Morning coffee.

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occasionally subtle

⁂

Product Placement
Jules of Nature
he wasn't even looking at me and he found me
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Three Goblin Art
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
Claire Keane
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Morning coffee.
Playlist: A Jukebox do V.
Tenho fixação por trilhas sonoras. É automático, a primeira coisa que eu faço após assistir um filme é ir caçar as músicas. No caso do filme V de Vingança, a trilha é maravilhosa, mas minha paixão vai especificamente para o que toca na jukebox Wurlitzer do V, seja em sua versão cinematográfica, seja na HQ, ele é realmente um homem de muito bom gosto. E das 872 músicas da Jukebox, todas censuradas pelo governo de Adam Sutler, eu consegui caçar 7 para o nosso deleite.
Na HQ Dancing in the streets - Martha and the Vandellas Sympathy for the Devil - Rolling Stones Everytime we say goodbye - Cole Porter Heroin - Velvet Underground Billie Holiday* Black Uhuru* No filme Cry me a river Julie London Garota de Ipanema - Tom Jobim Corcovado - Tom Jobim *São apenas artistas citados sem uma música específica. Tomei a liberdade de escolher uma de cada, para representá-los.
Miniguia de Sobrevivência: Sebos.
Aqui está um post de updates eternos, pois passear por sebos, assim como viver, é um aprendizado eterno. Portanto, sinta-se a vontade pra salvar esse aqui nos favoritos.
1. Tenha tempo Não se dá 'uma passadinha na sebo' (não se dá passadinha nem em livraria, quanto mais em sebo...) Vá sabendo que você pode ficar no mínimo uma hora só na caça aos livros (não que isso seja uma regra, o que acontece é que a gente se perde na sebo, daí o tempo passa que você nem vê). 2. Respire fundo antes de entrar, será a última vez que você poderá fazer isso antes de invadir a nuvem de poeira, digo, entrar na sebo. 3. Tenha calma. ver estantes transbordando em livros de todo tipo, sem uma separação lógica, subindo pelas paredes pode ser uma experiência um pouco desesperadora para os mais metódicos. Relax. Observe com calma, talvez até tenha uma organização - e se não achar, pergunte a alguém da sebo se tem.
Não criemos pâni-aaaaaaaaaaaah!
4. Ir com um foco ou sem compromisso? Aí é escolha sua. Se já tem um ou mais títulos em mente, poupe trabalho e pergunte logo se tem os livros que você quer. Aí se... Até tem. Mas nem o vendedor sabe onde está. Fodeu. As estantes estão minimamente organizadas? Então tá facinho, filho, reza pra ter uma sessão com livros do autor, se não tiver pode está nas seções de gênero literário, etc, etc. *algumas sebos tem estantes divididas por editora então quando levar seu título, anote também a editora na qual ele foi publicado. Ir a sebo em busca de aventura também é uma boa, mas vá sabendo que pode ser que daquela vez você não encontre um tesouro, não goste de nada. Ah, eu entupi meu nariz de poeira e não achei um livro sequer! Paciência, meu jovem. Quem sabe da próxima você acha o livro dos sonhos? ;D Se você também é um(a) rato(a) de sebo e tem mais dicas, compartilhe nos comentários ;D
A musa do Coachella
Quando eu penso em Boho, a primeira coisa que me vem a mente é a Penny Lane de Almost Famous. A segunda, é a Vanessa Hudgens no Coachella. Anualmente, nestes três dias de música boa (espero aparecer por lá uma hora dessas) a Baby V desfila seus melhores looks. Quer ver só?
Na edição de 2011, foco nessa calça largadinha que eu procuro, procuro e nunca acho num preço acessível pra minha pessoa; e o chapéu floopy pra amenizar os efeitos do sol. O segundo eu achei a saia com uma transparência um pouco escrota, mas ela se mantém no estilo, cheia de pulseiras, colares, anéis e, claro, penas no cabelo. Já o terceiro, o que chamou a atenção (além da pintura básica no rosto) foi mesmo as correntinhas na coxa direita, um charme.
Em 2012, chapéu floopy again! E o vestido que eu adorei tanto quanto os colares... As fotos dela nesse dia são especialmente felizes, ela estava bem saltitante. O segundo look, cara, essas penas todas na cabeça eu não gostei não, mas de resto, tudo lindo - as usual. Terceiro, coroa de flores, shortinho rasgado, top florido, óculos enormes, quer coisa mais anos 60?
E, falando em óculos, na edição deste ano, este primeiro look (que na verdade foi do terceiro dia) chama toda atenção pro óculos discretíssimo, nada, nada anos 70 e o vestidão na mesma pegada multicolorida; por cima o xale preto com franjas que equilibrou o look.. Já no segundo, pra minha total incredulidade, eu me vi apaixonada por esse cropped todo trabalhado nas pedras preciosas, rs. Ah, tá vendo a florzona que ela tá segurando? Pois foi o acessório master da moça no Coachella de 2013, hehe. Particularmente, prefiro quando ela está com os cabelos enrolados e dispensaria esse lenço enorme e lilás todo trabalhado no tye dye. Terceiro look, roupinha de bebê, vamo combinar. Mas estes cachos, aaaah estes cachos, e os lábios escuros, os óculos, os acessórios... Esqueça as roupas de bebê. Aliás, a Baby V capricha nos acessórios indianos - tá quase sempre com as mãos pintadas lindamente e seeeempre usa um Bindi - pedrinha colocada entre as sobrancelhas, no terceiro olho. Como é possível perceber, a Vane leva o Coachella a sério. Inclusive postou dias antes do festival, uma foto no instagram com suas compras - só pra aumentar a ansiedade do pessoal...
... E também fez uma sessão de fotos inspirada justamente no clima do Coachella:
Pois é, senhoras e senhores... Quando o assunto é moda no Coachella, não tem pra ninguém, a musa do festival é a Vane, com toda certeza.
Curto relato sobre como Jim Jarmusch roubou minha alma
- em menos de um minuto. Era mais uma noite de vadiação na internet (especialmente no Facebook), e em algum momento, me aparece um teaser curtíssimo de Only Lovers Left Alive. Eu realmente amo esse título, diga-se. Mas vamos esclarecer, Only Lovers Left Alive é o novo filme do Jim Jarmusch. Confesso que dentre sua filmografia, eu assisti apenas a Coffee and Cigarettes - que aliás eu indico muito - então eu cheguei a esse filme in the hiddlestoner way. Again.
"Situado entre as paisagens distintas de Detroit e Tânger, um músico underground (Tom Hiddleston), profundamente deprimido pela direção das atividades humanas, se reúne com sua amante resistente e enigmática (Tilda Swinton). Sua história de amor já suportou vários séculos, pelo menos, mas o seu romance é logo interrompido pela sua irmã (de Tilda) mais jovem selvagem e incontrolável (Mia Wasikowska)."
O Jim descreve o filme como uma “história de amor criptográfica vampírica”. Sim, os personagens são vampiros - mas se você espera que eles brilhem na claridade, esqueça. Na verdade, estes vampirinhos nem mordem pescoço - médicos dão o sangue do qual necessitam. Isso me deixou triste, confesso. O tempo passou, apenas uma foto foi divulgada, até que soubemos da exibição do filme no Festival de Cannes. Chegamos a noite fatídica de ontem, quando eu vi o pequeno teaser divulgado:
E foi assim, em 57segundos que o Jim, a Tilda e o Tom roubaram minha pobre alma, fizeram eu deixar o pc e me jogar na cama, sem entender o que eu vou fazer da vida até que o filme seja lançado. Ah, tem outro teaser:
Acho que vou morar com o Adam.
The Deep Blue Sea
Estreou essa sexta (10), depois de um ano, o filme The Deep Blue Sea, dirigido por Terence Davies. Já faz um tempo que eu sigo o trabalho do Tom Hiddleston e do Benedict Cumberbatch, desde que vi o primeiro encarnar Scott Fitzgerald (atualmente um dos meus escritores favoritos), e o segundo quando conheci a série Sherlock, da BBC. Foi por esse caminho trilhado por dois lindos e talentosíssimos atores britânicos que cheguei a The Deep Blue Sea.
Esta é uma peça escrita por Terence Rattigan, um famoso dramaturgo inglês. "hum, já ouvi este nome antes", pensei eu. E já tinha ouvido por que pouco antes de saber que Tom estrelaria um filme baseado nessa peça, o Benedict havia apresentado um pequeno documentário sobre o autor dela. Se o mundo já não passa de uma cabeça de agulha de tão pequeno, a Inglaterra então…
Enfim, eu assisti o filme. Mesmo meu inglês sendo péssimo, mesmo eu não encontrando legendas em português, mesmo as legendas em espanhol sendo péssimas, eu assisti. Terence Davies é quem dirige a película, à convite do instituto Rattigan Trust pra levar alguma obra de Rattigan para o cinema em homenagem ao centenário do dramaturgo. E se não for “O”, com certeza, The Deep Blue Sea é um dos filmes da minha vida. Mas, vamos a história. A sinopse pode ser - e é - muito, muito simples: Estamos na Londres decadente do pós-guerra nos anos 50. Hester (Rachel Weisz) é esposa de William Collyer (Simon Russel Beale) um juíz da suprema corte, culto e amoroso, porém totalmente submisso a mãe e desprovido de qualquer libido. Hester se apaixona por Freddie Page (Tom Hiddleston), um ex-piloto da RAF, jovem, bonito, viril, porém ainda atormentado pela guerra, pela morte dos amigos em combate. E ela se joga nessa paixão sem medir as consequências, até que se vê presa entre o enorme carinho que tem pelo esposo (mas que não se configura como amor) e a relação que transborda em desejo espiritual e sexual que vive com Freddie. The Deep Blue Sea passa longe, muito longe de um filme da Academia - não só por ser um filme britânico independente. Toda a sua estrutura contradiz a receitinha do Oscar ou do Globo de Ouro. Os diálogos são pouquíssimos, porém os olhares são carregados o tempo inteiro, característica que a belíssima Rachel Weisz soube usar. "Acho que ela é absolutamente maravilhosa. Olhos maravilhosos. Ela tem uma luminosidade ela vai ter quando ela tiver 90 anos.", diz Davies. E é verdade. Não só ela, mas Simon Russel Bale, que interpreta William (e que eu depois pude ver encarnado o divertido Falstaff em Henrique IV, pela BBC) insere nos seus olhos miúdos o misto da autoridade de marido, e a pequenez de filho que mal saiu das fraldas - apesar dos cabelos brancos muito bem cuidados. E Hiddleston, que ao mesmo tempo que derrete amor, também pode ter os olhos azuis dominados pela fúria, consumidos por uma maldade maquiavélica, e também podem marejar de um jeito que, sinceramente, quando eu vi, comecei a chorar copiosamente, soltando altos soluços. A fotografia nos faz mergulhar naquela época de uma forma tão envolvente, que apesar de Londres estar em ruínas, a capital inglesa consegue manter o seu brilho o seu charme, seu poder de sedução. Um detalhe interessante apontado por Davies, diz respeito ao casaco de Hester, vermelho, vibrante, um contraste gigantesco com a cidade ao seu redor. É uma transcrição do espírito de Hester quando ela descobre o sexo, quando ela se vê dominada por um misto de sentimentos tão forte que ela não sabe nem como explicar. Quando tudo isso acontece, ela faz como o seu casaco: brilha, no meio da escuridão, com toda a sua melancolia, com todas as suas angústias… Porém continua brilhante. Freddie Page (Tom Hiddleston) e Hester Collyer (Rachel Weisz) The Deep Blue Sea (no Brasil, “Amor Profundo”) caminha entre três almas atormentadas, interligadas, três almas que procuram um caminho, um aconchego dentro do infinito delas mesmas. William e a visão da sua esposa deixando-o misturada ao sentimento de impotência diante da mãe, Freddie e os pesadelos da guerra que distorce sua visão de mundo, Rachel e sua indefinição sobre o amor.
"Todos os personagens principais querem um tipo diferente de amor. Nenhum deles pode retribuir - Essa é a tragédia".
- e essa frase de Davies diz tudo.
O Profundo Mar Azul, em palco brasileiro A peça The Deep Blue Sea (escrita em 1955) veio para o Brasil no mesmo ano como O Profundo Mar Azul, com Paulo Autran (William Collyer), Maurício Barroso (Freddie Page) e Tônia Carrero em seu primeiro papel dramático, como Hester. "Não foi fácil", Tônia diz em entrevista para o livro Bastidores, de Simon Khoury, "porque todos achavam que eu só podia fazer comediazinhas leves, mas nessa peça mostrei que tinha capacidade dramática”. Paulo Autran como William e Tônia Carrero como Hester Já Autran não gostava muito do papel "não acreditava nele, não queria fazer". (Bastidores, Simon Khoury). A peça estreou no Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro.
Trecho de Este Lado do Paraíso - F. Scott Fitzgerald
Faz séculos que não posto aqui, ninguém lê mais essa merda se é que um dia alguém leu. Mas cá estou eu de volta, precisando me desfazer dos meus ciúmes pra poder mostrar ao mundo essa pequena belezinha. Um dos meus livros de cabeceira chama-se Este Lado do Paraíso do autor americano F. Scott Fitzgerald (lindo!). Bem, basicamente esta é quase uma autobiografia. É o primeiro romance do autor e conta a história de vida de Amory Blaine, desde seus primeiros anos, passando pelo colégio, pela faculdade até a vida adulta. Indico a leitura. Mas o que me trouxe aqui hoje não foi exatamente o livro, mas sim uma leitura do último trecho do romance. Eu tava bem deprimida, bem pra baixo mesmo e, como de costume, recorri a leitura de trechos desta obra. Daí eu encontrei um áudio de um tal RM. Que é justamente a leitura deste último trecho. Constando aqui, eu nunca li Este Lado do Paraíso em sua versão original, ou seja, em inglês. E ainda tem mais, my english sucks, sou realmente péssima. Mas estava tão desesperada que resolvi ouvir:
Quando terminou, eu já estava quase aos prantos. A princípo eu pensei que fosse o próprio Fitzgerald lendo, já que eu tinha ouvido alguns áudios dele lendo trechos de Shakespeare e tudo mais. A voz me lembrou muito a do Fitzgerald e também a do Tom Hiddleston (que interpretou o autor em Meia-noite em Paris), mas a voz do Tom é mais grave, aí eu desconsiderei a possibilidade. Depois eu descobri que era esse RM lendo. Caso seu inglês seja tão capenga quanto o meu, você pode escutar lendo (e pedindo ajuda ao google tradutor): 'Long after midnight the towers and spires of Princeton were visible, with here and there a late-burning light—and suddenly out of the clear darkness the sound of bells. As an endless dream it went on; the spirit of the past brooding over a new generation, the chosen youth from the muddled, unchastened world, still fed romantically on the mistakes and half-forgotten dreams of dead statesmen and poets. Here was a new generation, shouting the old cries, learning the old creeds, through a revery of long days and nights; destined finally to go out into that dirty gray turmoil to follow love and pride; a new generation dedicated more than the last to the fear of poverty and the worship of success; grown up to find all Gods dead, all wars fought, all faiths in man shaken.... Amory, sorry for them, was still not sorry for himself—art, politics, religion, whatever his medium should be, he knew he was safe now, free from all hysteria—he could accept what was acceptable, roam, grow, rebel, sleep deep through many nights.... There was no God in his heart, he knew; his ideas were still in riot; there was ever the pain of memory; the regret for his lost youth—yet the waters of disillusion had left a deposit on his soul, responsibility and a love of life, the faint stirring of old ambitions and unrealized dreams. But—oh, Rosalind! Rosalind!... "It's all a poor substitute at best," he said sadly. And he could not tell why the struggle was worth while, why he had determined to use to the utmost himself and his heritage from the personalities he had passed.... He stretched out his arms to the crystalline, radiant sky. "I know myself," he cried, "but that is all." ' E o tal RM é de Toronto e também lê trechos de outros livros, dá uma olhada, vai que você acha um trecho do seu favorito - clica aqui.
O triângulo.
"L'amour n'existe pas sans l'amant et sans l'aimé" (Garaudy)
Muito mais do que o simples polígono de três lados, o triângulo é de uma simbologia muito abrangente; essa figura geométrica primitiva e completa - qualquer outro polígono pode ser dividido em triângulos - tem interpretações e significados em inúmeros sistemas religiosos - principalmente em sistemas iniciáticos - e está presente em toda parte. O símbolo do triângulo cruza-se com o número três. Os chineses consideram o número 3 um número que expressa totalidade e um de seus símbolos, o tsi - antigamente representado por um triângulo - correspondia a noção de união e harmonia. O sistema tríadico está presente em muitas culturas; da Santíssima Trindade Cristã até a Lei do Ternário da Kabala, passando pelo Budismo (o Triratna), pelo hinduismo (o Trimûrti) e pela cultura persa (a tripla divisa Bom Pensamento, Boa Palavra, Boa Ação).
Meus pés e minha fixação
A frase do início do texto representa o caráter de totalidade do triângulo - são três partes inseparáveis e dependentes uma da outra - "a criação implica um criador, o ato de criar e uma criatura", no caso da frase do filósofo francês,"O amor não existe sem o amante e o amado". Três também são os níveis da vida humana: material, racional e espiritual; são três os estágios - nascimento, maturidade e morte; três são os tempos: passado, presente e futuro; e o triângulo filosófico é formado por Enxofre, Sal e Mercúrio, que são os três principais elementos alquímicos (o Enxofre representa o fogo luminoso, ser espiritual autoconsciente; o Mercúrio é a alma, responsável por transmitir os pensamentos, as emoções e os sentimentos e por equilibrar o espírito e o corpo físico; já o Sal é o corpo material e todos os seus sentidos e sensações físicas).
Esse é o triângulo de proteção. Tenho ele no meu monitor, ajuda a equilibrar a energia oriunda de eletroeletrônicos.
O triângulo equilátero é símbolo da divindade, da harmonia e da proporção; com sua vértice virada para cima, na alquimia, representa o fogo, símbolo da sexualidade masculina, já com sua vértice virada pra baixo, representa a água, símbolo da sexualidade feminina. Já o judaísmo tem Deus - cujo nome não pode ser pronunciado - representado por um triângulo (A estrela de David é composta de DOIS triângulos. Um representa Yeshua como homem - sendo que os três lados representam a tríplice divisão do homem: ele é um espírito que possui uma alma , uma mente natural, e que habita num corpo físico -. E o outro triângulo representa Yeshua como Deus. Leia mais aqui) E na Magia, os quatro elementos são representados por triângulos (triângulo retângulo - terra, equilátero - água, escaleno - ar, isósceles - fogo). Eu poderia fazer um texto enorme por que ainda há muito o que se explorar sobre o assunto, mas o que eu li - e procurei resumir aqui da melhor forma possível - foi o suficiente para confirmar minha atração descontrolada pelo triângulo (equilátero). Foi por que decidi tatuá-lo que acabei nesse texto aqui. E, só pra constar, eu não sou hipster, ok? rs.
Ideias, ideias, ideias! Pode ser um triângulo vazado como esses, mas preenchido também fica muito bonito. Tô na dúvida.
Pra saber mais: Da Simbologia do Triângulo Triângulo Draconiano Simbologia do Triângulo
A solidão na tela
Texto original do blog Reinações em Série
Eu vi uma obra desse cara pela primeira vez num livro de história, no capítulo sobre o Crash de 1929.
Automat, 1927
Me apaixonei perdidamente por essa pintura. Em que estaria pensando essa moça? O chapéu com as abas caídas aparentam certo cansaço. Estaria ela com medo de algo? O reflexo no vidro só mostra as luzes e dá uma certa tensão dramática que, depois eu vim a descobrir, faz parte de seu estilo. As cores são fortes, bem delineadas. Automat é um tipo de restaurante onde "os fregueses fazem fila para colocar moedas na máquina e retirar seus pratos prediletos, como feijão e bife, recém-preparados e colocados em 'caixas semelhantes às dos Correios' (veja mais sobre os automats aqui.) Tudo dentro dessa obra é muito incerto e lhe dá espaço para imaginar mil coisas diferentes sobre o lugar e a moça com seu casaco verde. O pintor de quem falo se chama Edward Hopper, um norte-americano que viveu de 1882 à 1967, fez cursos de arte comercial e pintura em Nova York e mantém-se fiel a representação da realidade urbana e da solidão contida nela. Registrou a estagnação do homem e seus períodos mais introspectivos. Devido a influência de Freud e Bergson, procurava "a compreensão subjetiva do homem e dos seus problemas". Hopper teve forte influência sobre a cultura pop, também, e aquela primeira pintura que mostrei já foi capa da Times. Vão aqui mais algumas obras.
Nighthawks, 1942
Chop Suey, 1929
Night Shadows, 1921
Pra saber sobre Hopper: Wikipedia, Edward Hopper - Uma visão da realidade Uma análise mais aprofundada sobre a obra Automat (em inglês): http://automathopper.blogspot.com/
Post Rock (ou Pós-Rock)
Então, nessa fase pré-enem, eu estava procurando músicas pra estudar por que o barulho da vizinhança por aqui não é pouco e se eu for ouvir, sei lá, um Beatles da vida, é lógico que eu vou me distrair. Nessa, eu achei um texto bacana de uma menina que indicava o que ela mesma ouvia pra estudar. Dentre as dicas estavam bandas como Mogwai, Explosions in the Sky e Air, todas do estilo Post-Rock, o qual, até então, eu não conhecia. Ouvi e gostei. Gostei muito, não só pra estudar, mas pra ouvir antes de dormir, ou lendo um texto bacana na internet, ou só pra apreciar mesmo naqueles momentos de ócio - que estão ficando cada vez mais raros.
Pra entrar no clima, leia ouvindo ;]
Mas vamos lá, o Post-Rock é o quê mesmo? O que vem depois do Rock?Bom, o nome Post-Rock ou Pós-Rock apareceu pela primeira vez na resenha do jornalista Simon Reynolds, para a revista Mojo, sobre o disco do Hex, Bark Psychosis. Posteriormente ele desenvolveu a ideia do estilo e outras tantas bandas surgiram. Seguinte, o pós-rock é uma mistureba total. Jazz, hip hop, reggae, rave, rock progressivo, um toque psicodélico além do uso de instrumentos incomuns no rock - que também vem do progressivo. Lendo essas coisas, eu pensei "mas eu já ouvi isso antes..." No trailer do filme Third Star (lindo filme do qual eu falarei em breve por aqui), lá pro final, toca uma música pela qual eu me apaixonei perdidamente. Fui lá no twitter da produção do filme e perguntei qual era a música, de qual banda. A música se chamava "All Our Ends" da banda Vessels (a primeira faixa da playlist aí em cima). Vessels, sim, é uma banda do pós-rock. Que mundo pequeno! Mas voltando ao estilo. Surgido no início dos anos 90, o pós-rock queria 'fugir' dos formatos tradicionais. Além da grande mistura de influências, há arranjos diferentes, 'extinção' dos refrões - as vezes até das melodias -, e os vocais já não são tão necessários - quando há voz, ela é difícil de interpretar, do tanto que se mistura com os outros sons, como se fosse apenas mais um instrumento. Com ou sem vocais, o desafio real do pós-rock é o mesmo da música instrumental, conseguir transcrever toda a força de uma letra bem-bolada apenas nos instrumentos, nas cordas da guitarra, no ritmo da bateria, nos teclados, nas distorções, e em tudo mais que eles puderem. E conseguem, viu? Hoje há banda de pós-rock por todo canto, apesar do estilo não ser assim tão conhecido. Vamos conhecer algumas? Mogwai A banda escocesa formada em 1995 foi um dos expoentes do gênero e está entre as mais bem sucedidas. O nome vem do filme americano Gremlins. Mogwais são bichinhos que parecem uma mistura de morcego e coruja tem tem três regrinhas básicas: - Ele não pode entrar em contato com a água; - Mantenha-o longe da luz forte; - Não importa o quanto ele chore, o quanto ele suplique, nunca, nunca o alimente após a meia-noite.
Lembrou? Juro que não tinha ligado o nome a pes... bom, ao bichinho coisa linda.
Curiosidades a parte, a banda tem mais de 10 discos e se mantém na ativa até hoje, (o último disco, "Earth Division" foi lançado em 2011) sempre se reinventando sem perder o próprio estilo, barulhento, mas calmo, a síntese de uma eterna banda de vanguarda. Aliás, eles estivem no Brasil esse ano, viu? Se apresentaram no Sonar Brasil desse ano, lá em Sampa - eu, pra variar, não fui, bah. No Floga-se, o Fernando Augusto, que foi ao show, conta como foi: "É uma tarefa árdua escapar de termos como catarse, sinfonia, estupendo, agressividade, impressionante, precisão e toda sorte de adjetivos e substantivos que seu conhecimento da língua portuguesa puder lhe dar.Porque o show do Mogwai é tudo isso." Leia mais aqui. Me matou de uma inveja suprema. http://mogwai.sandbag.uk.com/awrenchedvirilelore/ Vessels Já a banda inglesa foi fundada a partir do que restou da A Day Left, em 2005 e já em 2007 ao lançarem o single Yuki/Forever Optimist, foram classificados pela BBC Radio Online como uma das melhores novas bandas do país. Nada mal, hein?
Capa (muito bem bolada) do segundo disco da Vessels.
No ano seguinte, lançaram o primeiro álbum, White Fields and Open Devices que foi muito esperado, devido as ótimas performances nos shows - incluindo uma apresentação no Latitude Festival e uma turnê pelo Reino Unido. Em Helioscope, segundo disco, eles mantêm a mesma proposta do primeiro. Olhando algumas bandas do gênero, da pra perceber que a Vessels é uma das mais tradicionais, como se tivesse uma receitinha de base, sabe? Isso não lhes tira o mérito, diga-se de passagem. Recomendo muitíssimo. http://vesselsband.com/ Explosions in the Sky O grupo vem do Texas, e foi fundado em 1999. Não demorou muito a obter reconhecimento, principalmente após o lançamento do segundo disco, Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever, devido as ligações que fizeram com o atentado de 11 de Setembro (na capa do disco há um avião com a legenda "Esse plano irá falhar amanhã") e o disco foi lançado no dia 10 de Setembro. Povo conspirador. Mas enfim, é uma delícia ouvir Explosions in the Sky; seus álbuns são bem curtinhos, sabe os álbuns do AC/DC? 6 ou 7 músicas? Tipo isso, a diferença é que cada música tem bem uns 5 minutos, caterística forte de pós-rock, mas não são 5 minutos nos quais você fica ansioso pra música terminar ou 'chegar em algum lugar', até por que o objetivo é justamente o caminho. Deixando as filosofias de lado, minhas músicas favoritas são "Time Stops" (linda, a guitarra no início a, com o perdão do trocadilho, explosão no final e tudo mais, enfim), "You hand in mine" (muito famosa aliás) e "Postcard From 1952" que tem um clipe maravilhoso, olha só:
http://www.explosionsinthesky.com/ E o Brasil? Entããão... Dando uma procurada básica, eu achei uma página no Tumblr só para bandas de Pós-Rock brasileiras, se liga: http://post-rock-br.tumblr.com/Do pós-rock tupiniquim, eu gostei de ouvir Hurtmold (ouvi Mestro e curti) e a Labirinto (que é beeeem pscicodélica) - a música Arcabuz é bem bacana ;] Mais do que música pra estudar ou pra relaxar, o pós-rock é digno de apreciação com a máxima atenção - é por isso que nas resenhas de tantas shows, seja do Mogwai ou do Explosions in the Sky ou de qualquer outra banda, nunca falha da gente encontrar citações sobre pessoas que fecham os olhos no meio da multidão e apenas curtem a música. Pelo menos pra mim, é assim que se curte o pós-rock, de olhos fechados e mente aberta. E então, gostou? Então conheça outras bandas do gênero, olha só: The Calm Blue SeaGodspeed You! Black EmperorGod is and Astronaut (É impressão minha ou também é característico do Pós-Rock a adoção de nomes mega criativos? ) Tortoise Conhece outras bandas de Post-Rock? Da gringa ou brasileiras? Conta pra gente ;]
The Hollow Crown: Ricardo II
Ah, a BBC! Sempre com suas séries maravilhosas, seus atores maravilhosos... Enfim. Em 2012 a TV inglesa lançou o Projeto Shakespeare Unlocked, uma contribuição ao London 2012 Festival. Tá, contribuição, mas você acha fácil (e barato) adaptar com o mínimo de dignidade uma obra de Shakespeare? Imagine então se forem 3 obras! Sam Mendes, o produtor até conseguiu parte do dinheiro com a BBC2, mas teve que ir batendo de porta em porta até achar alguém que comprasse a ideia. Tá fácil pra ninguém não. Mas de qualquer maneira, graças a Shakespeare atuando em algum lugar, ele conseguiu e é dessa série, The Hollow Crown, que eu vou começar a falar hoje. Mas, antes, só uma coisa: é muito difícil resenhar Shakespeare. As obras adaptadas são Ricardo II, Henrique IV (parte 1 e parte 2) e Henrique V. Traduzindo assim por cima, The Hollow Crown significa a cora oca, ou a coroa vazia. São três histórias de reis, dos seus próprios conflitos existenciais, espirituais, que seja. O ponto em comum das três obras é, naturalmente, o ponto forte de Shakespeare: entender - e explicar - os milhares de significados incutidos no ato de ser humano. Mas vamos por partes. Ricardo II
"Vamos nos sentar no chão e contar histórias tristes sobre as mortes dos reis"
Ver o reinado de Ricardo II, neste filme de pouco mais de 2 horas, é ver cores - nas roupas dos súditos, nos quadros pintados - e ver tons pastéis sobre a majestade, frágil majestade... Interpretado por Ben Wishaw, a aparência de Ricardo II é a aparência da delicadeza, de tudo que é sutil, suave - inclusive no seu modo de falar. Um menino por assim dizer... Mas pode um menino cobrir as responsabilidades de um rei?
Ben Wishaw é Ricardo II na série The Hollow Crown
Logo no início, vemos dois homens em frente ao rei e, ao redor, espectadores atentos. Henrique de Hereford (também conhecido como Bolinbroke), um primo do rei e Thomas Mowbray, o Duque de Norfolk, acusam um ao outro de alta traição a majestade. Não vou dar spoilers, mas há duas coisas importantes no que se segue: as decisões do rei: efêmeras, baseadas em suas vontades momentâneas, como uma criança que ganha um brinquedo, o adora e, 5 segundos depois, o despreza. Coisa 2, a honra. "O mais puro tesouro que tempos mortais podem pagar é uma reputação sem mancha. Minha honra é minha vida, ambas cresceram juntas. Tire minha honra de mim e minha vida está acabada.", diz o Thomas Mowbray, em vista da tentativa de reconciliação proposta pelo rei. Não se mexe com os brios de um cavalheiro inglês. Muito menos com os brios de um rei inglês, que logo ordena para que o primo destrua Thomas. Ser humano inconstante? Não imagina... Enfim, o que parece um simples conflito, desprezível aos olhos do reino, vem provar-se a origem da ruína... O que é natural da vida, são nossas ações e decisões que calçam nosso caminho - seja para o sucesso ou para a desgraça -, não é mesmo? Além da sorte ou dá má sorte, e essa última, acredite também faz parte da história de Ricardo II. Para os mais atentos, é uma delícia apreciar as motivações humanas, suas vertentes, sua natureza tão simples mas, talvez por isso tão complicada. É como ver John of Gaunt (palmas para Patrick Stewart!), o pai de Bolinbroke, a beira da morte, declarar seu amor a sua querida Inglaterra e desafiar o rei, jogando na cara tudo o que ele tem sido, o que ele tem feito a si mesmo, ao reino. Especialmente nessa cena, você reconhece a 'maldade' nos olhos de Ricardo misturada a um desprezo, com o perdão do trocadilho, supremo pelo moribundo. Mas John consegue pôr o dedo na ferida a ponto de ter a ponta da espada do seu soberano a centímetros do seu pescoço.
Pra quem manja de inglês, parte da cena em que John of Gaunt desafia o rei Ricardo II.
"Quem respira a custo, só respira a verdade", diz ele ao Rei. E da morte de John Gaunt é que retorna Bolinbroke, em nome do próprio pai e da terra amada e, enquanto o rei está longe, vem disposto a conquistar a Inglaterra e dar-lhe novo rumo. Enfim, falando um pouco da estética do filme, a direção de fotografia foca bastante - mas muito mesmo - nos detalhes. As luvas dos cavalheiros, suas armas, e, principalmente a face do rei. Plácido e, novamente, tranquilo, sutil, mesmo quando zangado, é difícil alterar-lhe a expressão, ao menos nos primeiros momentos. É feita certa relação entre Ricardo II e a imagem de Cristo crucificado, dando a ideia do poder divino que o rei julgava ter, o que cabe bem a ele que manobrava seus poderes de forma tão dramática, como que numa grande encenação. Interpretações fantásticas, e uma virada um tanto vertiginosa, olhando o filme como um todo. E que começa da forma mais sutil possível - que, confesso, chegou a me entediar por alguns instantes - e entra numa agitação crescente, chegando ao ponto mais dramático - incluindo cabeças decepadas e tudo mais. E muito me interessou a reação do rei diante da possibilidade do fim. Confusão? Otimismo? Desespero? Desprezo? Tudo isso. E mais um pouco. E o fim é doloroso, torturante, e que pode ser facilmente ilustrado pelo confronto entre Ricardo e a coroa, coroa onde mil bajuladores abrigavam-se, e onde ele mesmo se protegia. O rei Ricardo II vê a própria derrocada em câmera lenta, entre lampejos de otimismo e de profunda depressão. E é então um menino desconsolado que entrega sua coroa ao Bolinbroke, Henrique, o quarto em seu nome.
Numa cena lindíssima, Henrique recebe a coroa de Ricardo
(fantasma) - Francisco Slade
Texto original para o blog O Reino de Betra
Então, é o meu primeiro post como colaboradora do blog da Joice então, só me apresentando rapidinho: Meu nome é Mariane - mas é um nome muito grande, pode chamar só de Mari mesmo - tenho 17-quase-18 anos e atualmente estou trabalhando no meu primeiro romance, investindo nessa carreira doida que é ser escritor (publico meus textos no blog Trezes). Por aqui vou trazer uns livros que acho super dignos de leitura por inúmeros fatores, enredo, linguagem, originalidade... Enfim! Minha primeira dica é o livro (fantasma) - assim entre parênteses e começando com minúsculo mesmo - do autor carioca Francisco Slade. Aliás, 'Metalinguagem', poderia ser o segundo nome deste livro.
"cada um é sua própria história mal contada"
(fantasma), pag. 131
Arto é um escritor antissocial e melancólico que, por falta de opção financeira, aceita adaptar o livro que está escrevendo para uma peça de teatro. A história é de João, um jornalista que só consegue falar uma mísera frase. No decorrer da adaptação e da criação da história, o autor vai se confundindo com o personagem, os dois se misturam na história um do outro. À medida que a história se enrola, cada vez mais o texto toma uma linguagem própria que mistura muitas referências sonoras e por isso, deve ser lido com muita atenção. "(viver me parece uma busca constante de paliativos para a solidão Mas não existe paliativo para a solidão Impossibilidade semântica Não, Matemática.)" (fantasma) pag. 135 A confusão entre autor e personagem é lenta e gradual, demarcada pelos capítulos, Arto, João, Arto, João... Engraçado é quando acontece algo muito sério com o Arto, por exemplo, você morre de ansiedade pra saber o que acontece depois, mas aí o capítulo termina e você volta para a história de João; e mesmo que a história de um se complete na história do outro, a curiosidade permanece. Esse estilo me lembra o livro "O Outro lado da Meia-Noite" do Sidney Sheldon, onde os capítulos variam entre as duas personagens principais, Noelle e Catherine. Provavelmente você se surpreenderá algumas vezes, sentindo-se constrangido, irritado, mais constrangido ainda, mal contendo a repugnância que lhe sobe. Os floreios nas palavras do Slade distam bastante do que a gente considera romântico. Cru e seco são palavras que definem melhor. Mas ainda sim, profundo, com alma. Além da própria história, vale a pena a leitura por isso que eu falei, e falei de novo. A linguagem que o Slade emprega é muito diferente de tudo o que eu já tinha visto antes além da sequência final é uma deliciosa série de surpresas.
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'No' e o paralelo com o mundo atual
O filme No, do diretor Pablo Larraín tem como tema o desenrolar da campanha acerca do Plebiscito que acabou por derrubar o general chileno Augusto Pinochet, que anteriormente, num golpe de estado dos mais violentos da América Latina, havia tirado o então presidente Salvador Allende do poder. Como diz o próprio Pablo numa entrevista em Cannes "Depois do dia da independência, foi provavelmente a segunda data mais importante da nossa história" - (sobre o dia do resultado do plebiscito). Então, como fazer um filme a partir de um tema tão delicado, tão íntimo? Larraín ensina com muita competência e muito brilhantismo. Desde o inicio, o espectador é teletransportado para a década de 80 por inúmeros fatores, mas o melhor deles diz respeito ao material usado para a filmagem: câmeras U-Matic! Explicando: essas câmeras eram muito usadas justamente na época da ditadura, para reportagens de TV e para publicidade também; daí as imagens vão para fitas de videocassete - mais fáceis de manejar. Uma sacada esperta que deu ainda mais familiaridade ao que acontecia na tela. Você pode ficar um pouco assustado com a 'má qualidade' das imagens à princípio, mas depois você acostuma e acaba adorando - pelo menos foi o que aconteceu comigo. Aliás o uso de uma câmera da época foi um ponto importantíssimo pois as cenas do filme acabam se misturando com imagens originais da época, ao ponto de você ficar um pouco confuso - num bom modo de dizer, que fique claro - perdido entre real e imaginário. Acaba tendo um quê documentarista, por consequência. Voltando a história do filme. Durante o regime de Pinochet, houve um incrível sucesso econômico, devido ao estilo adotado pelo governo, capitalismo dos mais selvagens, ativos, escancarados. Logo a renda começou a subir, bons resultados apareciam... Mas na contramão de tudo isso, quase metade da população chilena viva abaixo da linha da pobreza. E além disso, haviam as torturas, os desaparecimentos, as mortes e por essa causa, países estrangeiros começaram a pôr os olhos sobre o Chile, atentando para a questão dos direitos humanos. A pressão foi tão grande que o governo foi obrigado a realizar o plebiscito que decidiria a reeleição ou não do general. Pronto. Aqui entra 'No'. A campanha para o pebliscito tinha um período muito curto. 27 dias para que o "Sim", a favor da reeleição de Pinochet e o "Não", o contra, fizessem campanhas diárias na tv e tentassem convencer a população. Uma população cheia de medo e terror. Para a turma de campanha do "Não", lá estava uma tarefa difícil para não dizer impossível. As esperanças eram ralas, a motivação era pouca. Como dar coragem para as pessoas dizerem "Não" à Pinochet? O nosso protagonista é René (Gael García Bernal), um publicitário chileno que havia passado alguns anos fora e estava recém-chegado no seu país. Ele é convocado para dirigir a criação da campanha do Não. Pressionado de todas as formas, ele acaba aceitando o trabalho. Agora veja bem, é engraçado isso. A publicidade é uma ferramenta tradicional do capitalismo e era um publicitário que iria derrubar o voraz capitalista Pinochet? É como Pablo disse na entrevista o ditador indiretamente cria "o próprio veneno que te mata". Como eu disse antes, René aceita o trabalho. É importante focar nisso. Ele não tem quaisquer opiniões políticas, aquilo era um trabalho como qualquer outro. Ele entra na campanha do Não apenas "pra ganhar". É esse o interesse dele, nada mais. Ignorando a batalha política, René se concentra apenas na campanha que pode 'vender mais'.
Gael é René, o publicitário da campanha contra o ditador Pinochet.
Daí outro ponto maravilhoso do filme. É interessantíssimo acompanhar o desenvolvimento da campanha, a linguagem publicitária, que em nenhum momento fica chata. Dá quase que pra entrar na discussão. O que poderia 'vender mais'? O que poderia proporcionar coragem a população para que ela se rebelasse contra o ditador? Rapaz, a solução apresentada parece uma das mais tolas e ridículas. A alegria. Que absurdo! Um desrespeito contra as famílias dos desaparecidos, dos que foram mortos pelo regime militar, os que foram perseguidos, as vítimas! Toda violência seria esquecida? O que tínhamos pra comemorar? Diga-me você, como uma ditadura militar pode ser derrubada com alegria? Esse é o centro da ideia. Esse é o centro da campanha do Não. Assim o filme avança como quem não quer nada, passeando entre as reuniões do Não e também as do Sim (muito bom reparar nas decisões, "O presidente deve aparecer de civil, não de militar", detalhes bobos assim que no final, fazem diferença). E aí começam as apresentações na TV. Segundo o próprio Pablo, "o país inteiro parava pra assistir. Era como a Copa do Mundo". Dá pra pensar que um horário político pode pôr todo mundo em frente a TV? A batalha de ideias - que, inevitavelmente vai entrando pelas vias de ataque e contra-ataque - nos lembra justamente o nosso horário político. Não é difícil se pegar rindo da semelhança quando um lado acusa o outro muitas vezes usando os meios mais baixos e ridículos. Chega a assustar a semelhança. Todo mundo que não cabulou as aulas de história e tem boa memória pode lembrar no que deu o pebliscito, mas acredite, isso não muda nada e nem por um segundo tira a tensão e o suspense. Agora, olhando pra década de 80 e olhando os dias atuais, não é nada difícil ter uma visão pessimista. Sim, as grandes ditaduras 'acabaram', mas o capitalismo continua impossível de frear. Não, eu não sou comunista. Nem anarquista. Nem socialista. Tampouco capitalista. O que eu quero dizer é, continuamos nos enfiando cada vez mais nesse estilo que já deixou de ser só econômico pra se tornar mais um estilo de vida, de uma forma talvez um pouco - ou muito - cega. Uma fala do René dita muitas vezes durante o filme pode ilustrar um pouco disso. "Esse vídeo está inserido no contexto social atual. O Chile olha para o futuro". Não só o Chile mas o mundo todo está sempre olhando para o futuro. Correndo atrás dele, através, é claro, do capitalismo. Tá muito enraizado, não dá pra tirar, ok. Mas custa pensar com um pouco mais de calma? Refletir sobre o nosso tempo com um pouco mais de cuidado e atenção? O Brasil por exemplo! Cada vez mais famoso lá fora, exportando que é uma beleza, tendo dinheiro até pra emprestar ao FMI. Mas, diga pra mim, é muito difícil encontrar miséria nas ruas? Violência? Pouca ou nenhuma qualidade de vida? Que desenvolvimento é esse? O filme No é, digamos, uma aula, em muitos aspectos. Na sensibilidade de manejar um importante evento histórico, na linguagem cinematográfica maravilhosa e encantadora, na capacidade de analisar a evolução mundial através da história do Chile, mas se manter imparcial. Não é uma crítica a publicidade, não é uma crítica ao capitalismo, nem a qualquer outra vertente econômica ou política. "Não é um panfleto", diz Larraín. É uma obra digna da apreciação e análise profunda - também é digna do Oscar 2013, ao qual está concorrendo a uma vaguinha. Estarei aqui torcendo! Eu poderia dizer mais mil coisas sobre o filme, mas deixa pra lá. Acho que já disse até demais! Bom mesmo, é assistí-lo. No País: Chile Ano: 2012 Duração: 115 min
Direção:Pablo Larraín
Roteiro:Pedro Peirano
My Blueberry Nights
My Bluberry Nights (no Brasil, "Um Beijo Roubado") é um filme, ahn... gustativo, empirista. O diretor usa das luzes, das paisagens, dos closes prolongados e de tantas outras referências visuais para fazer o espectador experimentar todas as nuances de uma torta de Blueberry com sorvete. E a medida que torta e sorvete se misturam, conhecemos Jeremy e Elizabeth e ambos conhecem histórias de tantos outros desconhecidos: ele, revendo fitas da câmera de segurança do seu Café; ela, viajando e trabalhando em bares. A personagem de Elizabeth funcionou mais como um canal (não sei se pela interpretação fraca da Norah ou propositalmente) para as atuações breves, porém (ou talvez por isso mesmo) lindíssimas de David Strathairn como o policial Arnie Copeland, um alcoolatra que não aceita que sua mulher, Sue Lynne (interpretada pela diviníssima Rachel Weisz) o tenha deixado, além da jogadora de pôquer, Leslie (papel da Natalie Portman, outra linda) que se orgulha de saber 'ler' as pessoas.
Enquanto a Elizabeth pode passar um tanto despercebida, o Jeremy (Jude Law) já carrega brilho próprio e nem precisa ele aparecer tantas vezes para percebermos algo absurdamente fascinante, no que é apenas o dono de um Café que guarda chaves e lembra de seus clientes não pelo nome, mas pelo que gostam de comer. A trilha sonora, oh céus, é uma delícia. Tem Norah Jones ("The Story", na qual eu estou viciada), Cat Power, Ottis Redding entre outros. Vale a pena procurar pela trilha, viu gente.
O filme de Wong Kar-wai (diretor que, aliás, ainda não conheço muito mas já gostei) é lento (literalmente, o efeito de câmera lenta é usado milhares de vezes) contrastando com as cores fortes da fotografia. Talvez esse andar vagaroso tenha servido para que pudéssemos captar melhor os sentimentos de cada um, tão escorregadios e efêmeros, para uma melhor percepção como eles mudam, machucam, acabam. My Blueberry Nights (2007) Diretor: Wong Kar-wai Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, David Strathairn, Natalie Portman
7 pecados literários
Blowing Bubbles, de `AquaSixio.
Então, não me recordo mais onde vi esse meme, mas enfim, são os sete pecados capitais da leitura, eu, que já cometi todos eles, vou contar aqui:
Ganância: qual o seu livro mais caro? E o mais barato?
Mais caro? Não compro livros caros por que realmente não tenho como, se tivesse dinheiro, nem olharia o preço dos livros.Mas acho que foi a biografia de Sidney Sheldon, quarentinha, se não me engano.
Ira: com qual autor(a) você possui uma relação de amor e ódio?
Mario Vargas Llosa. Eu só li um romance dele até hoje, mas foi o suficiente pra amá-lo/odioá-lo pro resto da vida, 'Travessuas da Menina Má'. Que livro é esse? Céus, dá vontade de jogar na parede.
Gula: qual livro você devorou sem vergonha?
'O Outro Lado da Meia-Noite', de Sidney Sheldon. E foi uma delícia.
Preguiça: qual livro você negligenciou devido a preguiça?
Alguns. Mas acho que o caso mais épico foi "Dona Flor e seus Dois Maridos", de Jorge Amado. Ali foi pura preguiça por que, na boa, o livro é ótimo! - bom, até hoje eu não terminei, mas até onde eu li, ele é uma maravilha.
Orgulho: qual livro você tem orgulho de ter lido?
"O Devorador de Sonhos", de Gordon Dhalquist. Ele é enorme, trata de um assunto que eu normalmente não curto tanto, ficção científica - não gosto muito nem em livro nem em filme. Comecei, parei, mas aí ele veio puxar meu pé de noite, e com toda a força de vontade do mundo, consegui lê-lo todo. Valeu a pena. Também tenho orgulho de finalmente ter começado a ler Shakespeare, mas isso é assunto pra outro post.
Luxúria: quais atributos você acha mais atraentes em personagens masculinos e femininos?
Mistério, sempre. Ironia, humor... Tem que ser forte também - é por isso que tenho uma queda séria por magnatas literários (Constantin Demiris!). Gosto de mulheres que não têm medo de chorar. Não sei por quê. E gosto de personagens que façam travessuras, muitas travessuas. E um olhar profundo, de rasgar a alma, por favor.
Inveja: quais livros você gostaria de ganhar de presente?
Uau, são tantos! Vamos lá, os principais:
Travessuras da Menina Má - Mario Vargas Llosa Cartas a um jovem escritor - Mario Vargas Llosa Henrique V - William Shakespeare Suave é a Noite - F. Scott Fitzgerald
Loki and the Loon!
Ei, amores, pra vocês que ainda não sabem, eu sou uma grade fã do deus da trapaça, Loki Laufeyson. E também adoro o Tom Hiddleston, que conste. Ainda ontem ou ontem-a-ontem, ele - o Tom - postou no facebook o resultado de um concurso de estampas de camisetas (como tema, os vilões da Marvel) no qual ele foi um dos jurados. Olha só a camiseta que ele escolheu:
Quero uma *-* Essa estampa foi feita pelo Mariel Thompson.
Houveram outros ganhadores com camisetas tão bonitas quanto. As minhas favoritas foram essas:
"Lies Mischief Chaos" ganhou a menção honrosa. A estampa é da Anne Kelley.
"God of Mischief", esse Loki todo trabalhado na Art Nouveau é da Jieyi M., a grande vencedora do concurso.
Ahn, houveram outros vilões, mas, como eu disse, eu tenho meio que... "uma quedinha" (de um prédio de milhões de andares) pelo Loki. Veja todos os ganhadores no site da loja We Love Fine. Ok, o post não acaba aqui. Teve outra estampa que eu gostei muito, essa aqui:
Outra estampa do Loki? Oui.
Essa estampa é da Meghan Stockham. Legal, Mari, e daí? Eu fui futucar o Deviantart da moça e encontrei uma série genial que ela faz chamada "Loki and the Loon". A história é a seguinte: Loki põe um anúncio no jornal, ele procura um companheiro de quarto pra ajudar a pagar o aluguel e tal (tá fácil pra ninguém não...). E quem é o único que responde ao anúncio? O adorável e sempre sorridente Tom!
Foco na caneca do Loki, gente.
Infelizmente não tem muitos episódios ainda (muito infelizmente!), mas a Meghan abre espaço para quem quiser mandar ideias e fan arts também - ela tá sempre postando as fan arts da série que ela recebe ou encontra por aí, e respondendo os comentários do pessoal. Então, vai lá! Juro, é muito legal. Pra acessar, clica aqui ó.
O significado da caveira mexicana.
Então, a caveira mexicana é uma tendência hoje em dia, não? Já vi tatuagens, presilhas, anéis, enfim, várias caveirinhas enfeitadas, coloridas. Mas, cê sabe o significado das caveiras mexicanas?
Eu bati o olho nessa presilha e me apaixonei. (E ela tá à venda aqui ó)
Bem, ao contrário de nós, os mexicanos não fazem do dia de finados aquela coisa triste e mórbida, aquele dia eternamente cinzento de levar flores aos túmulos. Eles comemoram! Com festa, doces, brincadeiras... A caveira não é um símbolo da morte, mas sim da vida. Os povos antigos acreditavam que todos os anos as almas dos mortos vinham visitar seus parentes. Assim é comemorado o Dia dos Mortos. Dando uma olhada no santo Wikipédia, achei algumas brincadeiras, e a mais legal pra mim é a Rima (ou Caveira): "são epitáfios humorísticos de pessoas ainda vivas que constam de versos onde a morte personificada brinca com personagem da vida real, fazendo alusão a alguma característica peculiar da pessoa em questão. Terminar com frases onde se expõe que o levarão à tumba. É muito comum dedicar as 'caveirinhas' a pessoas públicas, em especial a políticos que estejam no poder. Em muitos casos, a rima fala do aludido como se estivesse morto." Essa brincadeira com os políticos me lembra as brincadeiras da Queima de Judas aqui no Brasil - aliás, cada vez mais raras, que triste, tem muito judas político pra ser queimado por aí.
Aliás o Dia dos Mortos é um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 2003. Concordo plenamente. Por aqui ainda há uma cultura muito forte de lembrar de pessoas mortas com uma dor no coração... Certo, é triste que a pessoa tenha morrido, mas pra que focar nisso se você pode comemorar o fato dela ter existido um dia?
Dia de comemoração, esqueletos só alegria u_u'
Leia mais sobre a festa aqui.