hope it breeds eternal misery || bella x catarina [flashback]
Quinze anos, de fato não era todo dia que uma garota completava aquela idade simbólica. Era o sonho de quase toda menina. Um sonho que Bella nunca poderia realizar, nunca iria dançar valsa com seu pai, nunca ouviria o depoimento de sua mãe, não choraria ouvindo seus amigos falarem, e o pior era que aquilo não aconteceria por falta de dinheiro ou algo parecido, e sim por um único motivo: eles não se importavam, como sempre nem um feliz aniversário tinha recebido, havia criado tantas expectativas e mais uma vez estava frustrada, desolada, tinha sido boba por acreditar na possibilidade de ser amada ou querida pelos pais.
Lisbella não poderia dizer que estava infeliz, mesmo não ganhando o que queria, estava onde queria, num lugar que a morena sempre atribuía a felicidade, a Itália. Era sempre bom estar ali, pelo menos ela tinha alguém além dos dois irmãos para chamar de família. A garota se sentia segura e amada dentro daquele castelo estonteante. Adorava se juntar a Matthew e Paola, seus primos, e correr e fazer bagunça por ali. Até o ar daquele lugar parecia e era mais doce e saudável do que o de sua casa.
O sol já estava a se pôr quando Bella entrou no estábulo e se jogou sobre do feno, era o local dela preferido, não tinha o melhor olor da Itália, mas o silêncio ali presente deixava com que os pensamentos fluíssem em sua mente. Ali, deitada no feno ela sentia a calmaria, como se o vento da paz circulasse e a trouxesse um alivio. Por alguns minutos ela fechou os olhos, precisava espairecer a mente por algum tempo, mesmo que fossem apenas míseros segundos. As passadas firmes a despertaram, a fazendo abrir os olhos e se sentar no feno, era ele, seu pai. Bella abriu um sorriso magrelo o fitando, ele vestia um terno e como de costume seu semblante carregava um expressão dura, como se ele fosse incapaz de rir ou sorrir, ele era alto, tinha um porte físico forte e seus cabelos eram completamente negros e lisos, mas havia uma coisa acima de todas que fazia a morena o temer: seu olhar, não havia bondade nele, não havia amor, tudo que ela podia enxergar ao fitar a porta de sua alma era frieza, talvez até desprezo e amargura.
O silêncio não durou muito no local, o homem se sentou ao lado da filha e então sua voz ecoou pelo estábulo, não havia empatia alguma presente nela. Lisbella passou a brincar com o feno.
— Sim, estou sozinha, eu só estou um pouco cansada, não se preocupe, logo voltarei para dentro do castelo.— Respondeu ao pai e ao erguer o olhar para o mesmo viu o quão próximo estava de si, tão próximo que sentiu o lábio do mesmo selar-se ao seu, ela praticamente caiu para trás ao tentar se esquivar, franzindo o cenho o fitando assustada como um cão encurralado.
— Mas que diabos está fazendo? — Perguntou assustada tentando se livrar dele, mas o sentindo segura-lá no chão, tapando sua boca com uma das mãos.
— Mas que inferno Lisbella, fique quieta! — Ele exclamou num tom ameaçador enquanto a morena tentava se soltar o batendo, mas todos seus esforços pareciam ser completamente inúteis.Da mesma forma sorrateira que ele realizou o ato, ele o interrompeu, olhando para frente, assustado, Lisbella podia jurar que havia visto medo em seu olhar, e quando ele a soltou ela entendeu o porquê, o homem a fitou duramente, raivoso.
— Se você não calar a boca dela serei obrigado a fazê-lo e não serei gentil.— O homem avisou abrindo um sorriso maléfico e perverso, saindo do local as pressas. De imediato Bella se levantou, seus olhos estavam marejados, suas pernas bambas, ela respirou fundo tentando se manter calma, mas tinha a impressão de que todo seu corpo tremia. A morena ergueu o rosto, sentindo uma ou duas lágrimas lhe escaparem ao fitar Catarina, a princesa da Noruega.
— Não foi nada disso do que você pensa ter visto. — A voz da garota parecia estar presa na garganta e tudo o que saiu fora apenas um sussurro.