face to face
FLASHBACK ~ Face to Face~ blasciusâ:
                                                   - NĂŁo. Eu nĂŁo faço sempre a coisa certa. Mas tento. Foi o que Epsilon respondeu mentalmente ao ouvir a frase de Bruiser. Desejou mostrar ao homem que nĂŁo era tĂŁo impecĂĄvel assim quando as pessoas pensavam, que errava muitas vezes tambĂ©m, mesmo que tentando acertar. Talvez tornasse tudo mais fĂĄcil para si mesma, num lugar onde certos erros eram imperdoĂĄveis. Aquela frase em particular a deixara totalmente desconfortavel, especialmente porque estava sentada ali despejando um monte de mentiras ao Major da policia. -Imagino que sim.- permitiu-se dizer, sem saber ao certo o que falar diante daquilo. Seus olhos sempre atentos nĂŁo deixavam o Major por nenhum segundo que fosse; observava as expressĂ”es corporais do outro, a expressĂŁo estampada em seu rosto na simples tentativa de entender o quĂȘ se passava na cabeça do outro.
O que ele dissera a seguir entĂŁo voltou a desestabiliza-la, mesmo que nĂŁo deixasse transparecer. Desejou nĂŁo ter ouvido aquilo, ou melhor, que ele simplesmente nĂŁo lhe pedisse mais nada alĂ©m do que jĂĄ havia pedido. Ainda sustentava o olhar dele, sua cabeça num turbilhĂŁo de ideias enquanto tentava assimilar todas de uma vez, para quem sabe, responder Ă altura daquele pedido. -Farei o meu melhor, Major.- murmurou, por fim, ignorando o fato de que os outros envolvidos provavelmente tambĂ©m jĂĄ tinham passado por esse âinterrogatĂłrioâ disfarçado de visita informal, e que Bruiser provavelmente jĂĄ tinha seus suspeitos. SĂł lhe restava tentar descobrir se de fato ela estava em sua mira.
Cansada daquela posição desconfortĂĄvel em que se encontrava tanto mentalmente quanto fisicamente, Cleopatra pĂŽs-se de pĂ© com certa calma nos movimentos; pegou os copos vazios em cima da mesinha de centro e os carregou atĂ© sua cozinha perto dali. Jogou ambos na lixeira, ainda conseguindo visualizar Bruiser sentado em seu sofĂĄ. Particularmente nĂŁo havia gostado da visita dele, nĂŁo daquela forma mais amigĂĄvel. Por mais que estivesse envolvida atĂ© o pescoço na morte de Tnofal, ainda preferia estar sentada em uma das salas do departamento de policia, vĂĄrios policiais ao redor, observando enquanto mentia outra vez. -Sabe Major, eu tambĂ©m estava na noite em que o Chanceler Magnus Veillon morreu. Apesar de usar roupa de gala, estava Ă trabalho.- Epsilon voltou a falar, logo que estava de volta Ă sala. Dessa vez nĂŁo sentara no sofĂĄ; escolhera observar janela afora, olhando bastante curiosa para as pessoas minĂșsculas lĂĄ embaixo. -Estava muito alerta naquela noite. Todos nĂłs estĂĄvamos por conta do the purge do lado de foraâŠ- seu par de olhos azuis perdia o brilho natural pouco Ă pouco, enquanto tocava num assunto bastante delicado mesmo depois de tanto tempo. -NĂŁo imaginĂĄvamos que com tanta segurança, ainda assim V conseguiria entrar no recinto e fazer o que fez.- pausa. Seu maxilar travado mostrava o quanto sentia Ăłdio da figura. Ădio do que ele fizera com ela, mesmo sem saber. Ădio esse que fez com que Epsilon atirasse sem hesitar na pessoa errada. -NĂŁo imaginĂĄvamos que ele conseguiria envenenar as bebidas eâŠ. matar tanta gente de uma vez sĂł.- ela deu de ombros, voltando seu olhar ao Major. NĂŁo queria continuar com o que passava em sua mente, ou dizer Ă ele o quanto desejava poder vingar a morte do seu amigo, encontrando V e fazendo-o pagar com a prĂłpria vida. Sabia que Bruiser esperto como era ligaria todos os pontos, e se jĂĄ nĂŁo soubesse, saberia de uma vez que estava frente Ă frente com o culpado que tanto procurava.
Talvez fosse a cafeĂna que nĂŁo surtia mais efeitos no corpo de Buiser ou o cansaço da noite em claro chegava com força total, mas naquele instante em que ficarĂĄ sozinho na sala, enquanto aguardava algum tipo de resposta de CleĂłpatra , sentiu-se exaurido de forças. O que ele mais queria naquele momento era encerrar aquele caso e deitar a cabeça no travesseiro, podendo dormir com a consciĂȘncia limpa e atĂ© mesmo sentir o Luto pela perda do amigo. NĂŁo tiveram tempo nem em pensar na morte do Chanceler como ser humano, e amigo, atĂ© conseguir resolver este caso o veria como vĂtima e um dos comandante supremo e superior direto. Antes que da mulher voltar a sala o Major jĂĄ havia se recomposto, recostando no encosto do sofĂĄ, seguindo-a com os olhos e a ouvindo atentamente. A princĂpio, nĂŁo entendeu porquĂȘ dela comentar do Chanceler Magnus. Mas nĂŁo a questionou.O olhar a acompanhava atĂ© a janela, de onde uma luz solar provinha uma iluminação delicada que beijava sua pele com o calor matinal, e pela primeira vez, reparou entĂŁo nas formas femininas da mulher que acentuaram-se no jogo de luz e sombra contrastantes . Se permitiu a observar alguns breves segundos, desviando em seguida o olhar para sua camisa, onde fingia arrumar um botĂŁo para que assim nĂŁo se perdesse no relato que a mulher fazia. O sentimento de culpa e rancor era evidente na voz dela. A curiosidade de observar as expressĂ”es corporais de CleĂłpatra era maior do que o respeito pela colega de trabalho, voltando a pousar o olhar sobre ela. Pensamentos começaram a martelar sua mente: Seriam estes sentimentos somente pelo ocorrido com Magnus ou era algum tipo de confissĂŁo velada em relação ao mais novo assassinato? Levantou-se do sofĂĄ caminhando calmamente em direção a CleĂłpatra - Foi muito triste mesmo o ocorrido. - Desviou o olhar do dela, desta vez por vergonha genuĂna, pois ele como responsĂĄvel da polĂcia especial era o culpado direto da falha da segurança. - Mas os erros desta ocasiĂŁo foram reparados, e nĂŁo pretendo cometĂȘ-los novamente. -  Voltou a encarĂĄ-la com seriedade e firmeza. - Eu entendo sua dor. PorĂ©m, nĂŁo sou homem de ficar ouvindo historinhas tristes.- Fez uma pequena pausa, buscando nĂŁo soar rude - Vim aqui para falarmos do caso atual.- Concluiu olhando nos olhos da mulher, agora ao seu lado. O Major jĂĄ estava exausto dessas conversas cansativas e meticulosamente pensadas. Cada pessoa que conversara atĂ© entĂŁo, precisava pensar no tipo de estratĂ©gia que usaria para que a pessoa soltasse o mĂĄximo de informaçÔes possĂveis. CleĂłpatra ainda era um mistĂ©rio. Devido a  isso, e diante aos poucos minutos de conversados com ela, vendo que nĂŁo obteria informaçÔes indiretas. decidira tentar ser  direto. Respirou fundo, com a intenção de deixar claro sua exaustĂŁo, fechando os olhos os reabrindo quase que imediatamente para voltar a fitar seus encantadores olhos- Minha conversa com vocĂȘ aqui hoje Ă© puramente para colher informaçÔes que podem me levar a um suspeito. - Conferiu o relĂłgio de pulso. Que mesmo sendo um objeto antiquado para a Ă©poca, era um acessĂłrio sempre presente na vestimento de Bruiser.- Mas atĂ© agora nĂŁo me deu nada com que eu pudesse seguir.- NĂŁo poderia permanecer por muito tempo alĂ, afinal tinha outras coisas para fazer. Prosseguiu entĂŁo - VocĂȘ sabe de alguma coisa  -  Disse firme, mantendo contato visual. O contato visual era fundamental - Todos os envolvidos sabem, e estĂŁo me escondendo. Posso sentir isso.- Respirou fundo, esfregando o polegar nos dedos como um caçador farejando sua presa. Olhou para fora da janela, como se estivesse vendo alĂ©m dos prĂ©dios. Voltou-se para ela antes mesmo de ficar um clima estranho e concluiu calmo como se estivesse contando uma histĂłria para uma criança.- Sabe senhorita Epsilon, eu sou um homem muito paciente, e sempre consigo o que eu quero. As vezes de maneira tranquila. As vezes nem tanto. - Uma histĂłria da qual a mocinha nĂŁo teria um final feliz caso o contrariasse. - EntĂŁo, por qual maneira vai me ajudar? -





