Deuses e seus epítetos - Afrodite
Continuando nossa série sobre os Deuses e seus aspectos mais conhecidos, rumamos agora em direção de Afrodite - a Deusa do amor, beleza, procriação e desejo.
Sempre representada como uma jovem e bela mulher, Afrodite figura como a mais bela entre os Deuses do Olimpo e uma das mais velhas, sendo considerada em algumas versões de seu mito de nascimento como nascida de Urano, o Céu, quando ele foi castrado e teve seus testículos arremessados ao mar.
Frequentemente adornada com seus atributos sagrados - espelho, conchas, flores - e os animais de sua preferência: gansos, cisnes e pombas. Ela figura entre os Olimpianos mais bem conhecidos e cultuados desde os tempos antigos, com numerosos santuários erguidos em seu nome na era clássica. Afrodite aparece em estátuas do século 5 AEC nua ou parcialmente despida, acompanhada das Graças (Kharites), as Horas (Horai), Persuasão (Peitho) ou de deuses do amor, os Erotes (Como Eros, o amor encarnado).
Poderosa e conhecida por coordenar toda sorte de atração, com poderes que afetam mortais e imortais igualmente, Afrodite é uma notável Deusa de amplo domínio.
Cultuada majoritariamente em Corinto, Citera, Lesbos e em Chipre, Afrodite tem muitos aspectos explorados em seus epítetos.
Kytherea/Kypria (Κυθερεια/Κυπρια) - "Citeréia/[do] Chipre" Afrodite é aqui descrita em relação a dois locais onde se dizia que Ela havia nascido. Muitas vezes, principalmente na poesia de Safo e Anacreonte, os poetas utilizam estes epítetos como substitutos para seu nome.
Antheia - a florescente, a amante das flores. Epíteto de Cnossos, possivelmente fazendo relação com aspectos de fertilidade na vegetação ou mesmo beleza natural.
Areia - epíteto espartano, significando "como Ares/ a da guerra". Neste epíteto, a deusa aparece armada.
Gameli - a do casamento, fazendo referência à importância da deusa e seu secto em ritos nupciais.
Morpho - epíteto espartano significando "a da bela forma". Não se sabe muito a respeito de seu culto, mas a estátua representava a deusa coberta e com correntes.
Ourania - a celestial, possivelmente se referindo ao seu nascimento de Urano.
Pandemos - "a de todas as pessoas". Platão, no Banquete, irá opor essa Afrodite como sendo filha de Zeus e presente nos praseres carnais, ao contrário da Afrodite Ourania. Importante dizer que ambos epítetos possuíam cultos concomitantes e é importante não tomar a palavra do filósofo por verdade universal.
Anadyomene - a erguida do mar/da espuma, fazendo referência ao seu mito de nascimento conforme Hesíodo.
Kyprogenea - nascida em Chipre, um dos locais mais importantes de seu culto.
Philomeides - a amante da risada/que ama sorrisos. É utilizado várias vezes ao longo da Ilíada.
Pothon Meter - "Mãe do Desejo", indicando seu domínio sobre a atração e afeto.
Khryseé - "Dourada" epíteto também presente na Ilíada.
Os epítetos amáveis de Afrodite nos mostram seu domínio amplo e beleza inefável. Atestando seu nascimento desde a castração de Urano com membros atirados ao mar, como também seu apreço pelo afeto, beleza e capacidade de vincular os mortais através de diversos tipos de união recheadas de amor. Seus dias sagrados são chamados de Tetrasdistai (O quarto dia lunar, dividido com Hermes e seu ermou tetras), sendo honrada com seu filho, Eros, como descrito por Ateneu.
Afrodite é muito louvada também até a era atual com homenagens artísticas que fazem jus a sua beleza, desde a antiguidade, como descrita na poesia da sua antiga sacerdotisa, Safo de Lesbos. Uma poderosa Deusa com apreço com os mortais, Afrodite tem muito a nos mostrar sobre o poder do amor que enlaça todos os aspectos da Realidade e nos liga com os próprios Imortais.
Que Ela seja sempre lembrada e honrada!
Encerramos o post com o Ode a Afrodite, de Safo:
No trono Afrodite imortal/Filha de Zeus, que tece ardis,/Não me dê tristes desejos, senhora do coração./Mas, antes, vem para perto agora/S'alguma vez ouviste minha voz de longe,/Me atendeste e deixaste o teu pai /no lar dourado./Em tua carruagem de belas aves,/Sobre a terra negra os pardais/Voam rápido pelo céu nebuloso,/no meio do ar./Eles chegam e tu, ó abençoada,/Me sorris com teu rosto imortal,/Me perguntas por que de novo sofro/E por que a chamo./E o qu'eu mais quero que me aconteça/Neste coração, 'a quem persuadir/novamente, Safo, e a ti conduzir?/Quem te injustiça?'/'Pois se ela foge, logo te segue/Se recusa algo, logo te dá/Se não ama, logo ela amará/Mesmo sem querer.'/Vem me libertar da dificuldade/E aquilo que o meu coração anseia/Realizar, deusa, realiza./Sê minh'aliada.