cogitou beber. era um ambiente social, no fim das contas. e para ela, sempre sendo perseguida pela frequência desesperadora de pensamentos desorganizados, tornava-se uma saída muito atraente para seus problemas. até, claro, o dia seguinte. quando ela sentia um imenso desejo de ser levada pela morte. gostava de pensar que era algum tipo de piada para o universo que ela, de todas as pessoas, tivesse preservado perfeitamente memórias que não deveria lembrar nem na hipótese mais comum de todas, como por exemplo, ter atirado john stewart contra um cometa quando inventaram de beber dentro da barreira protetora de seus respectivos anéis. sua fuga perfeita não existia, era, no fim das contas, indefesa quando o assunto era lidar com seus problemas – os que não eram grandiosos como darkseid por exemplo. as vezes, se surpreendia também com o modo como suas fugas de situações constrangedoras apenas lhe jogavam em novas situações constrangedoras. provavelmente ficou bons segundos parada, estática, tentando pensar no que raios ela diria quando chegassem no topo da escada, e fosse um lugar perfeitamente comum. ┺ 🌠 vamos! vamos sim. agora mesmo. ┹ se recuperou, tentando sorrir do modo mais casual e menos desesperado possível. ┺ 🌠 depois de você. hum, se bem que eu que chamei, acho que… é, okay, depois de mim. ┹ e começou a andar. respirou fundo, as mãos desamarrotando as imperfeições imaginárias do vestido. quando chegou onde havia apontado, olhou para as laterais muito rápido. não tinha ninguém. e era reconfortante não estar sob o olhar de tantas pessoas ao mesmo tempo. em contramão, tinha uma pessoa. ┺ 🌠 não vi nada de diferente agora, vendo assim de perto. ┹ “também não vi de longe, e isso não tem a ver com meus problemas oculares” completou mentalmente. ┺ 🌠 se… quiser voltar… acho que tudo bem. ┹ falou, mas, ao contrário do que indicou, acabou sentando no chão, sem mais nem menos. “certo, agora ele vai voltar e você vai ficar sozinha”, pensou consigo, antes de seguir para a sua segunda fala impulsiva da noite. ┺ 🌠 a não ser que a gente veja o lado de fora também! nunca é ruim se precaver, né? ┹
tratou de pegar duas taças de champanhe antes de acompanhar a morena para onde quer que ela quisesse levá-lo. ponderou se aquele afastamento tão pontual seria seguido de segundas intenções e caso a resposta fosse afirmativa não tinha motivo para se opor. ambos eram jovens e atraentes e no fim das contas aquela realidade veio provando-se um tanto quanto solitária. ❝ bom, se você diz. confesso que também não havia visto antes. e me considero um cara bem perceptivo. alcançou a taça extra para a morena e imitou-a ao sentar no chão, com toda confiança que possuía era fácil perceber um oposto quando encontrava. não era a mesma postura, as palavras saíam com mais cuidado, até a respiração mostrava-se hesitante. ❝ você quer que eu volte? questionou apesar de esperar a resposta negativa. ❝ eu acho que não precisam de nós do lado de fora. tomou o gole da bebida alcoólica satisfeito com o estourar das bolhas no seu paladar. ❝ mas estou aqui a seu dispôr, quer sair? quer uma dança? comida? bebida? é só dizer.