Qualquer pessoa estaria se sentindo ao menos um pouco mal. Uma festa daquele tamanho com mais da metade das pessoas aparecendo por sua causa e o modelo deixou o lugar antes mesmo de ter cumprimentado todos os presentes. Uma garrafa de champanhe debaixo do braço e o corpo relaxado contra o banco de couro do Uber e toda sua atenção estava displicentemente voltada às mensagens trocadas com a melhor amiga.
O termo parecia antigo se o Bonnet avaliasse o quanto a relação dos dois havia mudado dos tempos em que eram colegas de trabalho até os dias de hoje, mas também era o termo ideal - Bloom nunca deixou de ser sua melhor amiga. Alguém que ele procurava em momentos bons, em momentos ruins e nos raros momentos tristes. Ela era a única a conhecer todos os seus lados, todos os seus segredos. Independente do que fossem agora, com tanta intimidade adicionada à dinâmica deles, a morena sempre seria sua melhor amiga.
Aliás, era por esse motivo que o sorriso lascivo se tornava terno uma vez ou outra enquanto lia as mensagens que recebia de volta da Ostermann. Podia estar impossivelmente envolvido nela, mas eles acabavam esbarrando em palavras carinhosas demais e promessas que iam muito além de uma noite. Era ai que a amizade interferia em toda a atração, em todo o desejo. Talvez intensificasse todo o emaranhado de sentimentos, talvez o organizasse. Nicaise não era de analisar demais o que quer que sentisse.
Em poucos minutos, ele deixava o celular no bolso da calça florida, tão estampada quanto o restante do terno que usava, as flores em um rosa esmaecido cobrindo quase completamente o fundo preto. A camisa por dentro, negra também, estava quase completamente aberta e combinava com os sapatos de vernis negro. Ele tinha de representar as marcas que tanto lhe contratavam e estar sempre bem vestido deixou de ser algo feito por opção há alguns anos.
O corpo recostou no batente da porta daquele apartamento já conhecido, isso depois de deixar o porteiro anunciar sua presença e pegar o elevador em direção ao andar conhecido. A campainha foi tocada uma vez, mas nada impediu que o francês começasse a murmurar uma das músicas mais melancólicas da vocalista, esperando que a própria voz a alcançasse antes mesmo dela lhe atender.
Entre muitos extremos perdidos dentre toda a personalidade, atitudes e atitudes da morena, sem dúvida nenhuma naquele instante estava deixando transparecer mais um desses extremos. Algo mais frágil que o usual, um momento em que ela trocava uma boa noitada para ter um encontro solitário com a própria cama enquanto vestia um pijama de ursinhos e se permitia assistir contos de fadas ou algo meloso que a fizesse chorar. Claramente esse é um lado seu em que se obrigava a ter uma certa cautela ao revelar, isso não se aplicava ao homem dos cabelos cacheados que estava a caminho, pronto para cumprir as promessas feitas por mensagem.
A raridade em formas de gostas começavam a escorrer pela janela do quarto da morena enquanto ela dividia a atenção entre a rua movimentada e o próprio celular ao que a chuva ia aumentando gradativamente junto com a vontade de estar junto do melhor amigo, uma das únicas pessoas em que Ostermann confiava para mostrar seu verdadeiro eu, de olhos fechados, sem que nenhuma insegurança na maior parte do tempo inexistente a corroendo por dentro em certos momentos.
Toda a confiança e o que sentia por Bonnet não se prendia apenas a amizade, ela o amava de todas as formas possíveis e imagináveis. Sentia que poderia o amar de qualquer jeito, em qualquer situação, lugar ou momento. As várias histórias que ouvia dos seus pais antes de dormir só reforçava algo que Bloom já tinha certeza, ele era sua pessoa especial. Uma pequena comemoração foi feita no momento em que a mais nova notificou a gota que tinha escolhido chegando mais rápido ao final da janela antes de mandar uma mensagem para o modelo referente ao clima e o próprio choro que antes se fazia presente devido um filme da Disney.
Assim que recebeu o aviso de que o convidado já estava chegando não evitou de olhar para a própria roupa e tentar imaginar alguma peça chique e requintada que ele estaria usando naquele momento, e mesmo eles sendo íntimos o suficiente para a morena o receber vestida daquele jeito, ela já tinha algumas respostas prontas caso ele fizesse algum comentário sobre seu pijama infantil e as pantufas de vaca que mugia a cada passo da morena, ficando um pouco pior enquanto descia as escadas do apartamento correndo na tentativa falha de chegar até a porta antes que Nicaise saísse do elevador.
O sorriso já formado nos lábios se abriu um pouco mais ao que se aproximou da porta o suficiente para reconhecer a própria música sendo cantarolada do outro lado. Não demorou nem um segundo até que a morena abrisse a porta e instantaneamente jogasse os braços ao redor do pescoço masculino em um abraço desajeitado. — Hey, baby boy! Ready to fulfill all things you promised me? This is going to be easy for you, anyway.