"Sim, sabia", e seu tom de voz indolente, tão despreocupado, acompanhava uma face neutra, tentando ao máximo não sorrir com as próprias piadas", tão temível quanto um dragão." Como se fosse um aviso, brusco e dramático, abriu a boca com um rugido falso, quase ronronando, e apenas tocou os dentes e os caninos estranhamente largos na pele exposta da jovem, ao longo de sua clavícula, dando um passo para trás com uma lufada de ar pelas narinas. "Você fala com muita certeza do que eu estou pensando. Cuidado pra não ficar arrogante demais, vão acabar te dando um título de duquesa", indicou com a cabeça o mundo lá fora, porque, para Gale, era simplesmente assim que (des)funcionava a realeza.
"Você consegue me culpar", comentou ligeiramente ébrio, embora não tivesse uma gota de álcool no corpo, aliviando a pressão da massagem para deixar que as mãos a percorressem acima do nível da água de forma mais… sucinta, basicamente espectrais, " por querer esticar aquela noite por mais alguns dias?" Mas teve que ajeitar a postura, colocando a coluna para trás, ereta tal qual em suas aulas de etiqueta. Os olhos o traíam, tentando se focar na face dela, mas continuamente caindo para a banheira, esperando que as bolhas deixassem de escondê-la, infrutífero. "Acho que você é quem é terrível", murmurou por dois motivos: primeiro, pela proximidade; e, segundo, por nem pensar enquanto falava, como se as cordas vocais estivessem hipnotizadas por aqueles lábios aos quais se…", sabia?", e teve que cair num riso curto ao vê-la se afastar, como armadilha que magnetizava sua presa.
Gale ponderou o convite, inconscientemente mordendo e lambendo a própria boca, tanto em dúvida quanto em vontade. Algo em seu âmago, provavelmente a personalidade insuportavelmente teimosa, não queria dá-la o completo prazer de simplesmente obedecê-la, ainda que, considerando a situação, fosse difícil não aceitar o chamado. "Beleza", disse, por fim, tendo uma ideia de como seguir o íntimo rebelde e acompanhá-la na banheira: simplesmente não se despiu além dos sapatos e das meias. De roupa tão nobre quanto os trajes informais de um khajol de boa família, sentou na beirada mais próxima a ela, passando uma e logo outra perna para dentro. A barra de sua camisa inicialmente flutuou; sem demora, porém, a capilaridade do tecido subiu pelo corpo do jovem, que praticamente se deitava sobre ela, com a cara mais pícara que tinha, maliciosamente divertida. "Oops. Acho que vou ter que lavar essa roupa depois, de novo."