Aprendizados
Bem que as músicas de sofrência me avisaram. Os filmes, as séries e até os livros; até mesmo aquela música da banda cujo principal membro é um macho escroto da minha cidade: relacionamentos são complicados e (até) meu cachorro sabe disso.
Achava que tinha passado por muita coisa, mas até esse ser humano me aparecer eu não tinha conhecido 10% da minha capacidade de sentir algo e me dedicar a alguém. O problema é que quando a gente não sabe lidar com a dimensão de algo, erramos a dose. Tipo alguém que tá acostumado a fazer arroz pra um só ter que fazer pra casa toda - é provável que de primeira fique insosso ou salgado demais. Voltando pro contexto, o perigo maior de amar tanto outra pessoa é esquecer de guardar pelo menos um pouco dele pra si. O que também pode acontecer é o desenvolvimento de uns comportamentos bem tóxicos e quando você vai ver, tá deitada no chão sofrendo por uma parada que não era pra estar te fazendo sofrer assim.
Voltando às músicas de sofrência: elas avisaram. No auge dos meus 15 anos, achava a maior bobagem cantar pros quatro ventos que tá feito mato desejando a chuva, madrugada fria esperando o sol e carente feito um prisioneiro. Aos 18, repetia putassa no twitter a autodestruição contida em dizer ‘tô jogado no canto, bebendo de um jeito que não bebia, saudade judia; no começo dos 21, ficar largado às traças por causa de alguém era inimaginável pra mim.
Eu gritava aos quatro ventos o quanto era absurdo se ver num relacionamento ruim e continuar nele sabendo disso. Pois bem, minha querida, às vezes a gente gosta de uns embustes mesmo e cria animais fantásticos tipo a esperança nas coisas magicamente melhorarem. Lidar com coração partido não é tão fácil quanto você, a jovem coach de relacionamento fazia parecer, né não? Pra quem nunca ficou sozinha, era fácil dizer que era melhor ficar sozinha que sofrendo acompanhada.
Bom, no iniciozinho dos 23 eu disse à terapeuta que tava correndo de live da Marília Mendonça porque enquanto tava todo mundo dizendo que durante uma dessas os olhos delas suavam misteriosamente e o celular delas criou vida própria e ligou sozinho pro ex, eu sei muito bem que isso não é obra do tinhoso e o autoconhecimento é meu melhor escudo.
O que eu temia, movida por comportamentos super tóxicos, aconteceu mesmo assim. De início, lidar com isso não foi tão ruim quanto eu pensava. Depois eu concluí que eu tava precisando que aquilo se rompesse, fosse como fosse, ou eu ia explodir. Lembra o que eu falei sobre errar a dose de algo? É tipo ser 70% água, mas ainda assim poder morrer afogada.
Digo direto a mim mesma que se tivesse terminado “do jeito certo” e sem quebra de confiança envolvida, as coisas poderiam voltar melhores e tranquilamente. Mas cada dia que passa acredito que esse pensamento é resquício daquele animal fantástico que eu criava. O que leva a gente a gostar das pessoas? O que elas são ou que a gente idealiza delas? Tenho pensado ultimamente que o que tem mais peso na nossa balança é justamente uma versão que a gente cria na nossa cabeça. E veja só, muitas vezes na prática essa pessoa nem existe.
Pra não dizer que eu só vim reclamar, vim me relembrar que apesar de eu nunca ter sentido essa série de coisas nem ter passado por isso antes, cair do cavalo não foi fatal. Doeu, ainda dói em vários momentos, mas como disse Nietszche - ou Kelly Clarkson - aquilo que não te mata, só te fortalece.














