Maybe you're not so good | Achilles x Summer
O vestido de Summer seguia justo por toda a extensão de seu corpo, moldando suas curvas até a altura dos joelhos. A parte de cima da vestimenta era de chiffon preto, deixando os braços e apenas a parte logo abaixo de seu pescoço descobertos. Já a parte inferior, começava como um cinto na barriga e descia por toda a saia, feita de lã acetinada cinza. Sempre que precisava comparecer a eventos, fosse de sua empresa ou para agradar alguém da alta sociedade, na maioria seus clientes, a mulher tratava de estar impecável. Suas roupas condiziam com a ocasião e Summer raramente fazia questão de usar tecidos muito curtos ou transparentes; sua presença em si já era um tanto quanto provocante. Usufruía do batom vermelho para deixá-la mais sensual, e só. Sua personalidade ficava encarregada do resto.
Naquela ocasião em específico, teria um acompanhante, e torcia para que Achilles Reed não aparecesse na festa como um mendigo. O rapaz trabalhava no escritório como um de seus estagiários e, para a infelicidade da loira, Adam tinha encarregado-a de dar apoio ao novato e agraciá-lo com um pouco de sua experência. Tinha certeza de que seu chefe fizera aquilo de propósito, como se fosse divertido testar até onde a paciência de Summer seria capaz de ir. Achilles era apenas dois anos mais novo do que ela mesma, e a posição que cada um ocupava no mundo jurídico parecia uma piada. O homem estava muito abaixo da reputação de Davis, e o fato era como um presente enviado do Inferno para que ela pudesse tripudiar com o pobre coitado. Ser tão conhecida como advogada e, mais do que isso, tão requisitada aos vinte e oito anos de idade era um êxito que Summer orgulhava-se de esfregar na cara de quem quer que fosse.
Desceu do táxi em frente ao Palace Hotel montada no seu Louboutin, procurando Achilles com os olhos para que pudessem subir até a cobertura juntos. Estavam prestes a enfrentar uma festa comemorativa da empresa de perfumes de Kim Yang, um dos clientes que Summer mais detestava. Agarrou o seu celular dentro da bolsa que carregava para consultar o horário: 19h36. Ou Reed estava querendo brincar de esconde-esconde, ou o jovem estava atrasado. Nenhuma das opções agradava a Ira que crescia dentro da advogada automaticamente sempre que não tinha suas vontades obedecidas exatamente da maneira como desejava. Respirou fundo, tentando manter o seu semblante agradável aos que cruzavam o seu caminho pela calçada, aguardando a chegada do outro.
Viver em meio aos homens demandava certos tipos de sacrifícios da parte de um celeste. Especialmente, se o receptáculo escolhido trazia consigo obrigações de cunho social ou profissional. Era o preço a se pagar, Uriel afirmava à si mesmo, embora não fosse um consolo. As estratégias do jogo eram por demais infelizes e não restava outra alternativa senão dançar conforme a música. Achilles, sua peça fundamental, tinha de ir à tal festa em nome do escritório. Não bastasse ser Asmodeus o dono da firma, a responsável por cuidar do início do rapaz no serviço parecia ser uma encarnação de um seguidor do demônio. O arcanjo teria pena de Reed, se o humano não estivesse inconsciente sob seu domínio. Muita falta de sorte acumulada. Enfim, ao menos o poupava da tortura psicológica e a humilhação que a advogada sênior desejaria implantar àquela noite, assim como nos demais dias na firma. De fato, o arcanjo pensava estar fazendo um favor ao jovem. Não somente aquela noite, mas também nos sete dias da semana, livrando uma alma tendenciosamente corruptível da ruína total. Riscos por riscos, o próprio escritório encabeçava a lista de lugares pelos quais Reed poderia vir a ser facilmente corrompido. Em período de residência jurídica, recém formado, cercado de influências duvidosas, Achilles poderia não resistir por muito tempo. Uriel o conhecia, sabia de sua índole egoísta e da ambição que alimentava, sua alma tudo revelara ao celeste. No entanto, nessa alma tipicamente humana, buscava forças uma pequena centelha de luz, que procurava crescer e trazer esperança ao rapaz. Esperança de que mudasse. Por essa razão, o Anjo da Morte se dispunha a cuidá-lo, pois nem tudo estava perdido, nem para um nem para outro. E não seria a advogada a atrapalhá-lo. Assim, esquadrinhou a loira observando sua postura. Se era bela, era muito mais cruel. Uriel deu um passo à frente, descruzando os braços e se afastando do poste onde se recostava do outro lado da rua. Atravessou o asfalto a passos lentos, pondo as mãos nos bolsos da calça. Vestido a caráter, trajava o terno de alguma grife que não se deu ao trabalho de gravar o nome, e era notável o quanto o preto lhe caíra bem. — Boa noite. — Cumprimentou a mulher, surpreendendo-a pelas costas, com um tom de voz grave, que embora educado, não escondesse firmeza. Ele não estava disposto a ter uma noite ruim, mas tinha certeza de que se tivesse, ela também o teria.










