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CORDELIA & XANDER in “WHAT’S MY LINE PT. 2″
revirou os olhos com a resposta dela, sem a menor ideia de como aguentaria uma convivência vitalícia com isabela chavez. porque era isso que a relação de ambos seria a partir daquele momento, se tivesse de ser terrivelmente realista: se os dois estariam cuidando de christopher até a maioridade do afilhado, no mínimo, estariam na vida um do outro por ao menos mais uma década inteira. não sabia se a ficha disso havia caído para ela ainda, mas zach mal poderia esperar sumir de sua frente para processar qual era o buraco em que estava enfiado. amava seu afilhado e faria de tudo por ele, só não sabia como não acabaria internado com a perspectiva de anos aguentando a mulher mais insuportável que já viu. “não vou ser eu quem vai te impedir, se tá com tanta vontade assim de ficar enchendo o saco. quando fizer o cronograma, vê se coloca um tempo pra comprar sua passagem de volta pro mundo real.” revirou os olhos. a maneira com que se comportava como uma criança de nove anos na presença dela, francamente, era praticamente um mérito de estudo. por uma razão que simplesmente não era possível de ser explicada em poucas palavras, a mulher parecia despertar o pior de zachary com uma facilidade jamais vista. “ah, tá. disse a grande mulher madura que tá querendo me ofender usando bocó.” o gallardo retrucou em claro deboche, como se o próprio não houvesse iniciado aquele tópico de ofensas quando a comparou com a wanda. entretanto, se existia algo que zach era com facilidade na presença de isabela, era hipócrita. poderia criticá-la por horas por algo que ele mesmo fazia, sem perceber toda a ironia por um minuto sequer.
a entrada da assistente no cômodo outra vez os obrigava a manter as aparências de um jeito que não os entregasse como a dupla completamente desastrosa que eram. entretanto, zachary não era o melhor em disfarçar certas coisas; diferente da mulher ao seu lado, sua personalidade não era completamente artificial por natureza. ao menos, era o que dizia a si mesmo para justificar como não exibia toda a sua confiança automaticamente e estava praticamente rangendo os dentes para não acabar soltando alguma resposta extra sobre a discussão anterior - a infeliz era muito melhor naquilo do que ele. a olhou pelo canto do olho ao sentir o aperto em sua mão, contendo ao máximo que era capaz suas expressões e, em um ponto mais perigoso, a própria língua. precisavam mostrar que poderiam fazer aquilo. por kit. “por favor, nós só queremos começar a tentar ajeitar a situação pra ele.” apesar do contexto, zach tinha sido sincero. queria acabar com aquele momento terrível de uma vez. escutou com o máximo - que, na situação em que se encontrava, não era muito - de atenção que conseguiu todas as informações que ela repassava, até que foram levados para aguardar o afilhado do lado de fora. “se for pra acabar com a dor de cabeça o mais rápido possível, que seja. mas o problema entre a gente não costuma vir de mim.” bom, em cinquenta por cento do tempo, na verdade vinha. só não seria ele a admitir isso. “só… vamos aguentar ser civilizados por vinte e quatro horas. você já extravasou o suficiente antes, dá pra aguentar um pouco mais agora.” resmungou. “e, antes que você comece, vou calar a boca do meu lado também.” ao menos poderia tentar. “acho que é ele vindo…”
Isabela soltou um suspiro exasperado ao ver Zachary revirando os olhos, como se estivesse sendo forçado a aturar uma situação absurda. Talvez fosse mesmo, mas ela não conseguia entender como ele não percebia que ela estava no mesmo barco. A convivência vitalícia que ele tanto dramatizava não era exatamente um sonho para ela também. Mas diferente dele, ela não estava tão disposta a deixar as diferenças de lado para terem uma boa convivência. Bastava fingir na frente de Christopher, ela acreditava. Respondeu à provocação dele de maneira igualmente imatura, mostrando a língua e fazendo uma careta. Zachary se comportava como se fosse um mártir condenado a suportá-la pelo bem de Kit, quando, na verdade, ela sentia que era ela quem perderia mais por ter de conviver com ele. No fundo, sabia o quão difícil era de se conviver, cheia de manias, regras, exigências... mas jamais admitiria isso, especialmente para ele. Isabela arqueou uma sobrancelha ao ouvi-lo debochar de sua escolha de insulto, como se não tivesse acabado de compará-la a uma vilã de desenho animado. “ Você quer falar de maturidade? Foi você quem me comparou com um desenho infantil. ” murmurou, cruzando os braços. A ironia era quase cômica — se Zachary Gallardo fosse estudado, certamente encontrariam um gene da hipocrisia em seu DNA, ela podia jurar, sem perceber que aconteceria o mesmo com ela. Porque quando se tratava um do outro, eles se tornavam esse tipo de pessoa.
A entrada da assistente no cômodo foi um lembrete desagradável de que precisavam se portar como adultos responsáveis, pelo menos por alguns minutos. Isabela manteve a expressão serena, que parecia à beira de ranger os dentes. Como ele esperava que ninguém notasse sua frustração se estava praticamente estampada em sua cara? Talvez se tivesse um pouco mais de controle emocional, não precisaria lutar tanto para se conter. Apertou a mão dele de leve, um gesto puramente estratégico, para reforçar a imagem de que estavam lidando com a situação juntos. Mas quando seus olhos cruzaram por um breve momento, percebeu que ele tentava ao máximo segurar a língua. Bom. Pelo menos ele estava se esforçando, então ela faria o mesmo na frente dos outros. “ Eu também quero ajeitar isso por Kit. ” Dessa vez, sua voz saiu mais baixa, mas carregada de verdade. No final, era só isso que importava.
Ela escutou a assistente com atenção, absorvendo cada informação importante, depois aguardando do lado de fora. Zachary, claro, não perdeu tempo em jogar outra provocação no ar. Isabela revirou os olhos, mas conteve qualquer resposta impulsiva. O problema não vinha dele? Que piada. Isabela diria que, se não fosse a culpa dividida, ele carregava a maior parte dela, mesmo sabendo o quão implicante poderia ser. “ Ótimo, então faça um favor para nós dois e mantenha essa boca fechada pelo máximo de tempo possível. ” O tom dela foi seco, mas sem o veneno usual. Estava cansada daquilo. Queria apenas resolver tudo sem mais brigas inúteis. Quando Zachary mencionou Kit, ela automaticamente ergueu os olhos, o coração apertando ao ver o afilhado vindo em sua direção. Toda a irritação, toda a exaustão causada por Zachary desapareceu por um instante. Nada mais importava além do menino. O seu rosto pareceu ficar radiante, leve e um sorriso gentil lhe estampou a face ao sentir o garotinho a puxando para um abraço — infelizmente triplo, obrigando os dois adultos a ficarem próximos demais. “ Ei, amor. Pronto pra ir pra casa? ” Perguntou quando se afastaram, o mesmo sorriso carinhoso que pertencia apenas à Kit (e a mãe dele, antes de partir). O pequeno assentiu e, sem hesitação, segurou uma mão dela e outra de Zachary. Isabela lançou um olhar rápido para o homem ao seu lado, um entendimento silencioso entre os dois. Independentemente de suas diferenças, tinham algo em comum: Kit vinha primeiro. Sem mais palavras, os três seguiram juntos para a casa dela.
ENCERRADO.
Isabela soltou um suspiro exasperado ao ver Zachary revirando os olhos, como se estivesse sendo forçado a aturar uma situação absurda. Talvez fosse mesmo, mas ela não conseguia entender como ele não percebia que ela estava no mesmo barco. A convivência vitalícia que ele tanto dramatizava não era exatamente um sonho para ela também. Mas diferente dele, ela não estava tão disposta a deixar as diferenças de lado para terem uma boa convivência. Bastava fingir na frente de Christopher, ela acreditava. Respondeu à provocação dele de maneira igualmente imatura, mostrando a língua e fazendo uma careta. Zachary se comportava como se fosse um mártir condenado a suportá-la pelo bem de Kit, quando, na verdade, ela sentia que era ela quem perderia mais por ter de conviver com ele. No fundo, sabia o quão difícil era de se conviver, cheia de manias, regras, exigências... mas jamais admitiria isso, especialmente para ele. Isabela arqueou uma sobrancelha ao ouvi-lo debochar de sua escolha de insulto, como se não tivesse acabado de compará-la a uma vilã de desenho animado. “ Você quer falar de maturidade? Foi você quem me comparou com um desenho infantil. ” murmurou, cruzando os braços. A ironia era quase cômica — se Zachary Gallardo fosse estudado, certamente encontrariam um gene da hipocrisia em seu DNA, ela podia jurar, sem perceber que aconteceria o mesmo com ela. Porque quando se tratava um do outro, eles se tornavam esse tipo de pessoa.
A entrada da assistente no cômodo foi um lembrete desagradável de que precisavam se portar como adultos responsáveis, pelo menos por alguns minutos. Isabela manteve a expressão serena, que parecia à beira de ranger os dentes. Como ele esperava que ninguém notasse sua frustração se estava praticamente estampada em sua cara? Talvez se tivesse um pouco mais de controle emocional, não precisaria lutar tanto para se conter. Apertou a mão dele de leve, um gesto puramente estratégico, para reforçar a imagem de que estavam lidando com a situação juntos. Mas quando seus olhos cruzaram por um breve momento, percebeu que ele tentava ao máximo segurar a língua. Bom. Pelo menos ele estava se esforçando, então ela faria o mesmo na frente dos outros. “ Eu também quero ajeitar isso por Kit. ” Dessa vez, sua voz saiu mais baixa, mas carregada de verdade. No final, era só isso que importava.
Ela escutou a assistente com atenção, absorvendo cada informação importante, depois aguardando do lado de fora. Zachary, claro, não perdeu tempo em jogar outra provocação no ar. Isabela revirou os olhos, mas conteve qualquer resposta impulsiva. O problema não vinha dele? Que piada. Isabela diria que, se não fosse a culpa dividida, ele carregava a maior parte dela, mesmo sabendo o quão implicante poderia ser. “ Ótimo, então faça um favor para nós dois e mantenha essa boca fechada pelo máximo de tempo possível. ” O tom dela foi seco, mas sem o veneno usual. Estava cansada daquilo. Queria apenas resolver tudo sem mais brigas inúteis. Quando Zachary mencionou Kit, ela automaticamente ergueu os olhos, o coração apertando ao ver o afilhado vindo em sua direção. Toda a irritação, toda a exaustão causada por Zachary desapareceu por um instante. Nada mais importava além do menino. O seu rosto pareceu ficar radiante, leve e um sorriso gentil lhe estampou a face ao sentir o garotinho a puxando para um abraço — infelizmente triplo, obrigando os dois adultos a ficarem próximos demais. “ Ei, amor. Pronto pra ir pra casa? ” Perguntou quando se afastaram, o mesmo sorriso carinhoso que pertencia apenas à Kit (e a mãe dele, antes de partir). O pequeno assentiu e, sem hesitação, segurou uma mão dela e outra de Zachary. Isabela lançou um olhar rápido para o homem ao seu lado, um entendimento silencioso entre os dois. Independentemente de suas diferenças, tinham algo em comum: Kit vinha primeiro. Sem mais palavras, os três seguiram juntos para a casa dela.
ENCERRADO.
não conteve mais uma risada ao escutá-lo realizando uma imitação da irmã, maneando a cabeça em negação como se estivesse incrédula com ele ainda ser tão hábil em fazer isso. “como esquecer? se a gente ficasse cinco minutos se abraçando pra algum lado, ela já saía dizendo que a gente deveria estar querendo se fundir. ou fazia sons de vômito toda vez que nos via juntos.” embora, nesse caso em específico, o juntos se referisse a situações em que estavam se beijando. piscou algumas vezes ao ouvir a resposta de arthur, certa nostalgia a atingindo ao escutar aquela expressão tão específica ao referir-se aos dois. “bom saber que ainda existem homens sem memória completamente seletiva por aí.” soltou uma risada um pouco nervosa, por não saber bem como respondê-lo. “ah…” murmurou, demorando muito menos do que o recomendado - ou o imaginado pela própria emma - para se recordar exatamente de qual foto ele estava falando. “me lembro. no meu, tinha a tirinha com as fotos que tiramos no parque daquela feira de outono que fomos uns meses depois.” sorriu com a lembrança. amava aquela tirinha, e estava quase certa de que deveria estar em alguma de suas caixas no quarto antigo da casa de sua mãe. “ah, obrigada.” não conteve um sorriso com o comentário sobre sua inteligência. “uhum! gostei bastante, mas acabou sendo mais como… um meio para um fim do que realmente um sonho como carreira, sabe? achei que iria fazer a minha vida com a psicologia, e acabei só pegando o meu diploma e me inscrevendo pras faculdades de direito.” explicou. “eu só consigo imaginar todo o tipo de lugar em que você foi… vai ter que me contar o top 5, no mínimo.” abriu um sorriso.
riu com a resposta que a garotinha deu ao pai, mas acabou com os olhos arregalados ao perceber que estava realmente se virando para sair da varanda e deixar o pai para trás. “meu deus, ela é ligada na tomada.” imaginava que era somente mais um dia normal para charlie. ainda assim, não conseguiu deixar de sentir um aperto com o reencontro que se encaminhava ao fim, e não haviam motivos claros para que se vissem outra vez. “consigo imaginar a canseira que ela deve te dar, e isso que só tem seis anos. imagina quando aprender a dirigir?” ergueu as sobrancelhas, achando a situação consideravelmente engraçada. “ah, quem diria? a sua mãe bem te falava que você ainda ia ter muito sofrimento no futuro pra entender tudo o que ela havia passado cuidando de você.” na época, eram novos demais para realmente imaginarium que arthur acabaria entendendo a situação com a própria filha. estava um pouco incerta de como prosseguir, considerando que ele estava prestes a ir embora e não fazia a menor ideia de quando - e se - o veria novamente, quando as palavras dele a fizeram encará-lo com certa surpresa. arqueou as sobrancelhas e entreabriu os lábios. outrora, arthur fora uma das pessoas mais importantes de sua vida. o escutar dizer que gostaria de conversar outra vez… bom, mexia consigo .“eu estou livre amanhã, sim! depois das seis, mas é alguma coisa. saio da defensoria por aí.” quase ofereceu de se encontrarem em seu horário de almoço, porém, estaria tão nervosa que dificilmente almoçaria. pegou o celular do bolso e alcançou para ele, espiando para ver se charlie não havia sumido de sua vista. “coloca o seu número nos meus contatos, e eu te mando uma mensagem depois? o que acha. eu… também quero conversar mais com você. faz uma vida inteira que a gente não se vê.” não era bem um exagero. “e ficou me devendo o seu top 5 de lugares, no mínimo. de que adianta viver aventuras se não vai contar aos outros sobre?” gracejou, sorrindo de canto. “foi bom te poder te ver, archie.”
Arthur riu com a lembrança das provocações de Alison, balançando a cabeça. O tom era divertido, mas ao olhar para Emma, sentiu uma pontada de nostalgia. Como se, por um instante, voltassem a ser aqueles adolescentes que não se desgrudavam nos corredores da escola. Ao ouvi-la mencionar a tirinha de fotos do parque, seu sorriso se alargou. “ Aquela feira foi incrível. Você insistiu pra gente ir na roda-gigante três vezes seguidas. ” Ele se lembrou da forma como ela riu naquela noite, da brisa fria bagunçando seus fios loiros, do jeito que se encaixava contra ele sem nem perceber. Ela ainda era inteligente, perspicaz, determinada. Nada daquilo o surpreendia, porque sempre soube que Emma conquistaria o que quisesse. “ Então a psicologia foi só um passo no caminho pro direito? Faz sentido. Você sempre teve esse espírito de justiça. ” Fez uma pausa, encarando-a com admiração. “ Mas então eu sou obrigado a fazer um top 5 agora? Hmm… Difícil, hein. ” Brincou, mas a verdade era que já estava escolhendo mentalmente os lugares. Os mais bonitos, os mais significativos. E ansioso para dividir tudo com ela; não do jeito que sempre idealizou, mas já era alguma coisa.
Charlie, no entanto, roubou sua atenção ao simplesmente dar as costas e sair da varanda, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Arthur sacudiu a cabeça enquanto ria, acostumado a vê-la aloprando por aí. A menina já estava na próxima casa, determinada a conseguir mais doces. Ele soltou uma risada cansada, esfregando a nuca. “ Sim, ela é assim o tempo todo. Eu tive de me acostumar. Seis anos de caos. ” Suspirou teatralmente. A menção à mãe fez Arthur rir. “ Ela adoraria saber que estava certa. E, infelizmente, estava mesmo. ” Suspirou, como se carregasse um grande fardo, mas o brilho nos olhos entregava o carinho que sentia pela filha.
Quando fez o convite para se encontrarem, notou a surpresa nos olhos de Emma. Ele próprio ficou um pouco surpreso por ter tomado aquela atitude, mas não se arrependeu. Queria vê-la de novo. E quando ela aceitou, sentiu um alívio e um entusiasmo que não esperava. “ Depois das seis, perfeito. Assim tenho tempo de me preparar para a entrevista que você claramente vai fazer sobre os meus destinos favoritos. ” Pegou o celular dela e digitou seu número, gravando o contato com o nome 'Archie' antes de devolver o aparelho. “ Foi bom te ver também, Ems. ” A voz saiu mais suave do que pretendia, mas não tentou corrigir. Com um último olhar, virou-se e desceu os degraus da varanda, acelerando o passo para alcançar Charlie antes que ela causasse algum desastre.
ENCERRADO.
semicerrou os olhos ao encará-lo durante sua aproximação. se não estivesse tão certa de suas convicções, até estaria mexida com a forma com que se aproximava e não tirava os olhos dela. ou o fato de que ele conseguia ser ainda mais bonito ao vivo que nas fotos e vídeos que circularam a internet desde o início de sua vida pública. entretanto, elena não era boba. mikael hofmann não valia nem o prato que comia. “meio difícil não saber as peculiaridades da sua vida, se você esfrega na cara de todo mundo pra verem.” pontuou, virando o rosto levemente. revirou os olhos com as palavras seguintes dele. “o céu vai cair antes de eu ter uma obsessão sobre você. não tenho vinte anos pra me emocionar por esse tipo de besteira.” retrucou. “sabe, eu conseguir citar suas polêmicas não é um mérito que diz sobre mim, mas sobre você. já pensou no tipo de imagem que todo mundo tem?”
“o treinador deveria te amar, facilitando tanto assim a vida dos jogadores dele. deve ter alguma estátua sua escondida no estádio do barcelona.” retrucou. se estivesse no lugar dos torcedores de lá, adoraria ter um idiota daqueles sendo a estrela do outro time. mas, não, estava ocupada sofrendo com a raiva que era torcer pelo real madrid nos anos de mikael hofmann como titular. era de deixar qualquer pessoa maluca. “pode levar o que quiser, quem vai estar vivendo numa realidade paralela não sou eu.” bebeu um último gole de sua cerveja e fez um sinal para o atendente alcançar outro copo, embora se perguntasse se não deveria usar isso como uma deixa para ir embora. “bom, sempre dizem que pior não se pode ficar. mas quem tá dando o dinheiro não sou eu.” abriu um sorriso amarelo.
“te garanto que você vai superar. já tá bem grandinho.” respondeu em tom claramente de deboche, fazendo um bico com os lábios. o comentário seguinte dele a fez realizar um gesto de desdém. era até de impressionar alguém o quanto aquele homem possuía um talento bizarro para distorcer tudo de forma a encaixar naquela realidade paralela em que vivia. “você tá se colocando como uma prioridade meio exagerada na minha vida, mas agradeço pela preocupação.” estalou a língua. “nem começa com essa de meu docinho, pelo amor de deus” fez uma careta. “você nunca aprendeu a falar com uma mulher sem usar direto a cartada do sou bonito, famoso e rico e conseguir tudo com isso?” estava certa de que a resposta era não, embora ele não fosse admitir. “meu nome é elena, mas não precisa queimar seus neurônios decorando.”
Mikael sustentou o olhar de Elena, um sorriso divertido dançando nos lábios, mas os olhos denunciavam um lampejo de frustração mal disfarçada. Ela não apenas rebatia cada provocação dele sem hesitação, como parecia se divertir mais do que ele com a troca de farpas. Interessante. Poucas mulheres tinham essa ousadia – e menos ainda resistiam ao charme que ele sabia ser eficiente. “ Acredite, meu docinho, eu aprendi a falar com mulheres de várias formas. Só que elas geralmente preferem quando eu uso essa cartada. ” respondeu, inclinando-se ligeiramente para frente, como se estivesse lhe confiando um segredo. O tom era baixo, quase conspiratório, mas carregado daquela autoconfiança exagerada que o definia.
Ele repetiu mentalmente o nome dela. Elena. Gostava de saber nomes, embora raramente se desse ao trabalho de lembrar depois. Mas esse, por algum motivo, grudou em sua mente. Talvez fosse a forma como ela dizia tudo com tanta certeza, como se realmente acreditasse que não seria afetada por ele. Um desafio tentador; pois era assim que ele a enxergava. “ Mas que desperdício de charme, hein? ” Continuou, observando-a com uma expressão quase divertida. “ Você é mesmo dura na queda. Deve ser uma experiência nova pra mim. ” Antes que pudesse soltar outra provocação, ela terminou sua bebida e se levantou. Sem hesitação. Sem olhar para trás. Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso por um breve instante, antes de recostar-se no assento, observando-a se afastar sem sequer lhe dar um último olhar. “ Já está indo? ” A pergunta saiu com uma leve ironia, mas não recebeu resposta. Apenas o som dos passos de Elena se misturando ao barulho do bar. Mikael bufou baixinho, passando a língua pelos dentes. Não gostava de ser deixado falando sozinho.
Mas algo nele dizia que aquele não seria o último encontro entre os dois.
ENCERRADO.
Mikael sustentou o olhar de Elena, um sorriso divertido dançando nos lábios, mas os olhos denunciavam um lampejo de frustração mal disfarçada. Ela não apenas rebatia cada provocação dele sem hesitação, como parecia se divertir mais do que ele com a troca de farpas. Interessante. Poucas mulheres tinham essa ousadia – e menos ainda resistiam ao charme que ele sabia ser eficiente. “ Acredite, meu docinho, eu aprendi a falar com mulheres de várias formas. Só que elas geralmente preferem quando eu uso essa cartada. ” respondeu, inclinando-se ligeiramente para frente, como se estivesse lhe confiando um segredo. O tom era baixo, quase conspiratório, mas carregado daquela autoconfiança exagerada que o definia.
Ele repetiu mentalmente o nome dela. Elena. Gostava de saber nomes, embora raramente se desse ao trabalho de lembrar depois. Mas esse, por algum motivo, grudou em sua mente. Talvez fosse a forma como ela dizia tudo com tanta certeza, como se realmente acreditasse que não seria afetada por ele. Um desafio tentador; pois era assim que ele a enxergava. “ Mas que desperdício de charme, hein? ” Continuou, observando-a com uma expressão quase divertida. “ Você é mesmo dura na queda. Deve ser uma experiência nova pra mim. ” Antes que pudesse soltar outra provocação, ela terminou sua bebida e se levantou. Sem hesitação. Sem olhar para trás. Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso por um breve instante, antes de recostar-se no assento, observando-a se afastar sem sequer lhe dar um último olhar. “ Já está indo? ” A pergunta saiu com uma leve ironia, mas não recebeu resposta. Apenas o som dos passos de Elena se misturando ao barulho do bar. Mikael bufou baixinho, passando a língua pelos dentes. Não gostava de ser deixado falando sozinho.
Mas algo nele dizia que aquele não seria o último encontro entre os dois.
ENCERRADO.
Stella’s Last Weekend (2018) Directed by Polly Draper
Keeley, Phoebe and Roy in TED LASSO 2x01 “Goodbye Earl”
CORDELIA & XANDER in “WHAT’S MY LINE PT. 2″
imitou a outra em sua reação, bufando de volta enquanto a escutava apresentar a sua proposta. queria e muito entender o que exatamente passava na mente daquela mulher e, se em algum momento, estivera realmente considerando todas as suas ideias como as melhores apresentadas e que não tinham a menor possibilidade de dar errado. com uma vida de provavelmente nunca escutar não de uma pessoa sequer, não era surpreendente que vivesse daquela maneira. “então a sua ideia é ficarmos nos ignorando através de um cronograma?” estaria mentindo se dissesse que, apesar de tudo, a possibilidade de não ter de ver a cara dela frequentemente não o soava atrativa. “já esperava de você muito pior, mas, olha… que merda, só de pensar em resolver tudo isso tudo já me dá dor de cabeça. não sei até onde essa viagem aí é realmente viável ou se eu só tô sonhando com a ideia de não precisar te aguentar o tempo todo mesmo.” a maior preocupação que precisavam ter, apesar de tudo, era em garantir que as coisas que resolveria entre eles afetariam christopher o mínimo possível. a vida do afilhado já estava bagunçada o bastante, e não queria acabar piorando tudo. quando ouviu as palavras da chavez, a encarou com certa incredulidade, quase rindo. “se enxerga, minha filha.” zach retrucou, um tanto indignado. “te garanto que eu prefiro dormir no chão que dividir a cama com você. alugar a outra casa ainda é uma ideia menos pior que ter que morar no seu sofá, mas, sei lá, a gente resolve isso, não tem como decidir tudo em cinco minutos.” passou a mão pelo cabelo, o estresse ocasionando uma pontada de dor de cabeça. “uh, nossa, eu tô morrendo de medo.” retrucou. em sua defesa, tinha sugerido que estava agindo como uma, não que realmente o era. “tô falando que você anda por aí parecendo a versão mais irritante possível da wanda dos padrinhos mágicos, ou alguma outra merda dessas.” na verdade, não tinha muitos exemplos em mente, então improvisou ao se lembrar de um desenho que sua prima alguns anos mais nova estava sempre assistindo quando zach ficava de babá dela. estava prestes a retrucar mais quando percebeu que a porta se abria, fazendo com que ele não perdesse um segundo sequer em endireitar a sua postura na cadeira e descruzar os braços, apoiando as mãos cruzadas sobre o colo. precisou de todo o seu esforço para não revirar os olhos com o avanço tão rápido da outra, pensando em como deveria estar querendo mostrar serviço e passar a imagem de ser prestativa. quando a escutou falar que ficariam na casa dela, então, a sua vontade de fuzilá-la com seus olhos foi tanta que precisou apertar com força as mãos. seria bem capaz que viesse a óbito de tanto estresse que ela lhe causava. e, se alguma vez havia sorrido com tamanha falsidade, não se lembrava, porque estava quase rangendo os dentes ao sentir a mão dela na sua. “é, e a isabela… o kit gosta muito dela, são bem apegados. sei que ela vai ser ótima cuidando dele.” era o melhor que conseguia sem precisar apelar para mentiras deslavadas - o que precisaria, e muito, para falar bem da mulher. “a gente vai formar um ótimo time, não vão ter que se preocupar. faz alguns anos que nos conhecemos já, então sabemos funcionar juntos, né, isa?”
Isabela revirou os olhos para a resposta de Zachary, mas, dessa vez, não tinha um argumento à altura. O que era uma droga para ela, já que adorava retrucá-lo, mas naquele momento, precisavam mesmo concordar. Ela se ajeitou na cadeira, cruzando os braços em frente ao peito enquanto absorvia cada palavra dele. Pensava em como aquele plano realmente parecia o mais sensato, por mais que fosse a última coisa que ela queria fazer. Se conformar em morar sob o mesmo teto que ele era a única maneira de garantir estabilidade para Christopher. Ela suspirou profundamente, sua expressão fechando em uma careta quando Zach mencionou a possibilidade de se ignorarem através de um cronograma. A ideia até fazia sentido para ela, embora soubesse que seria um grande desafio para sua própria paciência e para a dinâmica caótica que os dois compartilhavam. “ Se enxerga você! Se for preciso fazer um cronograma para encarar sua cara feia o menos possível, eu farei! ” Provocou, bufando com impaciência. Enquanto ele falava sobre a possibilidade de alugar outra casa, Isabela lançou um olhar cético para o homem, quase rindo. A perspectiva de compartilhar qualquer espaço íntimo com ele era um completo absurdo para ela. A mera sugestão de dividir uma cama com Zachary a fez balançar a cabeça em desgosto, como se estivesse diante da ideia mais ridícula do mundo. Mesmo irritada, ela se viu perdida por um segundo, sabendo que ele estava certo em pelo menos uma coisa: decidir tudo aquilo em poucos minutos era impossível. “ Ah, então veja só, somos uma dupla perfeita! Eu sou a Wanda, inteligente e madura, e você é o Cosmo, um grande bocó! ” Devolveu a provocação com ironia, por mais que tivesse ficado realmente irritada por ser comparada com uma personagem que considerava chata, ela não perderia a oportunidade de devolver a alfinetada; mesmo que isso significasse falar mal de um personagem que ela adorava.
Assim que a porta se abriu, Isabela mudou imediatamente sua postura. Ela se endireitou, ajeitou os ombros e assumiu uma expressão mais séria, como se os últimos minutos tivessem sido uma conversa extremamente profissional e bem alinhada. Ela manteve seu sorriso controlado enquanto falava com a mulher à sua frente, exibindo a confiança e a certeza de que Zachary precisava seguir o roteiro que ela havia traçado. A pressão para manter as aparências era algo que ela fazia com maestria, e nem o leve toque das mãos deles – claramente desconfortável para ambos – poderia tirá-la do papel de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Isabela apertou a mão de Zachary de forma quase simbólica, como se fosse um sinal para que ele continuasse a fingir tão bem quanto ela. Por mais irritante que fosse a situação, Isabela estava determinada a controlar a narrativa, mostrar a quem quer que fosse que, apesar das diferenças, ela e Zachary dariam o seu melhor para formar uma dupla impecável para cuidar de Christopher, mesmo que isso significasse engolir seu orgulho. “ Sim, nós funcionamos bem juntos. Podemos já levar o Chris? Quero muito abraçá-lo e ficar com ele. ” Seu tom de voz mudou, mesmo sua expressão facial. Estava diferente, sentindo a dor da perda da amiga e querendo ficar com o afilhado. Havia passado os últimos dias com os avós, mas o testamento era claro: Isabela e Zachary deveriam ser os responsáveis pela criança. Quando o assistente social passou mais informações, sobre visitas frequentes, entrevistas e todo o resto, permitiu que os dois saíssem e esperassem do lado de fora. Iriam buscar o pequeno, enquanto os dois adultos aguardavam, um ao lado do outro. De braços cruzados, Isabela falou baixinho: “ Bom, hoje a noite é lá em casa, como já falei com o assistente social. Prometo me comportar, se você prometer o mesmo. ”
Isabela revirou os olhos para a resposta de Zachary, mas, dessa vez, não tinha um argumento à altura. O que era uma droga para ela, já que adorava retrucá-lo, mas naquele momento, precisavam mesmo concordar. Ela se ajeitou na cadeira, cruzando os braços em frente ao peito enquanto absorvia cada palavra dele. Pensava em como aquele plano realmente parecia o mais sensato, por mais que fosse a última coisa que ela queria fazer. Se conformar em morar sob o mesmo teto que ele era a única maneira de garantir estabilidade para Christopher. Ela suspirou profundamente, sua expressão fechando em uma careta quando Zach mencionou a possibilidade de se ignorarem através de um cronograma. A ideia até fazia sentido para ela, embora soubesse que seria um grande desafio para sua própria paciência e para a dinâmica caótica que os dois compartilhavam. “ Se enxerga você! Se for preciso fazer um cronograma para encarar sua cara feia o menos possível, eu farei! ” Provocou, bufando com impaciência. Enquanto ele falava sobre a possibilidade de alugar outra casa, Isabela lançou um olhar cético para o homem, quase rindo. A perspectiva de compartilhar qualquer espaço íntimo com ele era um completo absurdo para ela. A mera sugestão de dividir uma cama com Zachary a fez balançar a cabeça em desgosto, como se estivesse diante da ideia mais ridícula do mundo. Mesmo irritada, ela se viu perdida por um segundo, sabendo que ele estava certo em pelo menos uma coisa: decidir tudo aquilo em poucos minutos era impossível. “ Ah, então veja só, somos uma dupla perfeita! Eu sou a Wanda, inteligente e madura, e você é o Cosmo, um grande bocó! ” Devolveu a provocação com ironia, por mais que tivesse ficado realmente irritada por ser comparada com uma personagem que considerava chata, ela não perderia a oportunidade de devolver a alfinetada; mesmo que isso significasse falar mal de um personagem que ela adorava.
Assim que a porta se abriu, Isabela mudou imediatamente sua postura. Ela se endireitou, ajeitou os ombros e assumiu uma expressão mais séria, como se os últimos minutos tivessem sido uma conversa extremamente profissional e bem alinhada. Ela manteve seu sorriso controlado enquanto falava com a mulher à sua frente, exibindo a confiança e a certeza de que Zachary precisava seguir o roteiro que ela havia traçado. A pressão para manter as aparências era algo que ela fazia com maestria, e nem o leve toque das mãos deles – claramente desconfortável para ambos – poderia tirá-la do papel de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Isabela apertou a mão de Zachary de forma quase simbólica, como se fosse um sinal para que ele continuasse a fingir tão bem quanto ela. Por mais irritante que fosse a situação, Isabela estava determinada a controlar a narrativa, mostrar a quem quer que fosse que, apesar das diferenças, ela e Zachary dariam o seu melhor para formar uma dupla impecável para cuidar de Christopher, mesmo que isso significasse engolir seu orgulho. “ Sim, nós funcionamos bem juntos. Podemos já levar o Chris? Quero muito abraçá-lo e ficar com ele. ” Seu tom de voz mudou, mesmo sua expressão facial. Estava diferente, sentindo a dor da perda da amiga e querendo ficar com o afilhado. Havia passado os últimos dias com os avós, mas o testamento era claro: Isabela e Zachary deveriam ser os responsáveis pela criança. Quando o assistente social passou mais informações, sobre visitas frequentes, entrevistas e todo o resto, permitiu que os dois saíssem e esperassem do lado de fora. Iriam buscar o pequeno, enquanto os dois adultos aguardavam, um ao lado do outro. De braços cruzados, Isabela falou baixinho: “ Bom, hoje a noite é lá em casa, como já falei com o assistente social. Prometo me comportar, se você prometer o mesmo. ”
o comentário do homem quanto a sua cunhada arrancou uma risada de emma, que cobriu os lábios por alguns segundos com os dedos da mão esquerda para disfarçar. “realmente, só uma santa milagrosa pra conseguir um feito desses tão rápido assim. imagino que esteja tirando muito a paciência da aly com essas piadas, uh?” arqueou as sobrancelhas, abrindo um sorriso. quando charlie realizou a indagação, não conteve um vincar de cenho e uma expressão confusa de surgirem em seu rosto. charlie sabia quem era ela?! “ah,” murmurou, dando uma risada nervosa. na verdade, começava a sua nova rodada de surpresas por ele ainda ter uma foto deles. não que emma tivesse se livrado de tudo, porque tinha certeza de que suas caixas na casa da mãe estavam recheadas de algumas fotos antigas de ambos, mas… ainda assim. uau. seja lá o que significasse, uau. “sério? nem achei que lembraria de mim depois desses anos.” tudo bem, estava exagerando, mas imaginava que a repetição da risada nervosa entregava que ela não sabia muito o que dizer. “que foto era?” não se conteve de questionar, apoiando seu corpo no arco da porta. “caramba, dezessete?!” murmurou, fazendo as contas mentalmente. “nossa, é… uau, dezessete anos já. da última vez em que eu te vi, ainda não tínhamos nem idade pra beber legalmente. que coisa estranha.” franziu o cenho, rindo. “mas… eu terminei a faculdade e acabei fazendo direito depois, foram uns bons anos até conseguir me livrar de textos acadêmicos na minha vida.” com seus três primeiros anos da universidade sendo dedicados para a primeira graduação, em psicologia, antes de ter enfim o diploma para se inscrever nas provas para o curso de direito, havia sido cansativo. nunca mais queria ver um texto daqueles em sua vida, e isso que sempre fora boa aluna - não por nada que havia estudado na georgetown. “fiquei uns anos lá em washington pela faculdade, aí voltei depois direto pra cá. agora trabalho na defensoria pública, acredita? é bem cansativo, as coisas acumulam de uma hora pra outra, mas eu gosto.” deu de ombros, como se não fosse nada. “e com você, como andam as coisas?”
“ Pois é, a mesma Alison que dizia que compromisso era para os fracos! ” Ele brincou, com um tom bem-humorado. “ Ela acabou se apaixonando perdidamente pela María. E é claro que eu encho a paciência dela com piadinhas. Ela fazia o mesmo comigo quando a gente namorava. 'Você ficou um frouxo quando começou a namorar a Emma', lembra disso? ” Repetiu a fala de Alison, que chamava o irmão de frouxo simplesmente por vê-lo agir com um romantismo que nunca o imaginou realizar. Imitou uma das falas da mais velha, com uma voz mais fina e afetada, mas o riso que se seguiu depois indicava o carinho e diversão que tinha com aquelas lembranças.
Emma respondeu a pergunta de Charlie com compostura e um toque de humor, de forma leve e direta, falando sobre o tempo em que ela e Arthur eram namorados. O pai da garotinha assentiu, mostrando a Charlie que Emma estava sendo sincera. “ É claro que lembro! Mesmo que alguns não admitam, todo homem lembra do seu primeiro amor. ” Com naturalidade, ele falou as palavras, que tanto lhe pesaram por anos, mas agora soava nostálgico. Ainda assim, aquele incômodo no peito do 'e se...' apertou novamente, agora que estava de frente para a ex-namorada. Pigarreou, tentando disfarçar o clima, e respondeu sua próxima pergunta. “ A foto que ficava no meu armário da escola. ” Resumiu a fotografia que tiraram no primeiro dia de namoro: os dois muito jovens, ela vestindo seu casaco, ele abraçando-a por trás e cheirando seus cabelos, o sorriso radiante da loira iluminando a cena.
“ Direito? Uau! Você sempre foi mesmo muito inteligente. Conseguiu terminar Psicologia? ” Mostrou lembrar-se com muita clareza dos sonhos dela, e não sabia se deveria ser assim tão aberto sobre isso. Como explicar que se passaram dezessete anos, ele conheceu o mundo, tinha uma filha, e ainda se lembrava de detalhes sobre sua ex-namorada? Fez uma careta ao ouvir sobre os textos acadêmicos e a bagunça sobre a defensoria pública. Estava longe de se interessar por aquele tipo de coisa, ponto sobre si que não havia mudado. “ Viajando muito, você sabe. Conhecendo muitos lugares bonitos. ” Aqueles que viviam mostrando fotos na adolescência e que tinha o sonho de dividir com ela. Deu de ombros, como se não fosse grande coisa, e levou uma das mãos a cabeça de Charlie. “ Com essa pequena chata me acompanhando nos últimos seis anos. ” A loirinha reclamou da bagunça no cabelo e se afastou. “ Chato é você! ” Ela resmungou e os dois deram língua um para o outro. “ Agora você pode continuar aqui conversando com seu primeiro amor que eu vou buscar mais doces. Tchau, Emma. Tchau, papai. ”
Embasbacado com a cara de pau da criança e meio sem reação pela fala dela, mal teve tempo de segurá-la quando ela pulou da varanda e correu para a próxima casa. “ Charlie, espera! ” Ele gritou, mas ela já estava a caminho da porta ao lado. Virou-se para Emma, não querendo deixá-la para ir atrás da filha, mas conhecendo Charlotte o suficiente para saber que não poderia deixá-la sozinha por muito tempo. “ Ela é terrível! Pago todos os meus pecados por ter sido um filho rebelde, sabia? ” Ele brincou, rindo nervosamente e pensando em como perguntar o que realmente queria. Não queria que a conversa acabasse ali, tinha tanto o que gostaria de saber, queria ficar com ela um pouco mais e sentir aquela sensação gostosa de conversa com alguém que o amou de verdade e sempre o compreendeu. “ Você... ahn... está livre amanhã? Ou mais tarde? Ou qualquer dia na próxima semana? ” Levou as mãos ao bolso do casaco largo, parecendo um adolescente envergonhado chamando a garota que gostava para um encontro. O que ainda era estranho, pois mesmo nos seus quinze anos, ele nunca foi tímido e jamais ficou sequer um pouquinho nervoso quando convidou Emma para o primeiro encontro. “ Gostaria de conversar melhor, com mais calma, saber de você. Te contar minhas aventuras. Se quiser, é claro. ”
a perfeita cara de paisagem marcava o semblante feminino enquanto escutava as palavras do homem, e era impossível não considerar o quanto ele realmente estava acreditando que a sua persistência poderia acabar tendo algum resultado. quem sabe conseguiria mais simpatia sua caso não o conhecesse, porque mikael era inegavelmente bonito, e a ideia de se deixar levar pelo charme de alguém assim não poderia ser vista como alguma forma de absurdo; contudo, nada poderia sair assim enquanto estivessem em uma realidade na qual elena somente o enxergava como a pedra no seu sapato esportivo. então, o enxergava da forma mais artificial possível. “obrigada, eu acho,” murmurou, tendo de se segurar para não suspirar em desdém. “não sei até onde vale o elogio, porque você tem a maior cara de que falaria exatamente isso pra qualquer outra mulher aqui.” mesmo que não conhecesse mikael pessoalmente, os comentários que escutava sobre as novas aventuras românticas de sua vida eram suficientes para ter uma imagem muito desagradável sua naquele âmbito. nem era somente por sua opinião imparcial em relação aos times e a carreira do homem, mas, porque apostava que deveria ser um belo de um canalha fora dali também. e gostava de pensar que identificava um daqueles de longe. achava muito difícil estar julgando o ex-jogador de maneira imprecisa, quando estava certa de que ele vinha com um discursinho pronto pro ataque assim que encontrava alguma mulher que lhe chamasse minimamente o interesse. com todos os anos de prática, duvidava até que se desse ao trabalho de variar um pouco com o teor das investidas - é bem possível que houvesse tentado aquele show de horrores de sua cantoria com outras antes, para que pudesse sair como engraçadinho e descontraído. “até onde você lembra, não é o bêbado que esquece.” retrucou, apoiando os cotovelos sobre a mesa. “o quê?” por um momento, franziu o cenho. então era aquilo que preocupava ele? era bem a cara de um jogador como aquele se incomodar por ser chamado daquilo, quando não parecia fazer muita coisa para que o apelido parasse de assombrá-lo. ele poderia ter jogado melhor durante o seu tempo no real madrid, quem sabe, ao invés de apenas sair por aí reclamando que estavam indignados com a sua participação falha. “é, ganhou a sua pilha de bolas de ouro, meus parabéns, mas já parou pra pensar pelo quê as pessoas te conhecem? por ter seus prêmios, ou por todas as fofocas da sua vida? polêmicas em campo? ah, corta essa, pelo amor de deus.” bufou, revirando os olhos. “queria eu torcer pro barcelona, quem sabe assim tivesse visto o jogo inteiro sem ficar me contorcendo de raiva pelos gols que você perdia. o maior presente que o barcelona ganhava era um jogo com você de titular. e eu nem vou falar dos passes que só você achava que conseguiria concluir sozinho, quando outro cara estava livre, e aí o outro time roubava a bola.” disparou as reclamações, aproveitando que já estavam falando sobre ele. “uma fase ruim não define ninguém, mas nós que torcemos temos todo o direito de ficarmos com raiva da quantidade de gols que alguém acaba perdendo por burrice ou, sei lá, ego. e agora você ainda foi pro tottenham?!” era quase uma ofensa pessoal para elena, que se considerava uma enorme fã do arsenal - o time, inclusive, que estampava a camiseta que usava -, de quem o tottenham era rival. não poderia fazer mal o suficiente para o real madrid, ainda tinha que atrapalhar o arsenal? “se colocasse metade desse esforço de bancar o gostosão pra melhorar, esse seu apelido de pé torto não tinha pego tão fácil.”
Ele observava Elena enquanto ela falava, sua expressão serena, mas com um brilho de provocação nos olhos. Sabia que seu histórico fora dos campos não o favorecia, e estava ciente da imagem que muitos tinham dele. Mesmo assim, um sorriso de canto de boca apareceu quando ela mencionou que ele repetiria o elogio para qualquer outra mulher. Não que ela estivesse totalmente errada, claro, mas também não estava completamente certa. Havia algo nela que chamou sua atenção a primeira vista, e agora vendo a forma como ela o confrontava, mantinha-o interessado de uma maneira que poucas conseguiam. “ Você me conhece melhor do que eu imaginava, hein? ” Ele respondeu, em claro sinal de provocação, inclinando-se levemente para a frente, como se estivesse prestes a revelar um segredo. “ É assim que as obsessões começam, viu? ” Afastou o corpo, a postura impecável de quem tinha consciência corporal e uma autoconfiança exacerbada. Poderia estar apenas querendo irritá-la um pouco, mas, ele devia admitir, não seria nada mal uma mulher daquelas ficar obcecada por ele.
Mikael ouviu com atenção as críticas pesadas sobre sua carreira no Real Madrid e as provocações sobre seu desempenho. Ela sabia mesmo como tocar na ferida. Em vez de se irritar, Mikael manteve o sorriso, embora ligeiramente mais forçado, como se aquilo fosse um duelo que ele se recusava a perder. “ Então, é isso? Eu sou o maior presente que o Barcelona já ganhou? ” Ele riu, mas havia uma pontada de frustração por trás daquele riso que era quase imperceptível por trás de toda aquela assertividade. “ Eu nunca imaginei que estava te fazendo sentir tanto, meu docinho. Vou levar isso como um elogio. ” Quando ela mencionou seu novo time, Mikael quase podia ver o fogo nos olhos dela. O tom dela mudou quando mencionou o Tottenham, e só então ele foi capaz de notar a camiseta dela; o time rival ao qual ele estava treinando atualmente. Não pôde deixar de achar a paixão dela encantadora, mesmo que fosse direcionada contra ele. “ Eu vou para onde pagam melhor. E eles bem que estão precisando de um treinador bom, por isso fui contratado. ” Nem mesmo as duras críticas da imprensa e o desempenho baixo do time nos últimos jogos o faziam descer do pedestal que ele mesmo havia criado. Era quase como se vivesse num universo paralelo onde ainda era o jogador excepcional e respeitado que foi no início da carreira.
“ Pé torto? Agora você está pegando pesado. Desse jeito eu vou ficar magoado. ” Ele continuava com o falso tom de brincadeira, levantando as mãos ao peito, como se estivesse levando as ofensas na esportiva, mas estava longe disso. “ Mas eu vou te contar um segredo: se eu colocasse todo o meu esforço em melhorar, você não teria do que reclamar e, sinceramente, não sei se quero viver com o peso de te tirar o que mais gosta de fazer na vida. ” Arriscou uma outra provocação. Se ela queria irritá-lo, ele queria devolver, levá-la ao limite. Ele sabia que tentar mudar a opinião de Elena sobre ele seria uma tarefa árdua, e ele não estava disposto a tentar. “ Como você se chama mesmo, meu docinho? ”
Ele observava Elena enquanto ela falava, sua expressão serena, mas com um brilho de provocação nos olhos. Sabia que seu histórico fora dos campos não o favorecia, e estava ciente da imagem que muitos tinham dele. Mesmo assim, um sorriso de canto de boca apareceu quando ela mencionou que ele repetiria o elogio para qualquer outra mulher. Não que ela estivesse totalmente errada, claro, mas também não estava completamente certa. Havia algo nela que chamou sua atenção a primeira vista, e agora vendo a forma como ela o confrontava, mantinha-o interessado de uma maneira que poucas conseguiam. “ Você me conhece melhor do que eu imaginava, hein? ” Ele respondeu, em claro sinal de provocação, inclinando-se levemente para a frente, como se estivesse prestes a revelar um segredo. “ É assim que as obsessões começam, viu? ” Afastou o corpo, a postura impecável de quem tinha consciência corporal e uma autoconfiança exacerbada. Poderia estar apenas querendo irritá-la um pouco, mas, ele devia admitir, não seria nada mal uma mulher daquelas ficar obcecada por ele.
Mikael ouviu com atenção as críticas pesadas sobre sua carreira no Real Madrid e as provocações sobre seu desempenho. Ela sabia mesmo como tocar na ferida. Em vez de se irritar, Mikael manteve o sorriso, embora ligeiramente mais forçado, como se aquilo fosse um duelo que ele se recusava a perder. “ Então, é isso? Eu sou o maior presente que o Barcelona já ganhou? ” Ele riu, mas havia uma pontada de frustração por trás daquele riso que era quase imperceptível por trás de toda aquela assertividade. “ Eu nunca imaginei que estava te fazendo sentir tanto, meu docinho. Vou levar isso como um elogio. ” Quando ela mencionou seu novo time, Mikael quase podia ver o fogo nos olhos dela. O tom dela mudou quando mencionou o Tottenham, e só então ele foi capaz de notar a camiseta dela; o time rival ao qual ele estava treinando atualmente. Não pôde deixar de achar a paixão dela encantadora, mesmo que fosse direcionada contra ele. “ Eu vou para onde pagam melhor. E eles bem que estão precisando de um treinador bom, por isso fui contratado. ” Nem mesmo as duras críticas da imprensa e o desempenho baixo do time nos últimos jogos o faziam descer do pedestal que ele mesmo havia criado. Era quase como se vivesse num universo paralelo onde ainda era o jogador excepcional e respeitado que foi no início da carreira.
“ Pé torto? Agora você está pegando pesado. Desse jeito eu vou ficar magoado. ” Ele continuava com o falso tom de brincadeira, levantando as mãos ao peito, como se estivesse levando as ofensas na esportiva, mas estava longe disso. “ Mas eu vou te contar um segredo: se eu colocasse todo o meu esforço em melhorar, você não teria do que reclamar e, sinceramente, não sei se quero viver com o peso de te tirar o que mais gosta de fazer na vida. ” Arriscou uma outra provocação. Se ela queria irritá-lo, ele queria devolver, levá-la ao limite. Ele sabia que tentar mudar a opinião de Elena sobre ele seria uma tarefa árdua, e ele não estava disposto a tentar. “ Como você se chama mesmo, meu docinho? ”
Life as We Know It, 2010
@daisyjoners .
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