Há poucas pessoas que eu ame de verdade, e menos pessoas ainda de que eu tenha boa opinião. Quanto mais conheço o mundo, mais me sinto insatisfeita com ele; e a cada dia se confirma minha crença na incoerência de toda personalidade humana, e na pouca confiança que podemos depositar na aparência de mérito ou razão.
A literatura é, por assim dizer, uma pintura e um espelho; um espelho das paixões e de todos os nossos sentimentos; é, ao mesmo tempo, instrução e lição edificante; é crítica e um importante documento humano.
Daí inferi que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda sabedoria humana não vale um par de botas curtas.
Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo.
Sim, eu duvidava de quase tudo, para não falar de mim mesmo, tinha mesmo dúvidas se existia alguma coisa que pudesse ser chamado de “eu”, em momentos mais sombrios via-me como uma quantidade determinada de carne montada de acordo com certo esquema.
Um intelectual é alguém que, de hábito, não se distingue exatamente por seu intelecto. Atribui tal qualitativo a si mesmo para compensar a impotência natural que intui em suas capacidades.
Nunca limites o amor, filho, nunca por preconceito algum limites o amor (...) porque é o único modo de também tu, um dia, te sentires o dobro do que és.
Resolvi escrever uma resenha para a trilogia inteira, já que o fio da narrativa principal todo mundo já conhece das aulas de História. Nesses três livros, acompanhamos a vida de 5 famílias dos EUA, Inglaterra, País de Gales, Rússia e Alemanha, durante os grandes acontecimentos do século passado. Em Queda de Gigantes, temos a narrativa durante a Primeira Guerra Mundial, em Inverno do Mundo, vemos os personagens enfrentarem e Segunda Guerra Mundial, e em Eternidade por um Fio temos, por fim, a Guerra Fria.
Acompanhamos os personagens fictícios juntamente com personagens históricos, viverem momentos decisivos de um século muito conturbado. Passamos pelo sufrágio feminino, revolução russa, ascensão e queda do partido nazista, luta contra segregação racial nos EUA, construção e queda do Muro de Berlim, corrida nuclear durante a Guerra Fria e muitos outros acontecimentos importantes.
No decorrer da narrativa, Ken Follet dá ao leitor “acesso ao camarote” de momentos marcantes do século XX. E além de aprender e recordar muito sobre História, acompanhamos tudo isso de um ponto de vista diferente das salas de aula: percebemos como todos esses conflitos afetaram a vida de pessoas comuns. Elas tiveram sonhos interrompidos, foram separados de pessoas queridas e tiveram sua liberdade atacada por muitos anos. A sensação que fica depois de ler os livros é de ter visto de perto e vivido algumas das emoções que as pessoas que passaram por tudo aquilo viveram.
Um dos aprendizados principais da leitura desses livros é reafirmar a importância de estudar História para não repetirmos os erros do passado. Embora continuemos a ver muitos equívocos serem repetidos ao longo dos anos, é de extrema importância persistir e sempre relembrar o que foi feito de errado no passado que degringolou no mundo em que vivemos hoje.
Nos dias de hoje, a maior parte do muro de Berlim já não existe mais, porém alguns trechos foram preservados e se tornaram memoriais. É o caso da East Side Gallery, uma galeria de arte ao ar livre que expõe, em mais de 1 km de muro, artes de pessoas de diversos lugares do mundo. Nas resenhas, eu geralmente separo algumas citações que me marcaram durante a leitura, mas desta vez não consegui escolher nenhuma que representasse essas quase 3 mil páginas. Porém, escolhi uma das artes da East Side Gallery que me impactou muito e me lembrou da leitura desses livros. Uma escrita, ao lado do desenho do planeta Terra, diz em alemão “Du hast gelernt was freiheit heisst und das vergiss nie mehr” (“Você aprendeu o que é liberdade e nunca se esqueça disso.”)