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O silêncio é um presente a aqueles que sabem se comportar
Eu aceito e me perdoou por ter sido burro. Virarei a página como um leitor que preferiu esquecer o que leu. Mas, eu, espero que o universo se encarregue daqueles que se aproveitaram disso.
Eu acordei sozinho num hotel barato, com a boca inchada e um único pensamento: NUNCA MAIS.
A pior pós tempestade é a do copo d'água
Sinto os dedos finos e frios da morte tocarem meus ombros
Sinto seu hálito que há muito não existia
Sinto o ranger de seus dentes
Mas não ouço seu chamado
O que pode ser?
O que pode ser?
E eu tirei dele um sorriso.
Nada mais gratificante a mim cujo seu nome nem é de meu conhecimento.
E ele se despediu sorrindo enquanto tocava Beirut. Meus olhos tremeram.
Tenho a sensação de que está sempre me faltando algo. Como se eu nunca conseguisse ser feliz com o que tenho agora. Parece que fico procurando meios de não me sentir inteiro. Cansei disso.
Eu sinto falta de você. De querer você. De tremer você. De deixar o bico duro. Correr pra você. Pensando em você. Ficando duro. De sentar você. Dentro de você. Estou duro.
Eu não queria lembrar dele
Mas quem assinaria os meus fracassos?
A que pedra eu me seguraria a cada naufrágio?
Meu subtítulo
O nome gravado em meu sapato
É para ele que eu voltou
Mesmo que sem intenção
Meu eterno e se
E se tivesse dado certo?
E se nunca tivemos nos conhecido?
E se eu não tivesse voltado aquela tarde?
Doce dúvidas
Doce distrações pra uma realidade amarga
Talvez se eu não fracassar mais
Talvez se eu não entristecer de novo
Não ter de chorar
Numa toalhinha surrada
Com um nome que não me pertence
Eu não queria lembrar dele
Numa noite escura e silenciosa, eu ofereci minha alma, a quem pudesse ouvir. Mas o que eu tenho a oferecer? Por que aceitariam? Ninguém respondeu, mas eu sigo oferecendo.
Eu queria gritar. Um grito de vida, daqueles que limpam a garganta, os pulmões e a alma. Eu só queria gritar.
Meus amigos não gostavam de me dar cigarros porque eu não sabia fumar. Talvez a vida não goste de me florear porque eu não sei viver. Mas e a morte?
Me sinto vazio, murcho e repetitivo. Uma canção em looping que, outrora genial, se torna cansativa. Palavras frequentes de quem não conhece sinônimos. Há salvação pra mim? Há salvação de mim? Uma vida em ecos numa caverna bem iluminada. Eu estou cansado e cansado de estar cansado.
Eu tenho medo de tudo, mas decidi que isso precisa ter fim. Decidi que quero viver, decidi que serei meu próprio Deus. Que destruirei mundos com as mãos.
Eu quero estar certo. Definitivamente, eu quero estar certo.
Eu lembro da sensação. Do frio no peito, da felicidade, o sorriso frouxo. Lembro da curiosidade, do sentimento de sonho se realizando. Eu não tive medo naquele momento, nem me senti humano, eu era quase divino. Como se fosse o próprio sol. Eu era eterno naquele pequeno momento. O que eu faço pra me sentir assim de novo? A quem eu devo pedir? A quem eu devo suplicar? Eu peço, de joelho, de mãos abertas e olhos brilhantes. Eu quero.