Se o coração grita, tudo bem. É bom o amor bater o pé, vez ou outra. Fazer drama é sinal de que a gente se importa, sabe. É um jeito de dizer que quer tá perto, preocupado se o outro comeu, se escovou os dentes, se está respirando. A gente cruza os braços, mas também cruza o caminho árduo do orgulho pra chegar até o outro lado, o lado do outro, e ficar lado a lado. São tantos lados que a gente até esquece qual é o nosso, mas nunca deixa de ser plural. Sentir raiva, por mais que alguns não acreditem, quer dizer sentir amor. A corda pode até balançar, mas acredite em mim, ela não arrebenta. Nunca. Então deixa o coração berrar, xingar, bater. Isso também faz bem. Ninguém se desfruta só de coisas boas o tempo inteiro, não. A gente também é gente e sente e pensa coisas ruins. O problema é quando o coração sofre, chora, sangra. Palavras de raiva cuspidas de cabeça quente podem até ser perdoadas, mas lágrimas de dor que rolam pelo travesseiro gelado são difíceis de serem esquecidas. Moral da história: brigue, mas não machuque. Pior do que sentir vontade de matar é sentir vontade de morrer.
Capitule. (via diminuido)

















