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Eu não estava falando das selecionadas..
Pensei que o seu lugar calmo era o escritório, já que não sai muito de lá.. Aqui é um bom lugar para pensar
Aconteceu alguma coisa que eu deveria saber? - indagou, mesmo já sabendo a resposta.
Até meu escritório pode me sufocar as vezes. Tem coisas naquele lugar das quais é bom fugir as vezes.
— Não foi o meu chefe de guardas que me colocou um vigia vinte e quatro horas, sor. Não que tenha problemas com isso, Damon é uma companhia muitíssimo agradável. Mas não ando me acidentando com seus guardas. Tenho coisas mais importantes a se fazer. Estou apenas falando fatos, não costumo sair de meus aposentos para tal ato, foi apenas uma infeliz coincidência. E sobre minha visão, ela vai muito bem, é uma tradição familiar a visão boa. Todos tiveram e tem, eu não sou exceção.
— Creio que possamos parar de nos alfinetar e sair daqui, creio que ambos aqui a uma hora desta não seja seguro.
É para a sua própria segurança, Alteza. Oras, tem coisas mais importantes para fazer? Que coincidência, eu também tenho, e são tantas que até me impedem de sair comentando sobre a vida alheia, talvez pudéssemos compartilhá-las para que não precisasse fazê-lo em seu tempo livre.
Todavia, fico feliz por sua visão. Convenhamos que não seria muito bom caso ela parasse de funcionar e quebrasse a tradição de sua família, sim? E claro, vamos sair, o lado de dentro do palácio é com certeza mais seguro. Alfinetar? Estamos nos alfinetando? Desculpe, não notei.
Acho que derrubar não seria uma solução, de qualquer forma.. Eu tomarei cuidado, mas se bem que qualquer lugar daqui anda perigoso.
Mas e o senhor, o que estava fazendo por aqui?
Nos pouparia de muito dor de cabeça, mas talvez não seja realmente uma solução. E por que perigoso? As garotas não aguentaram atacar somente ao seu irmão e resolveram te seguir também?
Seu pai precisa de um lugar calmo para pensar de vez em quando também. Pode não parecer mas aquele palácio também pode me sufocar.
— Eu não sou uma selecionada, e vi coisas que o reino desconfia mas não tem certeza. Agora tem, na verdade. Mas ainda sim, não ganharia nada demais com isso. Uma selecionada dessa que desse com a língua dos dentes lhe causaria uma dor de cabeça por dias, sim? Eu não vi isso, milord. Vi bem mais que isso, na verdade. A não ser que ela realmente tenha caído em cima de você.
— Acidentes acontecem, Alteza. Tenho certeza de que a senhorita sabe bem disso, já que há boatos que anda se acidentando muito com meus guardas nos últimos dias.
— Entretanto, creio que diante dos recentes acontecimentos, as selecionadas fofoqueiras não são minha única dor de cabeça, sim? Principalmente se formos considerar que tal característica não é exclusiva delas, pelo visto. Mas, de qualquer forma, Alteza, imagino que uma boa visita ao médico do palácio seja o suficiente para arranjar uma solução para o seu problema de visão.
Então qual o motivo de ter um floresta se não se pode dar uma voltinha? Eu gosto de vir aqui passear, só isso, pai.
Não me pergunte, já pensei em derrubar essas árvores várias vezes, mas sempre me veem com desculpas novas e “ecologicamente corretas”.
Tente tomar cuidado, sim? Nunca se sabe o que poderemos encontrar por ai.
Pensei que fosse proibida apenas para desconhecidos.
— Sim, principalmente para eles, por desconhecerem os perigos da floresta.
— Mas para os moradores do palácio o acesso também é proibido, Noah. A floresta é perigosa e você sabe disso, por que está aqui?
– E eu não vi você agarrando bem ali, majestade. Eu não vi você e você não me viu aqui, e ainda sim você me deve uma. Vai que é uma das selecionadas? Bem, você já é polêmico, vou poupar mais uma de suas polêmicas.
— Devo me sentir com sorte então, Alteza? Neste caso, lembre-me de orar para a agradecer a ocasião. E polêmicas? Não vejo algo ruim em ajudar uma pobre veterinária que caiu do cavalo, Alteza.
Ela se perguntou por quanto tempo ele esteve ali, parado, observando-a, sem que ela notasse o que estava acontecendo. Não era a primeira vez que o Rei escutava enquanto Dianne tocava piano ou algum outro instrumento. Na verdade, ela sempre gostou de música, e ele sempre pareceu gostar de escutá-la. Isso fez com que a Rainha se recordasse de alguns dos bons momentos que tiveram juntos - e é claro que eles existiram. É claro que eles tentaram e, por anos, eles conseguiram, ainda que com esforço, afinal ela teve três filhos com aquele homem. Mas sempre existia um espaço entre eles, e depois de algum tempo, foi se tornando um abismo. Anastásia.
“Anos de experiência. Eu queria ter tocado essa música ontem. Foi uma das que eu fiz para a Natasha quando ela era pequena, mas eu acabei não tendo a chance.” Não era uma melodia nova, exatamente, mas ela significava muito para a monarca. “A reunião já vai começar?” A morena se levantou, mas não se afastou do piano. “Acho que perdi a noção do tempo. Precisa de mim pra algo?”
Desencostou-se do batente, observando a mulher a sua frente. Quando foi que as coisas haviam começado a dar errado? Fora antes ou depois dele começar a procurar refúgio no escritório? Para as pessoas de fora, Edward era o tipo de homem que buscava conforto nos braços da amante quando tudo desandava, mas os mais próximos do rei sabiam que Anastásia estava ali por conta de Charles, apenas isso. Mas obviamente, ele não culpava Dianne por se incomodar, principalmente agora que Edward sentia um pouco do que acontecera com ela nos últimos anos. Os boatos sobre a proximidade da rainha com Lysander haviam chego a seus ouvidos há não muito tempo, mas já era o suficiente para que certos desconfortos adormecidos há tempos aflorassem.
— Entendo… Sinto muito. — disse, mesmo que não fosse uma de suas melhores afirmações. Não era o suficiente: suas palavras, seus gestos, ou até mesmo ele. Não seria o suficiente naquele momento, nem nunca. — Sim, eles devem estar aguardando a minha… A nossa chegada. Mas não se preocupe… — Observou o piano por alguns instantes. — Eu posso resolver, talvez você precise de uma folga disso tudo.
— Você não deveria estar aqui. — disse, dando uma rápida olhada em volta.— Achei que os guardas tivessem dito que esta área é proibida.
Novamente, a Rainha decidiu escapar. Nem que fosse apenas por algumas horas. Tudo o que ela queria era se concentrar apenas nas notas que o piano produzia. A Sala de Música era completamente esquipada com os mais diversos instrumentos, e a monarca gostava de todos eles. Não sabia tocar absolutamente todos, mas tinha experiência com a maioria. Seu preferido era, de longe, o piano. Era onde compunha suas próprias músicas, onde tocava as músicas que ouvia quando era apenas uma adolescente, muito antes de sequer ter sido chamada para a Seleção. Ainda que, no final, ela fosse obrigada a voltar para a tão dura realidade onde tudo era um problema, ela gostava de poder escapar. Era um dos únicos momentos em que ela sorria, estando sozinha com seus próprios pensamentos.
Edward tinha uma reunião com os conselheiros, mas isso não era uma grande novidade. Os compromissos tornavam-se cada vez mais constantes desde que as rebeliões começaram, e escapar dos mesmos definitivamente não era uma opção, muito menos depois do escândalo de Anastásia. Pensando no tanto de problemas, o rei de Illéa seguia a passos largos até a sala de reuniões, quando ouviu o som agradável praticamente lhe guiar rumo a sala de música. Girou sobre seus calcanhares e deu passos leves até a porta do local, apoiando-se no batente.
A música denunciava a identidade da pianista, pois não era a primeira vez que Edward ouvia Dianne tocá-la. Lembrava-se da habilidosa pianista que enchia o castelo com suas melodias suaves durante a seleção, e sua mente logo lhe alertou para o fato de que ela já não tocava com tanta frequência. Quando a música cessou, Edward pareceu voltar a si, libertando-se daquelas lembranças enquanto encontrava o olhar da esposa.
— Me ignore, continue tocando. — disse, mesmo sabendo que sua presença não era a mais desejada no momento. — Estava indo muito bem.
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Natasha se arrependia mais a cada passo que dava em direção ao escritório do pai, mas nunca se permitiu parar até chegar na porta, já aberta. Não tinha como fingir que não estava ali justamente para falar com seu pai. “Posso entrar?” perguntou, se sentindo completamente estranha. Um nó apertava no seu estômago, mas a princesa não se moveu. Ela percebeu a fantasia de seu pai, o que só embaralhou ainda mais seus pensamentos.
Só queria uma explicação de porque seu pai havia não só se ausentado da festa, mas também procriado mais um filho desgraçado. Ela sabia que não poderia esperar uma boa resposta do seu pai, motivo pelo qual queria desistir, mas ela permaneceu ali, vendo-o mais como o rei do que como seu pai.
Natasha queria muito largar aquela sensação de aperto, de trava. Mas não havia o feito desde que Anastásia fez o que fez, e imaginou que seu pai seria a única pessoa capaz de trazer alguma certeza de que as coisas não ficariam mais dramáticas e cansativas do que já eram.
Ouvir a voz da filha do meio despertou a surpresa dentro do rei. Esperava que fosse se tratar de Dianne, Nathaniel ou um de seus conselheiros, mas jamais da aniversariante irritada. Tirou as mãos da janela e voltou-se para a garota; sua filha do meio, apesar de aborrecida, também sustentava uma expressão de puro desgosto. Não demonstrou, mas doeu-lhe o coração quando a ficha caiu de que ele era o causador daquilo.
— Claro que pode. — disse, dando alguns passos para frente. Analisou a garota por alguns minutos, demorando-se na fantasia amarela. Imaginava o quão bonita a filha deveria ter ficado antes do escândalo, mas agora ela parecia cansada e nervosa, provavelmente não a postura esperada de uma princesa, tanto a real tanto a dos contos de fada.
Fitou Natasha, apoiando a mão sobre a mesa. Não era de seu feitio manter o silêncio, mas pela primeira vez, Edward temia por algo. Temia não só as palavras que a filha pretendia proferir, mas também as atitudes que Natasha provavelmente tomaria. E pela primeira vez, ele também sentia que não haveria nada que pudesse fazer, porque Natasha estava certa e ele, pela primeira vez, estava errado.
King Edward Ledoux: Moodboard (1/?)
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Depois de conversar com seus filhos e com a imprensa sobre o que tinha acontecido, conseguindo apaziguar a situação e fazendo com que a festa pelo menos voltasse ao normal, Dianne resolveu que era hora de saber se seu marido planejava ir para a festa e tinha se atrasado ou se nem ao menos tinha se lembrado do horário do evento. Quando chegou em seu escritório e o viu com a fantasia que tinha planejado usar para a festa, parte de sua raiva diminuiu consideravelmente. Ao menos ele tinha planos de aparecer.
Fechou a porta atrás de si e, com um suspiro, deu dois passos na direção do Monarca. “Suspeito, pela sua cara, que alguém já tenha vindo lhe informar sobre a mais nova peripécia de sua amante. Francamente, Edward, eu não me importo nem um pouco com o fato dela estar grávida, mas a forma como ela deu a notícia foi simplesmente… Baixa. E vulgar, assim como ela.” As vezes não conseguia entender como um homem como Edward teria se apaixonada por alguém como Anastásia. Talvez ela fosse diferente antes da Seleção, e talvez eles fossem felizes antes dele ser obrigado a se casar com Dianne, mas ela não se importava com nada daquilo. Apenas com seus filhos.
“Eu não sei o quanto você sabe, mas vou lhe dar um breve resumo. Noah quase partiu para a violência física com aquela mulher e sua filha ficou absolutamente arrasada. Saiu do Salão aos prantos. Nathaniel… Foi perfeitamente polido e racional a respeito da coisa toda, mas eu sei que ele ficou perturbado. E a verdade é que se você estivesse lá desde o início da festa, nada daquilo teria acontecido.”
Ao ouvir as primeiras palavras de Dianne, Edward já imaginava o que estava por vir. Sua relação com a esposa nunca fora das melhores, ele ainda se perguntava como que três herdeiros poderiam ter surgido dela. Dianne não lhe suportava, e haviam horas que ele mesmo desistia de tentá-la fazer mudar de ideia. A residência de Anastásia no palácio não lhe agradava, e era óbvio que o escândalo em meio a festa de Natasha deixaria a paciência de sua rainha em frangalhos.
— Entendo a sua revolta. — disse, virando-se para ela. Apesar da situação, sabia que precisava se impôr, ou as coisas simplesmente desmoronariam de vez, algo que ele não podia permitir. O peso estava sobre suas costas, mas ele o aguentaria de pé, como sempre fizera. — Mas você não pode me cobrar, Dianne! Pessoas morrem a cada instante no país, e eu já estaria sacrificando muitos inocentes me ausentando das estratégias quando descesse para cumprimentar Natasha. Não os culpo por estar com raiva, muito menos você, mas eu não controlo Anastásia, não controlo o que ela faz nem o que sai da boca dela. — soltou um longo suspiro, dando uma rápida olhada para a mesa do mapa. Agora que o caos já estava instalado e sua presença já não era tão necessária, Edward não se importaria de terminar de traçar seus planos e dividir suas tropas. — Eles terão que entender o que está havendo, Dianne. Nathaniel, Natasha e Noah ja não são mais crianças, e precisam entender que nem tudo será um mar de rosas.
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Edward olhava pela janela de seu escritório, ainda apurando os ouvidos para ouvir a movimentação nos andares mais baixos. A porta de seu escritório estava aberta, o incompetente novo conselheiro havia se esquecido de fechá-la. Estava pronto para descer, a fantasia de príncipe Eric ainda sustentando seu único fio de esperança de fazer a amada aniversariante rir, mesmo que agora ele soubesse que isso jamais aconteceria. Natasha deveria estar lhe odiando tanto quanto Nathaniel e Noah, e Edward sabia que não poderia culpá-los por isso.
Por que aquelas coisas tinham de acontecer em momentos tão inoportunos? O caos do país finalmente havia chego ao palácio, só que de uma forma que pesaria sobre seus ombros de uma maneira ainda maior. Não havia conquistado somente o ódio da nação, mas o ódio de sua família, e desta vez, sentia que não haveria como reverter. Nem ao menos sabia se Anastásia havia dito a verdade, há quanto tempo não deitava-se com ela? Bom, certamente isso não importava mais. A notícia estava na boca do povo, e ele agora só precisava arranjar uma boa desculpa para apaziguar a situação.
Ouviu passos se aproximando de seu escritório, o que lhe fez apertar a janela de madeira. Era óbvio que viriam trás do rei, havia uma manada de jornalistass ferozes ansiando por informações poucos metros abaixo do chão onde pisava, e Edward era a presa que eles pretendiam atacar. Ele não os culpava, iria adorar ser engolido por eles e sumir daquele lugar, mas ele ainda era o rei, e jamais diria aquilo em voz alta. Ele era o rei, ele era forte. Ele daria um jeito, somente ele.