Maybe you're not so good | Achilles x Summer
Viver em meio aos homens demandava certos tipos de sacrifícios da parte de um celeste. Especialmente, se o receptáculo escolhido trazia consigo obrigações de cunho social ou profissional. Era o preço a se pagar, Uriel afirmava à si mesmo, embora não fosse um consolo. As estratégias do jogo eram por demais infelizes e não restava outra alternativa senão dançar conforme a música. Achilles, sua peça fundamental, tinha de ir à tal festa em nome do escritório. Não bastasse ser Asmodeus o dono da firma, a responsável por cuidar do início do rapaz no serviço parecia ser uma encarnação de um seguidor do demônio. O arcanjo teria pena de Reed, se o humano não estivesse inconsciente sob seu domínio. Muita falta de sorte acumulada. Enfim, ao menos o poupava da tortura psicológica e a humilhação que a advogada sênior desejaria implantar àquela noite, assim como nos demais dias na firma. De fato, o arcanjo pensava estar fazendo um favor ao jovem. Não somente aquela noite, mas também nos sete dias da semana, livrando uma alma tendenciosamente corruptível da ruína total. Riscos por riscos, o próprio escritório encabeçava a lista de lugares pelos quais Reed poderia vir a ser facilmente corrompido. Em período de residência jurídica, recém formado, cercado de influências duvidosas, Achilles poderia não resistir por muito tempo. Uriel o conhecia, sabia de sua índole egoísta e da ambição que alimentava, sua alma tudo revelara ao celeste. No entanto, nessa alma tipicamente humana, buscava forças uma pequena centelha de luz, que procurava crescer e trazer esperança ao rapaz. Esperança de que mudasse. Por essa razão, o Anjo da Morte se dispunha a cuidá-lo, pois nem tudo estava perdido, nem para um nem para outro. E não seria a advogada a atrapalhá-lo. Assim, esquadrinhou a loira observando sua postura. Se era bela, era muito mais cruel. Uriel deu um passo à frente, descruzando os braços e se afastando do poste onde se recostava do outro lado da rua. Atravessou o asfalto a passos lentos, pondo as mãos nos bolsos da calça. Vestido a caráter, trajava o terno de alguma grife que não se deu ao trabalho de gravar o nome, e era notável o quanto o preto lhe caíra bem. — Boa noite. — Cumprimentou a mulher, surpreendendo-a pelas costas, com um tom de voz grave, que embora educado, não escondesse firmeza. Ele não estava disposto a ter uma noite ruim, mas tinha certeza de que se tivesse, ela também o teria.
Quando ouviu uma voz grave às suas costas, Summer refletiu sobre qual de suas expressões usaria para receber o estagiário que acabara de abordá-la. Talvez devesse olhá-lo com desprezo, que era justamente o que sentia pelo outro, não só pela influência que Azazel exercia em seu corpo, mas pela própria personalidade da mulher; sabia, no entanto, que estavam ali para um evento corporativo e manter a serenidade entre eles com certeza seria a melhor opção, já que não podiam colocar a imagem da empresa em risco, e o seu emprego era a única coisa com a qual Summer realmente se importava. Decidiu, então, por virar-se para encarar Achilles com um sorriso sereno, piscando os olhos maquiados em direção ao rapaz. "Boa noite", respondeu. "Estava atrasado?" Perguntou sem querer obter uma resposta de fato, simplesmente para emitir uma provocação que provavelmente passaria despercebida.
Tomou os segundos seguintes para reparar de cima a baixo nas vestimentas do homem. Não podia negar que o terno tinha lhe caído bem e, para a sua sorte, ele não estava de fato parecendo um mendigo. Podia respirar aliviada, mas foi inevitável um meio desdém que transbordou por seus olhos, somente por estar na presença do outro. Não conseguia sentir o mínimo de empatia que fosse por ele, nada que pudesse ser comandado pelo corpo humano de Summer, e Azazel perguntava-se com curiosidade qual seria o motivo daquilo. Talvez a advogada presensetisse algo no outro que estivesse além de seu conhecimento. Seguiu para a entrada do Palace Hotel, acenando de leve com as mãos para que o seu companheiro a imitasse. Não foi parada por nenhum dos recepcionistas para dar o seu nome ou ser questionada sobre onde iria, visto que era muito conhecida ali pelos vários eventos que já comparecera. Achilles, como seu acompanhante, teve o mesmo privilégio.
Já no elevador, seguindo a rumo da cobertura onde seria a festança, Davis fitou seu estagiário, decidindo-se em estabelecer o que poderia ser uma conversa entre os dois. "Por favor, tente não me envergonhar." Seu senso de conversa, no entanto, parecia estar meio enferrujado. O costume das constantes hostilidades era sempre mais forte e o demônio da Ira regozijava-se com o talento de seu receptáculo. "Kim Yang é um cliente essencial para a nossa renda mensal, creio que já tenha o visto lá no escritório." Começava a estudar a possibildade de deixar aquela bomba na mão de Reed e sumir dali o quanto antes, talvez parar na cama de algum de seus casos ou atormentar almas vazias na periferia da cidade. O medo maior era que Achilles fizesse algo errado, Summer achava-o tão incapacitado.















