Apesar dos seus constantes esforços para que conseguisse sua tão esperada vaga no time de quadribol; uma paixão que havia mais sido passada a ele com o convívio com uma pessoa tão fanática que poderia até mesmo ser considerado doentio, Tai nunca havia se considerado uma pessoa dos esportes. Claro, depois de tanto tempo praticando para que conseguisse um físico aceitável, ou pelo menos que ele classificasse de aceitável para entrar no time de quadribol ele acabara por tomar o gosto pela coisa. Era mais que visível a diferença no seu folego desde que começara seus treinamentos, algo que ia muito além do que pura estética. Sentia-se bem mais disposto para fazer outras tarefas, principalmente as que envolviam mais concentração. No entanto, não se via praticando qualquer outro esporte; nesse aspecto preferia mesmo apenas observar as pessoas fazendo suas tentativas, como muitas vezes olhava nos terrenos da escola, ou naquela época no lago. Dificilmente se envolvia, apenas se encostando em um canto e as observando imaginando algum tipo de história envolvendo aquelas pessoas, ou simplesmente admirando como pareciam se dar muito bem uma com as outras. — Mas o que ela fez pra você, pra te estressar a esse ponto ? — perguntou o observando, cada vez mais indeciso se achava a situação engraçada e se perguntando se o outro ficaria irritado caso começasse a rir dele. Ao escutar o comentário alheio a respeito da palavra, Tai parou alguns instantes pensando sobre o assunto. Era realmente estranho pensar em algumas palavras, que bastava apenas mudar uma letra para que tivessem um significado totalmente diferente. Talvez ele estivesse se empolgando um pouco de mais com o "jogo” proposto pelo sonserino, pensando em mais alguma palavra que pudesse sair daquela combinação. — Hum… Se trocarmos o “v” pelo “t” também podemos ter a palavra interno. E algumas histórias retratam o inferno como sendo frio, sabia que o gelo queima ? — questionou deixando totalmente de lado sua intenção de ajudar o loiro, que parecia muito mais seguro do jeito que estava se ajeitando ao lado do mesmo sentando com as pernas cruzadas. Não sem antes cair com um pouco mais de força necessária no chão. — Patinar deveria ser simples. É apenas uma questão de equilíbrio, com o tempo deve pegar o jeito. — replicou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo, o que esquecera é claro que nem sempre tudo na pratica era a mesma coisa.
Era até mesmo um tanto quanto decepcionante quando descobriam que o bruxo não era o que se pode denominar como um 'fã' de neve ou inverno, como propriamente dito. Ainda que engraçado, é claro, porque Scorpius entendia que algumas pessoas poderiam ter a imagem da família Malfoy como bruxos frios e obscuros - o que, na verdade, não era bem assim -, logo, era uma surpresa quando o loiro expressava seu rancor para com a estação. Também não era como se isso fosse mudar algo na vida do Malfoy ou algo do gênero, de modo algum, S.Coups tinha um aversão por toda e qualquer probabilidade de perder noites de sono preocupando-se com o que as pessoas esperavam ou achavam de sua família, sabia que os erros do passado não poderiam ser apagados e já havia se dado conta disto alguns meses após ter entrado pela primeira vez no castelo. Em contrapartida, se divertia com a expressão que os demais faziam quando percebiam que Lyra e ele tiveram não apenas uma criação mas também todo um modo de vida diferente de quando Draco e Astoria andavam pelos corredores de Hogwarts, se recordava bem de quando a amizade entre Albus e ele havia sido espalhada pela escola, não demorou para surgir boatos de que o bruxo estaria planejando algo por trás daquele falso interesse em ser amigo de um Potter. Scorpius era da ideia de que os outros se deixavam influenciar muito pelo que teria acontecido no passado e muitas vezes não se libertavam do pretérito para viver suas respectivas vidas. "Não é o que ela fez, na verdade, é mais o fato de que o frio que ela traz se torna muito difícil de suportar. Como a presença de certas pessoas em nossas vidas, entende? Nós não queremos mas, por causa de algum motivo imbecil e inútil, elas acabam ficando mesmo assim. Sei que devemos cortar o mal pela raiz, mas será que isso poderia ser aplicado no inverno? Seria, realmente, maravilhoso." Comentou, pensativo, enquanto desviava o olhar da face oriental para fitar os poucos raios solares que, considerando a estação, quase nem esquentavam. Aquele breve silêncio cujo se infiltrara no meio de ambos o deixou ligeiramente submerso aos próprios pensamentos, mais uma vez, e Scorpius respirou fundo sentindo o frio quase lhe cortar - o que poderia ser considerado um exagero da parte do loiro, porque por vezes ele tendia a ser um tanto quanto dramático. Então, quando, em meio ao silêncio, a voz do oriental se fizera presenta, o Malfoy voltou a fitá-lo com a sobrancelha arqueada e refletindo sobre o que o outro falava. "E, se trocarmos o "i" pelo "e", temos o "externo". É algo muito interessante para se refletir, se formos parar para analisar, e acho que até pode se tornar um passatempo. Nunca ouvi sobre histórias que retratem isso, é a primeira vez. Mas, sim, eu estou ciente de que o gelo queima." Respondeu Scorpius enquanto observava o asiático sentar-se ao seu lado. "Deveria, mas não é. Nem tudo que parece, acaba sendo e isso é frustrante porque parece ser bem divertido. Uma questão de equilíbrio e paciência, o que, em certos casos, eu não tenho. Espero que sim, dizem que a prática leva a perfeição, certo?" Perguntou-o um tanto que retórico, já sabia a resposta.