can we still be friends?
alexvds:
buencat:
Chegou em seu quarto acelerado, colocando o celular que estava com zero por cento de bateria para carregar, e logo o ligou para verificar se haviam mensagens. Infelizmente, nada agradável, e inclusive duas mensagens da síndica do prédio onde morava com notícias que poderiam acabar com o seu dia. Forçou a sua mente para se lembrar o que mais faltava buscar no local, e não conseguiu recordar se havia algo de muito importante. Desde a mudança, estava evitando ir buscar o pouco que faltava, porque com a sorte que tinha, sabia que iria acabar encontrando Catarina e não estava pronto para vê-la ou falar com ela ainda, por mais que já tivessem passados dez meses.
Mensagem de Síndica Prédio: Alexandre, bom dia! O encanamento do vizinho de vocês estourou e teve muita água, chegou a entrar no apartamento de vocês também. Vou mandar mensagem para a Catarina, espero que um de vocês venham resolver ainda hoje.
Mensagem de Alexandre: Tranquilo, vou aí daqui a pouco. Não precisa mandar mensagem pra ela não, deixa que eu resolvo. Valeu por avisar.
Respondeu a mulher, e deixou o celular carregando enquanto ia tomar um banho para então ir até o apartamento tentar resolver a situação. Esperava que ela não tivesse falado ainda com a ex-namorada, porque assim poderia lidar com o problema do imóvel sem precisar lidar ao mesmo tempo com o fato de que ainda era difícil para ele falar com Catarina. Vestiu rapidamente a roupa, pegou o celular que mal havia carregado e pediu uma carona a um amigo que tinha moto, chegando ao antigo prédio bem rápido. Desceu da moto, agradeceu ao amigo e entrou no local, percebendo um elevador se fechando, então correu até ele e colocou a mão para que parasse e pudesse entrar.
Assim que a porta se abriu, sua expressão ficou ainda mais séria, e engoliu em seco, tenso com a situação. No fundo, esperava ver Catarina hoje, mas não sabia que seria tão rápido, e nem sabia que ficaria tão paralisado e sem reação. Durante todos aqueles dez meses, havia pensado diversas vezes em vencer o seu orgulho e procurá-la para tentar conversar novamente, nem que fosse para ouvir que ela estava realmente com outro e não queria reatar, mas estar ali frente a frente com ela, mostrou-se mais difícil dizer qualquer uma das coisas que queria. Assentiu com a cabeça, como um cumprimento, e entrou no elevador. O botão para o andar deles já estava apertado, então ele simplesmente recostou-se em uma das paredes e soltou o ar pesadamente pela boca. — Dóris te mandou mensagem também? Ou você veio só buscar o resto das suas coisas? — Seria muita coincidência se fosse a segunda opção. Não sabia se havia feito certo em puxar assunto, mas ele queria ouvir a voz da garota, embora naquele momento mal conseguisse encará-la.
Catarina encontrava-se em pé, já dentro do elevador, com a cabeça levemente encostada, perdida em pensamentos. Tentava lembrar-se mentalmente das coisas que restavam no apartamento, pedindo aos céus para que nada estivesse muito danificado. Estava tão concentrada, que mal percebeu quando a porta do elevador tornou a abrir, dando passagem para um garoto moreno entrar.
A garota jurava estar tremendo. O nervosismo e a tensão se faziam presente no ar e qualquer um que entrasse ali conseguiria sentir o peso de coisas mal resolvidas entre os dois. Ao ouvir a voz de Alex, pode perceber o quão saudosa de sua companhia estava, no entanto, ainda não tivera coragem de se manifestar, a sua auto-confiança havia sido substituída por vergonha e timidez. Respondeu ao cumprimento, repetindo a ação do mesmo, e encolheu-se mais perto das paredes metálicas do elevador, tentando ficar o mais longe possível.
Meu Deus. Onde ela tinha se metido? Ele mal conseguia lhe encarar! Instantaneamente foi abatida por uma tristeza. Tristeza por estarem naquela situação, sendo que antes eram tão unidos e espontâneos. As lembranças pesaram por uns minutos em sua mente, assim como a culpa e arrependimento que sentia por ter sido a causa de tudo aquilo. Respirou fundo, esforçando-se em ignorar o ressentimento presente na voz do ex-namorado e em respondê-lo. “E-eu” a voz soou rouca e falhada. “Eu vim porque Dóris chamou.” Levantou a cabeça para olhá-lo. Parou, analisando toda extensão de seu corpo. Ele estava mais bronzeado, mais forte, mais… lindo. Seu coração parecia querer sair correndo de tão rápido que batia e quando ia abrir a boca para falar alguma coisa, as portas se abriram anunciando a chegada ao quinto andar.
Cat fez questão de sair do elevador primeiro, imediatamente entrando em contato com um piso molhado. “Meu Deus, Al! Quero dizer, Alexandre.” reprimiu-se ao uso daquele apelido tão íntimo, que naquele momento parecia tão estranho de ser dito. “Acho que estamos muito fodidos pra resolver isso aqui.” Disse, enquanto colocava a chave e dava abertura, observando boquiaberta o caos que estava o local. A água estava na altura dos pés e parecia já estar secando, entretanto, o estrago estava feito. Tudo que se encontrava ali estava molhado ou rasgado (para o que fosse feito de papel ou qualquer material semelhante). Adentrou no apartamento, analisando mais atentamente, até ver um pequeno bracelete boiando abaixo de céus pés. Ela exasperou com surpresa. Achava que o tinha perdido na noite que decidira terminar com Alex, mas provavelmente o havia esquecido ali em algum momento. A surpresa e o alívio por ter reencontrado o presente do ex-namorado deu lugar para o desespero. O garoto já estava próximo de si, tomando consciência do que aquele pequeno objeto brilhante era, não com uma cara muito boa. “Eu posso explicar.” foi tudo que disse.

















