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@cafenizou
“I have always imagined that Paradise will be a kind of a Library.” -Jorge Luis Borges ♡
alguns sentimentos morrem em silêncio; é estranho calar algo que outrora era tão barulhento.
“Todos sabemos que romances intensos acabam em musicas tristes”
— Haylley Wolf
eu tenho que compensar o eu de alguns anos atrás pelo estrago que deixei acontecer na minha vida naquela época. tenho que pegar na mão do garoto assustado que não fazia ideia se iria ou não chegar vivo aos 18 que a ideia de fazer 23 após ter terminado o curso de psicologia se faz cada vez mais real, quase tangível, e de que o futuro ainda é difícil demais de ser imaginado mas tavez valha a pena
que talvez eu possa me deixar sonhar com acordar em um sábado de manhã sem ter a dor de cabeça da ressaca de ter tentado afogar tudo que dói dentro de mim na sexta a noite
e entender que os textos que outrora eram contos do bukowski e histórias do john green deram lugar às ponderações sobre existência do nietszche e à luta de classes de marx
porque viver é um processo constante e talvez -só talvez- se eu tivesse entedido isso mais cedo as coisas teriam sido muito mais fáceis. talvez assim lidar com a morte e com a ideação de morte não tivesse sido uma constante forma de me ausentar do presente e aos poucos apodrecer bem diante dos olhos das pessoas mais próximas a mim
é que é preciso aceitar que eu fui muito duro comigo mesmo, que eu errei, machuquei e tentei destruir tudo de importante pra mim com a desculpa de que era só mais um dia ruim, um mês complicado, um ano não muito fácil. uma vida inteira de auto sabotagem. de fuga.
hoje eu posso me olhar nos olhos e aceitar que estive fugindo. posso pegar minhas versões anteriores no colo e dizer que tá tudo bem. ainda dói. mas tá tudo bem.
uma vez um homem disse que se pode matar duas, três rosas.
mas não se pode impedir a chegada da primavera
e eu vou ser o desabrochar da última rosa.
Eu sou um mundo inteiro, completo de rachaduras e tremores intermináveis.
meu bem, talvez parte do amor esteja na proximidade. em olhar o brilho nos olhos e tentar compor uma dança sem piscar.
talvez, nesse bar escuro e gelado, estejamos tão perto que só algo tão impossível quanto deus pudesse nos separar.
mas o que sentimos não é deus, nem amor, só a parte de algo lindo. um vislumbrar de toques que poderiam tão bem ser uma oferenda. assim, as mãos, com tanto cuidado, buscam se aproximar cada vez mais.
o bar apaga, o cigarro apaga, a música apaga, tudo vai do som à cinza ao pó ao nada; até que resta só um pedaço de amor:
mãos atrapalhadas buscando conforto nos braços um do outro, um esbarrão na mesa, uma risada ridícula, um brilho no olhar e como se fosse rio, corremos num beijo enquanto no canto dos lábios fica marcado um sorriso.
meu bem, talvez essa parte do amor esteja aqui:
nas mãos que tocam o pescoço, como se houvesse na pele um segredo para entender o brilho que amar imprime aos olhos.
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