REVIEW MÚSICA #1 - DUDA BEAT “SINTO MUITO”
A cantora Duda Beat é pernambucana e lançou seu primeiro álbum, Sinto Muito, em abril, disponível na íntegra no youtube e em plataformas de streaming.
Segundo revelou em uma entrevista recente, a cantora diz ter-se mudado para o Rio de Janeiro desde 2005, o objetivo era ingressar no curso de medicina ou direito. Atualmente cursa Ciências políticas, achou o curso apaixonante. Nesse meio tempo, outras paixões surgem, em suas palavras, “eu tive amores que nunca era o que eu queria”. A exaustão emocional a que foi levada por esses amores fugazes impulsiona a cantora e cientista política a seguir o conselho de uma amiga, que havia indicado um retiro de 10 dias. Ao retornar do retiro, com algumas faixas já escritas, mostra para seus amigos, também da cena musical, com quem havia feito algumas parcerias como backing vocal, ou em rodas de violão, e que sabiam de seu potencial, para ver no que poderia dar. E deu na produção do álbum que levou dois anos para ser finalizado. Em sua fala, como cantora independente, Duda enfatiza: “Sou a produtora fonográfica do meu disco, então tive que trabalhar para também bancar o meu sonho. Não é fácil, não é rápido, também por isso”. Em um país em que o incentivo à arte como ofício não é tão consistente, é sintomático, quando a arte fala mais alto, a insistência para entregar um trabalho tão laborioso e artístico como este. O resultado é uma viagem introspectiva, honesta e viciante, embalada por um som miscigenado, diverso, colorido, cheios de nostalgias e referências que à primeira vista seriam inusitadas, como o brega, o axé, o indie, o pop, e para aonde mais fluir.
Ao transformar sua dor em cura, a cantora expressa nas faixas que compõe disco sua experiência mais profunda sobre amar e desamar (“Bixinho”, “Pro mundo Ouvir", “Derretendo”, “Back To Bad", “Bédi Beat”, “Todo Carinho”), sobre empoderar-se e superar (“Ninguém Dança”, “Parece Pouco”, “Egoísta”, “Bolo de Rolo”).
Quem nunca se apaixonou sem ter a paixão correspondida? Apesar desta situação não ser nenhuma novidade, as desilusões amorosas vividas e cantadas por Duda Beat, nada têm de clichê. O caráter transparente em que expõe sua própria dor, seus medos, seus desejos, seu amadurecimento, seus arrependimentos e seu amor próprio, fala-nos diretamente. São as coisas, geralmente, não ditas, apenas sentidas. Sem intermediários, comunica dentro de nós sobre aquilo que sentimos em algum tempo, ou no agora; e sobre como podemos transformar o que sentíamos ou sentimos. Para cada um, atente, há um processo. O processo em Sinto Muito é categórico: ao mesmo tempo em que se desculpa pelo que foi vivido, informa que o que passou, não volta mais.