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@bipolar-dis0rder
Existe uma melancolia antiga morando em mim.
Como se eu tivesse nascido com saudade das coisas antes mesmo de perdê-las.
Tudo me atravessa demais — a luz do fim da tarde, uma música distante, o silêncio depois das conversas felizes. Há beleza em tudo, mas quase sempre acompanhada de uma tristeza mansa, como se o mundo inteiro estivesse lentamente se despedindo de si mesmo.
E talvez o mais estranho seja isto:
parte de mim não sabe existir sem essa delicada ruína.
SH
“Malditas oportunidades perdidas.”
— Coldplay
há textos que nascem para nunca serem lidos. este é um deles. não porque me falte coragem, mas porque já não existe mundo suficiente para o que sinto.
o amor, em mim, tornou-se pensamento e isso é a pior das prisões. porque penso em você como quem tenta pensar Deus, sabendo que é impossível, mas incapaz de parar. o que nos une agora é a distância, e nela há uma beleza trágica que só quem sofreu entende. há uma dignidade na espera, uma fé no silêncio, uma poesia na desistência.
tu foste o meu antes e o meu depois. o resto da vida será apenas intervalo. e se algum dia o tempo apagar o teu nome, que ao menos reste o rumor destas palavras essa confissão escrita nas margens do que nunca aconteceu. com amor e desespero, de alguém que você marcou.
bevi.
beatriz, há mais de seis anos o tempo insiste em passar, mas não passa de mim. ele atravessa os calendários, muda as estações, troca as ruas de nome dentro da cidade mas em mim há ainda a mesma tarde suspensa onde os seus olhos me aconteceram. não me lembro exatamente da cor. a memória é uma péssima pintora, exagera sombras, apaga contornos. aprendi a seguir, é verdade. caminho como quem cumpre um destino burocrático. trabalho, converso, sorrio na medida social do sorriso. mas dentro de mim há um quarto fechado onde o ar ainda é daquele dia. amar outra pessoa foi possível; amar como amei como te amei, beatriz foi irrepetível. existe um chat abandonado onde te escrevo. um relicário digital, escrevo ali como quem escreve num diário que não me pertence mais. escrevo sabendo que você não verá. escrevo porque não escrever seria aceitar que terminou. e o que terminou fora continua interminável dentro.
ah... às vezes me pergunto se a maior tragédia não é o esquecimento, mas a impossibilidade de ser lido. penso que posso morrer tão simples como se apaga uma luz e você, jamais saberá que durante todos esses anos houve alguém que conversou com a sua ausência como se fosse presença. alguém que ainda procurava seus olhos em rostos alheios e sempre voltava decepcionado para casa.
Eu te odeio por me obrigar a viver a vida que eu vivo sem você. Não ligo pra como isso soa, mas eu odeio! Odeio ter que segurar o choro, não poder falar, ter que ir a lugares horríveis que eu jamais pisaria, ter que falar coisas mais horríveis ainda, coisas que eu JAMAIS falaria. Odeio ter que preencher cada maldita lacuna que ficou com as coisas mais imbecís. Odeio os domingos e todos os dias que vem depois dele. Odeio deitar na sala e ficar pensando no que estaríamos fazendo SE fôssemos. Li esses dias em um post idiota que se deveria ter sido, teria sido. Foda-se! Odeio essa merda também. Caralho, eu te odeio!!! Eu nem sei porque eu escrevo mais, eu nem sei qual a finalidade disso, eu nem sei porque eu insisto em achar que milagrosamente isso vai chegar até você e talvez, só talvez, você me mande uma mensagem pra encerrarmos esse maldito quase, esse maldito “espero que você fique bem” esse maldito “quem sabe um dia” eu odeio tudo isso!
Como você pode sabe? Olha a merda que eu me enfiei pra te esquecer. Eu me odeio.
Quando a lata de cerveja seca eu sinto sua falta.
Quando o cigarro apaga eu sinto sua falta.
Quando cai uma chuva persistente eu sinto sua falta.
Vejo suas fotos às vezes, não como uma maníaca stalker, ou talvez exatamente dessa forma, mas quando as vejo fico feliz.
Fico feliz quando vejo o que tem conquistado, os lugares que esteve, as pessoas que conheceu. De tudo que vejo a única coisa que sinto inveja é do quanto você é capaz de simplesmente não sentir minha falta.
Se um dia de alguma maneira você lesse meus textos, queria que soubesse que sinto falta de ter com quem conversar sobre qualquer coisa e não ficar me sentindo a pessoa mais estúpida do universo, sinto falta de poder assistir um filme e conversar sobre cada pequeno detalhe que me prendeu, sinto falta de poder falar sobre o céu, sobre o clima, sobre qualquer idiotice que eu posso querer conversar.
Sinto falta de te ouvir, o som da sua voz, sua risada, suas teorias, suas piadas inesperadas e o quanto você ama viajar, o quanto cultura é importante pra você e sinto falta de me dar conta do quanto esse mundo é pequeno comparado com a sua grandeza.
É só um texto idiota qualquer, depois de ter bebido uma ou mais cervejas, tragado um ou mais cigarros e com essa chuva teimosa e latente caindo.
Acho que vou sentir sua falta a cada nascer do sol, mas preciso aprender a viver com isso. Dez anos depois, tempo o suficiente pra saudade parar de arder, gostaria que fosse assim.