uma carta aberta para você: mãe
por tantas vezes tentei entender o que existe dentro de você que alimenta tanta ira. tentei ouvir, tentei compreender, mas as suas respostas nunca pareciam fazer sentido.
mas juro não conseguir entender como algo tão pequeno pode provocar tamanha revolta contra tudo e todos - as pessoas ao redor não possuem culpa por um vidro quebrado, se as mesmas a criaram para que tal tivesse esse fim.
existem coisas que não precisam ser questionadas, porque há formas mais simples e humanas de lidar com determinadas situações. quanto menor o problema, menor deveria ser o caos, já que, no fim, sempre há uma solução.
mas você insiste em afastar as pessoas, a qualquer custo — por um momento que dura 10 minutos — ou até menos — será que terá que aguardar todos baterem a porta para realmente me ouvir?
eu falo por experiência, já percorri esse caminho e sei onde ele leva. perdi pessoas importantes por não enxergar além do instante, e hoje carrego essa dor comigo... mas adivinha? não por minutos, horas ou dias, mas por toda uma vida. não vale a pena. e espero que um dia você entenda isso também.
existem momentos em que estamos exaustos do caos, da forma como temos percorrido essa estrada turbulenta. mas, quando o fim dessa linha finalmente chegar, a quem você irá pedir ajuda? todos aqueles que poderiam estender a mão já foram afastados por essa raiva que percorre suas veias, continuar com essa postura não leva a lugar nenhum.
há apenas uma saída para superar tudo isso: o diálogo.
as pessoas não querem ser pressionadas, muito menos maltratadas, disso a vida já as sobrecarrega o suficiente. elas precisam de afeto, de conversas que tragam clareza e soluções. é simples assim.
e é essa simplicidade que pode transformar o caminho.
eu te amo, esse é um mero desabafo.