplando as devidas representações de sexualidade, raça, regiões e classe. Além de fomento para coletivos artísticos independentes de rua e festivais periódicos como SP na RUA. Está mais do que na hora de nos atentarmos para necessidade dessa evolução humana que hoje em dia já se luta para não deixar passar em branco. Que o underground continue sendo a casa dos guetos, de todos.
Campinas
Esta semana cheguei em Campinas na quarta para participar do Festival do Instituto de Artes da UNICAMP.
Fui super bem recebida na rodoviária pela equipe e bem ciceroneada no dia seguinte para a oficina Synth Gênero. No entanto, tive pouca presença, somente 6 mulheres foram. Senti que a divulgação não foi o que deveria ter sido, e depois fiquei sabendo que mesmo as que foram foi porque o IA obrigou os estudantes a fazerem ao menos duas oficinas para poderem justificar faltas das aulas. Mesmo assim foi legal, com menos alunas cada uma pôde explorar cada instrumento mais intensamente.
Fiz o esquema de uma caixa de som para cada synth porque o rider que enviei para eles ainda era o antigo, e acabou que não comuniquei a troca para o rider mais eficiente com duas caixas. Foi bacana de qualquer jeito.
À noite que foi o bizarro. Cheguei no local da festa onde ia tocar para o festival e me deparei com um cenário deplorável: uma festa em uma república que não tinha uma estrutura espacial bacana. A equipe que me recepcionou lá foi super negligente, não sabiam quem eu era, e meu live ficou super prejudicado por estar em um contexto totalmente amador. Fiquei chateada porque todos os outros dias a estrutura para os artistas foi bem melhor. No dia seguinte por exemplo, fui ver o show das Bahias e a Cozinha Mineira no observatório, com um sistema de som profissa, e destaque. Resolvi que não me envolverei mais com festivais estudantis sem ser convidada e com um mínimo de estrutura garantida.
Como não iria receber um cachê para isso, fiz contato com um coletivo local o Under Room para tocar com eles no sábado. Foi simplesmente lindo, fiquei super emocionada de me conectar com esse grupo que está apenas começando mas que já mostra seriedade e dedicação de fazer a música eletrônica underground acontecer em Campinas. O único outro lugar de referência é o já muito consagrado Club 88, capitaneado pela incrível DJ Eli Iwasa. Fui vê-la tocar lá na quarta, no dia que cheguei.
Mas voltando ao Under Room, conseguiram reativar um espaço que está obscuro na cidade, o DeluxClub Brazil. Me disseram que o local não tem boa fama por ter sediado uma cena bastante violenta há uns dez anos atrás, e desde que houve um tiroteio lá ficou com má fama. No entanto, isso já tem muito anos, e parece que a casa está penando para se manter. Tem o melhor sistema de som de Campinas, e realmente comprovei. Foi um dos melhores gigs que já fiz. Não havia muito público, mas quem estava lá era fiel ao techno, e isso faz toda a diferença. Vida longa ao Under Room!
O pessoal é muito gente fina, muito empolgada, e com muita vontade de fazer a coisa virar. Fiquei emocionada ao saber que foi por causa do meu contato e porque iriam me receber decidiram expandir a festa para esse novo espaço. Fico grata demais de participar tão ativamente no ânimo dessa galera.
Amanhã sigo para São Paulo para tirar meu visto pro Canadá e participar do Boiler keta na quarta.
Até.
São Carlos, Ecovila Tibá
Estou ainda digerindo o que foi essa última semana em São Carlos. Depois do festival, a Zaíra me levou para a Ecovila Tibá http://www.ecovilatiba.org.br/site/index.php
Ela mora lá há uns dois anos e ela não parava de falar de como era lindo, como era perfeito, como era um sonho. Eu já topei conhecer na hora que ela falou, durante a oficina synth genero na quinta, adiei minha passagem de volta para quarta. Durante o festival, ela deu uma oficina sobre Dragon Dreaming, que é uma metodologia de organização bastante interessante e que ela disse que eles implementam na ecovila. http://www.dragondreamingbr.org/portal/
Zaíra é muito especial, uma pessoa de superação, solidariedade, coração aberto, livre!! Na ecovila me senti super em casa, as pessoas foram muito receptivas e confesso que a vontade de ficar era grande. Ainda mais que eu estou andando por aí há dois meses com uma mala com tudo que preciso pra viver. Fizemos jam sessions, dei aula de synths pra criançada, comi só comida vegana orgânica plantada lá, delícia.
Festival Contato
Resolvi ficar em São Carlos. Essa cidadezinha é muito encantadora e seu povo muito receptivo. Logo na oficina expressei minha vontade de ficar para assistir ao festival inteiro, e logo uma fofita da oficina, Zaíra Geribello, me convidou pra ficar com ela em sua casa, pois havia cama, mesa e banho de sobra. Aceitei o convite na hora e desisti de voltar para Ubatuba entre Sanca e Campinas (onde vou tocar no dia 22/09, no FEIA).
O festival tá sendo uma coisa linda, ontem vi Carne Doce de novo, e desta vez gostei. Em Recife acho que eu não estava no clima para apreciar direito, tava com Serge e Stefanie, mais na funça. Fiquei impressionada com uma música deles “Falo”, me ofereci a remixar. Vamos ver se rola!
Hoje o festival acaba, e amanhã vou conhecer uma Ecovila.
“Don’t be afraid to change your ways.”
Synth Gênero Festival Contato
Fui convidada pelo Festival Contato em São Carlos, SP para realizar a oficina e fazer meu live na programação https://www.facebook.com/events/1213287925389939/.
Foi muito interessante fazer a oficina em uma cidade pequena, porque todas as mulheres já se conheciam! Foi incrível a presença de uma pessoa que se declarou como não-binária tb, achei lindo isso!!!
https://www.instagram.com/p/BKY0s3JBWW6