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emma roswell, trinta e seis anos, defensora pública. fc: amanda seyfried.
elena caulfield, trinta e três anos, jornalista. fc: riley keough.
zachary gallardo, trinta e cinco anos, paramédico. fc: peter gadiot.
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emma roswell, trinta e seis anos, defensora pública. fc: amanda seyfried.
elena caulfield, trinta e três anos, jornalista. fc: riley keough.
zachary gallardo, trinta e cinco anos, paramédico. fc: peter gadiot.
Isabela revirou os olhos para a resposta de Zachary, mas, dessa vez, não tinha um argumento à altura. O que era uma droga para ela, já que adorava retrucá-lo, mas naquele momento, precisavam mesmo concordar. Ela se ajeitou na cadeira, cruzando os braços em frente ao peito enquanto absorvia cada palavra dele. Pensava em como aquele plano realmente parecia o mais sensato, por mais que fosse a última coisa que ela queria fazer. Se conformar em morar sob o mesmo teto que ele era a única maneira de garantir estabilidade para Christopher. Ela suspirou profundamente, sua expressão fechando em uma careta quando Zach mencionou a possibilidade de se ignorarem através de um cronograma. A ideia até fazia sentido para ela, embora soubesse que seria um grande desafio para sua própria paciência e para a dinâmica caótica que os dois compartilhavam. “ Se enxerga você! Se for preciso fazer um cronograma para encarar sua cara feia o menos possível, eu farei! ” Provocou, bufando com impaciência. Enquanto ele falava sobre a possibilidade de alugar outra casa, Isabela lançou um olhar cético para o homem, quase rindo. A perspectiva de compartilhar qualquer espaço íntimo com ele era um completo absurdo para ela. A mera sugestão de dividir uma cama com Zachary a fez balançar a cabeça em desgosto, como se estivesse diante da ideia mais ridícula do mundo. Mesmo irritada, ela se viu perdida por um segundo, sabendo que ele estava certo em pelo menos uma coisa: decidir tudo aquilo em poucos minutos era impossível. “ Ah, então veja só, somos uma dupla perfeita! Eu sou a Wanda, inteligente e madura, e você é o Cosmo, um grande bocó! ” Devolveu a provocação com ironia, por mais que tivesse ficado realmente irritada por ser comparada com uma personagem que considerava chata, ela não perderia a oportunidade de devolver a alfinetada; mesmo que isso significasse falar mal de um personagem que ela adorava.
Assim que a porta se abriu, Isabela mudou imediatamente sua postura. Ela se endireitou, ajeitou os ombros e assumiu uma expressão mais séria, como se os últimos minutos tivessem sido uma conversa extremamente profissional e bem alinhada. Ela manteve seu sorriso controlado enquanto falava com a mulher à sua frente, exibindo a confiança e a certeza de que Zachary precisava seguir o roteiro que ela havia traçado. A pressão para manter as aparências era algo que ela fazia com maestria, e nem o leve toque das mãos deles – claramente desconfortável para ambos – poderia tirá-la do papel de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Isabela apertou a mão de Zachary de forma quase simbólica, como se fosse um sinal para que ele continuasse a fingir tão bem quanto ela. Por mais irritante que fosse a situação, Isabela estava determinada a controlar a narrativa, mostrar a quem quer que fosse que, apesar das diferenças, ela e Zachary dariam o seu melhor para formar uma dupla impecável para cuidar de Christopher, mesmo que isso significasse engolir seu orgulho. “ Sim, nós funcionamos bem juntos. Podemos já levar o Chris? Quero muito abraçá-lo e ficar com ele. ” Seu tom de voz mudou, mesmo sua expressão facial. Estava diferente, sentindo a dor da perda da amiga e querendo ficar com o afilhado. Havia passado os últimos dias com os avós, mas o testamento era claro: Isabela e Zachary deveriam ser os responsáveis pela criança. Quando o assistente social passou mais informações, sobre visitas frequentes, entrevistas e todo o resto, permitiu que os dois saíssem e esperassem do lado de fora. Iriam buscar o pequeno, enquanto os dois adultos aguardavam, um ao lado do outro. De braços cruzados, Isabela falou baixinho: “ Bom, hoje a noite é lá em casa, como já falei com o assistente social. Prometo me comportar, se você prometer o mesmo. ”
revirou os olhos com a resposta dela, sem a menor ideia de como aguentaria uma convivência vitalícia com isabela chavez. porque era isso que a relação de ambos seria a partir daquele momento, se tivesse de ser terrivelmente realista: se os dois estariam cuidando de christopher até a maioridade do afilhado, no mínimo, estariam na vida um do outro por ao menos mais uma década inteira. não sabia se a ficha disso havia caído para ela ainda, mas zach mal poderia esperar sumir de sua frente para processar qual era o buraco em que estava enfiado. amava seu afilhado e faria de tudo por ele, só não sabia como não acabaria internado com a perspectiva de anos aguentando a mulher mais insuportável que já viu. “não vou ser eu quem vai te impedir, se tá com tanta vontade assim de ficar enchendo o saco. quando fizer o cronograma, vê se coloca um tempo pra comprar sua passagem de volta pro mundo real.” revirou os olhos. a maneira com que se comportava como uma criança de nove anos na presença dela, francamente, era praticamente um mérito de estudo. por uma razão que simplesmente não era possível de ser explicada em poucas palavras, a mulher parecia despertar o pior de zachary com uma facilidade jamais vista. “ah, tá. disse a grande mulher madura que tá querendo me ofender usando bocó.” o gallardo retrucou em claro deboche, como se o próprio não houvesse iniciado aquele tópico de ofensas quando a comparou com a wanda. entretanto, se existia algo que zach era com facilidade na presença de isabela, era hipócrita. poderia criticá-la por horas por algo que ele mesmo fazia, sem perceber toda a ironia por um minuto sequer.
a entrada da assistente no cômodo outra vez os obrigava a manter as aparências de um jeito que não os entregasse como a dupla completamente desastrosa que eram. entretanto, zachary não era o melhor em disfarçar certas coisas; diferente da mulher ao seu lado, sua personalidade não era completamente artificial por natureza. ao menos, era o que dizia a si mesmo para justificar como não exibia toda a sua confiança automaticamente e estava praticamente rangendo os dentes para não acabar soltando alguma resposta extra sobre a discussão anterior - a infeliz era muito melhor naquilo do que ele. a olhou pelo canto do olho ao sentir o aperto em sua mão, contendo ao máximo que era capaz suas expressões e, em um ponto mais perigoso, a própria língua. precisavam mostrar que poderiam fazer aquilo. por kit. “por favor, nós só queremos começar a tentar ajeitar a situação pra ele.” apesar do contexto, zach tinha sido sincero. queria acabar com aquele momento terrível de uma vez. escutou com o máximo - que, na situação em que se encontrava, não era muito - de atenção que conseguiu todas as informações que ela repassava, até que foram levados para aguardar o afilhado do lado de fora. “se for pra acabar com a dor de cabeça o mais rápido possível, que seja. mas o problema entre a gente não costuma vir de mim.” bom, em cinquenta por cento do tempo, na verdade vinha. só não seria ele a admitir isso. “só… vamos aguentar ser civilizados por vinte e quatro horas. você já extravasou o suficiente antes, dá pra aguentar um pouco mais agora.” resmungou. “e, antes que você comece, vou calar a boca do meu lado também.” ao menos poderia tentar. “acho que é ele vindo...”
“ Pois é, a mesma Alison que dizia que compromisso era para os fracos! ” Ele brincou, com um tom bem-humorado. “ Ela acabou se apaixonando perdidamente pela María. E é claro que eu encho a paciência dela com piadinhas. Ela fazia o mesmo comigo quando a gente namorava. ‘Você ficou um frouxo quando começou a namorar a Emma’, lembra disso? ” Repetiu a fala de Alison, que chamava o irmão de frouxo simplesmente por vê-lo agir com um romantismo que nunca o imaginou realizar. Imitou uma das falas da mais velha, com uma voz mais fina e afetada, mas o riso que se seguiu depois indicava o carinho e diversão que tinha com aquelas lembranças.
Emma respondeu a pergunta de Charlie com compostura e um toque de humor, de forma leve e direta, falando sobre o tempo em que ela e Arthur eram namorados. O pai da garotinha assentiu, mostrando a Charlie que Emma estava sendo sincera. “ É claro que lembro! Mesmo que alguns não admitam, todo homem lembra do seu primeiro amor. ” Com naturalidade, ele falou as palavras, que tanto lhe pesaram por anos, mas agora soava nostálgico. Ainda assim, aquele incômodo no peito do 'e se…’ apertou novamente, agora que estava de frente para a ex-namorada. Pigarreou, tentando disfarçar o clima, e respondeu sua próxima pergunta. “ A foto que ficava no meu armário da escola. ” Resumiu a fotografia que tiraram no primeiro dia de namoro: os dois muito jovens, ela vestindo seu casaco, ele abraçando-a por trás e cheirando seus cabelos, o sorriso radiante da loira iluminando a cena.
“ Direito? Uau! Você sempre foi mesmo muito inteligente. Conseguiu terminar Psicologia? ” Mostrou lembrar-se com muita clareza dos sonhos dela, e não sabia se deveria ser assim tão aberto sobre isso. Como explicar que se passaram dezessete anos, ele conheceu o mundo, tinha uma filha, e ainda se lembrava de detalhes sobre sua ex-namorada? Fez uma careta ao ouvir sobre os textos acadêmicos e a bagunça sobre a defensoria pública. Estava longe de se interessar por aquele tipo de coisa, ponto sobre si que não havia mudado. “ Viajando muito, você sabe. Conhecendo muitos lugares bonitos. ” Aqueles que viviam mostrando fotos na adolescência e que tinha o sonho de dividir com ela. Deu de ombros, como se não fosse grande coisa, e levou uma das mãos a cabeça de Charlie. “ Com essa pequena chata me acompanhando nos últimos seis anos. ” A loirinha reclamou da bagunça no cabelo e se afastou. “ Chato é você! ” Ela resmungou e os dois deram língua um para o outro. “ Agora você pode continuar aqui conversando com seu primeiro amor que eu vou buscar mais doces. Tchau, Emma. Tchau, papai. ”
Embasbacado com a cara de pau da criança e meio sem reação pela fala dela, mal teve tempo de segurá-la quando ela pulou da varanda e correu para a próxima casa. “ Charlie, espera! ” Ele gritou, mas ela já estava a caminho da porta ao lado. Virou-se para Emma, não querendo deixá-la para ir atrás da filha, mas conhecendo Charlotte o suficiente para saber que não poderia deixá-la sozinha por muito tempo. “ Ela é terrível! Pago todos os meus pecados por ter sido um filho rebelde, sabia? ” Ele brincou, rindo nervosamente e pensando em como perguntar o que realmente queria. Não queria que a conversa acabasse ali, tinha tanto o que gostaria de saber, queria ficar com ela um pouco mais e sentir aquela sensação gostosa de conversa com alguém que o amou de verdade e sempre o compreendeu. “ Você… ahn… está livre amanhã? Ou mais tarde? Ou qualquer dia na próxima semana? ” Levou as mãos ao bolso do casaco largo, parecendo um adolescente envergonhado chamando a garota que gostava para um encontro. O que ainda era estranho, pois mesmo nos seus quinze anos, ele nunca foi tímido e jamais ficou sequer um pouquinho nervoso quando convidou Emma para o primeiro encontro. “ Gostaria de conversar melhor, com mais calma, saber de você. Te contar minhas aventuras. Se quiser, é claro. ”
não conteve mais uma risada ao escutá-lo realizando uma imitação da irmã, maneando a cabeça em negação como se estivesse incrédula com ele ainda ser tão hábil em fazer isso. “como esquecer? se a gente ficasse cinco minutos se abraçando pra algum lado, ela já saía dizendo que a gente deveria estar querendo se fundir. ou fazia sons de vômito toda vez que nos via juntos.” embora, nesse caso em específico, o juntos se referisse a situações em que estavam se beijando. piscou algumas vezes ao ouvir a resposta de arthur, certa nostalgia a atingindo ao escutar aquela expressão tão específica ao referir-se aos dois. “bom saber que ainda existem homens sem memória completamente seletiva por aí.” soltou uma risada um pouco nervosa, por não saber bem como respondê-lo. “ah…” murmurou, demorando muito menos do que o recomendado - ou o imaginado pela própria emma - para se recordar exatamente de qual foto ele estava falando. “me lembro. no meu, tinha a tirinha com as fotos que tiramos no parque daquela feira de outono que fomos uns meses depois.” sorriu com a lembrança. amava aquela tirinha, e estava quase certa de que deveria estar em alguma de suas caixas no quarto antigo da casa de sua mãe. “ah, obrigada.” não conteve um sorriso com o comentário sobre sua inteligência. “uhum! gostei bastante, mas acabou sendo mais como… um meio para um fim do que realmente um sonho como carreira, sabe? achei que iria fazer a minha vida com a psicologia, e acabei só pegando o meu diploma e me inscrevendo pras faculdades de direito.” explicou. “eu só consigo imaginar todo o tipo de lugar em que você foi… vai ter que me contar o top 5, no mínimo.” abriu um sorriso.
riu com a resposta que a garotinha deu ao pai, mas acabou com os olhos arregalados ao perceber que estava realmente se virando para sair da varanda e deixar o pai para trás. “meu deus, ela é ligada na tomada.” imaginava que era somente mais um dia normal para charlie. ainda assim, não conseguiu deixar de sentir um aperto com o reencontro que se encaminhava ao fim, e não haviam motivos claros para que se vissem outra vez. “consigo imaginar a canseira que ela deve te dar, e isso que só tem seis anos. imagina quando aprender a dirigir?” ergueu as sobrancelhas, achando a situação consideravelmente engraçada. “ah, quem diria? a sua mãe bem te falava que você ainda ia ter muito sofrimento no futuro pra entender tudo o que ela havia passado cuidando de você.” na época, eram novos demais para realmente imaginarium que arthur acabaria entendendo a situação com a própria filha. estava um pouco incerta de como prosseguir, considerando que ele estava prestes a ir embora e não fazia a menor ideia de quando - e se - o veria novamente, quando as palavras dele a fizeram encará-lo com certa surpresa. arqueou as sobrancelhas e entreabriu os lábios. outrora, arthur fora uma das pessoas mais importantes de sua vida. o escutar dizer que gostaria de conversar outra vez… bom, mexia consigo .“eu estou livre amanhã, sim! depois das seis, mas é alguma coisa. saio da defensoria por aí.” quase ofereceu de se encontrarem em seu horário de almoço, porém, estaria tão nervosa que dificilmente almoçaria. pegou o celular do bolso e alcançou para ele, espiando para ver se charlie não havia sumido de sua vista. “coloca o seu número nos meus contatos, e eu te mando uma mensagem depois? o que acha. eu… também quero conversar mais com você. faz uma vida inteira que a gente não se vê.” não era bem um exagero. “e ficou me devendo o seu top 5 de lugares, no mínimo. de que adianta viver aventuras se não vai contar aos outros sobre?” gracejou, sorrindo de canto. “foi bom te poder te ver, archie.”
THE NOTEBOOK (2004) — directed by Nick Cassavetes
Ele observava Elena enquanto ela falava, sua expressão serena, mas com um brilho de provocação nos olhos. Sabia que seu histórico fora dos campos não o favorecia, e estava ciente da imagem que muitos tinham dele. Mesmo assim, um sorriso de canto de boca apareceu quando ela mencionou que ele repetiria o elogio para qualquer outra mulher. Não que ela estivesse totalmente errada, claro, mas também não estava completamente certa. Havia algo nela que chamou sua atenção a primeira vista, e agora vendo a forma como ela o confrontava, mantinha-o interessado de uma maneira que poucas conseguiam. “ Você me conhece melhor do que eu imaginava, hein? ” Ele respondeu, em claro sinal de provocação, inclinando-se levemente para a frente, como se estivesse prestes a revelar um segredo. “ É assim que as obsessões começam, viu? ” Afastou o corpo, a postura impecável de quem tinha consciência corporal e uma autoconfiança exacerbada. Poderia estar apenas querendo irritá-la um pouco, mas, ele devia admitir, não seria nada mal uma mulher daquelas ficar obcecada por ele.
Mikael ouviu com atenção as críticas pesadas sobre sua carreira no Real Madrid e as provocações sobre seu desempenho. Ela sabia mesmo como tocar na ferida. Em vez de se irritar, Mikael manteve o sorriso, embora ligeiramente mais forçado, como se aquilo fosse um duelo que ele se recusava a perder. “ Então, é isso? Eu sou o maior presente que o Barcelona já ganhou? ” Ele riu, mas havia uma pontada de frustração por trás daquele riso que era quase imperceptível por trás de toda aquela assertividade. “ Eu nunca imaginei que estava te fazendo sentir tanto, meu docinho. Vou levar isso como um elogio. ” Quando ela mencionou seu novo time, Mikael quase podia ver o fogo nos olhos dela. O tom dela mudou quando mencionou o Tottenham, e só então ele foi capaz de notar a camiseta dela; o time rival ao qual ele estava treinando atualmente. Não pôde deixar de achar a paixão dela encantadora, mesmo que fosse direcionada contra ele. “ Eu vou para onde pagam melhor. E eles bem que estão precisando de um treinador bom, por isso fui contratado. ” Nem mesmo as duras críticas da imprensa e o desempenho baixo do time nos últimos jogos o faziam descer do pedestal que ele mesmo havia criado. Era quase como se vivesse num universo paralelo onde ainda era o jogador excepcional e respeitado que foi no início da carreira.
“ Pé torto? Agora você está pegando pesado. Desse jeito eu vou ficar magoado. ” Ele continuava com o falso tom de brincadeira, levantando as mãos ao peito, como se estivesse levando as ofensas na esportiva, mas estava longe disso. “ Mas eu vou te contar um segredo: se eu colocasse todo o meu esforço em melhorar, você não teria do que reclamar e, sinceramente, não sei se quero viver com o peso de te tirar o que mais gosta de fazer na vida. ” Arriscou uma outra provocação. Se ela queria irritá-lo, ele queria devolver, levá-la ao limite. Ele sabia que tentar mudar a opinião de Elena sobre ele seria uma tarefa árdua, e ele não estava disposto a tentar. “ Como você se chama mesmo, meu docinho? ”
semicerrou os olhos ao encará-lo durante sua aproximação. se não estivesse tão certa de suas convicções, até estaria mexida com a forma com que se aproximava e não tirava os olhos dela. ou o fato de que ele conseguia ser ainda mais bonito ao vivo que nas fotos e vídeos que circularam a internet desde o início de sua vida pública. entretanto, elena não era boba. mikael hofmann não valia nem o prato que comia. “meio difícil não saber as peculiaridades da sua vida, se você esfrega na cara de todo mundo pra verem.” pontuou, virando o rosto levemente. revirou os olhos com as palavras seguintes dele. “o céu vai cair antes de eu ter uma obsessão sobre você. não tenho vinte anos pra me emocionar por esse tipo de besteira.” retrucou. “sabe, eu conseguir citar suas polêmicas não é um mérito que diz sobre mim, mas sobre você. já pensou no tipo de imagem que todo mundo tem?”
“o treinador deveria te amar, facilitando tanto assim a vida dos jogadores dele. deve ter alguma estátua sua escondida no estádio do barcelona.” retrucou. se estivesse no lugar dos torcedores de lá, adoraria ter um idiota daqueles sendo a estrela do outro time. mas, não, estava ocupada sofrendo com a raiva que era torcer pelo real madrid nos anos de mikael hofmann como titular. era de deixar qualquer pessoa maluca. “pode levar o que quiser, quem vai estar vivendo numa realidade paralela não sou eu.” bebeu um último gole de sua cerveja e fez um sinal para o atendente alcançar outro copo, embora se perguntasse se não deveria usar isso como uma deixa para ir embora. “bom, sempre dizem que pior não se pode ficar. mas quem tá dando o dinheiro não sou eu.” abriu um sorriso amarelo.
“te garanto que você vai superar. já tá bem grandinho.” respondeu em tom claramente de deboche, fazendo um bico com os lábios. o comentário seguinte dele a fez realizar um gesto de desdém. era até de impressionar alguém o quanto aquele homem possuía um talento bizarro para distorcer tudo de forma a encaixar naquela realidade paralela em que vivia. “você tá se colocando como uma prioridade meio exagerada na minha vida, mas agradeço pela preocupação.” estalou a língua. “nem começa com essa de meu docinho, pelo amor de deus” fez uma careta. “você nunca aprendeu a falar com uma mulher sem usar direto a cartada do sou bonito, famoso e rico e conseguir tudo com isso?” estava certa de que a resposta era não, embora ele não fosse admitir. “meu nome é elena, mas não precisa queimar seus neurônios decorando.”
Daisy Jones & the Six: Riley Keough | Extra
RILEY KEOUGH for Bustle photographed by Emman Montalvan
mastwrminds:
estava aguardando a hora em que um apresentador de reality duvidoso aparecia e anunciaria que era só mais uma cena de algum projeto secreto com o jogador e que, por alguma razão, precisaria refazer sua cena porque o nível de vergonha alheia não havia sido tão relacionável com o público, ou algo assim - qualquer sinal que não estivesse realmente vivenciando um homem que claramente não conheceu pela sua vida a palavra ‘senso’ e a tinha deixado completamente constrangida somente por vê-lo cantar. não que elena fosse algum tipo de futura vencedora do eurovision ou do the voice, um talento aguardando a sua hora de ser conhecido, mas, também, não saía fazendo aquele papelão todo por aí. “é, realmente,” falou, quase por entre os dentes. “é algo que nunca tinha visto na minha vida, isso eu garanto.” não estava querendo ser diretamente grossa com ele, porque a sua falta de feitos futebolísticos e arrogância de sobra não era um problema que deveria ser exposto ao jogador diretamente em uma interação completamente alheia do esporte, visto que nem sequer elena o conhecia na vida real. contudo, que estava morrendo de vontade, era verdade. “acho que podemos já considerar que o que importa é a tentativa, não é? nem sempre tudo funciona.” não estava sendo bem direta, mas, imaginava que ele acabaria entendendo. nem mikael hofmann poderia ter um nível de noção tão baixo para não entender que estava levando algum tipo de fora. “não tinha muito o que ter arruinado, na verdade, eu não estava realmente prestando atenção.” não realmente, porque tudo o que conseguia pensar era que nem ácido sulfúrico conseguiria tirar aquela imagem de seus olhos. o seu irmão do meio, diego, certamente acharia o máximo quando contasse aquilo. por alguma razão que ela ainda não tinha entendido, ele idolatrava o palhaço parado em sua frente. quando o percebeu sentar no banco, sentiu vontade de sacudir aquele homem para ver se entrava algum nível de realidade na cabeça dele. “bom, nós dois sabemos que aassim que sair vai esquecer qualquer coisa que eu falar pra você, então, eu acho melhor me poupar da apresentação pra poupar tempo.” retrucou, cruzando os braços sobre a blusa do arsenal. “olha, foi mal, mas… não tô interessada, tá bem? confia em mim, visitar aquela mesa lá vai ser uma noite bem mais interessante que tentar a sua sorte aqui. eu já tenho minhas opiniões sobre você, uma cantoria não vai mudar.” parou um instante, corrigindo-se: “para pior, talvez, porque você realmente assassinou uma parte de ice ice baby, e eu nem sabia que isso era possível. e eu ainda achava que a sua maior ofensa era ser pé torto.”
A ideia de ser rejeitado era tão inexistente em sua cabeça que nunca interpretaria a fala da outra como algo parecido. Uh, ela está se fazendo de difícil, foi o que ele pensou. E isso apenas fez com que ele a quisesse ainda mais. Simplesmente porque era desse joguinho que ele gostava, achava divertido quando elas tentavam resistir ou fingiam não se importar, apenas para tornar tudo mais divertido e um pouco duradouro. Era assim que enxergava as suas relações, por toda a sua vida. “ Ah, mas foi só a primeira tentativa. Não pense que desisto fácil. ” Uma piscadela e um sorrisinho no canto do rosto que, sim, era inegavelmente bonito, mas para quem já nutrisse algum tipo de aversão por ele, era mais fácil achar insuportável as pretensões arrogantes. “ Acho isso um pouco difícil. ” Balançou a cabeça, mais uma vez, confiante demais. “ Dizer que eu não chamo atenção é o mesmo que dizer que… Bom, que você não chama a atenção. ” Admitiu, por mais que a comparação fosse de péssimo tom, a intenção era boa. Apesar de ainda claramente bêbado, também estava incrivelmente honesto, e a voz já quase começava a soar normal e menos arrastava do que minutos antes. “ É a mulher mais bonita daqui. ” E isso também era verdade. Provavelmente uma das mais bonitas que já viu e, como ele bem gosta de se gabar, já havia visto - e dormido - com mulheres belíssimas. Era algo que ele costumava dizer em voz alta, mas dessa vez havia apenas dito em pensamento; uma única bola dentro desde o início da interação. Já estava com o filme queimado antes mesmo de falar com ela, as coisas só pioravam, dizer aquilo só a faria criar ainda mais asco em relação a ele. O falatório dela quase confundiu a mente ébria do homem, mas ele conseguiu captar palavras o suficiente para sua expressão de autoconfiança mudar para um cenho franzido e um olhar confuso. “ Tá aí algo que você não lê nas revistas: eu não sou o tipo de bêbado que esquece. ” Anunciou o que era verdade, porém nunca havia se embebedado como dessa vez, então era difícil afirmar que se lembraria da conversa no dia seguinte. “ E… pé torto? Quem diz isso são os torcedores do Barcelona. Não é possível que você seja uma delas. ” Relembrou de quando foi comprado por um time gigante como o Real Madrid, trazendo alegria aos torcedores nos primeiros meses, até começar a se envolver em polêmicas demais e ficar mais conhecido por elas do que por sua arte no campo. Ganhou o apelido de pé torto e, por mais que não o afetou tanto quanto deveria, ainda era um de seus pontos fracos. “ Eu me aposentei com honras. Ganhei a bola de ouro por três anos consecutivos, sete no total, mais de 700 gols, desempenho impecável por anos. Uma fase ruim não me define. E você claramente não entende de futebol para me falar uma merda dessas. ” Eram bons argumentos, mas ditos de maneira arrogante perdiam um pouco da essência. O tom de voz mudou gradualmente para um mais irritado, ao ponto que falava os pontos altos de sua carreira.
a perfeita cara de paisagem marcava o semblante feminino enquanto escutava as palavras do homem, e era impossível não considerar o quanto ele realmente estava acreditando que a sua persistência poderia acabar tendo algum resultado. quem sabe conseguiria mais simpatia sua caso não o conhecesse, porque mikael era inegavelmente bonito, e a ideia de se deixar levar pelo charme de alguém assim não poderia ser vista como alguma forma de absurdo; contudo, nada poderia sair assim enquanto estivessem em uma realidade na qual elena somente o enxergava como a pedra no seu sapato esportivo. então, o enxergava da forma mais artificial possível. “obrigada, eu acho,” murmurou, tendo de se segurar para não suspirar em desdém. “não sei até onde vale o elogio, porque você tem a maior cara de que falaria exatamente isso pra qualquer outra mulher aqui.” mesmo que não conhecesse mikael pessoalmente, os comentários que escutava sobre as novas aventuras românticas de sua vida eram suficientes para ter uma imagem muito desagradável sua naquele âmbito. nem era somente por sua opinião imparcial em relação aos times e a carreira do homem, mas, porque apostava que deveria ser um belo de um canalha fora dali também. e gostava de pensar que identificava um daqueles de longe. achava muito difícil estar julgando o ex-jogador de maneira imprecisa, quando estava certa de que ele vinha com um discursinho pronto pro ataque assim que encontrava alguma mulher que lhe chamasse minimamente o interesse. com todos os anos de prática, duvidava até que se desse ao trabalho de variar um pouco com o teor das investidas - é bem possível que houvesse tentado aquele show de horrores de sua cantoria com outras antes, para que pudesse sair como engraçadinho e descontraído. “até onde você lembra, não é o bêbado que esquece.” retrucou, apoiando os cotovelos sobre a mesa. “o quê?” por um momento, franziu o cenho. então era aquilo que preocupava ele? era bem a cara de um jogador como aquele se incomodar por ser chamado daquilo, quando não parecia fazer muita coisa para que o apelido parasse de assombrá-lo. ele poderia ter jogado melhor durante o seu tempo no real madrid, quem sabe, ao invés de apenas sair por aí reclamando que estavam indignados com a sua participação falha. “é, ganhou a sua pilha de bolas de ouro, meus parabéns, mas já parou pra pensar pelo quê as pessoas te conhecem? por ter seus prêmios, ou por todas as fofocas da sua vida? polêmicas em campo? ah, corta essa, pelo amor de deus.” bufou, revirando os olhos. “queria eu torcer pro barcelona, quem sabe assim tivesse visto o jogo inteiro sem ficar me contorcendo de raiva pelos gols que você perdia. o maior presente que o barcelona ganhava era um jogo com você de titular. e eu nem vou falar dos passes que só você achava que conseguiria concluir sozinho, quando outro cara estava livre, e aí o outro time roubava a bola.” disparou as reclamações, aproveitando que já estavam falando sobre ele. “uma fase ruim não define ninguém, mas nós que torcemos temos todo o direito de ficarmos com raiva da quantidade de gols que alguém acaba perdendo por burrice ou, sei lá, ego. e agora você ainda foi pro tottenham?!” era quase uma ofensa pessoal para elena, que se considerava uma enorme fã do arsenal - o time, inclusive, que estampava a camiseta que usava -, de quem o tottenham era rival. não poderia fazer mal o suficiente para o real madrid, ainda tinha que atrapalhar o arsenal? “se colocasse metade desse esforço de bancar o gostosão pra melhorar, esse seu apelido de pé torto não tinha pego tão fácil.”
mastwrminds:
a resposta dela arrancou um revirar de olhos de zachary, que imaginava mesmo que acabaria escutando algo assim. a mulher era mimada, envolta em uma realidade completamente distante da sua, e era uma coisa impossível não se incomodar com a maneira em que parecia achar que o mundo tinha de curvar a si próprio em sua vontade. pois bem, poderia esperar sentada. não faria nada apenas por isabela chavez estar se achando no direito de comandá-lo. “cara, em que planeta você tá? acha mesmo que eles vão nos deixar cuidar dele cada um de um jeito, com tudo o que aconteceu? o kit vai precisar de uma estabilidade.” falava daquela forma como se não tivesse tido o mesmo surto interno alguns momentos mais cedo, quando se dava conta do que seria necessário para conseguirem tomar conta da criação dele da melhor maneira possível. não queria conviver com isabela por mais um minuto sequer e, com toda a certeza, era bem provável que acabassem se matando caso permanecessem muito tempo num ambiente só - as estatísticas de ambos não eram nada positivas. entretanto, era por christopher. teriam de dar um jeito de aprender a lidar um com o outro mesmo que a mera presença dela o fizesse revirar os olhos. as vezes em que havia saído de um cômodo da casa dos amigos apenas porque a outra estava lá não eram poucas, e imaginava que a contagem dela não estivesse tão diferente assim. “acredite, eu também ‘tô bem longe de pular de felicidade. por mim, era muito mais fácil organizar, sei lá, dias, horários e a merda que for, mas acho bem improvável resolverem por isso.” respirou fundo, passando a destra pelos fios de cabelo em sua nuca, tentando pensar em como conseguiriam sobreviver um ao outro num momento como aquele. estava se sentindo um merda desde a perda do melhor amigo, e agora ganhava aquele presente de deus em sua vida, no formato de uma tagarela mimada e irritante. “oi?” parou com a linha de pensamento que tentava formar em sua mente, virando o rosto outra vez na direção dela. ela só poderia estar brincando com a sua cara. “mas você tá louca? pra achar que eu vou sair do meu apartamento pra ir morar de favor no seu sofá…” não tinha uma ideia melhor, mas aquilo era uma coisa com a qual se negaria. “a gente vai pensar melhor nessa parte. tem que ter outra opção.” ele sabia que seu apartamento de um quarto, infelizmente, não era uma, então nem ofereceu. quando zach escutou a maneira que ela tinha se referido a si, bufou em desgosto; aquela mulher era ridícula, quem é que xingava outra pessoa de rato? deveria ter batido a cabeça no chão quando criança, só isso poderia explicar aquelas ideias. entretanto, ela tinha um ponto, por mais que doesse lhe admitir. “depende, eu acho que consigo fingir que você não é irritante agindo por aí que nem personagem de desenho, mas você vai mesmo conseguir esconder a sua cara de nojo pra mim toda vez que eu falar algo? é bom que esteja em dia com as suas aulas de teatro, chavez.”
Revirou os olhos para a fala dele, sem realmente um argumento. O que era uma droga, já que ela adorava retrucá-lo mas, naquele momento, precisavam mesmo concordar. Pensando com mais cuidado, a opção mais óbvia era mesmo que morassem juntos para criar o afilhado, mas levou algum tempo até que sua ficha caísse. O que ela não entendia era como ele parecia estar tão conformado com aquilo. Bufou, cruzando os braços e inconformada com as coisas não saindo como ela planejava. Isabela não estava acostumada com aquilo. Não apenas porque, dentro da sua bolha, as pessoas faziam o que fosse para vê-la feliz, mas porque ela sempre planejava cada passo. Era difícil que não tivesse resposta para algo de sua vida ou seu futuro, e aquela era primeira vez que o destino interferia tão gravemente a ponto de nem mesmo ela conseguir uma solução viável para si mesma e os outros. Naquele momento, ela precisaria fazer algo que não estava acostumada: colocar outra pessoa em primeiro lugar. E fazer isso com Christopher era fácil, o problema era o bônus de morar com Zachary. Então, a fala dele soou como uma lâmpada iluminando a cabeça dela. “Ainda podemos fazer isso.” Começou, ajeitando-se na cadeira e pensando em como o plano parecia brilhante, na teoria. “Considerando nossos trabalhos, a gente pode organizar horários para nos vermos pouco ou quase nunca. Quer dizer, ainda teríamos de nos falar vez ou outra, e passar datas festivas juntos, mas pelo menos o dia a dia vai ficar mais suportável.” E assim, como sempre, tomou as rédeas como se coubesse a apenas ela tomar decisões. Já tinha coisas em mente, como quem levaria ou buscaria a criança na escola e outras atividades extras, ou quem prepararia o almoço ou jantar. “A sua ideia é alugar outra casa com três quartos? Porque na minha cama você não dorme.” Afirmou, com o tom de voz que indicava achar um absurdo acordar ao lado dele. “Aliás, se você me chamar de louca de novo, eu arranco a sua língua.” Era quase uma promessa vazia, visto que não era uma assassina e nem teria condições de arrancar a língua de alguém. Mas, certamente, iria atazanar a vida dele de alguma forma. A palavra era quase um gatilho sobre um relacionamento passado. Isabela abriu a boca, puxando o ar em tom de indignação pelo que ouvia. “Personagem de desenho? Do que você está me chamando exatamente?” Perguntou em tom de provocação, abrindo logo depois um sorriso cheio de deboche. “Posso tentar não fazer cara de nojo se não falar nenhuma idioti-” A fala foi interrompida pela porta se abrindo, então Isabela se ajeitou na cadeira e trocou o sorriso por uma expressão mais séria, como se tivessem passado os últimos minutos falando com muita seriedade sobre o assunto. A mulher sentou-se de frente para eles, com um sorriso de conforto, perguntando se haviam conversado e o que haviam decidido. Para variar, Isabela começou a falar sem nem dar tempo do outro responder. “Bom, nós ainda vamos acertar alguns detalhes, como onde vamos morar com ele, mas nunca foi uma opção deixá-lo para trás.” Ela garantiu, a única coisa em que os dois concordaram desde o início. Também, a única verdade que disse até agora. Então começou a pequena farsa. “Nós concordamos de ficar lá em casa hoje, porque é maior, mais confortável. Até decidirmos onde vamos ficar definitivamente.” Agora não tem jeito, ele teria de aceitar a ideia dela, já que combinaram de não fazer uma cena na frente da assistente social. Isabela esticou a mão para tocar a dele, enquanto olhava para a mulher. “Zach é um ótimo padrinho para o Kit. Fico feliz de dividir essa responsabilidade com alguém tão responsável e parceiro como ele.” Redirecionou seu rosto para Zachary, com um olhar de que dizia “sua vez de mostrar ser um bom ator”.
imitou a outra em sua reação, bufando de volta enquanto a escutava apresentar a sua proposta. queria e muito entender o que exatamente passava na mente daquela mulher e, se em algum momento, estivera realmente considerando todas as suas ideias como as melhores apresentadas e que não tinham a menor possibilidade de dar errado. com uma vida de provavelmente nunca escutar não de uma pessoa sequer, não era surpreendente que vivesse daquela maneira. “então a sua ideia é ficarmos nos ignorando através de um cronograma?” estaria mentindo se dissesse que, apesar de tudo, a possibilidade de não ter de ver a cara dela frequentemente não o soava atrativa. “já esperava de você muito pior, mas, olha… que merda, só de pensar em resolver tudo isso tudo já me dá dor de cabeça. não sei até onde essa viagem aí é realmente viável ou se eu só tô sonhando com a ideia de não precisar te aguentar o tempo todo mesmo.” a maior preocupação que precisavam ter, apesar de tudo, era em garantir que as coisas que resolveria entre eles afetariam christopher o mínimo possível. a vida do afilhado já estava bagunçada o bastante, e não queria acabar piorando tudo. quando ouviu as palavras da chavez, a encarou com certa incredulidade, quase rindo. “se enxerga, minha filha.” zach retrucou, um tanto indignado. “te garanto que eu prefiro dormir no chão que dividir a cama com você. alugar a outra casa ainda é uma ideia menos pior que ter que morar no seu sofá, mas, sei lá, a gente resolve isso, não tem como decidir tudo em cinco minutos.” passou a mão pelo cabelo, o estresse ocasionando uma pontada de dor de cabeça. “uh, nossa, eu tô morrendo de medo.” retrucou. em sua defesa, tinha sugerido que estava agindo como uma, não que realmente o era. “tô falando que você anda por aí parecendo a versão mais irritante possível da wanda dos padrinhos mágicos, ou alguma outra merda dessas.” na verdade, não tinha muitos exemplos em mente, então improvisou ao se lembrar de um desenho que sua prima alguns anos mais nova estava sempre assistindo quando zach ficava de babá dela. estava prestes a retrucar mais quando percebeu que a porta se abria, fazendo com que ele não perdesse um segundo sequer em endireitar a sua postura na cadeira e descruzar os braços, apoiando as mãos cruzadas sobre o colo. precisou de todo o seu esforço para não revirar os olhos com o avanço tão rápido da outra, pensando em como deveria estar querendo mostrar serviço e passar a imagem de ser prestativa. quando a escutou falar que ficariam na casa dela, então, a sua vontade de fuzilá-la com seus olhos foi tanta que precisou apertar com força as mãos. seria bem capaz que viesse a óbito de tanto estresse que ela lhe causava. e, se alguma vez havia sorrido com tamanha falsidade, não se lembrava, porque estava quase rangendo os dentes ao sentir a mão dela na sua. “é, e a isabela… o kit gosta muito dela, são bem apegados. sei que ela vai ser ótima cuidando dele.” era o melhor que conseguia sem precisar apelar para mentiras deslavadas - o que precisaria, e muito, para falar bem da mulher. “a gente vai formar um ótimo time, não vão ter que se preocupar. faz alguns anos que nos conhecemos já, então sabemos funcionar juntos, né, isa?”
mastwrminds:
se tentasse resgatar de sua mente a memória exata da última conversa que teve com o ex-namorado, a mulher perceberia a facilidade com que esta tenderia a escapulir. muitos anos haviam se passado, e era sempre mais fácil tentar esquecer certos acontecimentos para diminuir a dor que acabaram causando. o que estava certa era de que nunca imaginaria reencontrá-lo daquela maneira, em frente à sua casa com uma garotinha junto dele, e que a atividade tão comum de sair caminhando pelas vizinhanças atrás dos doces característicos da época o traria até sua porta. quando notou o sorriso nos lábios masculinos, não pode evitar sentir um certo frio na barriga: era tal como ela se lembrava. “que eu mal pergunte, mas qual seria o plano das travessuras que realmente seriam muito travessuras? agora eu fiquei até curiosa.” tentou entrar na onda dela, sabendo que deveria estar empolgada com aquele tipo de coisa. “eu adorava fazer essas coisas também.” acrescentou, rindo um pouco com uma lembrança na sequência em sua mente. “ainda lembro de quando traumatizei a minha prima com o ghostface. a gente estava vendo pânico três na televisão, era alugado, mas eu e o irmão dela tínhamos visto no cinema uns dias antes. aí ele se vestiu assim e deu um susto nela que… até hoje tem raiva.” emma deu de ombros, ainda rindo. embora não tivesse irmãos, sempre fora muito próxima dos primos, filhos da irmã de sua mãe.
quando percebeu a reação da garotinha, teve de se controlar para não rir. “muito prazer em te conhecer, charlie. eu sou a emma.” se apresentou, abrindo mais um sorriso para ela. com a notícia do homem, não se conteve em arregalar os olhos, num claro demonstrativo de surpresa - era bem possível que estivesse até de queixo caído. “não acredito! a aly?! alison hannigan? a que falava como se fosse impossível se apaixonar assim por alguém?” arqueou as sobrancelhas, acabando por rir com a informação recebida tamanho o seu choque. “nossa, quem é o sortudo ou sortuda? manda os meus cumprimentos pra ela.” se lembrava da ex-cunhada muito bem, e sempre tinha gostado de suas conversas no tempo em que namorou o irmão da mesma. e, tal como tinha acontecido com arthur após o seu término, não sabia como tinha se desenrolado a vida; não existia a mesma facilidade de comunicação que atualmente. embora, reconhecesse, que fora muito melhor não ter de ver fotos de arthur passando em suas redes sociais enquanto enfrentava o rompimento da relação. o questionamento de charlie a pegou de surpresa, porém, imaginava que os dois deveriam ter imaginado que ela acabaria curiosa. “que feio, não pode mentir pra ela. por acaso não conhece a maldição da múmia?” revirou os olhos. não sabia muito bem o que falar, mas, como o ex-namorado tinha lhe passado a palavra, e fora um questionamento direcionado para si, tentou fazer a mente funcionar de uma forma coerente na resposta. “nos conhecemos desde a escola, acredita? quando ainda morava aqui, seu pai foi meu primeiro namorado, na verdade, mas já faz bastante tempo.”
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Charlotte terminava de mastigar quando ouviu a pergunta dela, o sorriso travesso surgindo gradualmente em seu rosto enquanto se preparava para explicar. “Primeiro, eu jogaria todos os seus ovos pelo chão da cozinha. Depois, papel higiênico molhado no teto do banheiro. E se eu soubesse a senha do seu celular, colocaria um despertador 4 da madrugada com som de risada maligna. Muahahaha!” Ela imitou o tal riso maléfico, caindo na risada depois. Arthur sacudiu a cabeça em negação, mas o sorrisinho no canto do rosto. Seria irresponsável dizer que estava orgulhoso da criatividade da filha? E é claro que se lembrava da vez em que Charlie estava chateada com ele e, por pirraça, jogou ovos pelo chão da cozinha. A garotinha precisou limpar tudo e nunca mais esqueceu do trabalho que deu. Desde esse dia, sempre dizia que adoraria a oportunidade de pregar essa peça no Halloween, mas ninguém nunca deixava, é claro. Charlie prestava atenção à história que Emma contava, e Arthur estava simplesmente de coração preenchido por ver a interação entre elas correr tão bem. “Eu também ficaria. Só gosto de dar susto.” A pequena admitiu, rindo do que a mais velha acabara de contar. Apesar de ser o mais razoável possível, às vezes beirando à irresponsabilidade, Arthur era cuidadoso com alguns temas, e não entendia a fascinação da pequena com Halloween e coisas de terror quando o mais próximo que ela já assistiu foi A Família Addams ou Coraline.
O homem riu com a descrição sobre a irmã, confirmando com a cabeça que era verdade sobre o casamento. “Maria é o nome da noiva. Nome de santa, deve ser isso. Porque só um milagre para colocar uma aliança naquele dedo.” Riu ao dizer, lembrando de como já gastou quase todo o seu repertório de piadas sobre a irmã ex-desapegada, usando todas as palavras que um dia ela disse contra si mesma. O tópico sobre a irmã parecia muito mais confortável de falar do que o relacionamento passado deles, mas ele deveria ter previsto que a curiosidade da filha falaria mais alto. Faladeira como ela, sabia que Charlie jamais deixaria para fazer a pergunta depois, quando estivessem à sós. No mesmo minuto que a resposta veio, a criança abriu a boca e arregalou os olhos, virando o rosto na direção do papai e sussurrando, não muito discretamente. “Essa é a Emma?” Foi a vez do pai arregalar os olhos, surpreso por ela se lembrar. Olhou para a ex-namorada, então para a filha, com a boca entreaberta e emitindo apenas sons sem nenhum significado. Relaxou a face e deixou escapar um riso, que misturava o nervosismo e o quase alívio por pensar que era bobeira ficar nervoso por isso. “Sim, essa é a Emma.” Respondeu olhando para a pequena, então ergueu o olhar para a mais velha. “Há alguns anos, ela viu uma foto nossa e perguntou quem era. Não imaginei que ela fosse lembrar.” Justificou, lembrando-se de como a garotinha correu com toda animação, perguntando se era a mãe dela. Agradeceu pelo silêncio da filha, que voltou a se ocupar de comer os doces, mas os olhos pareciam ainda atentos aos adultos. “Mas e você, Ems?” Chamou-a pelo apelido, sem perceber. “O que fez nos últimos… dezessete? Uau! Dezessete anos, fiz as contas certas?”
o comentário do homem quanto a sua cunhada arrancou uma risada de emma, que cobriu os lábios por alguns segundos com os dedos da mão esquerda para disfarçar. “realmente, só uma santa milagrosa pra conseguir um feito desses tão rápido assim. imagino que esteja tirando muito a paciência da aly com essas piadas, uh?” arqueou as sobrancelhas, abrindo um sorriso. quando charlie realizou a indagação, não conteve um vincar de cenho e uma expressão confusa de surgirem em seu rosto. charlie sabia quem era ela?! “ah,” murmurou, dando uma risada nervosa. na verdade, começava a sua nova rodada de surpresas por ele ainda ter uma foto deles. não que emma tivesse se livrado de tudo, porque tinha certeza de que suas caixas na casa da mãe estavam recheadas de algumas fotos antigas de ambos, mas… ainda assim. uau. seja lá o que significasse, uau. “sério? nem achei que lembraria de mim depois desses anos.” tudo bem, estava exagerando, mas imaginava que a repetição da risada nervosa entregava que ela não sabia muito o que dizer. “que foto era?” não se conteve de questionar, apoiando seu corpo no arco da porta. “caramba, dezessete?!” murmurou, fazendo as contas mentalmente. “nossa, é… uau, dezessete anos já. da última vez em que eu te vi, ainda não tínhamos nem idade pra beber legalmente. que coisa estranha.” franziu o cenho, rindo. “mas… eu terminei a faculdade e acabei fazendo direito depois, foram uns bons anos até conseguir me livrar de textos acadêmicos na minha vida.” com seus três primeiros anos da universidade sendo dedicados para a primeira graduação, em psicologia, antes de ter enfim o diploma para se inscrever nas provas para o curso de direito, havia sido cansativo. nunca mais queria ver um texto daqueles em sua vida, e isso que sempre fora boa aluna - não por nada que havia estudado na georgetown. “fiquei uns anos lá em washington pela faculdade, aí voltei depois direto pra cá. agora trabalho na defensoria pública, acredita? é bem cansativo, as coisas acumulam de uma hora pra outra, mas eu gosto.” deu de ombros, como se não fosse nada. “e com você, como andam as coisas?”
AMANDA SEYFRIED TODAY with Hoda & Jenna (October, 2024)
Peter Gadiot as James Valdez in Queen of the South 5.10